Apostila de Fundamentos e Fertilidade do Solo

Apostila de Fundamentos e Fertilidade do Solo

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SETEMBRO/1997 SOLOS: FUNDAMENTOS E FERTILIDADE

O solo pode ser definido como um corpo natural, representado em forma de perfil, composto de uma mistura variável de minerais intemperizados e em processo de intemperização e de matéria orgânica decomposta e em processo de decomposição que fornece, desde que contenha, quantidades suficientes de ar e água, nutrientes e sustento aos vegetais.

O solo é composto de três fases: uma sólida, composta de matéria mineral e matéria orgânica que forma conjuntamente a “matrix do solo”; uma fase líquida que contém água, sais em dissolução e matéria coloidal em suspensão; e de uma fase de vapor composta pelo ar do solo (Figura 1).

Os solos minerais distinguem-se dos solos orgânicos pelo teor de argila e de carbono orgânico que contém. Um solo é considerado orgânico quando:

C ≥ 12 + %argila
6

onde: C - Carbono orgânico (dag/Kg) Argila - Teor de argila (%)

Segundo Briggs (1897) a água do solo pode ser classificada como gravitacional, devido a força da gravidade; Capilar, retida nos poros capilares; e Higroscópica, retida pelos coloídes e mantendo-se em forma de vapor. O ar do solo difere da composição do ar atmosférico por duas razões básicas: Em volume, o ar do solo contem 0,03% de C02 que é 8 a 10 vezes maior que o ar atmosférico e em volume a quantidade de 02 no ar do solo é 10% menor do que no ar atmosférico.

Figura 1. Composições volumétricas de um solo mineral supostamente considerado ideal:

2. A FORMAÇÃO DO SOLO

As rochas, que é uma associação natural de dois ou mais minerais, são classificadas de Ígneas ou Magmáticas, Sedimentares e Metamórficas. As Ígneas são de origem vulcânica e compostas de minerais primários; as Sedimentares são resultantes do depósito e recimentação dos produtos do intemperismo de outras rochas; as Metamórficas são formadas pelo metamorfismo ou mudança na forma de outras rochas.

O intemperismo é uma série de processos físicos e químicos que promovem a desagregação e decomposição de rochas e minerais. O intemperismo pode ser físico ou mecânico, químico e biológico. O intemperismo físico é responsável pela desintegração das rochas e minerais, enquanto que os intemperismos químico e biológico são responsáveis pela decomposição das rochas e minerais.

A ação do intemperismo sobre as rochas é responsável pelo aparecimento do material de origem que vai, dependendo da ação do clima, dos organismos, do relevo e do tempo, dar origem ao solo propriamnete dito. Sendo assim, o solo é uma função do material de origem, do clima, dos organismos, do relevo e do tempo.

Solo = f { Material de origem, cl, o, r, t }

O clima e os organismos são considerados fatores ativos e o material de origem, o relevo e o tempo são fatores passivos na formação dos solos.

O material de origem se classifica em autóctone ou sedentário quando fica estacionário na posição original, nesta forma é também denominado de residual. Pode ser alóctone ou transportado e dependendo do tipo de transporte, o material de origem recebe algumas denominações específicas, como por exemplo: é dito coluvial se o transporte for pela ação da gravidade; aluvial se o tranportador for a água; glacial se for o gelo e eólico se o vento for o responsável pelo transporte.

Os solos apresentam normalmente muitas propriedades, no entanto apenas três sofrem influência direta do material de origem: a textura, sua composição química e mineralógica.

O clima é o principal fator ativo na formação dos solos. Ele pode agir diretamente, através da precipitação e temperatura e, indiretamente, determinando a flora e a fauna com reflexos diretos sobre a matéria orgânica do solo. Em regiões onde a precipitação é maior que a evapotranspiração, há uma tendência natural do aparecimento de solos lixiviados, enquanto que em regiões onde a evapotranspiração é maior que a precipitação, há uma tendência para o aparecimento de solos salinizados.

Na biosfera é onde se encontra a atuação dos organismos como importante fator ativo na formação do solo. Na biosfera iremos encontrar a zoosfera e a fitosfera, com suas macrofauna e microfauna, no caso da zoosfera e, macroflora e microflora, no caso da fitosfera. Dentre as ações mais importantes da zoosfera, temos uma maior homogenização do perfil do solo, uma maior subdivisão de materiais grosseiros e uma maior porosidade e granulação. A fitosfera é extremamente importante nos processos biológicos que ocorrem no solo: Os fungos pela atuação na estabilidade dos agregados, os actinomicetos pela responsabilidade na decomposição de materiais resistentes da matéria orgânica e, principalmente, as bactérias que são responsáveis pela nitrificação do nitrogênio orgânico, tornando este nutriente disponível aos vegetais.

O relevo atua como um controlador dos fatores ativos, permitindo uma maior ou menor interferência daqueles fatores na formação dos solos. Por exemplo, diretamente ele atua na dinâmica da água no solo e indiretamente é responsável pelo zoneamento vertical do clima e exposição de encostas.

A ação do tempo é relativa, ou seja, não se pode falar em solo velho ou jovem e sim em solos desenvolvidos e/ou imaturos, dependendo da intensidade da ação do clima sobre o material de origem de uma determinada região fisiográfica.

2.1 Etapas na formação dos solos

INTEMPERISMOPROCESSOS PEDOGÉNETICOS
ROCHA MATRIZ⇒ MATERIAL DE ORIGEM

3. PROCESSOS DE FORMAÇÃO DOS SOLOS

São os fatores de formação que comandam os procesos de formação dos solos, que nada mais são do que uma seguência de eventos que incluem desde complicadas reações químicas até simples remanejamentos de materiais que afetam intimamente as propriedades dos solos, como por exemplo: eluviação de argila, mineralização da matéria orgânica, salinização, etc.

Segundo Simonson “Qualquer processo de formação vai ser composto por quatro tipos de fenômenos: Adições, perdas, translocações e transformações”.

Alguns processos de formação são de considerável importância para os tipos de solos do Estado de Pernambuco, dentre eles temos: Laterização, Podzolização, Lessivagem, Gleização e Halomorfismo.

• Laterização → É um processo que envolve uma intemperização profunda, removendo silica do perfil do solo, juntamente com bases trocáveis e consequente concentração de óxidos. Este processo dá origem aos Latossolos.

• Podzolização → É um processo que envolve eluviação e iluviação de matéria orgânica e óxidos de ferrro e alumínio. Este processo dá origem aos Podzólicos.

• Lessivagem → É um processo que envolve eluviação e iluviação das argilas, contribuindo para formação de solos com B textural.

• Gleização → É o desenvolvimento de cor cinzenta no solo pela redução do ferro em condições anaeróbicas. Dá origem aos solos gleizados.

• Solos Halomórficos → São solos relacionados com drenagem deficiente em regiões semi-áridas (ascenção capilar) ou costeiras (invasão de água do mar), caracterizados pela acumulação de sais em superfície.

4. PERFIL DE SOLO

É uma seção transversal do solo que vai da superfície até onde alcança a ação do intemperismo(rocha), subdividida em camadas paralelas à superfície que são chamadas de horizontes. Os horizontes são seções paralelas à superfície do solo, decorrentes de uma evolução pedogética, com características de interrelacionamento com outros horizontes do perfil.

Camada é uma seção paralela à superfície do solo em que não se observa qualquer correlação com as seções sobrejacentes e/ou subjacentes.

Perfil do solo e seus horizontes principais:

AB ou EB BA ou BE B BC C F R

O → Horizonte ou camada orgânica superficial dos solos minerais que ocorre normalmente em florestas virgens.

H → Horizonte ou camada orgânica superficial ou subsuperficial formada sob condições de drenagem deficiente (acumulação de matéria orgânica sob condições anaeróbicas).

A → Horizonte mineral superficial de acumulação de matéria orgânica.

E → Horizonte eluvial caracterizado pela eluviação de matéria orgânica, óxidos de ferro e alumínio e argila.

AB ou EB → Horizonte transicional com mais características de A ou E do que B.

BA ou BE → Horizonte transicional com mais características de B do que A ou E.

B → Horizonte iluvial de concentração de matéria orgânica, óxidos de ferro e alumínio e argila.

BC → Horizonte transicional com mais características de B do que C.

C → Horizonte ou camada mineral semelhante ou distinto(a) do material do qual o solo se formou.

F → Horizonte ou camada mineral consolidada proveniente do endurecimento de plintita.

R → Extrato rochoso consolidado subjacente.

Os horizontes podem ser minerais e orgânicos. Para diferenciá-los é necessário conhecer-se os teores de carbono orgânico (dag/Kg) e a (%) de argila do horizonte.

Horizonte orgânico → C ≥ 8 + 0,067 % argila Horizonte mineral → C < 8 + 0,067 % argila

Um perfil de solo pode ter qualquer seqüência de horizontes, o que não pode ocorrer é a existência de horizontes invertidos. Por exemplo, o horizonte B nunca poderá aparecer na descrição de um perfil sobrejacente ao horizonte E.

O grau de desenvolvimento de um solo é determinado por sua profundidade e pela maior diferenciação de seus horizontes.

5. PROPRIEDADES MORFOLÓGICAS E FÍSICAS

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