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SUMÁRIO

1- INTRODUÇÃO p.03

2- COMO SURGEM OS DEUSES p. 04

3- DEUS DA IGREJA CATÓLICA p.05

  1. - DEUS E A ERA MODERNA p.06

  1. - DEUS NA FILOSOFIA ANTIGA p.09

  1. - DEUS NA FILOSOFIA MEDIEVAL p.10

  1. - DEUS NA FILOSOFIA MODERNA p.11

  1. - DEUS EM TOMAS DE AQUINO p.12

  1. - DEUS EM DESCARTES p.16

10- DEUS EM HUME p.16

11- CONCLUSÃO p.18

12- BIBLIOGRAFIA p.19

INTRODUÇÃO

Iremos abordar deus dentro do fator religioso, ele é um dos componentes essenciais da personalidade humana. A dimensão religiosa, apesar de ter sido marginalizada nesta era cibernética, é e sempre será a bússola indispensável a orientar o homem no descobrimento do seu verdadeiro sentido existencial.

Pela história constatamos que a omissão desta realidade deriva inevitavelmente para outros substitutivos, ainda que nocivos e caducos, como a busca paroxística das drogas, do alcoolismo, do tabagismo, do pan-sexualismo, do poderio sócio- econômico etc., chegando mesmo ao suicídio e à agressividade com assaltos, seqüestros, roubos etc. Por isto, para remediar a herança vazia, angustiante e desesperadora da sociedade de produção e consumo, é indispensável acrescentar como peça fundamental a prática da religião. Etimologicamente, a palavra religião, segundo Cícero, vem de relegere = consideração atenta com leitura repetida das relações do homem para com Deus; segundo Lactâncio e Santo Agostinho vem de re-ligare = nova relação do homem para com Deus pelo vínculo da piedade, acrescentada à relação da dependência física de todo o seu ser. Num sentido geral, a religião significa a relação moral que une o homem a Deus através da inteligência e vontade que, por sua vez, se baseiam na relação física e ontológica, pela qual toda a criatura depende inteiramente do criador. Nesse sentido, ela abrange o conjunto das verdades e dos deveres que resultam da nossa dependência de Deus e que constituem a ordenação de toda a nossa vida para ele.

No sentido estrito, a religião é uma virtude especial que tem por objetivo o conjunto de deveres que se referem diretamente ao culto devido a Deus. Assim, o homem todo (inteligência, vontade e sensibilidade) se acha ordenado para Deus. Como criatura racional, dotado de inteligência e vontade, o homem para não quebrar a ordem do universo, que exige inter-relação de criatura-criador, de filho-pai e servo-dono, deve reconhecer intelectualmente as relações morais que ligam a Deus, como criador e, conseqüentemente, através da sua vontade, ordenar toda a sua atividade livre de tal forma prestar a Deus o culto que lhe é devido.

COMO SURGEM OS DEUSES

Antes de tratarmos da concepção de "Deus" devemos mostrar como ele surge e o que ou quem o cria. Para que se possa avaliar os contextos históricos, compará-los e explicar o processo de transição da mentalidade humana do teocentrismo para o antropocentrismo, é preciso enumerar tanto as características religiosas, morais e econômicas desta quanto daquela mentalidade.

A política sempre manteve uma dependência íntima com as Ciências Sociais, não só com a Psicologia, mas também com a Ética, a Moral, a Sociologia e inclusive com a Ontologia. Trazendo à tona uma característica que acompanha a humanidade desde a criação – sob um ponto de vista religioso - ou desde os antepassados do homem, primórdios da humanidade – sob um ponto de vista antropológico ou evolucionista – ou sob o ponto de vista sociológico, o homem é incapaz de existir isoladamente.

O homem, então, é um animal político e, sendo assim, deve, necessariamente, ser governante ou governado e, nestes dois casos, está sempre subordinado, de alguma maneira, a algo ou alguém.

A ganância por riquezas é o combustível das ações humanas. É o que movimenta o homem. É o que traz a necessidade desse homem – ser político, ser social, governante ou governado – estar sempre subordinado a um conjunto de normas de ordem moral, social (constituição, legislação, costumes, etc) ou religiosa (Bíblia, Igreja, etc).

Partindo desse princípio, a inconstância do ser humano, ressaltada aqui, confirma-se em uma idéia paradoxal: Ao mesmo tempo em que o indivíduo apresenta-se arrogante, egoísta, avarento, injusto, negligente, leviano, enfim, individualista originalmente, esse mesmo indivíduo convive e depende de outros que possuem essas mesmas características formando uma sociedade de antíteses que é simultaneamente individualista e generosa, decorrente dessa dependência, como bem explica Marx com os conceitos de mais-valia e materialismo dialético.

Juntando ao citado a característica do medo e da ignorância do homem da Antigüidade, surge a figura das divindades, dos santos, dos deuses, dos demônios, dos anjos, da mitologia, do céu, do purgatório, do paraíso e do inferno – seja através de um faraó, pastor de ovelhas, de um rei ou representante de uma civilização; seja através de dez tábuas, cada uma com um mandamento ou lei ou de um livro sagrado; seja através de relâmpagos, trovões, tempestades, doenças, pragas, pestes, anomalias, etc. – para impor limites ao negativismo humano e responder às perguntas que sua ignorância não permitia responder na Antigüidade e Era Medieval, sob a concepção de "Deus quis".

É o homem quem cria seus deuses e seus mitos. Do mesmo modo com que ele cria suas divindades ele as destrói e, para não ficar desamparado, devido à sua necessidade de estar subordinado a algo ou alguém que imponha limite ao seu lado negativo, ele automaticamente ou instintivamente cria ou assimila outras crenças, outros deuses. O homem é obediente, devoto, fiel a seu Deus não porque o admira, mas porque o teme. Ele segue os mandamentos de seu Deus não porque deseja o paraíso, o céu, o éden, mas sim porque teme o inferno.

Por mais avançada que seja ou esteja uma civilização, um povo, sempre se encontra encravada nesta a necessidade da existência da figura das divindades ou dos mitos. Se formos para o campo, encontraremos o folclore regional, com seus lobisomens, mulas-sem-cabeça e sacis. Nas cidades surgem as lendas-urbanas, com os ladrões de órgãos, fantasmas em casas abandonadas.

DEUS DA IGREJA CATÓLICA

Antes da chegada de Cristo o Império Romano era politeísta, sendo assim não acreditavam no Deus do Antigo Testamento. Posto isso podemos certamente dizer que o Deus que imperou sobre Roma, após a sua conversão ao Cristianismo foi, obviamente, o "Deus Cristão", o Deus do Novo Testamento. Então, toda a Igreja Católica Apostólica Romana acreditava no Deus do perdão. A política que prosperou por todo o auge do Império Romano foi a "política-de-pão-e-circo”, que consistia em um instrumento de racionalização que proporcionava lazer e alimentação ao povo romano.

Com a ciência ainda engatinhando em curtos passos, somando a isso a política de racionalização do pão-e-circo, Roma tinha um povo e um governo ignorantes de ciência. Desse modo todos os fenômenos inexplicáveis racionalmente eram explicados através de "os deuses quiseram" – Roma Politeísta. Aconteceu porque deus quis. Por que os povos bárbaros invadiram a Europa e derrubaram por completo o poderoso Império Romano? Ora, porque Deus quis – Roma Monoteísta. Se Deus quis, é porque está descontente com seu povo. Se Deus destrói uma cultura, uma civilização, um povo, eles acabam destruindo ou abalando a fé que esse povo deposita neles. O povo termina por descontentar-se com seu Deus também.

Tudo começa com o Baixo Império Romano que dá origem ao Feudalismo, esse período da história é caracterizado pela migração do povo europeu para o campo devido à invasão do território urbano pelos povos bárbaros, ocasionando uma dissolução tanto do poder imperial quanto do poder da Igreja transformando o antigo Império Romano e parte da Europa em diversos reinos distintos. Isso fez com que a igreja perdesse toda a sua força, uma vez que ela dependia de um governo estável e soberano para prosperar.

Assim tinha-se uma igreja que era forte e devido à crise perde o seu poder. Como recuperar esse poder, uma vez que o povo está descontente com seu próprio Deus? Como dominar um povo com um deus abalado? Como dominar um povo com seu "Deus Cristão", Deus do perdão? Aí surge mais um paradoxo: A igreja precisava dominar um povo que acreditava em um Deus do perdão usando um Deus do holocausto.

Esse "milagre" só pode ser conseguido com a ajuda do "Deus Velho". Não só com a ajuda dele, mas também com a ajuda do Deus do perdão, o "Deus Cristão". Mas nenhum deles dava argumentos para essa dominação. Os dois deuses têm os mesmos Dez Mandamentos. Os dois ordenam: "Não Matarás" e "Não julgarás teu próximo". Que argumentos a Igreja Católica teria para justificar A Inquisição e as mortes em fogueiras?

Era preciso criar um novo Deus, um Deus de coerção, de dominação. A Igreja Católica conseguiu facilmente realizar essa façanha. A maioria absoluta da população européia era formada por analfabetos, ficando a cultura presa e nas mãos do clero. Muitos eram os reis que não sabiam ler e até mesmo assinar seu próprio nome. Isso facilitou, e muito, a criação desse novo Deus. Havia outro fator que ajudou nessa criação. Apenas o clero conhecia e tinha acesso ao latim porque apenas o clero era alfabetizado e possuía o domínio de bibliotecas.

A Bíblia Sagrada não faz nenhuma referência ao latim como sendo o idioma obrigatório para a celebração de quaisquer rituais ou missas. A Bíblia Sagrada sequer faz referência a algum idioma obrigatório ou preferencial para alguma celebração, seja Novo Testamento, seja no Antigo Testamento seja, até mesmo nos, Evangelhos Apócrifos. O latim, a palavra latim aparece apenas uma vez na Bíblia Sagrada. Como toda a Religião Católica deve obedecer e seguir a Bíblia Sagrada, não há qualquer justificativa para se adotar uma língua que o povo não conheça.

Utilizando-se do latim, a Igreja Católica ganhou forças para dominar a população inventando um Deus diferente do Deus Velho e do Deus Cristão. Foi muito fácil fazer isso, pois não foi preciso reescrever a Bíblia ou qualquer Evangelho, nem mesmo inventar um. Celebrava-se a missa em latim e, nesse caso, eram pregados os verdadeiros ensinamentos cristãos, porém o povo não entendia. Depois se pregava, na língua do povo, o Deus, a doutrina que a Igreja queria que o povo obedecesse, adorasse, enfim, e não o Deus ou a doutrina religiosa que o povo deveria obedecer. A Inquisição é mais um exemplo que prova a invenção desse Deus. Assim surge o Deus inventado pela Igreja Católica.

Toda a Igreja Católica Medieval era uma farsa. Farsa essa que influencia a Igreja Católica contemporânea. Por que os sacerdotes beijam as imagens dos santos se a adoração e confecção de qualquer imagem a fim de representação de Deus é um pecado mortal? Herança da antiga crença. O celibato não é exigido em momento algum pela Bíblia, mas como uma tradição capitalista, a igreja o obriga seus sacerdotes para ter a posse de seus bens após suas mortes. A Igreja Católica considera-se e é definida como a Igreja fundada por Jesus Cristo. Não há registro algum, na Bíblia inteira, referente à vontade de Cristo de fundar uma religião.

DEUS E O INÍCIO DA ERA MODERNA

O homem é quem cria seus deuses. Se for analisada a história humana pelo aspecto religioso concluir-se-á que, ao contrário do que prega a maioria das religiões, é o homem quem cria Deus e não Deus quem cria o homem. Deus é a criatura do homem. Se o homem cria seus deuses ele pode destruí-los quando não sentir mais a necessidade de tê-los. É por isso que nenhum deus permanece forte por muito tempo. Não se está afirmando nem negando que Deus exista.

O indivíduo cria um deus para dar-lhe respostas a questões das quais não se têm explicações, para impor limites ao negativismo de outros indivíduos e ao seu ou para personificar um medo, fenômeno ou desejo – tribos indígenas possuem seus deuses das chuvas, dos trovões; os egípcios criaram seus deuses do Sol, das pestes; os gregos e romanos tinham seus deuses do amor, da guerra, da fertilidade. Quando o homem vai encontrando suas explicações para esses medos, desejos ou fenômenos, ele vai enfraquecendo e extinguindo seus deuses e mitos e criando outros que acompanhem seu desenvolvimento.

No decorrer da História, o homem permanece o mesmo - em sua essência, ou seja, suas necessidades, desejos, sua maneira de pensar, capacidade intelectual permanece a mesma, porém, é condicionada pelos fatores culturais de cada civilização ou contexto histórico. O homem contemporâneo, em sua natureza, possui as mesmas características do homem da Antigüidade. O homem permanece o mesmo há dois milênios, Deus é quem muda.

Primeiro tinha-se o Deus do Antigo Testamento que, como já foi citado, tinha a característica da predestinação. O destino de cada homem já estava escrito antes do seu nascimento. A figura desse Deus desaparece com o nascimento de Jesus Cristo, que prega um novo Deus. Cristo conseguiu em três anos de pregação derrubar os deuses gregos e romanos e o Deus do Antigo Testamento. Assim temos a primeira morte de Deus.

Cristo trazia um novo Deus. Um Deus que perdoa, que dá escolhas ao homem, que possibilita ao mesmo escrever seu destino e mudá-lo a qualquer momento. Assim ele derrubou deuses que influenciaram por séculos as civilizações grega e romana e um Deus que dominou uma parte da cultura asiática e européia por milênios. Temos assim a primeira morte de Deus e o nascimento de um novo Deus.

O novo Deus converteu Roma e todo o resto da Europa ao Cristianismo em menos de três séculos, em uma época onde não havia quaisquer veículos de comunicação em massa. É óbvio que sempre houve adeptos de religiões pagãs, porém em uma quantidade irrelevante. O motivo pelo qual esse fenômeno aconteceu está intimamente ligado com a força do Império Romano, pois a conversão ao Cristianismo começou por ele, que possuía o domínio de grande parte da Europa naquele momento.

O Deus Cristão reinou por pouco tempo. A decadência do Império Romano inicia-se na segunda metade do século II d.C. e a queda do império origina a segunda morte de Deus, devido aos motivos já citados, como a invasão dos bárbaros que ocasionou a dissolução do poder da Igreja Católica.

Chega ao poder o Deus da Igreja Católica. O Deus da dominação e os fatores econômicos e culturais – econômicos porque a população européia estava em crise e culturais porque o conhecimento estava apenas nas mãos do clero e de alguns nobres – impediam qualquer forma de evolução e desenvolvimento. Por longos onze séculos esse Deus "reinou soberano". Na verdade quem reinou foi a Igreja Católica.

A morte desse Deus deu-se de maneira muito lenta. A Reforma Protestante tinha a missão de matá-lo e ressuscitar o Deus que morreu com o início do Feudalismo. Como fazer isso se esse Deus estava dominando e influenciando a cultura européia por mais de mil anos?

Os três fatores de principal importância para derrubar o Deus da Igreja Católica foram: A Reforma Protestante, a Revolução Francesa e a Revolução Industrial. O primeiro trazia novos ideais religiosos e ganhara forças devido à Peste Negra; o segundo vinha com suas ideologias irresistíveis de "Liberdade, Igualdade e Fraternidade" e a "Declaração Universal dos Direitos Humanos" e o terceiro prometia uma nova forma de produção e a possibilidade de ascensão econômica.

A Igreja Católica condenava qualquer abuso entre os homens, em outras palavras, o lucro era proibido. Esse é outro dos instrumentos de dominação usados pela igreja. O homem estava condenado a morrer pobre ou rico, se assim nascesse, pois a sociedade teocêntrica medieval acabava com qualquer esperança de mudança de vida. A Bíblia condena apenas o lucro ilícito, ou seja, o lucro obtido por roubo, assassinato, etc., e não o lucro obtido com o suor do trabalho. Eis uma citação bíblica que comprova tal afirmação: "Ai daquele que adquire para a sua casa lucros criminosos, para pôr o seu ninho no alto, a fim de se livrar das garras da calamidade!" .

Pelos esses motivos, o homem medieval é analfabeto, pobre, ignorante e dominado pela Igreja Católica. Que impõe a ele o pecado, para limitar suas ações negativistas, promete a ele o Inferno, se for um pecador, o Céu se for obediente e o Purgatório para julgar seus atos e decidir seu destino.

A Era Moderna tem início quando o homem deixa de ter uma mentalidade teocêntrica e passa a pensar antropocentricamente. O homem começa a pensar como humano e não como uma simples ovelha do rebanho da Igreja Católica.

Após as Revoluções Francesa e Industrial, o homem ganha esperanças para ascender socialmente e deixa para trás os seus costumes medievais. Surge a figura do Estado para impor limites ao negativismo humano, pois, ao abrir mão de uma religião o homem precisa adotar novos costumes para que o meio em que vive não se torne um caos.

Pode-se fazer uma analogia entre a sociedade medieval e a sociedade moderna. A primeira possuía um Deus que limitava suas ações, estabelecendo o certo e o errado; a segunda possui o Estado para desempenhar esse papel. A sociedade medieval tinha o pecado representando o que era errado; a sociedade moderna possui a noção de ilicitude para tal. Na Era Medieval, o Inferno era a pena para quem cometesse pecados; na Era Moderna, a privação de direitos e sanções. O céu era a recompensa para quem não fosse um pecador; hoje o pleno exercício da cidadania é a recompensa para os não criminosos. Na Idade Medieval o purgatório e Deus representavam as noções contemporâneas de juiz e Tribunal, embora a Igreja, erroneamente inspirada, assumisse também esse papel.

O Estado, através do contrato social, expede normas justas, porque são para todos cumprir, e essas normas impõem limites ao negativismo humano. A noção de igualdade entre todos os homens traz segurança e confiança aos mesmos.

A Era Moderna é o que contrasta com a Idade Média, que nada mais é que o período de dominação do homem pela Igreja Católica – um período de longos onze séculos de total estabilidade científica que não possibilitou nenhuma evolução, em nenhum aspecto, para a humanidade – Se a Igreja Católica não tivesse existido como tal, não haveria contrastes, melhor dizendo, fronteiras entre esses dois períodos da história porque não haveria as revoluções que deram início a Era Moderna.

Depois de serem analisados os deuses que predominaram na cultura ocidental percebe-se que à medida que um deus morria outro surgia – era criado, dando continuidade ao "império da Igreja Católica". Com a crise econômica e cultural da Europa ocorreram revoluções e revoltas que marcaram o fim da Idade Média dando início à Era Moderna, onde o Estado prevaleceria como deus supremo, o deus que reorganizaria a sociedade política e economicamente. Essa nova forma de dominação muda o foco das leis, retira a credibilidade das afirmações divinas e apóia as explicações científicas, baseadas na observação dos fenômenos sociais.

Verificou-se a importância das revoluções que retiraram o poder da Igreja, com quem permaneceu por toda a idade média, e dando início a uma nova era. A forma de pensamento científico da sociedade moderna, em oposição à sociedade teocêntrica, buscava nas ciências as verdadeiras explicações para os fatos sociais entre outros fenômenos. Essa mudança acaba por proporcionar à humanidade, em dois séculos, evoluções nas mais diversas áreas, que durante dois milênios estiveram estagnadas devido aos dogmas da igreja que condenavam novas inspirações, dogmas que eram totalmente contrários aos ensinamentos de Cristo e também às escrituras bíblicas.

Dessa forma, percebe-se que o deus moderno apresenta melhores oportunidades de desenvolvimento para o homem. A partir da libertação dos deuses católicos esse "novo deus", através do contrato social, possibilita a ascensão social, as garantias e direitos fundamentais, o desenvolvimento tecnológico, enfim, o homem tem o seu devido reconhecimento como indivíduo.

Não era Deus que não possibilitava uma vida digna ao homem, e sim a Igreja Católica que assim fazia. A Igreja que destruiu todos os ideais de vida e humanidade propostos pelo seu inspirador.

No entanto, cabe ressaltar que esse deus que surge na era moderna, a exemplo dos outros deuses, também foi criado pelo mesmo homem religioso que continua a necessitar de mitos e divindades ou, nesse caso, de subordinação. Para tanto, o Estado assume a forma do novo deus, o deus que estabelece as normas de contrato que o homem moderno obedece como as leis divinas, que através dos tribunais julga o homem da mesma forma que o purgatório, trata os crimes como se um pecado fosse e, finalmente, adota a cadeia como o inferno para aqueles que não se submetem a viver de acordo com as normas impostas pelo contrato social.

O homem cria seus deuses e ele mesmo os destrói. A exemplo disso cabem as três faces do Deus católico. Assim sendo, os deuses são criados de acordo com as conveniências do contexto em que surgem. À medida com que deixa de ser conveniente, os deuses vão enfraquecendo-se e dando lugar a novos deuses, mas o homem permanece o mesmo, com sua sempre presente ganância e ânsia por poder.

DEUS NA FILOSOFIA ANTIGA

A patrística caracteriza-se pela introdução da doutrina crista na civilização romana,como o pecado original,a trindade de Deus em um,tudo formulado em princípios sagrados.

A patrística concilia a teologia com a filosofia,de forma que a revelação da palavra de Deus por Cristo aos homens teria sido igual à que inspirou os filosóficos.

O período helenístico da filosofia antiga passou do grego para o cosmopolita,com interferência da visão crista,o estoicismo,epicurismo,ceticismo e o neoplatonismo.

As idéias antigas no sentido filosófico,foram rompidas com o aparecimento do cristianismo.

O cristianismo pregava o desapego material,a igualdade entre os povos,o amor universal,a imortalidade da alma.Estava associada a doutrina crista as idéias sobre Deus da Filosofia Grega,tendo Santo Agostinho conciliado Platão com a teoria da cristandade.

A discussão da patrística era o conflito entre a razão e a fé.

DEUS NA FILOSOFIA MEDIEVAL

A filosofia medieval perdurou por 1.000 anos,influenciada por Platão e Aristóteles,aprofundou as questões da patrística.

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