A nação como semiósforo

A nação como semiósforo

MARILENA CHAUÍ

RESENHA: A NAÇÃO COMO SEMIÓFORO

CHAUÍ, Marilena. História do Povo Brasileiro – mito fundador e sociedade autoritária. São Paulo: Perseu Abramo, 2000. pp 11 a 29.

Marilena Chauí emprega ao conceito de semióforo, dando ênfase a um conjunto de coisas carregadas de força simbólica, signos de poder e prestígio, cheios de significação, caracterizando-o com um traço fundamental, que o faz precioso – a sua singularidade. Estes aspectos são decisivos pra que o tornem, além de produto de efeitos de significação dentro dos sistemas, é propriedade daqueles que detém o poder para produzir e conservar esses sistemas. E por seu valor e prestígio, é disputado pelas hierarquias que compõem a nação, denominada de “semióforo fundamental”, “lugar e o guardião dos semióforos públicos”, “semióforo matriz”, “sujeito produtor dos semióforos nacionais” e “objeto do culto integrador da sociedade uma e indivisa”, nascendo dessa disputa sob o poder político, os patrimônios.

Fazendo-se jus à afirmação de Chauí “Um semióforo é fecundo por que dele não cessam de brotar efeitos de significação”, é colocado no texto da mesma que a nação foi inventada recentemente, entendida como Estado-nação, definida pela independência política e pela unidade territorial e legal. Com o passar do tempo foi se elaborando a partir do surgimento do Estado moderno, na “era das revoluções”, de simplesmente “pátria” a “pátria brasileira”, passando por mudanças, das quais brotaram princípios da nacionalidade, a idéia nacional e a questão nacional, chegando-se a idéia de nação como solução dos problemas econômicos, sociais e políticos, lhes dando um caráter unificador indivisível.

A nação no seu processo de evolução e elaboração do seu caráter e formação de sua identidade vai ganhando significação, onde passa a ser vista como algo que sempre existiu carregada de um poderoso elemento de identificação social e político – a cultura. Esse processo é marcado pelo surgimento dos símbolos nacionais, pelo “nacionalismo militante”, pelo civismo, pelas ideologias de consciências e pela relação com o diferente, desaguando em um conjunto de ações que compreendem as políticas de modernização do país, se escrevendo, portanto nas comemorações “Brasil 500”, semióforo historicamente produzido.

O Brasil é um semióforo, por seu grande valor de significação, no entanto com menos brilho no contexto da política capitalista.

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