Cultivo de Hortaliças

Cultivo de Hortaliças

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À todos aqueles que, direta ou indiretamente, contribuíram para que este manual fosse feito. Àqueles que, com seu espírito de iniciativa, trabalho e entusiasmo, foram responsáveis, não apenas pelo sucesso obtido nas hortas já instaladas, mas também por despertar o interesse de outras pessoas para o cultivo de hortaliças, expandindo, assim, nossas idéias.

HELEN ELISA CUNHA DE REZENDE BEVILACQUA Engenheira Agrônoma, Diretora de Divisão Técnica Agropecuária da Supervisão Geral de Abastecimento

JUSCELINO NOBUO SHIRAKI Engenheiro Agrônomo, Chefe se Seção Técnica Agropecuária da Supervisão Geral de Abastecimento

MARIA DO CARMO FORTUNA STOUTHANDEL Nutricionista, Supervisora Geral de Abastecimento

NINA DA COSTA CORRÊA Nutricionista da Supervisão Geral de Abastecimento

SANDRA MÁRCIA FERRUCCI Socióloga I da Supervisão Geral de Abastecimento

MÁRCIA LIPPE DE CAMILLO Assistente Técnico I, da Supervisão Geral de Abastecimento

LENITA CLÁUDIA ATALA MANSUR Chefe Seção I, da Supervisão Geral de Abastecimento

ARMINDO AUGUSTO Auxiliar Técnico Administrativo da Supervisão Geral de Abastecimento

OSMAR ROBERTO TEIXEIRA Assessoria de Comunicação Social

FOTOS Olhar Fotográfico

HISTÓRICO7
ETAPAS DE IMPLANTAÇÃO DO PROGRAMA DE HORTAS COMUNITÁRIAS8
DESTINO DA PRODUÇÃO8
ENVOLVIMENTO DA COMUNIDADE8
APRESENT AÇÃO9
INTRODUÇÃO10
IMPORTÂNCIA DAS HOR TALIÇAS NA ALIMENT AÇÃO10
CLASSIFICAÇÃO DAS HOR TALIÇAS10
LOCAL DE INSTALAÇÃO DE UMA HORTA1
Implantação1
Instalação da horta1
FERRAMENT AS NECESSÁRIAS12
PREPARO DO SOLO14
FORMAÇÃO DOS CANTEIROS15
ADUBAÇÃO16
Preparo do composto orgânico como adubo17
SEMEADURA19
Sementeira19
Transplante19
Plantio em local definido20
TRATOS CUL TURAIS21
ROTAÇÃO DE CUL TURAS2
CONSORCIAÇÃO DE CUL TURAS2
ESCOLHA DAS ESPÉCIES A SEREM CULTIVADAS26
CONTROLE DE PRAGAS E DOENÇAS26
RECEITAS DAS CALDAS UTILIZADAS PARA O CONTROLE DE PRAGAS29
COLHEITA30
PLANTIO EM LOCAIS SEM ESP AÇO30
Escolha do recipiente30
Drenagem30
Solo para recipiente30
Escolha do local para os recipientes30
Regas30
TABELA DE SELEÇÃO DE HOR TALIÇAS32
BIBLIOGRAFIA34

CAPÍTULO I 5

O Programa de Hortas Comunitárias foi criado em 1986, num trabalho conjunto com as

Secretarias de Educação (SME) e da Família e Bem Estar Social (FABES), atendendo as Escolas Municipais de Educação Infantil, de Primeiro Grau e Creches.

No ano de 1988 foram atendidas 80 escolas, sendo que competia à SEMAB (Secretaria

Municipal de Abastecimento) contribuir com material de apoio didático, ferramentas e sementes de hortaliças, bem como na orientação e supervisão técnica das hortas instaladas.

Durante o mesmo ano, por meio de um convênio celebrado com o Ministério da Agricultura, foi destinada à SEMAB uma verba para a implantação de hortas no município de São Paulo, programa este denominado Mutirão Agrícola, através do qual eram atendidas áreas da Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo (COHAB), num total de 15 unidades, nas quais os moradores se reuniam para a implantação de hortas nas áreas comuns dos conjuntos residenciais.

Em 1989, o Fundo Social de Solidariedade do Estado de São Paulo repassou à Secretaria

Municipal de Abastecimento mais 60 áreas (Creche, Escolas Municipais de Educação Infantil e de Primeiro Grau), todas pertencentes à Prefeitura do Município de São Paulo.

Em 1990, através de uma ampla divulgação sobre o Programa de Hortas, por meio de folhetos informativos, houve um aumento significativo de pedidos solicitando a implantação de novas hortas, sendo que, em março de 1991, já estavam sendo atendidas um total de 132 unidades.

Atualmente (1996), existem 325 locais onde o Programa de Hortas já está implantado, distribuídos por todas as regiões da capital.

Novas solicitações surgem provenientes, principalmente, de informações colhidas junto aos locais com hortas já implantadas, ou indicações fornecidas pelas Secretarias Municipais da Família e Bem Estar Social, do Verde e Meio Ambiente e das Administrações Regionais.

Para o atendimento dos pedidos recebidos de áreas públicas e comunitárias, adota-se o seguinte procedimento:

a) realização de uma visita ao local onde se pretende implantar uma horta, analisando-se fatores como as condições do solo, disponibilidade de água, número de pessoas envolvidas; b) entrega do kit de ferramentas; c) realização de um curso teórico-prático no próprio local onde será instalada a horta; d) preparo da área feito pelos próprios interessados; e) retorno para entrega do kit de sementes e orientação prática sobre confecção de canteiros e semeadura; f) visitas técnicas periódicas de acompanhamento ao longo do ciclo de cultura.

Normalmente, toda a produção obtida é distribuída entre os participantes da comunidade, não sendo raro a comercialização do excedente para cobrir os custos (contas de água, aquisição de outros equipamentos, etc.). No caso das escolas e creches, os produtos obtidos são utilizados na complementação da merenda escolar.

Para que o programa obtenha resultados satisfatórios, é imprescindível o comprometimento das pessoas designadas para as tarefas correlatas. No caso, o papel mais importante cabe à equipe que dirige os trabalhos de rotina, dependendo do seu esforço, capacidade de articulação e do seu grau de envolvimento para com o resto da comunidade, o que acarretará a continuação ou não dos serviços realizados.

Este manual foi elaborado tendo como objetivo fornecer subsídios a todos aqueles interessados no cultivo de hortaliças.

É dirigido, basicamente, às creches, escolas e comunidades que possuam áreas disponíveis e que desejem transformá-las em áreas produtivas com a implantação de hortas, contribuindo para desenvolver uma maior conscientização quanto à importância das hortaliças na nutrição humana e na educação ambiental.

As orientações contidas nesta publicação destinam-se a demonstrar que o cultivo é uma atividade fácil, de custo mínimo, não requerendo grandes áreas ou a utilização de muitos equipamentos. Ao contrário do que muitos pensam, pode-se obter uma boa produção utilizando-se pequenos espaços de terra em canteiros, vasos ou recipientes simples.

O Programa de Hortas Comunitárias tem como objetivo propiciar aos trabalhadores e suas famílias que vivem em áreas urbanas a possibilidade de cultivar, em trabalho conjunto, hortaliças para o próprio consumo, de ótima qualidade, por serem um produto natural (sem utilização de defensivos agrícolas), frescos (da horta diretamente para a alimentação da população) e para complementação de renda (mediante a venda de eventuais excedentes).

Em escolas, creches e centros de juventude o objetivo é envolver as crianças e adolescentes, estimulando-os a entrarem em contato com as plantas, de maneira a despontar o interesse em relação ao papel da agricultura, abastecimento, da educação ambiental e o respeito às complexas relações existentes entre os seres vivos e o meio ambiente, bem como conhecer o processo de plantio, tratos culturais e colheita de diversos tipos de hortaliças.

O importante neste programa é o aproveitamento de áreas ociosas para a produção de hortaliças o ano todo, sem a preocupação muito rigorosa com a produtividade ou lucratividade.

Para que isso aconteça, é necessário saber como cultivá-las, como adubar o solo e combater as pragas e doenças.

Para caracterizar a importância das hortaliças na alimentação é necessário citar que os alimentos são divididos em grupos, de acordo com o seu valor nutritivo: - os construtores: leite e derivados, carnes, ovos e leguminosas.

- os energéticos: gorduras e hidratos de carbono (açúcar, cereais, batata, mandioca, entre outros). - os reguladores: hortaliças e frutas. Os alimentos construtores são aqueles que fornecem proteínas em maior quantidade; são importantes em todas as idades e essenciais para a formação e reparação dos tecidos do organismo, e promovem o crescimento do corpo (cabelos, músculos, ossos e dentes).

Os alimentos energéticos são aqueles que fornecem a energia necessária ao organismo para o desenvolvimento de todas as atividades diárias.

Os alimentos reguladores são aqueles que fornecem vitaminas, sais minerais, água e fibras (que estimulam o funcionamento do intestino, pela ação mecânica, contribuindo na eliminação dos resíduos não aproveitados no processo digestivo).

Para se obter uma alimentação saudável e equilibrada é necessário utilizar diariamente, em cada refeição, pelo menos um alimento de cada grupo.

Na prática, as hortaliças são divididas em três tipos: - verduras

- legumes

- condimentos Chama-se uma hortaliça de VERDURA quando as partes aproveitadas são folhas, flores, botões ou hastes, como acontece com a alface, couve-flor, o brócolis e o alho-porró.

Dá-se o nome de LEGUME quando as partes comestíveis são os frutos, as sementes ou as partes subterrâneas da planta, como é o caso do tomate, da ervilha e da cenoura.

Os CONDIMENTOS abrangem todas as hortaliças cuja finalidade é melhorar o paladar, o aroma ou a aparência dos pratos culinários como: a salsa, a cebolinha, a pimenta, entre outros.

A produção de hortaliças pode ser feita em GRANDE (como na produção em nível comercial, em grandes áreas) ou em PEQUENA ESCALA, em nível caseiro ou comunitário, cultivando-se diversas espécies em hortas pequenas, normalmente em áreas comunitárias restritas, quintal das casas ou em apartamentos ou casas sem quintal, utilizando-se caixotes e outros recipientes.

Deve-se ter em mente que o tamanho ideal de uma horta é o tamanho do terreno que se tem para implantá-las. Se o terreno é muito pequeno, não serão cultivadas todas as hortaliças necessárias, mas permitirá sempre o cultivo de algumas espécies para a disponibilidade de hortaliças frescas e nutritivas.

Nas casas urbanas ou áreas comunitárias, o local para a horta é bastante limitado e terá características particulares de acordo com a maior ou menor disponibilidade de terreno. Porém, deve-se dar preferência aos seguintes locais:

- perto de onde exista água de boa qualidade e em abundância (boa qualidade, pois muitas hortaliças são consumidas cruas e, quando regadas com água contaminada, podem transmitir doenças); - onde a horta receba bastante sol (no mínimo quatro horas de luz direta de sol por dia);

- longe de árvores, por que fazem sombra e retiram do solo os elementos nutritivos necessários ás hortaliças; - em terrenos não encharcados e ligeiramente inclinados (para facilitar o escoamento do excesso de água); - próximo de casas de famílias participantes, para facilitar os serviços constantes, a colheita e evitar furtos.

As melhores terras são as de consistência média, com boa drenagem, acidez fraca e boa fertilidade. Os problemas com encharcamento excessivo podem ser contornados pela abertura de valetas com pequeno declive, em volta dos canteiros, que vão desaguar num canal principal construído no sentido do declive. O excesso de água prejudicará a germinação das sementes e o próprio desenvolvimento da planta, através do apodrecimento das raízes.

Os terrenos orientados para o sul devem ser evitados quando possível, por dominarem ali os ventos frios que prejudicam as hortaliças. Quando não for possível, deve-se protegê-las contra os ventos frios e fortes com quebra-ventos (cercas vivas feitas com plantas de crescimento rápido e porte não muito alto, como hibiscus, o cedrinho e a primavera).

Deve-se cercar a horta também, evitando-se, assim, a invasão de animais domésticos, utilizando-se arame, bambú, estacas de madeira ou cercas vivas.

As ferramentas influem bastante na eficiência e no rendimento dos serviços. Na formação e manutenção de uma horta doméstica ou comunitária não é necessário uma grande quantidade de ferramentas.

Os materiais básicos a serem utilizados são:

ENXADA - é usada para capinar, isto é, cortar as plantas daninhas que nascem e crescem entre as plantas cultivadas. No preparo do solo, serve para incorporar adubos, acertar as bordas e as superfícies dos canteiros.

ENXADÃO - é utilizado para cavar e revolver a terra, incorporar a matéria orgânica, calcário ou adubos.

ANCINHO OU RASTELO - serve para facilitar o trabalho de juntar resíduos de materiais espalhados na área, acertar a superfície dos canteiros, retirando também os torrões de terra.

SACHO - é usado para retirar plantas daninhas dos canteiros, entre plantas; afofar a terra entre as linhas plantadas e fazer sulcos e covas pequenas nos canteiros.

PÁ RETA - utilizada para remover a terra e composto orgânico.

REGADOR - para irrigação da horta. Deve-se apresentar o bico com crivos finos, para evitar que gotas grandes de água prejudiquem o nascimento das plantas novas ou as recém-transplantadas.

CARRINHO DE MÃO - importante para o transporte de terra, adubos e produtos colhidos.

COLHER DE JARDINEIRO OU DE TRANSPLANTE - usada para retirar com maior facilidade as mudas a serem transplantadas, com um bloco de terra junto às raízes.

Além dessas, podemos utilizar ainda:

- cordão ou barbante - para alinhamento dos canteiros.

- garfo - para coleta de mato e folhagens.

- mangueira - facilita o trabalho de irrigação (rega) em áreas maiores, porém deve-se ter o cuidado de não usar jatos de água muito fortes para não afetar as plantas.

- peneira - utilizada na preparação de misturas de terra que serão utilizadas em sementeiras.

- plantador ou chucho - (pedaço de cabo de vassoura apontado de um dos lados) serve para fazer pequenas covas para o transplante ou sulcos nos canteiros.

- pulverizador - para aplicar defensivos ou adubos foliares.

Inicia-se com a limpeza do terreno, retirando-se entulho e pedras e capinando-se o mato com a enxada, que deve ser amontoado num único ponto, onde ficarão até a decomposição total, para posterior incorporação ao solo. Arbustos e outras plantas que façam sombra sobre a horta deverão ser eliminados, a não ser que sejam plantas úteis para o proprietário.

Se o local for de fácil encharcamento, deve-se fazer a drenagem do terreno. Após a limpeza, faz-se o revolvimento da terra a uma profundidade de 20 a 25cm (ou um palmo), quebrandose os torrões de terra e nivelando-se o terreno. Em áreas pequenas, aproveita-se para incorporar o esterco ou matéria orgânica. Após o revolvimento, a operação seguinte é a construção dos canteiros.

Os canteiros são os locais onde se transplantam as mudas ou onde se plantam as hortaliças de semeação direta. Podemos também nos canteiros utilizar uma pequena parte como sementeiras para a produção de mudas que depois serão transplantadas para canteiros definitivos ou em covas.

Deverão apresentar a terra solta, sem torrões, raízes, pedras ou outros materiais e a superfície deve ser bem plana (lisa). Estes canteiros devem ser construídos de acordo com a seguinte técnica:

1) Com uma largura entre 1,0 e 1,20m para facilitar os trabalhos posteriores e o comprimento variável, de acordo com o que se dispõe de área, não ultrapassando os 10m. A altura do canteiro deverá ser entre 0,15 e 0,20m acima do nível do solo, para facilitar a drenagem da água e evitar problemas com enxurradas.

2) Nos terrenos mais ou menos inclinado, os canteiros devem ser orientados no sentido perpendicular à inclinação, ou, como se diz popularmente, “cortando as águas”.

3) Nos terrenos planos, convém orientar os canteiros de modo que o seu comprimento obedeça à direção norte-sul.

4) De acordo com a inclinação do terreno, os canteiros devem apresentar um dos lados maiores (o de baixo) mais elevado que o outro, para que sua superfície fique plana e horizontal. Neste caso, quando o solo é argiloso, deve-se firmar a terra das bordas dos canteiros, comprimindo-se fortemente com a lâmina de uma enxada comum. (Construir os canteiros como se fossem uma escada).

Adubar é o ato de se adicionar à terra os elementos fertilizantes que lhe faltam, ou que nela existem em deficiência, para que possa satisfazer a necessidade das plantas que se cultiva.

Os adubos, dependendo da origem e natureza, são classificados em: minerais e orgânicos, sendo que o uso combinado destes dois tipos é o que produz os melhores resultados.

Os adubos minerais apresentam maior concentração dos nutrientes necessários ao crescimento das plantas, sendo que alguns são rapidamente assimilados por elas, por serem solúveis em água. (Por isso, são utilizados em pequenas quantidades).

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