Relatório de Estágio em Farmácia Hospitalar

Relatório de Estágio em Farmácia Hospitalar

(Parte 1 de 3)

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

FACULDADE DE CIÊNCIAS FARMACÊUTICAS DE RIBEIRÃO PRETO

RELATÓRIO DE ESTÁGIO EM FARMÁCIA HOSPITALAR

Relatório de estágio supervisionado apresentado à Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto como parte da exigência para conclusão do programa de estágio curricular.

Aluna: Daniela Regina Bonatto

2009

APRESENTAÇÃO

Estágio em Farmácia Hospitalar

Aluna: Daniela Regina Bonatto

Carga horária total: 690 horas

Estabelecimento: Divisão de Assistência Farmacêutica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo.

Endereço: Av. Bandeirantes, 3.900 - Campus Universitário - Monte Alegre

CEP: 14.048-900 - Ribeirão Preto – SP

Farmacêutica responsável: Farmª. Ms. Alexandra Cruz Abramovicius (Diretora da Divisão de Assistência Farmacêutica)

INTRODUÇÃO

A Farmácia Hospitalar é um órgão de abrangência assistencial, técnico-científica e administrativa, em que se desenvolvem atividades voltadas à produção, armazenamento, controle, dispensação e distribuição de medicamentos e materiais médico-hospitalares.

É também responsável pela orientação de pacientes internos e ambulatoriais, visando sempre a eficácia da terapêutica, racionalização dos custos, voltando-se também para o ensino e a pesquisa, propiciando assim um vasto campo de aprimoramento profissional.

A legislação que regulamenta o exercício profissional da Farmácia em Unidade Hospitalar é a Resolução nº. 300, de 30 de janeiro de 1997. Segundo esta resolução “Farmácia Hospitalar é uma unidade técnico-administrativa dirigida por um profissional farmacêutico, ligada funcional e hierarquicamente a todas as atividades hospitalares”.

A farmácia é um setor do hospital que necessita de elevados valores orçamentários e o farmacêutico hospitalar deve estar habilitado a assumir atividades clínico-assistenciais, através de participação efetiva na equipe de saúde, contribuindo para a racionalização administrativa com conseqüente redução de custos. Tem como principal função garantir a qualidade da assistência prestada ao paciente, por meio do uso seguro e racional de medicamentos e materiais médicos hospitalares, adequando sua aplicação à saúde individual e coletiva, nos planos assistencial, preventivo, docente e investigativo.

O Profissional Farmacêutico

Considerada como uma das mais antigas e fascinantes, a profissão farmacêutica tem como seu princípio fundamental a cura e a melhoria da qualidade de vida da população. O farmacêutico deve nortear-se pela ética, configurando-se como peça fundamental na sociedade, pois é a garantia do recebimento de toda a informação adequada e voltada ao uso do medicamento.

Historicamente, as atividades farmacêuticas datam da época de gregos e troianos e, por muitos anos, foram confundidas com as atividades médicas, sendo separadas somente alguns séculos depois.

No segmento hospitalar, podemos afirmar que no começo do século XX, a Farmácia

apresentava-se como imprescindível ao funcionamento normal do hospital, sendo talvez, a unidade mais evoluída, no seu antigo e verdadeiro conceito, sempre de presença obrigatória e jamais esquecida pelas administrações, pois mantinha seu papel na preparação de receitas magistrais e oficinais.

A partir de 1930, e de forma mais importante em meados de 1940, tornou-se crescente a influência da indústria farmacêutica, que levou à mudança do conceito de Farmácia, que de manipuladora ativa se transformava passivamente em simples dispensário de medicamentos, onde o corpo técnico de farmacêuticos foi sendo substituído por leigos. Isto ocorreu em todo o âmbito farmacêutico.

A partir de 1950, os Serviços de Farmácia Hospitalar, representados na época pelas Santas Casas de Misericórdia e Hospitais Escola, passaram a se desenvolver e a se modernizar. O professor José Sylvio Cimino, diretor do Serviço de Farmácia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, foi o farmacêutico que mais se destacou nesta luta, sendo, inclusive, o autor da primeira publicação a respeito de Farmácia Hospitalar no país. De acordo com esta publicação e com a visão da época, o principal objetivo da Farmácia Hospitalar era produzir e distribuir medicamentos e produtos afins às unidades requisitantes e servir ao Hospital como órgão controlador da qualidade dos produtos, não só químicos como alimentícios adquiridos para seu consumo, bem como cooperar pelas suas seções competentes, nas pesquisas, diagnósticos e investigações científicas da entidade.

Se até o início da década de 70, na Europa e nos Estados Unidos, os objetivos da Farmácia eram restritos, ficando apenas na obrigatoriedade de distribuir produtos industrializados aos pacientes, no Brasil não era diferente, e o farmacêutico hospitalar tinha como função o fornecimento dos medicamentos e o controle dos psicotrópicos e entorpecentes.

As funções do farmacêutico hospitalar no Brasil foram definidas a partir da Resolução 208, do Conselho Federal de Farmácia, em 19 de junho de 1990, embasadas em publicação espanhola que regulamenta o exercício em Farmácia de Unidade Hospitalar, sendo depois atualizada através da resolução 300 no ano de 1997. A partir dos anos 90 a Farmácia Hospitalar brasileira passa a ser essencialmente assistencial e com um enfoque logístico muito importante.

A Portaria do Ministério da Saúde 3916/98 criou a Política Nacional de Medicamentos, a Política Nacional de Saúde definiu as premissas e diretrizes, e ambas estabeleceram a reorientação da Assistência Farmacêutica voltando-se, fundamentalmente, à promoção do uso racional, otimizando e efetivando os sistemas de acesso e dispensação.

A valorização do farmacêutico se dá quando a Política de Medicamentos enfatiza o processo educativo dos usuários e consumidores relativo à adesão do tratamento e aos riscos de automedicação, valorizando as atividades ao subscritor (dispensador), sobretudo, no estabelecimento de saúde.

O Perfil do Farmacêutico Hospitalar

O farmacêutico hospitalar deve estar habilitado a ser o responsável por todo fluxo logístico de medicamentos e materiais médico-hospitalares, além do exercício da Assistência Farmacêutica. Suas principais atribuições são voltadas para:

  1. organização e gestão: planejamento, aquisição, armazenamento, distribuição e descarte de medicamentos e materiais médico-hospitalares, sendo que o farmacêutico é o responsável legal por todo o fluxo do medicamento dentro da unidade hospitalar, tendo papel fundamental na seleção de medicamentos (padronização), elaboração de normas e controles que garantam a sistemática de distribuição e critérios de qualificação de fornecedores.

  1. manipulação de fórmulas magistrais e oficinais: desenvolver fórmulas de medicamentos e produtos de interesse estratégico e/ou econômico, fracionar e/ou “reenvasar” medicamentos elaborados pela indústria farmacêutica a fim de racionalizar sua administração e distribuição e ainda preparar, diluir ou reenvasar germicidas necessários para realização de anti-sepsia, limpeza, desinfecção e esterilização.

  1. produção de medicamentos: a produção de medicamentos em alguns hospitais visa atender a demanda da instituição. Segue todos os procedimentos da industrialização de produtos farmacêuticos, em conformidade com as Boas Práticas de Fabricação.

  1. pesquisas e atividades didáticas: Toda farmácia hospitalar deve possuir manuais de normas, rotinas e procedimentos documentados, atualizados, disponíveis e aplicados; estatísticas básicas para o planejamento de melhorias; programa de capacitação e educação permanente (treinamentos, palestras, entre outros); evidências de integração com outros processos e serviços da Organização. O ensino se faz presente nos hospitais através da realização de estágios curriculares de cursos de Farmácia ou especialização em Farmácia. Quanto maior a difusão do conhecimento, maior a capacitação e o prestígio do farmacêutico perante a comunidade hospitalar.

  1. gerenciamento de resíduos: tem como principal objetivo minimizar a produção de resíduos e proporcionar um encaminhamento seguro, de forma eficiente, visando a proteção dos trabalhadores, a preservação da saúde pública, dos recursos naturais e do meio ambiente.

  1. Farmácia Clínica: segundo o Comitê de Farmácia Clínica da Associação Americana de Farmacêuticos Hospitalares, esta área pode ser definida como: “Ciência da Saúde cuja responsabilidade é assegurar mediante aplicação de conhecimentos e funções que o uso do medicamento seja seguro e apropriado, necessitando, portanto, de educação especializada e interpretação de dados, motivação pelo paciente e interação multiprofissional”.

  1. Farmacovigilância: identificar os efeitos indesejáveis desconhecidos, quantificar e identificar os fatores de risco, informar e educar os profissionais sanitários e a população, além de subsidiar as autoridades sanitárias na regulamentação, aumentando a segurança na utilização dos medicamentos.

  1. Tecnovigilância: caracteriza-se pelo acompanhamento do uso de materiais e equipamentos médico-hospitalares, em especial quanto a sua eficácia, adequação ao uso e segurança.

  1. Farmacoeconomia: definida como a descrição, a análise e a comparação dos custos e das conseqüências das terapias medicamentosas para os pacientes, os sistemas de saúde e a sociedade, com o objetivo de identificar produtos e serviços farmacêuticos, cujas características possam conciliar as necessidades terapêuticas com as possibilidades de custeio, através de trabalho integrado nas áreas clínica e administrativa.

  1. participação nas Comissões Hospitalares:

Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH): desenvolver guia de utilização de antimicrobianos, manual de germicidas, indicadores de controle de infecção e sensibilidade dos antimicrobianos, consumo e taxa de letalidade; monitorização das prescrições de antimicrobianos; controle de utilização de resistência antimicrobiana e estabelecer rotina de dispensação de antimicrobianos; controle de custos; estímulo à terapia seqüencial; elaboração de relatórios de consumo e educação permanente da equipe de saúde.

Comissão de Farmácia e Terapêutica (CFT):elaborar política de dispensação de medicamentos e atualizar a padronização e aplicação conforme a instituição; fixar critérios para obtenção de medicamentos que não constem na padronização; validar protocolos de tratamento elaborados por diferentes serviços clínicos; aumentar a investigação sobre a utilização de medicamentos; participar ativamente de educação permanente em terapêutica dirigida à Equipe de Saúde e assessorar todas as atividades relacionadas à promoção do uso racional.

Comissão Técnica de Análise de Compras:elaborar editais de compras e especificação técnica e participar de licitações e aquisições fazendo avaliação técnica.

Comissão de Ética e Pesquisa: emitir parecer ético sobre os projetos de pesquisa; manter-se atualizado no que se refere às normas nacionais e internacionais pertinentes à ética nas pesquisas, buscando conhecimento e aprimoramento contínuo sobre ensaios clínicos e legislações pertinentes.

Equipe Multidisciplinar de Terapia Nutricional: preparo de nutrições parenterais; avaliação do estado nutricional do paciente; desenvolver e aplicar o plano terapêutico; manutenção do suporte, padronizar e reavaliar práticas nutricionais.

Equipe Multidisciplinar de Terapia Antineoplásica: preparação dos quimioterápicos; atuação no suporte e na farmacoterapia.

Comissão de Farmacovigilância/Tecnovigilância:detectar de forma precoce os efeitos indesejáveis; apontar reações adversas além daquelas já conhecidas; oferecer informações educativas aos profissionais de saúde do hospital; dispor de protocolos de tratamento ou prevenção para estas reações; monitorar as notificações de queixas técnicas ligadas aos materiais médico-hospitalares e acompanhar o desenvolvimento tecnológico ligado aos materiais de uso em saúde.

É importante salientar que a participação do farmacêutico em qualquer uma dessas atividades depende das características e complexidade da instituição na qual está inserido.

Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP

Visão: ser reconhecido nacional e internacionalmente como referência em atenção à saúde, geração de conhecimento, formação e capacitação profissional, para a valorização da vida.

Missão: desenvolver e praticar assistência, ensino e pesquisa em saúde, por meio da busca permanente da excelência, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida da população.

Valores: Ética, Humanismo, Responsabilidade Social, Pioneirismo e Inovação, Competência Pessoal, Comprometimento Institucional, Compromisso com a Qualidade.

Durante as 24 horas do dia, mais de 7 mil pessoas, entre médicos, docentes, residentes, enfermeiros e pessoal de apoio, lutam para salvar vidas no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto.

Diariamente, o HC realiza cerca de 2500 consultas, 60 cirurgias, 90 internações, 6 mil exames laboratoriais, 2 mil exames especializados, 500 exames radiológicos, fornece em média 220 transfusões de sangue, 9500 refeições. Além disso, reconhecido como centro de referência, conta com linhas de pesquisa de alta qualidade, ensino de medicina, enfermagem, fisioterapia, nutrição, fonoaudiologia, terapia ocupacional e informática biomédica.

O complexo do HCFMRP-USP dispõe de três prédios: dois situados no Campus Universitário: HC-Campus e o Hemocentro e um situado na área central da cidade, onde funciona a Unidade de Emergência - UE. Além disso, oferece apoio profissional, financeiro, logístico e administrativo a um conjunto de unidades: Hospital-Dia de Psiquiatria, Centro Médico Social e Comunitário Vila Lobato, Centro de Saúde Escola "Joel Domingos Machado" e Centro Médico Social Comunitário Pedreira de Freitas em Cássia dos Coqueiros (SP).

A área de atuação do Hospital concentra-se basicamente no município de Ribeirão Preto e região, entretanto, ante as suas características de hospital de referência para atendimentos complexos, é muito comum encontrar nos corredores dos ambulatórios e enfermarias pessoas vindas de outros estados e até mesmo de outros países.

OBJETIVOS

O presente relatório tem como objetivo a descrição das atividades realizadas durante estágio curricular na Divisão de Assistência Farmacêutica (DAF) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, sendo visitadas as seguintes subunidades: Farmácia Central (incluindo o Central de Preparo de Nutrição Parenteral), Farmácia Satélite da Central de Quimioterapia, , Farmácia Ambulatorial e Farmácia Satélite da Unidade Especial de Tratamento de Doenças Infecciosas (UETDI).

As atividades aqui relatadas visam o conhecimento das áreas de atuação do farmacêutico no âmbito hospitalar, proporcionando uma visão geral do campo de trabalho, relações humanas envolvidas e ética profissional.

Divisão de Assistência Farmacêutica (DAF) do HCRP-FMRP-USP

Contando com cerca de 120 funcionários (farmacêuticos, auxiliares farmacêuticos, auxiliares de serviço e oficiais administrativos), a Divisão de Assistência Farmacêutica do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto tem como objetivo promover o uso correto e racional de medicamentos, pesquisando, produzindo e distribuindo produtos de qualidade, além do desenvolvimento dos profissionais e prestação de assistência integrada ao paciente e a toda equipe de saúde.

Área física

A DAF conta com uma área total de 1.400 m2, compreendendo diversos setores distribuídos entre os andares do Hospital: Dispensação (incluindo Área administrativa, Centro de Preparo de Nutrição Parenteral – CPNPT, Setor de compras e estocagem e a Seção de fracionamento e etiquetagem), central de abastecimento (almoxarifado), Serviço de Atividades Industriais (SAI), Farmácia Ambulatorial, Farmácia da Central de Quimioterapia, Farmácia da UETDI, copa, sanitários e depósito de material de limpeza.

Horário de funcionamento

  • Farmácia Central: de segunda a domingo, 24 horas por dia.

    • Farmacêutica responsável: Silvia Fernanda Clemente Silva

  • Centro de Preparo de Nutrição Parenteral: de segunda a domingo, das 8:00 às 18:00, sendo sábados e domingos em esquema de plantão.

    • Farmacêutico responsável: Rodrigo Marangoni Fernandes

  • Central de Quimioterapia: segunda a sexta, das 8:00 às 17:00; sábados e domingos, das 8:00 às 12:00.

    • Farmacêutico responsável: Rodrigo Marangoni Fernandes

  • Farmácia Ambulatorial: segunda a sexta, das 8:00 às 17:00.

    • Farmacêutica responsável: Laura Martins Valdevite

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