Reflexões sobre o cenário econômico brasileiro na década de 1980

Reflexões sobre o cenário econômico brasileiro na década de 1980

REFLEXÕES SOBRE O CENÁRIO ECONÔMICO BRASILEIRO NA DÉCADA DE 1980

Leonardo Bruno Nascimento Nóbrega (leonardo20v@hotmail.com)1

Willyan D’Angelis Aires Costa (willyan_direito@yahoo.com)2

Dr. Alunilda Januncio (alunildajanuncio@uol.com)3

Resumo: O Brasil ganhou a reputação de "economia do milagre" no início dos anos 70 quando o governo daquela época, seguindo o I Plano Nacional de Desenvolvimento (PND), estabeleceu metas por setores de atividade econômica e o País crescia a uma taxa anual de dois dígitos num clima de apreciável estabilidade. Essa estabilidade econômica permitiu uma expansão industrial admirável durante dez anos seguidos, colocando o Brasil entre as nações líderes na industrialização e elevando nosso Produto Nacional Bruto (PNB) para o décimo lugar entre todas as nações do Mundo. Ainda assim, apesar do progresso, muitos problemas permaneciam subjacentes, a população migrava do campo com mais intensidade atraída pela maior oferta de emprego nas cidades, crescia a demanda pelos serviços públicos, por novas habitações, saúde, educação e saneamento. Surgiram grandes bolsões de pobreza ao redor das principais capitais. A inflação de dois dígitos dos anos 70 passaria a três dígitos nos anos 80 e a economia atingida pelos dois choques do petróleo dava sinais de estar perdendo fôlego. Já no final dos anos 70 a economia dava sinais que passaria por um longo processo de estagnação econômica, esse estancamento decorre do acontecimento do segundo choque do petróleo além do cenário econômico internacional que corroborou para que a situação da economia brasileira agrava-se, se afundando ainda mais em face das políticas econômicas adotadas, estas à exceção de poucos momentos, passaram a fundar-se no primado do combate a inflação. A partir do início dos anos 90 o Brasil começou a introduzir reformas em sua economia. Esgotada a capacidade de investimento estatal, iniciava-se, através de um grande esforço de privatização, a transformação da era do monopólio estatal numa economia de livre de mercado. O objetivo básico deste artigo depois de revisar um vasto acervo bibliográfico dos manuais de economia sobre a década em questão é apresentar através de dados e informações que além do choque do petróleo outros fatores cooperaram tais como a dívida do setor público, a inflação e a dívida externa contribuíram para uma estagnação da economia brasileira, procuramos nos prender no período que compreende desde o segundo choque do petróleo até 1988.

Introdução

O choque dos preços do petróleo entre 1973-1974 inaugurou uma longa fase de dificuldades para a economia brasileira, expressas no prolongado quadro de restrição externa. As relações de troca do Brasil com o resto do mundo, que haviam atingiram o seu ponto máximo em 1977, começaram a despencar isso não ocorreu em função apenas da elevação do preço do petróleo, como se costuma noticiar, mas principalmente porque os países centrais conseguiram impor o aumento dos preços de seus produtos numa proporção muito superior ao dos produtos exportados pela periferia.

Além disso, a partir de 1980 forçaram para baixo os preços das commodities que o Brasil exportava, que caíram 26% de 1980 a 19824. Demonstrando assim que o problema não estava principalmente no petróleo, o fato é que excluindo esse produto nossas exportações caíram 31% de 1977 a 19825. Dessa forma vários problemas agravaram não só as relações sócio-econômicas do Brasil perante o mundo mas também as políticas adotadas para a nação.

Uma primeira conseqüência desse duplo choque, o do petróleo e do aumento dos juros, foi a queda nas exportações brasileiras provocada pela recessão mundial e o aumento violento do déficit em conta corrente do balanço de pagamentos, que pulou de US$ 6,9 bilhões em 1978 para US$ 16,3 bilhões em 19826.

Além desses fatores, em função da transferência de recursos para o exterior, da queda da taxa de lucro interna e da desaceleração dos investimentos privados, a inflação começou a acelerar. Com o aumento da vulnerabilidade7 e das sangrias externas, a pressão pela subida dos preços internos aumentou mais ainda: depois de vários anos estabilizada, a taxa de inflação acelerou a partir de 1979.

Tabela Taxa de inflação (IGP %) 1974-82

Ano

1974

1975

1976

1977

1978

1979

1980

1981

1982

IGP

33,8

30,1

48,2

38,6

40,5

76,8

110,2

95,2

99,7

Fonte: FGV. Conjuntura Econômica

Com isso, vê-se que os principais problemas enfrentados pelo Brasil na década de 1980 foram a inflação, o alto endividamento externo, o grande déficit no seu balanço de pagamentos e o elevado endividamento do setor público, que mais adiante serão explicitados.

Transformações no cenário internacional e vulnerabilidade no Brasil

Com o Primeiro Choque do Petróleo em novembro de 1973, o Brasil ingressou numa nova fase de desenvolvimento. Em vez de se dedicar a um programa de ajustes de austeridade para lidar com o extraordinário declínio nas relações de troca entre os países, o governo optou por uma política de crescimento que resultou em importantes mudanças estruturais na economia, no ressurgimento da inflação e na rápida expansão da dívida externa.

Como Baer (2002) aponta, quando o presidente Médici deixou o poder depois de governar durante os anos do “milagre econômico” o PIB real havia crescido a taxas anuais de 11% e a inflação havia atingido seus menores níveis desde a década de 1950. Outro fator de extrema importância foi que entre 1960 e 1970 os níveis de concentração de renda pioraram (BAER, 2002). Tal fato foi relatado pelo então presidente do Banco Mundial Robert McNamara, que apontou o Brasil como um dos países em desenvolvimento que menos se preocupava em tornar os frutos do crescimento, amplamente disponíveis para sua população.

No ano de 1974, o período de crescimento da economia brasileira teria chegado ao fim. O chamado “Milagre Econômico’’, só teria durado enquanto as condições internacionais eram favoráveis, causando assim um freio no processo desenvolvimentista e no crescimento industrial e produtivo.

Quando os empréstimos financeiros se tornaram cada vez mais escassos, o petróleo aumentava significativamente e a crise foi se agravando. Em 1974 ocorria uma discordância na ala da burguesia industrial, pertencentes à região de São Paulo que iniciaram uma campanha para que acontecesse a desestatização da economia, afim de que os recursos usados nas estatais foessem transferidos para o setor privado.

O aumento do custo de vida e a contenção de salários geraram um grande descontentamento na classe trabalhadora. Com as greves proibidas e o governo controlando os reajustes salariais, o aumento dos salários nunca acompanhava a inflação, essa que já foi apontada como um dos principais problemas brasileiro na década perdida.

O breve relato do período de transformações no cenário internacional e a vulnerabilidade crescente além da crescente alta nos juros, falaremos sobre o crescimento da dívida internacional que teve um papel de grande importância para a situação brasileira na década de 80.

A Crescente Dívida Internacional

Tendo a divida externa dado um salto, por conta da opção de crescimento econômico adotado no país e sem os empréstimos vindos do exterior o Brasil não tinha capacidade de pagar a conta produzida através da exportação do petróleo e continuar com a importação de insumos referentes à fabricação de bens industriais, Muitos desses bens importado faziam parte dos planos de investimentos do II PND.

O governo da época justificava o crescimento pela dívida na suposição de que as futuras políticas econômicas adotadas seriam capazes de gerar um superávit no balanço de pagamentos e assim cobrir a amortização da mesma.

Tabela – Taxa de juros paga pela divida externa brasileira (%), 1978-82

1978

1979

1980

1981

1982

Taxa de juro

10,9

13,3

15,5

19,6

19,5

Fonte: Lopes, Francisco L. A crise do endividamento externo 1983, p 99

O déficit comercial, de juros e o pagamentos de serviços muito mais elevados, conduziu o país para um extraordinário aumento da dívida externa. Segundo Baer (2002), a dívida líquida subiu de US$ 6,2 bilhões em 1973 para US$ 31,6 bilhões em 1978, o que representa uma taxa anual de 38,7%, enquanto a dívida bruta aumentou de US$ 12,6 bilhões para US$ 43,5 bilhões. A maior parte dessa dívida estava relacionada com a necessidade de cobrir o déficit da conta corrente em vez de aumentar as reservas.

As exigências financeiras foram feitas em um momento extremamente propício para que o Brasil mantivesse sua opção de crescimento. Imediatamente após o primeiro choque do petróleo, os mercados financeiros internacionais apresentavam extrema liquidez; Os bancos internacionais, bem providos de petrodólares, estavam ansiosos para fazer empréstimos e, como as taxas de juros internacionais eram relativamente baixas na época, era possível justificar facilmente o aumento dos empréstimos estrangeiros realizados pelo Brasil naqueles anos. Diante desse cenário trataremos sobre a crise provocada pela dívida.

A Crise Provocada pela Dívida

O general Figueiredo, último presidente militar, assumiu o cargo em março de 1979. Seu programa político consistia em devolver ao Brasil um regime totalmente democrático e entregar o governo a um civil. Esses objetivos políticos foram severamente testados por contínuas crises econômicas. O governo Figueiredo confrontou-se imediatamente com o dilema de como tratar das metas conflitantes de controlar a taxa de inflação crescente, como lidar com uma dívida externa cujos serviços (juros e amortização) já absorviam dois terços dos ganhos com exportações e como evitar a estagnação da taxa de crescimento do PIB.

Complicando os fatos, no ano de 1979 surge então o segundo choque do petróleo, que contribuiu para uma grande queda nas relações de troca, que já vinham decaindo devido à fragilidade dos preços de outros bens primários exportados.

Outro grande problema enfrentado pelo governo brasileiro estava no fato de que os preços internacionais haviam forçado a eliminação gradual dos subsídios fiscais e de crédito às exportações, mas, dada a necessidade de dar continuidade à rápida expansão das exportações, o governo se viu obrigado a aumentar a taxa e/ou a freqüência das minidesvalorizações do cruzeiro, que se tornara supervalorizado – isto é, a taxa de desvalorização estava defasada em relação à taxa de inflação. Devido ao programa de incentivo às exportações promovidas pelo governo da época a eliminação dos incentivos fiscais e o crédito subsidiado para os exportadores exigiram que se procedesse a uma desvalorização progressiva como medida compensatória.

Baer relata o problema, naturalmente, era que uma desvalorização maior aumentaria as pressões inflacionarias elevaria significativamente a carga financeira de empréstimos que tinham dívidas no exterior.(BAER, 2002: 56)

No início dos anos 80, um súbito e substancial aumento nas taxas de juros na economia mundial precipitou a crise da dívida da América Latina. O Brasil foi forçado a ajustes econômicos severos, que resultaram em taxa negativa de crescimento. A inesperada interrupção do ingresso do capital estrangeiro no Brasil reduziu sua capacidade de investir. O peso da dívida externa afetou as finanças públicas e contribuiu para o aumento da inflação. Na segunda metade da década de 80, foram adotadas duras medidas visando à estabilização monetária. Tais medidas compreenderam o final da indexação (política que ajustava salários e contratos de acordo com a inflação) e o congelamento dos preços. O governo brasileiro suspendeu o pagamento dos juros da dívida externa até que um acordo de reescalonamento com os credores fosse alcançado. Tais medidas não surtiram efeito, mesmo assim a produção econômica continuava a crescer até o final da década de 80, proporcionando excedente na balança comercial, suficiente para cobrir o serviço da dívida.

O Cenário econômico brasileiro na década de 1980

No inicio dos anos 80, a crise da dívida e a recessão marcaram o cenário brasileiro. O crescimento econômico produzido pelo milagre acabou gerando pressões inflacionárias e problemas na balança comercial, em vários lugares do Brasil ressurgiram pressões por melhor distribuição de renda e melhores condições de vida, além do segundo choque do petróleo comprometeu ainda mais a situação brasileira.

A partir de 1981, a ênfase do ajuste externo recaiu sobre o controle da absorção interna, assumia-se, explicitamente, o modelo de ajuste recessivo. Os ajustes feitos nesse período foram mais altos e duradouros que seus benefícios.

O preço desse ajuste em termos de inflação foi elevado e persistente, no caso da inflação a tendência à aceleração foi reforçada e se manteve na cena brasileira até meados da década de 1990. As experiências frustradas de ajuste externo do período refletiam uma característica do desequilíbrio externo brasileiro baseado no ajuste recessivo.

Diante dos problemas que a economia brasileira vinha passando tais como a divida externa, inflação, endividamento do setor público, pressões exercidas por parte da população e dos trabalhadores, alguns planos econômicos foram adotados para sanar os efeitos desses problemas, planos econômicos esses que na maioria das vezes não surtiram o menor efeito, mas em muitos casos a situação piorou.

Os Planos Econômicos

O Plano Cruzado foi um conjunto de medidas econômicas, lançado pelo governo brasileiro em 28 de fevereiro de 19868, sendo José Sarney o presidente da República e Dilson Funaro o ministro da Fazenda.

As principais medidas contidas no Plano eram:

Plano Cruzado9

  • Congelamento de preços de bens e serviços nos níveis do dia 27 de fevereiro de 1986;

  • Congelamento da Taxa de Cambio por um ano em 13,84 Cruzados = 1 Dólar e 20,58 Cruzados = 1 Libra

  • Reforma monetária, com alteração da unidade do sistema monetário, que passou a denominar-se cruzado (Cz$), cujo valor correspondia a mil unidades de cruzeiro;

  • Desindexação da economia, consistia na substituição da Obrigação Reajustável do Tesouro Nacional ORTN, título da dívida pública instituído em 1964, pela Obrigação do Tesouro Nacional (OTN), cujo valor foi fixada em Cz$106,40 e congelado por um ano; como a economia fora desindexada, institui-se uma tabela de conversão para transformar as dívidas contraídas numa economia com inflação muito alta em dívidas contraídas em uma economia de inflação praticamente nula;

  • Congelamento dos salários pela média de seu valor dos últimos seis meses e do salário mínimo em Cz$ 804,00, que era igual a Aproximadamente a US$ 67,00 de Salário Mínimo;

  • Criação de uma espécie de seguro-desemprego para aqueles que fossem dispensados sem justa causa ou em virtude do fechamento de empresas;

  • Os reajustes salariais passaram a ser realizados por um dispositivo chamado "gatilho salarial" ou "seguro-inflação", que estabelecia o reajuste automático dos salários sempre que a inflação alcançasse 20%10

Segundo Sandroni (2005) o plano começou a fracassar exatamente porque os preços relativos da economia estavam desequilibrados. Por não equalizarem o valor presente dos preços, muitos produtores que corrigiam seus preços entre dia 1 a 15 dos mês, ficaram com o preço tabelado abaixo da rentabilidade desejada ou até mesmo abaixo do custo de produção o que ou inviabilizava a venda dos produtos para o consumo ou levava a uma queda na qualidade dos mesmos. Empresas que haviam reajustados seus preços nos dias anteriores ao plano, saíram beneficiadas.

Como o congelamento não permitiu que os preços sujeitos à sazonalidade se ajustassem, ocorreu um desequilíbrio de preços o que provocou o desabastecimentos de bens e o surgimento de ágio para compra de produtos escassos, principalmente os que se encontravam na entressafra (carne e leite) e de mercados oligopolizados (automóveis).

Além destes fatores alguns economistas apontam o abono concedido ao salário mínimo(aumento real de 16%) e ao funcionalismo público (abono de 8%) como responsável por um aumento do consumo o que pressionou ainda mais a demanda, impedida de ser contrabalanceada por um aumento de preços.

Outros fatores que levaram ao fracasso do plano foi a falta de medidas econômicas por parte do governo para controlar os gastos públicos. O congelamento da taxa de câmbio levou o país a perder uma parcela considerável de reservas internacionais e os juros da economia estavam negativos o que desestimulava a poupança e pressionava o consumo.

Algumas medidas corretivas ainda foram tomadas pelo governo , mas a proximidade das eleições fez com que o governo evitasse tomar medidas impopulares para garantir a sobrevivência do Plano. Após as eleições, onde os partidos governistas, PMDB e PFL, elegeram 22 dos 26 governadores do estado, o governo implementou medidas impopulares como o descongelamento de preços com o intuito de tentar salvar o Cruzado. Entretanto no ano seguinte a inflação se reacelerou num patamar maior que o anterior ao plano.

O Plano Cruzado foi considerado por muitos oposicionistas, entre eles Delfim Netto, um plano inconsistente, populista e eleitoreiro visando apenas a aumentar a popularidade do governo e seus candidatos para vencer a eleição (Souza, 2007)

A maioria dos candidatos do governo venceu as eleições. Foi até cunhada , por isso tudo, a expressão "Estelionato Eleitoral". Verdade ou não o plano naufragou de vez logo após as eleições. A população se revoltou com quebra-quebra de ônibus e invasão de supermercados. A hiperinflação se instalou, sem controle. O Plano Cruzado não apenas fracassou, como dele resultaram muitas ações judiciais até hoje em curso, na qual cidadãos comuns exigem de bancos e governos a reparação das perdas monetárias sofridas. Após o fracasso do Plano Cruzado o governo brasileiro lança o Plano Bresser.

Plano Bresser11

O Plano Bresser12 foi um plano econômico lançado em 16 de junho de 1987 pelo então Ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser Pereira.13 O plano Bresser seguiu o plano Cruzado, que havia fracassado na tentativa de controlar a inflação, ele objetivava, basicamente promover um choque deflacionário na economia, buscando evitar os erros do plano cruzado. “A inflação foi diagnosticada como inercial e de demanda e, em consequencia, o plano foi concebido como hibrido, contendo elementos heterodoxos e ortodoxos.”(GIAMBIAGI, 2005 p.129)

Um mês após posse de Bresser-Pereira a inflação atingiu o índice de 23,21%. O grande problema era o déficit público, pelo qual o governo gastava mais do que arrecadava, sendo que nos primeiros quatro meses de 1987, já se havia acumulado um déficit projetado de 7,2% do PIB. Então, em junho de 1987, foi apresentado um plano econômico de emergência, o Plano Bresser, onde se instituiu o congelamento dos preços, dos aluguéis, dos salários e a UPR14 como referência monetária para o reajuste de preços e salários.

Com o intuito de diminuir o déficit público algumas medidas foram tomadas, tais como: desativar o gatilho salarial, aumentar tributos, eliminar o subsídio do trigo e adiar as obras de grande porte já planejadas, entre elas o trem-bala entre São Paulo e Rio, a Ferrovia Norte-Sul e o pólo-petroquímico do Rio de Janeiro. As negociações com o FMI foram retomadas, ocorrendo a suspensão da moratória. Mesmo com todas essas medidas a inflação atingiu o índice alarmante de 366% em dezembro de 1987. O Ministro Bresser Pereira demitiu-se do Ministério da Fazenda em 6 de janeiro de 1988 e foi substituído por Maílson da Nóbrega. “Ao final, Bresser chegou a conclusão de que qualquer solução duradoura para os problemas econômicos do país passaria pelo enfrentamento da divida externa, e passou a defender um endurecimento com bancos internacionais, a começar pela extinção do comitê que negociava pelos credores.”(SOUZA, 2007 p. 187)

Em meio a essa crise político-econômica, o Banco Central do Brasil emitiu uma resolução em 15 de junho de 1987, resolvendo que as instituições financeiras, em julho de 1987, aplicariam aos saldos das cadernetas de poupança de seus clientes a variação produzida pelas Letras do Banco Central (LBC), em junho de 1987, cujo índice foi de 18,0205%.

Dessa forma, com fundamento na Resolução nº1.338/87, as instituições financeiras corrigiram as cadernetas de poupança com índice inferior (LBC) ao devido (IPC), evidenciando a perda material de 8,04% na correção das cadernetas de poupança.

Plano verão

O Plano Verão, instituído em 16 de Janeiro de 1989, foi um plano econômico lançado pelo governo do José Sarney, realizado pelo ministro Maílson Ferreira da Nóbrega, que havia assumido o lugar de Bresser Pereira.

Devido à crise inflacionária da década de 1980, foi editada uma lei que modificava o índice de rendimento da caderneta, promovendo ainda o congelamento dos preços e salários, a criação de uma nova moeda, o Cruzado Novo, inicialmente atrelada em paridade com o Dólar e a extinção da OTN, importante fator de correção monetária.

Assim como ocorreu no Plano Bresser, o Plano Verão também gerou grandes desajustes às cadernetas de poupança, em que as perdas chegaram a 20,37%. Nenhuma regra foi definida em relação a ajustes salariais. Atualmente, até dezembro de 2008,15 estas perdas podem ser reclamadas na justiça. Após o novo fracasso o governo brasileiro na tentativa de controlar a inflação lança o Plano Collor.

Todos os planos adotados na década não surtiram o efeito esperado que era o de conter a inflação que chegara a casa dos 3 digitos e a insatisfação popular que acompanharam todos os governos.

Conclusão

O problema central tratado neste artigo diz respeito as várias politicas adotas na década de 80 e os planos econômicos que foram estabelecidos para melhorar e sanar os problemas causados após o segundo choque do petróleo. Muitos foram os esforços de ajuste na área fiscal ao longo da década mas nenhum surtiu o efeito esperado.

Independentemente do mérito das diferentes iniciativas e dos vários obstaculos de ordem politica, o fato é que nenhum dos programas que foram implementados cumpriu seu objetivo de compensar o desajuste financeiro criado pelo choque externo.

Este malogro segundo Baer (1993) está associado a dimensão do choque externo em termos de elevação dos custos financeiros, da deterioração das relações de troca – que exigiu um esforço interno maior para gerar divisas. A intensidade da crise cambial e as consequentes maxidesvalorizações da moeda brasileira, junto com a dificuldade de angariar receitas, na segunda metade dos anos 80 o governos federal também enfrentou crescentes obstaculos para conter e/ou reestruturar gastos.

Uma sucessão de erros, inclusive alguns de concepção e outros de implementação conduziram os planos econômicos adotados ao fracasso.

Bibliografia

ALVES, Silvio Rodrigues. O Desafio do Déficit Público. Rio de Janeiro: Revista de economia: 1988

BAER, Monica. O Rumo Perdido: A Crise Fiscal e Financeira do Estado Brasileiro. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1993.

BAER, Werner. Economia Brasileira. São Paulo: Nobel, 2002

BRESSER-PEREIRA. Luiz Carlos. O Décimo Plano de Estabilização: Combate a Inflação e Reforma fiscal. Rio de Janeiro 1992

BRUM, Argemiro. O Desenvolvimento Econômico Brasileiro. São Paulo: Unijui,

1999.

FIUZA, Guilherme. 3.000 Dias no Bunker. Rio de Janeiro: Record, 2006

GIAMBIAGI, Fábio. Economia Brasileira Contemporânea. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005.

SANDRONI, Paulo. Dicionário de Economia do século XXI. Rio de Janeiro: Record, 2005, p.652 apud "Os planos econômicos e o fortalecimento do jornalismo de serviço", por Hérica Lene. Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação. XXXI Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. Natal, RN, setembro de 2008.

SOUZA, Nilson Araújo de. Economia Brasileira Contemporânea: de Getúlio a Lula. São Paulo: Atlas, 2007.

http://noticias.uol.com.br/economia/ultnot/infomoney/2007/06/01/ult4040u4777.jhtm

1 Graduando de Ciências Econômicas (UFCG) e membro do GACE – Grupo de Acompanhamento da Conjuntura Econômica.

2 Graduando em Ciências Econômicas (UFCG), aluno do curso de Gestão Ambiental e Desenvolvimento Sustentável (FGV online), ex-integrante do Projeto Rondon

3 Professora da Unidade Acadêmica do curso de Ciências Econômicas da UFCG.

4 Peláez, Carlos Manuel. O Cruzado e o astral. São Paulo: Atlas, 1986, p. 46 tabela 4

5 Ibid., p. 44 tabela3

6 Peláez, op. Cit., p. 56 tabela 10

7 A relação divida/PIB subiu de 18,2% em 1977 para 43,6$ em 1983

8 Decreto-lei Nº 2.283, de 27 de fevereiro de 1986. Revogado pelo Decreto Lei nº 2.284, de 1986. Dispõe sobre a instituição da nova unidade do sistema monetário brasileiro, do Seguro-Desemprego e dá outras providências.

9 A maioria dos dados contidos referentes ao plano cruzado estão expostos no decreto de lei Nº 2.283, de 27 de fevereiro de 1986; acessado no site http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/125758/decreto-lei-2283-86 dia 05/10/2009

10 SANDRONI, Paulo. Dicionário de Economia do século XXI. Rio de Janeiro: Record, 2005, p.652 apud"Os planos econômicos e o fortalecimento do jornalismo de serviço", por Hérica Lene. Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação. XXXI Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. Natal, RN, setembro de 2008.

11 A maioria dos dados estão relacionados aos disponiveis no site http://ultimainstancia.uol.com.br/noticia/37848.shtml

12 Plano econômico criado através dos decretos de lei 2335/87, 2336/87, 2337/87

13 http://ultimainstancia.uol.com.br/noticia/37848.shtml

14 Unidade de referência de preços

15 http://noticias.uol.com.br/economia/ultnot/infomoney/2007/06/01/ult4040u4777.jhtm

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