Criação de empresa

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ESTUDO DE VIABILIDADE ECONÔMICA

PROJETO FÁBRICA DE CACHAÇA

PRODUÇÃO DE 60 MIL LITROS POR SAFRA

Apresentação:

Estatística: Minas Gerais conta, hoje, com aproximadamente 8.500 estabelecimentos (dos 25000 existentes no país) produtores de cachaça, atividade que apresenta forte identidade com a cultura do estado. O reconhecimento da cachaça como um dos mais expressivos produtos que identificam as tradições e é motivo de orgulho para todos os mineiros. Em um total de 500 milhões de litros de cachaça produzidos no Brasil, Minas produz 182 milhões. Do número de estabelecimentos que operam no país, aproximadamente 90% estão na informalidade e representam uma cifra de quase 36% da produção nacional da cachaça de alambique. A produção anual brasileira de cachaça ultrapassa a casa de 1,5 bilhão de litros, considerando tanto a cachaça de alambique quanto a de coluna.

Objetivo: Criação de uma unidade totalmente estruturada e provida de recursos (tecnológicos, financeiros, humanos, administrativos, etc . ) com intuito de estabelecer uma empresa que desponte entre as maiores no mercado, utilizando-se de uma excelente infra-estrutura e absorvendo os pequenos produtores que atuam na informalidade . Utilizando –se de uma meta de 60 mil litros/safra estamos almejando algo para disputar com as maiores produtoras do mercado, algo que se tornará viável mediante as diversas fusões planejadas . Todo planejamento será regido por um rígido controle de qualidade e mediante análises de órgãos parceiros no processo da Cachaça de Minas Gerais .

O Projeto Cachaça trabalha no sentido de contribuir com o aumento da competitividade das empresas e comunidades que têm na cachaça a sua fonte de sustentação.

Neste sentido, apresentamos o Estudo de Viabilidade Econômica para produção de cachaça. O trabalho traz como premissa a fabricação de 60.000 litros de cachaça por safra, considerando desde os aspectos de construção do alambique até os custos inerentes ao processo. O principal objetivo do trabalho é ingressar na atividade e potencializar o negócio, tendo como base a planta de um alambique para fabricação de cachaça, no volume acima especificado.

A parceria com o Sindicato das Indústrias de Cerveja e Bebidas em Geral do

Estado de Minas Gerais / SINDBEBIDAS viabilizou a formatação deste trabalho.

SUMÁRIO

1 – INTRODUÇÃO .................................................................................................. 3

2 – PERFIL DA INDÚSTRIA DE CACHAÇA EM MINAS GERAIS ........................ ...

3 – ORIENTAÇÃO AOS FUTUROS EMPREENDEDORES ................................. 11

4 – DEFINIÇÃO DO PROJETO ............................................................................ 12

5 – ANÁLISE DE VIABILIDADE ECONÔMICO-FINANCEIRA ............................ 13

5.1 - Base do estudo ...................................................................................... 13

5.2 Coeficientes técnicos ............................................................................ 14

5.3 Programa de produção de cachaça e demanda de tonéis de

processamento e envelhecimento ....................................................... 15

5.4 Custo de implantação e manutenção do canavial .............................. 22

Custo agrícola ................................................................................................ 22

5.5 Equipamentos: especificação e orçamento ........................................ 23

5.6 Instalações: especificação e orçamento.............................................. 29

Orçamento das instalações civis ................................................................. 35

5.7 Quadro e despesas de pessoal ............................................................. 36

5.8 - Estrutura e composição do custo industrial ....................................... 38

5.9 Custo dos produtos............................................................................... 41

5.10 Custo de produtos vendidos e formação de estoque......................... 43

5.11 - Financiamento bancário...................................................................... 45

5.12 Lucros e perdas ..................................................................................... 47

5.13 Usos e fontes ......................................................................................... 50

6 – CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................... 53

ANEXOS............................................................................................................. 54

Onde se Informar ........................................................................................... 54

Órgãos do Governo e Entidades a Procurar ............................................... 55

Lista de fornecedores e prestadores de serviços ......................... 57

Plantas ..........................................................................................................

1 - INTRODUÇÃO

A industrialização da cana-de-açúcar no Brasil tem grande importância econômica,

estimando-se que cerca de 15 milhões de pessoas estejam envolvidas nas atividades de produção de cachaça, álcool, açúcar, melado e rapadura (empregos diretos e indiretos).

A produção de cachaça é uma atividade desenvolvida em todo o Brasil, porém, pelo seu valor histórico, parece ter incorporado os segredos e a tradição de Minas Gerais. Até o início da década de 80, conceitos crendices e técnicas populares envolviam esta atividade de tal forma que cada alambique parecia produzir uma cachaça especial e diferente de todas as outras.

Hoje, a produção da cachaça de alambique vem passando por uma profunda revisão em seus conceitos e iniciativas empreendedoras. Entre estes podemos citar a introdução da pesquisa e a postura dos novos investidores do agronegócio da cachaça, que visam a qualidade e o lucro, deixando de lado a idéia de que a atividade seria simplesmente para complementação do orçamento da propriedade e manutenção das instalações agropecuárias.

Três fatos podem ser considerados para explicar esta mudança de comportamento:

a) o diagnóstico da cachaça realizado pelo Instituto de Desenvolvimento Industrial de Minas Gerais (INDI), em 1982, que foi o primeiro movimento de valorização da cachaça de Minas Gerais;

b) a criação do Pró-Cachaça (Programa Mineiro de Incentivo à Produção de Cachaça de Qualidade), colocando como finalidade principal a reestruturação do agronegócio da Cachaça de Alambique;

c) a abertura da economia brasileira, provocando grande intercâmbio entre empresas, dirigentes e técnicos, que passaram a degustar e divulgar a cachaça nos seus países de origem;

Em 2002, após muitos debates, o setor de cachaça foi beneficiado com a regulamentação de cooperativas pelo Ministério da Agricultura, através da Instrução Normativa 056/2002. Tal decisão colocou o setor no mesmo nível das indústrias de destilado de todo o mundo, possibilitando a produção em regime de cooperativas ou rede de empresas.

Entretanto, todas essas conquistas ainda não atestam a qualidade do produto e o

aumento de competitividade da maior parte dos produtores de cachaça, pois ainda

nos deparamos com um quadro em que as condições técnicas de trabalho e os

procedimentos operacionais deixam a desejar.

Mesmo considerando as precárias condições de fabricação e a utilização de materiais inadequados à sua elaboração, como o plástico, a alvenaria, o cimento amianto e o azulejo, que provocam efeitos nocivos à qualidade do produto, a fama da cachaça mineira sempre esteve em alta, com a produção aumentando de ano para ano. De um total de 60 milhões de litros em 1985, a produção mais que triplica, em 2001, ultrapassando a casa dos 200 milhões de litros.

Diante do exposto, observa-se que para a implantação de sistemas coletivos de produção, é preciso que se faça um trabalho de capacitação dos produtores, bem como de padronização dos equipamentos e processo produtivo. É, portanto, um trabalho de base que deverá ser feito em todas regiões produtoras para dar suporte e garantir a qualidade das cachaças produzidas e padronizadas por engarrafadoras regionais. Este trabalho fica perdido se cada produtor não investir em qualidade e tecnologia.

O Pró-Cachaça, cujo conselho-diretor reúne importantes entidades de fomento econômico, pesquisa, extensão e assistência técnica, contribuiu de forma definitiva para a evolução da qualidade no setor, mas ainda há muito o que fazer.

Tanto no mercado externo como no interno, acentuam-se as pressões pela melhoria da qualidade dos produtos. No âmbito externo, as exigências relativas à especificação de produtos e insumos estão substituindo gradativamente as barreiras tarifárias, transformando-se no fator determinante do protecionismo comercial e do ganho de mercado. A certificação de qualidade, baseada em normas, padrões e especificações técnicas será o passaporte de qualquer produto.

No mercado interno, as exigências de qualidade se tornam intensas, acompanhando a mudança dos padrões internacionais, mesmo que não se consiga em todos os casos a plenitude dos sistemas de certificação. As maiores pressões partem dos elos receptivos das cadeias de produção, clamando por mudanças:

a) no âmbito da indústria – alambiques e engarrafadoras – a busca por equipamentos e serviços mais produtivos, eficientes e de melhor qualidade;

b) no campo de consumo – novos conceitos de valor (satisfação, qualidade intrínseca, status, atendimento de expectativas, etc.) determinam a escolha de

determinado produto.

Além disso, as campanhas de proteção ao consumidor, que vêm sendo divulgadas

pelos seus órgãos de defesa, constituem elemento-chave para a garantia de

qualidade e segurança dos alimentos e bebidas.

Este trabalho tem como principal objetivo prestar informações básicas empreendedoras interessados no setor de produção de cachaça de alambique. Não se constitui, porém, em um manual de produção ou projeto para implantação da atividade. Para tal, sugere-se que o empreendedor entre em contato com as instituições responsáveis pela regulamentação do setor, assistência técnica e consultoria, garantindo perfeita harmonia entre o projeto e as exigências legais da atividade.

2 - PERFIL DA INDÚSTRIA DE CACHAÇA EM MINAS GERAIS

Estima-se que no Brasil existam mais de 25.000 estabelecimentos produtores de

cachaça, cerca de 8.500 (34%) no estado de Minas Gerais. Em um total de 500 milhões de litros de cachaça produzidos no Brasil, Minas produz 182 milhões. Do número de estabelecimentos que operam no país, aproximadamente 90% estão na

informalidade e representam uma cifra de quase 36% da produção nacional da

cachaça de alambique. A produção anual brasileira de cachaça ultrapassa a casa

de 1,5 bilhão de litros, considerando tanto a cachaça de alambique quanto a de

coluna.

Em Minas Gerais, a cachaça de alambique, que dá os seus primeiros passos no

ambiente empresarial, não constitui uma cadeia produtiva organizada, com

definição clara dos seus elos e dos intercâmbios, como é comum hoje entre

grandes grupos empresariais que se uniram em prol de um menor custo de

produção e maior poder de conquista do mercado.

Pode-se observar que no agronegócio da cachaça os produtores estão divididos

em dois grupos: as empresas regularizadas e as informais. Essas últimas,

desunidas e sem regras de convivência com a concorrência, partem para

iniciativas predatórias, produzindo sem se preocupar com a qualidade e vendendo

por qualquer preço. O seu objetivo principal é desalojar o concorrente para ocupar

o seu espaço. Conquistando a posição requerida, a empresa já é alvo para se

tornar presa de outros concorrentes. Nesse jogo entra o atravessador, que com

seus artifícios joga um produtor contra o outro e consegue baixar o preço de

aquisição da cachaça.

Essas atitudes traduzem-se em um ramo de atividade totalmente desarticulado,

que não é capaz de fazer valer as conquistas de mercado, mesmo com a fama da

Cachaça de Minas. De maneira geral, os produtores não têm poder de negociação

com os fornecedores de equipamentos e serviços, não calculam corretamente os

custos de produção e não melhoraram a qualidade do produto e o visual das

embalagens.

Ao lado desta realidade, já existem pequenos grupos de empreendedores que

perceberam o potencial que a cachaça possui e estão investindo no setor com

espírito empresarial. Para entrarem no ramo, pesquisam mercado, fazem projetos,

participam de cursos, etc.

Como resultado deste espírito empreendedor, parte da bebida vem saindo das

embalagens tradicionais (garrafões, cascos de cerveja, etc.), que vêm sendo

substituídas por embalagens mais bonitas, com tampas metálicas rosqueáveis,

caixa tipo boxe, rótulos sofisticados e de melhor aparência, usando os mais

diversos artifícios para agregar valor ao produto. Outro detalhe: estas são

cachaças em que os empreendedores investem em sua elaboração, garantindo a

qualidade final do produto.

3 - ORIENTAÇÃO AOS EMPREENDEDORES

Antes de decidir pela implantação do projeto, é preciso fazer uma pesquisa das

necessidades e viabilidade do investimento, procurando se inteirar do assunto.

Deve-se levar em consideração os seguintes quesitos:

  • conhecer o setor;

  • pesquisar literatura;

  • classe de mercado que se pretende atingir (A, B, C ou D);

  • estimar o custo de produção;

  • definir o preço de venda;

  • definir o quanto produzir;

  • participar de cursos de treinamentos para conhecer melhor a atividade;

  • conhecer normas específicas para a produção de cachaça, de acordo com a Legislação Federal em vigor (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

4 - DEFINIÇÃO DO PROJETO

Após ter concluído a pesquisa de viabilidade do investimento, o segundo passo é

procurar profissionais especializados na elaboração do projeto de dimensionamento das instalações e equipamentos. Este profissional, além de projetar a fábrica, deverá orientar sobre:

  • legalização da fábrica;

  • legislação sobre produção de cachaça;

  • legislação ambiental;

  • custo do investimento (equipamentos e instalações);

  • fornecedores dos equipamentos;

  • existência ou não de financiamento;

  • cronograma de implantação da área agrícola;

  • treinamento do mestre alambiqueiro.

A contratação de um profissional especializado é importante para a tomada de

decisões em todos os aspectos do investimento. Muitos empreendedores não

procuram profissionais especializados e montam suas fábricas através de

informações empíricas, compram equipamentos desnecessários e com custo alto,

ou ainda obsoletos. Além disso, não se preocupam com a legislação e, no final, a

fábrica está pronta e é impedida de funcionar pelo Ministério da Agricultura ou

órgãos do Meio Ambiente, porque as instalações estão fora das normas.

Portanto, antes de ingressar na atividade, o empreendedor deverá elaborar um

bom projeto técnico, com o acompanhamento de profissional capacitado e que

conheça toda a legislação que regula o setor. Assim, terá a garantia de aprovação

do projeto pelos órgãos responsáveis.

5 – ANÁLISE DE VIABILIDADE ECONÔMICO-FINANCEIRA

5.1 - Base do estudo

A análise de viabilidade econômico-financeira a seguir foi realizada para uma

empresa com capacidade de produção de 60 mil litros de cachaça de alambique

por safra. Para essa empresa foram aplicadas as seguintes condicionantes:

  • produção anual de 40% de cachaça nova e 60% de cachaça envelhecida por 12 meses em tonéis de madeira;

  • os preços considerados foram preços médios de amostragem aleatória de 50 cachaças registradas no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento;

  • os impostos foram apurados em conformidade com as alíquotas vigentes, sem benefícios fiscais, como: Simples (Federal) e MicroGerais (Programa Mineiro de Incentivo às Micro e Pequenas Empresas).

As principais orientações da empresa analisada são:

  • a produtividade da cana (toneladas por hectare) é semelhante às médias obtidas nas fábricas de cachaça de Minas Gerais, com canaviais de mais de seis cortes;

  • toda a cana consumida na produção de cachaça é fornecida pelo departamento agrícola da empresa;

  • o produto final é a cachaça pura de alambique, nos termos do Decreto nº 42.644/02, de Minas Gerais;

  • a estratégia de competitividade está centrada em preço.

5.2 - Coeficientes técnicos

A figura e as tabelas a seguir apresentam os coeficientes técnicos aplicados nas

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