Anexos Embrionários: Placenta e Cordão Umbilical

Anexos Embrionários: Placenta e Cordão Umbilical

(Parte 1 de 3)

Universidade Federal Rural de Pernambuco – UFRPE

Departamento de Morfologia e Fisiologia Animal – DMFA

Área de Histologia

Disciplina: Embriologia

Professor: Eduardo Henrique

Turma: SB3

Turno: Tarde

Equipe: Anne Driellly, Edneide Souza, Eloize Ferreira, Hevelin Cristine, Ísis Santos, Lisângela Barbosa, Luan Viana, Luiz Eduardo, Maria Izabel, Monaliza Tavares, Suelen Cristina .

Recife, 17 de Setembro de 2009.

É difícil atribuir a qualquer caráter isolado

o verdadeiro valor da viviparidade.”

Lillengraven et Al (1987).

Recife, 17 de Setembro de 2009.

Índice

Placenta,4

- Origem e Evolução, 4

- Placenta Decidual e Placa Coriônica, 4

- Formação da Placenta, 5

- Circulação Placentária, 6

Circulação Placentária Fetal, 6

Circulação Placentária Materna, 6

- Membrana Placentária, 7

- Funções da Placenta, 8

Descrição das Funções da Placenta, 8

Hormônios Produzidos pela Placenta, 9

- Placenta de Gêmeos, 10

- Tipos de Placenta, 10

Placenta Difusa, 11

Placenta Zonal, 11

Placenta Cotiledonária, 11

Placenta Discoidal, 11

- Patologias Placentárias, 12

Placenta Prévia, 12

Mola Hidatiforme, 12

Coriocarcinoma, 13

Deslocamento da Placenta, 13

Cordão Umbilical, 14

- Evolução, 14

- Formação do cordão Umbilical, 14

- Nós Verdadeiros, Nós falsos e Geléia de Wharton, 15

- Más Formações do Cordão Umbilical, 16

Circular do Cordão, 16

- Amostragem Percutânea de sangue do cordão umbilical, 17

- Ultrassonografia, 17

- Ecografia na Gravidez, 17

Anexos, 19

Bibliografia, 23

Placenta

Origem e evolução

Placenta é um órgão de tecidos tanto fetais quanto maternos que servem de transporte de nutrientes e oxigênio da circulação materna para o feto e de resíduos metabólicos e CO2 da circulação fetal para a materna.

A placenta é o órgão-elo entre mãe e filho que permite, via escala zoológica, voltar-se ao ovo mais simples oligolécito, pois proporciona ao indivíduo em desenvolvimento a garantia de suas necessidades básicas: respiração, nutrição e eliminação de seus catabólitos. O desenvolvimento dentro do corpo da mãe garante proteção ao concepto, permitindo que se desenvolva um ou poucos indivíduos, diferindo daqueles oligolécitos de postura externa que são necessários milhares de ovos para que alguns possam sobreviver à ação dos predadores. Sem dúvida, a aquisição placentária dos mamíferos Eutheria é uma conquista que lhes permite investir diretamente no desenvolvimento de poucos indivíduos, otimizando suas chances de sucesso. Segundo Lillengraven e colaboradores (1987), é difícil atribuir a qualquer caráter isolado o verdadeiro valor da viviparidade. Entretanto, esse valor está relacionado com a produção de ninhadas menos numerosas e mais desenvolvidas. Por alcançarem o estágio adulto mais lentamente e requerer uma alimentação pós-natal por parte dos pais, os filhotes aprendem comportamentos complexos durante o cuidado parental.

O dispêndio energético é direcionado à placenta, que permite a absorção de nutrientes pelo feto a partir da corrente sanguínea materna. Assim, a mãe não gasta energia na produção de ovos com muito vitelo. Ademais, a placenta, por um mecanismo contra-corrente, semelhante ao que ocorre nas brânquias dos peixes teleósteos, permite as trocas de oxigênio e de dióxido de carbono entre mãe e feto, pois o fluxo sanguíneo dos capilares do feto é oposto ao dos capilares maternos. É por esse mecanismo também que os excretas da circulação fetal são removidos de modo eficiente. O alantóide que realizava as funções respiratórias e de excreção em répteis e aves é substituído pela placenta nos mamíferos eutérios. A função do saco vitelínico de transferir nutrientes para o embrião nos répteis e nas aves é substituída pela placenta nos mamíferos.

Na evolução zoológica, partimos de ovos oligolécitos (por exemplo, equinodermas) para os mais aperfeiçoados heterolécitos (por exemplo, anfíbios) até os cleidóicos panlécitos (telolécitos) de aves e répteis (que já saíram do meio aquático). Os ovos cleidóicos garantem um pleno desenvolvimento fora do organismo materno, pois funcionam como um sistema fechado, no qual o desenvolvimento do indivíduo é garantido no que se refere à nutrição e à respiração, precisando tirar do meio apenas calor e um pouco de umidade. Como esses ovos altamente desenvolvidos continuavam sendo vítimas de predadores, a natureza evoluiu para a formação da placenta, que permite pleno desenvolvimento e proteção no interior do organismo materno, passando antes, pelos indivíduos ovovivíparos até atingir os totalmente vivíparos. Mesmo nos mamíferos placentários, esse órgão passou por graus evolutivos, culminando na placenta dos primatas, sem dúvida a mais especializada.

A placenta humana é formada por uma parte fetal (originada do córion – córion viloso) e de uma parte materna (decídua – decídua basal).

Designa-se por córion o conjunto trofoblasto (cito e sinciciotrofoblasto) mais a mesoderme extra-embrionária que o reveste.

Placenta Decidual e Placa Coriônica

A placenta humana é formada por uma parte fetal( originada do córion-córion viliso) e de uma parte materna (decídua-decídua basal).

Decídua

A decídua (do latim, deciduus;queda) corresponde à camada funcional do endométrio gravidício,que será eliminado por ocasião do parto.Três regiões da decídua recebem nomes de acordo com sua relação com o local da implantação:

- Decídua basal: é a parte da decídua situada mais distante do concepto, que forma o componente materno da placenta.

- Decídua capsular: é a parte superficial da decídua que recobre o concepto.

- Decídua parietal: é constituída por todas as partes restantes da decídua.

Córion Viloso

Componente fetal da placenta. As vilosidades-tronco, que surgem deste,se projetam para dentro do espaço interviloso contendo sangue materno.

Formação da placenta

Por ocasião da implantação,o endométrio é invadido pela ação erosiva do sinciciotrofoblasto.Ele digere o epitélio endometrial, tecido conjuntivo subjacente e, finalmente,sua ação atinge os vasos sanguíneos e as glândulas endometriais.Todo o blastocisto fica incluído dentro do endométrio,enquanto o epitélio endometrial se refaz sobre a zona invadida e fecha o local de entrada.Trata-se de uma implantação intesticial.

As células do estroma endometrial sofrem a chamada reação decidual,tornando-se grandes,pálidas e com grande quantidade de glicogênio e lipídeos.Provavelmente,estão relacionadas com a nutrição inicial do germe e a produção hormonal e protegem o tecido materno contra uma invasão descontrolada do sinciciotrofoblasto.A mucosa cervical não sofre reação decidual,mas secreta um muco que reage como um tampão que oclui o canal cervical,protegendo o feto contra ataques externos de microorganismos.

Com 11 a 12 dias de desenvolvimento,começam a ser notada projeções do citotrofoblasto para dentro do sincicitotrofoblasto,contituindo-se as vilosidades primárias.Na terceira semana de desenvolvimento, surgem digitações do mesênquima extra-embrionário para dentro das vilosidades primárias, constituindo as vilosidades secundárias ou coriônicas.Em torno de 21 dias, o eixo do mesênquima das vilosidades secundárias dá origem a vasos coriônicos,formando uma ampla rede capilar nas vilosidades.Estão estabelecidas as vilosidades terciárias.

De início,as vilosidades coriônicas formam-se ao redor de todo o embrião.Elas persistem até a oitava semana.Mais tarde, as vilosidades voltadas para a decídua capsular regridem,só persistindo aquelas do pólo embrionário,ou seja, as adjacentes à decídua basal.Está formado o saco coriônico,contituído de uma parte vilosa-o córion viloso ou frondoso que corresponde à parte fetal da placenta - e o córion liso.

A partir do segundo mês, as vilosidades associadas à decídua basal aumentam cada vez mais em número e tamanho,ramificando-do bastante e adquirindo um aspecto arborescente.As vilosidades apresentam agora um tronco viloso de onde partem vários ramos.Os troncos vilosos e seus ramos projetam-se para os espaços intervilosos (originalmente lacunas do sinciciotrofoblasto),os quais são preenchidos por sangue materno.Quando o sinciciotrofoblasto invade a decídua basal,deixa zonas intactas(sem digerir)em forma de pequenas cristas,que se projetam para dentro do espaço intraveloso e que corresponde aos septos placentários.Os septos placentários dividem a área fetal da palcenta em 10 a 38 áreas convexas irregulares,que são os chamados cotilédones.Cada cotilédone contém dois ou mais troncos vilosos principais,sendo seus ramos banhados pelo sangue materno.

Todo o endométrio relacionado com as vilosidades coriônicas corresponde à decídua basal(parte materna da placenta).Somente a parte mais profunda do endométrio, a placa decidual,permanece após o parto e colabora para a regeneração do endométrio.

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