Técnicas Histológicas

Técnicas Histológicas

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A resina depois de seca garantirá uma lâmina permanente que poderá durar anos.

  • Técnicas Utilizadas para Confecção de Lâminas Ósseas

Para a confecção de lâminas ósseas são utilizadas duas técnicas: a primeira consiste no desgaste do osso através do polimento com lixa.

  • Confecção de lâminas ósseas por desgaste

Inicialmente, é retirado um fragmento do osso a ser analisado. Esse fragmento é colado com bálsamo do Canadá sobre uma superfície de madeira plana. Em um bloco de madeira é colada uma lixa de granulometria grossa para o primeiro polimento.

O polimento final é feito com uma lixa mais fina, com movimentos firmes e no mesmo sentido, até que se tenha obtido uma camada de osso delgada. O osso é retirado da madeira com xilol e aderido à superfície da lâmina de vidro. Sobre ele é colocada uma lamínula e fixada com resina (Amaral et al. 1994; Timm, 1996 a, b).

  • Confecção de lâminas ósseas por descalcificação

A segunda técnica implica na descalcificação do osso.

Este procedimento tem por objetivo retirar o fosfato de cálcio do tecido ósseo para que possa ser seccionado posteriormente. A descalcificação pode ser feita através da imersão em ácidos ou compostos quelantes.

Os quelantes capturam os íons metálicos (entre os quais o cálcio), removendo-os dos tecidos com um mínimo de alteração. Embora de ação mais lenta, agridem menos o tecido, e são mais utilizados nos procedimentos histológicos.

Após a fixação, o material é lavado para retirar o excesso de fixador e transferido para um descalcificador. Não é recomendado utilizar fragmentos maiores do que 3 mm de diâmetro. Devem-se usar, no mínimo, 40 vezes o volume do tecido, agitando o frasco várias vezes ao dia e trocando o descalcificador a cada 2 ou 3 dias.

Os tecidos descalcificados não devem ser transferidos diretamente ao álcool 70%, e sim, lavados em água corrente por algumas horas.

Para a confecção das lâminas histológicas de ossos descalcificados seguem-se as etapas rotineiras citadas anteriormente.

  • Técnicas Histoquímicas

A histoquímica é uma técnica histológica que tem por objetivo a identificação da natureza química de constituintes celulares.

Consiste na coloração específica desses constituintes, recorrendo basicamente a substâncias que, reagindo com os componentes celulares, dão origem a produtos corados.

Esta técnica contrasta com a coloração histológica comum, acima referida, na medida em que esta última se baseia na absorção, pelas estruturas, de substâncias coradas (os corantes), enquanto que na histoquímica, as cores são propriedades de produtos que se formam in sito.

Um dos exemplos clássicos é o método de Feulgen que se destina a identificar o DNA.

O princípio da reação baseia-se no fato de que o DNA, após hidrólise ácida moderada, quando tratado pelo reagente de Schiff , dar lugar à formação de um produto que se cora em vermelho arroxeado.

São processos de coloração que conferem especificidade, pois expõem os grupamentos e radicais químicos que compõem as estruturas, para que os mesmos sejam especificamente evidenciados pelos corantes histoquímicos.

Ex: carboidratos, ácidos nucléicos, aminoácidos, íons, lipídeos, etc.

- Localização de ácidos nucléicos: método de Feulgen.

- Localização de carboidratos: técnica do PAS (Periodic Acid-Schiff).

  • Técnica da Contrastação (Microscopia Eletrônica)

A microscopia eletrônica expõe estruturas que ao selecionar a passagem de elétrons pelas mesmas, tornam-se elétron-densas ou elétron-lúcidas.

São duas as substâncias contrastantes mais usualmente aplicadas para a microscopia eletrônica: o acetato de uranila e o citrato de chumbo.

  • Técnica de Imuno-Histoquímica (IHC)

As técnicas de imuno-histoquímica (IHQ) detectam moléculas (antígenos) teciduais, sendo de grande valor nos diagnósticos anátomo-patológicos e na investigação científica. O mecanismo básico é o reconhecimento do antígeno por um anticorpo (Ac primário) associado a diversos tipos de processos de visualização. 

Atualmente há disponibilidade de grande número de anticorpos para uso em tecidos fixados em formol e incluídos em blocos parafina, permitindo o estudo de blocos arquivados por longos períodos.

A técnica de IHQ mais usada é a indireta, associada ao complexo avidina-biotina-enzima. O complexo é formado pela ligação de uma molécula de (strept) avidina com várias de biotina associadas a uma enzima (peroxidase ou fosfatase alcalina), que tem como função a conversão de um cromógeno incolor em um produto final que pode conferir diversas cores aos antígenos teciduais marcados. As cores mais comuns são a castanha (peroxidase+ diaminobenzidina-DAB) e a vermelha (fosfatase alcalina + fast red).

  • Indicações:

Em diversos casos é necessário utilizar o exame imuno-histoquímico, procedimento sensível de detecção molecular que pode auxiliar no diagnóstico de doenças inflamatórias, infecciosas e neoplasias, ou ainda fornecer dados mais precisos e individualizados sobre o melhor tratamento e provável evolução do câncer.

A imuno-histoquímica pode auxiliar em diversas situações, tais como:

- Diagnóstico de tumores indiferenciados;

- Diagnóstico diferencial entre tumores e estados reacionais;

- Diagnóstico de diversas doenças infecciosas;

- Determinação de fatores preditivos de neoplasias;

- Determinação de fatores prognósticos de neoplasias;

- Determinação / sugestão de sítio primário de adenocarcinoma;

- Determinação de tipo / subtipo de linfomas e leucemias.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

JUNQUEIRA, L. C.; CARNEIRO, J. Histologia básica. 8 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1995.

JUNQUEIRA, Luis Carlos U.; JUNQUEIRA, Luiza Maria M. S. Técnicas básicas de citologia e histologia. São Paulo: Santos, 1983.

STEVENS, Alan; LOWE, James. Histologia. São Paulo: Manole, 1995.

BECAK, Willy. JORGE PAULETE. Técnicas de citologia e histologia. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 1976.

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