Visita técnica - Esgotamento Sanitário - Juazeiro-BA

Visita técnica - Esgotamento Sanitário - Juazeiro-BA

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Relatório apresentado como resultado da visita realizada ao escritório e canteiros de obras da empresa COESA, no dia 12/09/09, para a disciplina de Instalações Hidráulicas Prediais, Saneamento I e Saneamento I do Curso de Engenharia Civil da Fundação Universidade Federal do Vale do São Francisco.

Lista de tabelas, de ilustrações e/ou gráficos

Figura 01 – Projeto de esgotamento sanitário do bairro Alto da Aliança Figura 02 – Vala do bairro Quidé Figura 03 – Escora metálica utilizada no bairro Jardim Flórida Figura 04 – Tubos de vinil forte de 200 m. Figura 05 – Escavação para construção de PC Figura 06 – Anéis do PV e tubulação de esgoto Figura 07 – Poço de visita Figura 08 – Tampa de ferro fundido para PV Figura 09 – Escavação dos locais onde serão colocadas as dinamites

Lista de siglas, de abreviaturas e símbolos

• COESA: Companhia de Esgoto e Saneamento • ETE: Estação de Tratamento de Esgoto

• E: Estação Elevatória de Esgoto

• PV: Poço de visita

1. INTRODUÇÃO

O Saneamento Básico é essencial para a saúde do ser humano e do meio ambiente em que ele está inserido. No Saneamento Básico estão compreendidos, de modo geral, a qualidade das águas servidas, a drenagem das águas pluviais, o destino final e a reciclagem do lixo e o esgotamento sanitário.

As instalações de esgotamento sanitário destacam-se, na maioria das vezes, por serem mais onerosas devido à necessidade de mão-de-obra qualificada e grande movimentação de terra na área urbana. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a cada R$ 1 (um real) investido em saneamento básico haverá uma economia de R$ 4 (quatro reais) com assistência médica.

A COESA possui o selo de certificação ISO 9001, sua sede está instalada em

Recife, e foi a empresa vencedora da licitação referente à construção de 200 km de rede coletora principal, no valor de R$ 4 milhões de reais, devendo ser realizada dentro do período de Junho de 2008 à Dezembro de 2009 no município de Juazeiro/BA.

Baseando-se nos preceitos acima, foi realizada uma visita à COESA em

Juazeiro/BA no dia 12/09/09 (sábado), para que fosse esclarecido aos alunos das disciplinas de Instalações Hidráulicas Prediais, Saneamento I e Saneamento I, do curso de Engenharia Civil da UNIVASF, como e onde está sendo implantado o esgotamento sanitário.

Além da rede coletora principal, estão previstas a construção de 19 estações elevatórias, uma para cada bairro, e podendo chegar até 2 ou 3 metros de altura.

A visita foi realizada com a orientação dos Srs. Henrique Lemos e Flávio

Mota, responsáveis pela obra, e da Profª. MSc. Sylvia Paes Farias de Omena, em três canteiros de obras e o escritório da empresa.

Este trabalho foi realizado com base nos dados obtidos durante essa visita tendo como objetivo apresentar as atividades desenvolvidas, particularidades observadas e aprendizado acumulado.

2. ESGOTAMENTO SANITÁRIO DE JUAZEIRO/BA

“A parceria da Prefeitura Municipal com o Governo Federal, através do programa de Serviços Urbanos de Água e Esgoto, trouxe ao município recursos para a ampliação do sistema de esgotamento sanitário, que está sendo realizada em 20 comunidades de Juazeiro. (...) Com os programas de Serviços Urbanos de Água e Esgoto e de Intervenção em Favelas, o município de Juazeiro será 96% saneado, trazendo benefícios para mais de 17 mil famílias. As 13 bacias que correspondem aos 24 bairros de Juazeiro serão beneficiadas, sendo 18 com esgotamento sanitário e os outros 6 com saneamento integrado.” Saneamento Básico com Respeito Máximo – Via Press Comunicação

Os bairros que serão contemplados com as obras de saneamento são: Alto da Aliança, Antônio Guilhermino, Vila Tiradentes, Vila Nova Fé, Argemiro Antônio Conselheiro, Malhada da Areia, Codevasf, Jardim São Paulo, Jardim Vitória, João Paulo I, Novo Encontro, Parque Centenário, Maria Gorete, Pedra do Lord, Quidezinho, Piranga, Jardim Flórida, Lomanto Júnior, Quidé, Palmares I e I, São Geraldo, Jardim Universitário e Tabuleiro.

3. LOCAL DA VISITA

As obras de saneamento são muito dispersas, pois atingem vários pontos da cidade ao mesmo tempo, e devido a este fator é necessária à instalação de um escritório central que sirva de apoio a todos os canteiros de obras. O escritório desta visita localiza-se no bairro Jardim Flórida, onde se pode perceber que nessa central encontravam-se o material de apoio dos operários, o almoxarifado, e o escritório dos responsáveis pela obra.

Os bairros visitados foram: Jardim Flórida (pertencente à bacia do bairro Piranga), Quidé e Pedra do Lord.

4. DESCRIÇÃO DOS SETORES VISITADOS

Os setores que foram visitados estão listados abaixo em seqüência de visita:

• Escritório: Está localizado no bairro Jardim Flórida, lá se pode ver as plantas dos projetos devidamente marcadas de acordo com um padrão elaborado por eles, para designar o que já foi feito do que se tem a fazer.

• Almoxarifado: Localizado no Jardim Flórida, percebeu-se o padrão de organização adotado pela empresa, estocando os tubos de acordo com a finalidade e os diâmetros, as tampas de poços de visita, dentre outros materiais de acordo com os padrões adotados pela ISSO 9001.

• Canteiro de Obras do bairro Jardim Flórida: No dia da visita (12/09/2009), alguns poços de visita estavam em fase de finalização e estava sendo realizada a escavação de outra vala.

• Canteiro de Obras do bairro Quidé: Neste bairro estavam sendo cavadas valas para o assentamento das tubulações de esgoto.

• Canteiro de Obras do bairro Pedra do Lord: Quando esse bairro foi visitado estavam sendo realizados trabalhos de preparação para detonação de rochas.

5. DATA DA VISITA A visita foi realizada no dia 12/96/09 (sábado) das 07:30 às 1:30.

6. ATIVIDADES OBSERVADAS

A metodologia de trabalho dentro do cronograma da obra preconiza a realização da rede de saneamento primeiramente nas ruas laterais ou ramais, devido ao fluxo de pedestres e automóveis ser menor do que nas ruas principais. Em seguida, são realizadas as redes correspondentes às ruas principais, onde o tráfego é maior tendo em vista a sua característica de coletar o fluxo de veículos e interligar todas as regiões da cidade.

Figura 01 – Projeto de esgotamento sanitário do bairro Alto da Aliança

A política adotada pela empresa consiste na contratação de funcionários com o mínimo de qualificação profissional. Entretanto, a cidade de Juazeiro não detém grande mão-de-obra especializada e assim, os operários da empresa são provenientes também das cidades circunvizinhas como Petrolina e Remanso. Além disso, como a empresa é de Recife, os funcionários de melhor posição hierárquica na construção civil, como engenheiros e administradores são também oriundos da cidade onde é instalada a sede da empresa.

Além disso, segundo o engenheiro Henrique Lemos que acompanhou a equipe ao longo da visita às instalações do canteiro de obras e escritório da empresa, comentou sobre certa exigência ou solicitação feita às distribuidoras e fornecedoras de material com relação à capacitação de trabalhadores da construção civil da região.

O engenheiro calculista, procedente de Salvador/BA, responsável pelo projeto da rede coletora de esgoto, determina nas especificações do projeto a profundidade e a bitola do tubo a ser utilizado. Assim, os diâmetros da tubulação desse projeto variam entre 150 m e 600 m e o comprimento padrão é correspondente a 6 m.

O cálculo da rede coletora de esgotos foi feito tendo em vista um horizonte de projeto de 20 anos, ou seja, visando atender a demanda populacional da cidade de Juazeiro, baseada em projeções demográficas, de até 2030. Uma observação a ser feita é que essa vazão de atendimento que deverá passar por cada tubulação corresponde a 75% da vazão máxima que poderia ser transportada pela rede de esgoto.

A profundidade de assentamento dos tubos de acordo com a norma vigente corresponde a 1,05 m mais 0,10 m de areia fina que funciona como um “colchão” para acomodar melhor a tubulação. As profundidades máximas podem chegar em torno de 6 a 7 metros, e nesses casos, a escavação é feita com retro-escavadeira.

São classificadas como valas rasas aquelas com profundidade de até 1,25 m.

Para valas com profundidade até 2 m é utilizado o escoramento com madeira. Para valas mais profundas, ou seja, com dimensões superiores a essa, faz-se necessário a utilização de escoramento metálico. Nesses casos a escavação e o escoramento são feitos com auxílio de uma escavadeira hidráulica com esteira. Uma vantagem da utilização do escoramento metálico é facilidade de montagem e reutilização do mesmo escoramento em vários canteiros de obras.

Figura 02 – Vala do bairro Quidé Figura 03 – Escora metálica utilizada no bairro Jardim Flórida

Anteriormente eram utilizados tubos brancos de PVC próprio para esgotos.

Entretanto, esses tubos quebram com facilidade. Os tubos de ferro também utilizados antigamente encontram-se em desuso devido ao seu peso e conseqüentemente, dificuldade de transporte e utilização, além dos processos corrosivos que podem ser desencadeados ao longo do tempo. Atualmente está sendo adotado o tubo vinil forte que apresenta resistência superior e facilidade de execução. Além disso, as conexões entre os tubos são feitas com anéis de borracha responsáveis pela vedação da tubulação, nas quais é utilizado margarina, para que haja deslizamento e melhor encaixe entre as peças. A figura a seguir apresenta o layout de como ao anel de borracha está disposto no tubo.

Figura 04 – Tubos de vinil forte de 200 m.

A localização da tubulação ao longo do eixo carroçável da via principal corresponde a 1/3 de um dos lados da rua.

A ligação entre a instalação hidráulica de coleta esgoto de cada residência pode ser feito usando selim (fossas ou valetas), ou por meio de poço de visita.

Figura 05 – Escavação para construção de PC

O poço de visita (PV) é composto por anéis pré-moldados de concreto cujo diâmetro varia entre 60 cm, 80 cm e 100 cm utilizados de acordo com a profundidade. Os PVs de 60 cm são utilizados para valas de até 1,20 m de profundidade, PVs de 80 cm para valas entre 1,20 m e 1,80 m, por fim. PVs de 100 cm para valas superiores a 1,80 m. No último anel é feita a capoeira, que consiste num “pescoço” para assentamento da tampa de ferro, e no fundo do PV é executada uma almofada de argamassa (cimento, areia e água).

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