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Capítulo 8 - MOTORES ELÉTRICOS _

8.1 - Motores de Corrente Contínua 8.2 - Motores de Corrente Alternada 8.3 - Motores Especiais 8.4 - Exercícios Propostos

Na natureza a energia se encontra distribuída sob diversas formas, tanto energia mecânica, térmica, luminosa e outras formas; no entanto a energia mecânica é a mais conhecida forma de energia e na qual o homem tem mais domínio. A energia mecânica, tal como ela está disponível na natureza é de difícil utilização prática, além de ser uma energia variável no tempo. Então, converte-se a energia mecânica em Energia Elétrica através das Máquinas Elétricas conhecidas como geradores. A energia elétrica possui as vantagens de ser uma energia limpa, de fácil transporte e de fácil manuseio, podendo ser reconvertida em energia térmica, luminosa, eletromagnética, e também em energia mecânica. Quem efetua esta última transformação são as Máquinas Elétricas conhecidas como motores.

Então, o motor é um elemento de trabalho que converte energia elétrica em energia mecânica de rotação. Já o gerador é uma máquina que converte energia mecânica de rotação em energia elétrica.

Num motor elétrico, distinguem-se essencialmente duas peças: o estator, conjunto de elementos fixados à carcaça da máquina, e o rotor, conjunto de elementos fixados em torno do eixo, internamente ao estator.

O rotor é composto de : a) Eixo da Armadura: responsável pela transmissão de energia mecânica para fora do motor, pelo suporte dos elementos internos do rotor e pela fixação ao estator, por meio de rolamentos e mancais. b) Núcleo da Armadura: composta de lâminas de Fe-Si, isoladas umas das outras, com ranhuras axiais na sua periferia para a colocação dos enrolamentos da armadura. c) Enrolamento da Armadura: São bobinas isoladas entre sí e eletricamente ligadas ao comutador. d) Comutador: consiste de uma anel com segmentos de cobre isolados entre sí, e eletricamente conectados às bobinas do enrolamento da armadura.

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O estator é composto de:

a) Carcaça: serve de suporte ao rotor, aos pólos e de fechamento de caminho magnético. b) Enrolamento de campo: são bobinas que geram um campo magnético intenso nos pólos. c) Pólos ou sapatas polares: distribui o fluxo magnético produzido pela bobinas de campo. d) Escovas: são barras de carvão e grafite que estão em contato permanente com o comutador.

As máquinas elétricas possuem praticamente os mesmos elementos principais, porém com diferenças importantes entre eles. Às vezes a bobina de armadura está no estator e não no rotor, o mesmo acontecendo com a bobina de campo. Outras não possuem escovas, outros ainda não possuem bobina de armadura, e assim por diante. Porém, os nomes dados aos componentes da máquina são gerais e valem para a maioria das máquinas elétricas.

De forma geral os motores elétricos são classificados em:

Todo o motor apresenta suas principais caraterísticas elétricas escrita sobre o mesmo ou em uma placa de identificação. Os principais dados elétricos são: tipo de motor, tensão nominal, corrente nominal, freqüência, potência mecânica, velocidade nominal, esquema de ligação, grau de proteção, temperatura máxima de funcionamento, fator de serviço, etc..

4.1 Motor de Corrente Contínua

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A Figura Capítulo 8 .1 nos mostra as partes internas de um máquina de corrente contínua básica e sua representação.

Figura Capítulo 8 .1 - Motor de Corrente Contínua com 2 Pólos

O motor de corrente contínua apresenta quatro terminais acessíveis, dois para as bobinas de campo ( terminais 3 e 4 ) e dois para as bobinas de armadura ( terminais 1 e 2 ). Em alguns motores de baixa potência, as bobinas de campo são substituídas por ímãs permanentes. Neste caso, o motor apresenta apenas dois terminais de acesso ( terminais 1 e 2 ).

O princípio de funcionamento elementar de um motor de corrente contínua está baseado na

Força mecânica que atua sobre um condutor imerso num campo magnético, quando sobre ele circula uma corrente elétrica. Observe a figura 8.2 . Na bobina 1, as forças são iguais e opostas, não produzindo nenhuma força de rotação ( torque ou par binário), mas as bobinas 2,3 e 4 tem sobre elas um torque Fx tal que impulsiona o rotor para girar, levando consigo a bobina 1, que então entra na região ( da bobina 2) onde estava a bobina 2, e então passa a exercer uma força de giro também. Observe que para este esquema funcionar, é necessário inverter o sentido da corrente da armadura a cada 180 º . O elemento que faz a comutação do sentido da corrente é o comutador.

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Figura Capítulo 8 .2 - Motor de Corrente Contínua com 2 Pólos e 4 Bobinas no Rotor

Sabemos que, quando um condutor está imerso num campo magnético, se deslocando com uma certa velocidade “v” dentro deste campo, sobre ele é induzido uma corrente elétrica. Observe que o sentido desta corrente elétrica é contrário ao sentido mostrado na figura 8.2. Por isso essa força eletromotriz induzida é chamada de Força-contra-eletromotriz induzida - fcem- simbolizada pelas letras Ec.

A equação fundamental do torque nos motores é dado por:

T KI (N.m)1 a= f

Onde:

f = Fluxo magnético produzido pelos pólos; Ia = corrente que circula pelas bobinas da armadura;

K1 = constante construtiva do rotor das máquinas elétricas. A fcem gerada pelo movimento do motor é dado por:

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Onde: n = número de rotações por minuto;

O fluxo magnético, por sua vez, depende da corrente de campo If, pela seguinte expressão:

Tanto as bobinas de campo como as bobinas de armadura apresentam um resistência elétrica a passagem da corrente, e chamamos aqui de Rf e Ra respectivamete.

Analisando o circuito do rotor, podemos conclui que:

Va IaRa Ec Ec Va IaRa = +

Como Ec varia com a velocidade e o fluxo, podemos subsutitui Ec na equação anterior e isolar a velocidade n ( em rpm ). Então:

n Va IaRa

Esta equação é fundamental, pois nos diz que a velocidade do motor depende das tensão aplicada na armadura, da corrente na bobina e do valor do fluxo magnético. Note que a velocidade do motor tende ao infinito quando o fluxo tende a zero. Conseqüentemente, não devemos tirar, sob hipótese alguma, a corrente de campo, pois o motor “dispara” .

O princípio de funcionamento do motor de corrente contínua também pode ser baseado na ação de forças magnéticas sobre o rotor, geradas pela interação do campo magnético criado pelas bobinas de campo com o campo magnético criado pelas bobinas da armadura, conforme mostra a figura 8.3.

Observa-se que o comutador possui a função de inverter o sentido da corrente na bobina da armadura em 90º e 270º dando continuidade ao movimento rotativo do motor.

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Figura Capítulo 8 .3 - Princípio de Funcionamento

Tipos de Motores de Corrente Contínua

Os motores C são divididos de acordo com o tipo de conecção entre as bobinas do rotor e do estator. Se forem conectados em série, são chamados de Motor Série. Se for em paralelo, são chamados de Motor Paralelo. Se for misto, são chamados de Motor Misto ou Composto.

A figura 8.4 mostra conexão Série e a conexão paralelo.

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Figura Capítulo 8 .4 - Ligações Elétricas do Motor de Corrente Contínua Motor C Série

Neste tipo de motor a corrente que circula pelo campo é o mesmo que circula pela armadura. Como o torque é proporcional ao fluxo magnético, que por sua vez é proporcional à corrente de campo, concluímos que neste motor o torque é dado por:

O torque apresenta uma relação exponencial com a corrente de armadura. A corrente de armadura é grande na partida, já que Ec é zero, pois não há movimento do rotor. Concluí-se, portanto, que o torque de partida do motor série é muito grande.

Devido a esta característica este motor é utilizado para acionar trens elétricos, metrôs, elevadores, ônibus e automóveis elétricos, etc.. Este motor é conhecido como motor universal por poder funcionar em corrente alternada, porém este tipo de aplicação só é viável economicamente para pequenos motores de fração de CV.

A velocidade do motor série é dado por:

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n Va Ia(Ra Rf)

Então, no motor série a vazio, com baixa corrente de armadura, a sua velocidade tende a ser alta, o que é indesejável. Assim, este tipo de motor deve partir com uma carga mecânica acoplada no seu eixo. Também se percebe que este motor nunca vai disparar a sua velocidade, pois não depende da corrente de campo e se a corrente de armadura for a zero, não há torque e sua velocidade cai a zero também.

Motor Paralelo ou Shunt

No caso do motor Shunt a corrente de armadura somada a corrente de campo nos dá a corrente da fonte de alimentação do motor. Nesse caso, a tensão aplicada na armadura é a mesma que é aplicada no campo. Dessa forma o fluxo magnético produzido pelo campo é praticamente constante, já que IF permanece praticamente constante. Então, o torque do motor é função apenas da corrente de armadura.

Para a inversão do sentido de rotação nos motores de corrente contínua, basta inverter as conexões das bobinas de campo (trocar o terminal 3 pelo 4) ou inverter as conexões da bobina da armadura (trocar o terminal 1 pelo 2). Caso o motor seja de ímã permanente, basta inverter os terminais da armadura.

A curva Torque x Corrente de armadura é mostrada a seguir.

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Neste tipo de motor, o torque de partida não é tão alto quanto no motor série, portanto não deve ser usado em cargas que exigem alto torque de partida. A velocidade do motor paralelo depende de Ia, já que o fluxo é constante, pela seguinte equação; n Va IaRa

Então, se a corrente de armadura for grande ( na partida), a velocidade do motor é pequena e cresce a medida em que aumenta a Ec ( que por sua vez diminui Ia) até alcançar o seu valor nominal. Este motor não tem problemas de excesso de velocidade na partida sem carga. A curva abaixo mostra a velocidade em função da corrente de armadura.

Inversão no Sentido de Rotação e Controle de Velocidade

Para inverter o sentido de rotação de qualquer motor C é necessário inverter a corrente de armadura em relação a corrente de campo. Deve-se inverter somente um deles, e a inversão em ambos os circuitos manterá o mesmo sentido de rotação.

No momento da inversão, o motor que está girando num sentido, entra num processo de frenagem ( freio) até alcançar a velocidade zero e depois começa a girar no sentido contrário. Essa etapa de frenagem é muito importante para trens, elevadores, guindastes que necessitam de Força de Frenagem.

A principal aplicação dos motores de corrente contínua é o acionamento de máquinas com controle preciso de velocidade.

Os métodos mais utilizados para este fim são:

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O controle de velocidade pode ser realizado através de um conversor estático C ou por meio de um reostato como mostra a figura 8.5. Neste caso estamos controlando a velocidade através do ajuste da corrente das bobinas de campo.

Figura Capítulo 8 .5 - Ajuste de Velocidade Através do Fluxo do Motor Torque do Motor e Resistente

O torque do motor é a medida do esforço necessário para fazer girar um eixo, e é dado pela seguinte equação básica:

No caso de qualquer motor, o torque de partida deve ser maior do que o torque resistente acoplado ao eixo. Após um certo tempo depois que o motor partiu, na velocidade nominal, há o encontro das curvas de Torque do motor e do torque resistente. Na curva abaixo percebemos que, quando a carga mecânica no eixo varia ( por algum motivo), o torque motor varia junto, e conseqüentemente a velocidade de rotação do motor varia junto. Por exemplo, se a carga mecânica diminui, o torque do motor também diminui e a velocidade aumenta, estabilizando num novo regime. Na curva abaixo, vemos este comportamento:

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8.2 - Motores de Corrente Alternada

Neste tipo de motor, o fluxo magnético do estator é gerado nas bobinas de campo pela corrente alternada da fonte de alimentação monofásica ou trifásica, portanto trata-se de um campo magnético cuja a intensidade varia continuamente e cuja polaridade é invertida periodicamente. Quanto ao rotor, há dois casos a considerar:

No motor síncrono, o rotor é constituído por um ímã permanente ou bobinas alimentadas em corrente contínua mediante anéis coletores. Neste caso, o rotor gira com uma velocidade diretamente proporcional a freqüência da corrente no estator e inversamente proporcional ao número de pólos magnéticos do motor. São motores de velocidade constante e constitui-se a sua principal aplicação. São utilizados somente para grandes potências devido ao seu alto custo de fabricação.

A seguinte equação define a velocidade síncrona nS deste tipo de motor:

n f

Onde:

¤ nS: velocidade síncrono ( rpm ) ¤ f: freqüência da corrente do rotor ( Hz )

¤ p: número de pólos magnéticos do motor

No motor assíncrono ou de indução, o rotor possui vários condutores conectados em curtocircuito no formato de uma “gaiola de esquilo”, conforme mostra a figura 8.6.

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Figura Capítulo 8 .6 - Rotor Gaiola de Esquilo

O campo magnético variável no estator, figura 8.6, induz correntes senoidais nos condutores da gaiola do rotor. Estas correntes induzidas, por sua vez, criam um campo magnético no rotor que se opõe ao campo indutor do estator ( Lei de Lenz ). Como os pólos se mesmo nome se repelem, então há uma força no sentido de giro no rotor. O rotor gira com uma velocidade n um pouco inferior à velocidade síncrona, isto é, a velocidade da corrente do campo. Como é um pouco inferior, diz que este motor é assincrono, isto é, sem sincronia. Observe que este motor não consegue partir, isto é, acelerar desde a velocidade zero até a nominal. As forças que atuam nas barras curto-circuitas se opõem uma à outra, impedindo o giro. Então, na partida, utiliza-se uma bobina de campo auxiliar, defasada de 90 graus das bobinas de campo principais, que cria um campo magnético auxiliar na partida. Assim, o fluxo resultante inicial está defasado em relação ao eixo das abcissas, e produz um torque de giro ( par binário). Após a partida, não há mais a necessidade do enrolamento auxiliar, pois a própria inércia do rotor compõem forças tais que mantém o giro.

Figura Capítulo 8 .7 - Motor de Indução Monofásico de Dois Pólos

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A diferença em valores percentuais entre a velocidade síncrona e a velocidade do motor de indução chamamos de escorregamento, simbolizada pela letra S. O escorregamento dos motores de indução é variável em função da carga a ser acionada pelo motor, ou seja, é mínimo a vazio ( sem carga ) e máximo com a carga nominal. O escorregamento S dos motores de indução é expresso através da seguinte equação:

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