Curso - Atencao Farmaceutica ao Paciente Hipertenso

Curso - Atencao Farmaceutica ao Paciente Hipertenso

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Programa de Educação Continuada a Distância

Curso de

Atenção Farmacêutica ao Paciente Hipertenso

Aluno:

EAD - Educação a Distância Parceria entre Portal Educação e Sites Associados

Curso de

Atenção Farmacêutica ao Paciente Hipertenso

Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este Programa de Educação Continuada, é proibida qualquer forma de comercialização do mesmo. Os créditos do conteúdo aqui contido são dados aos seus respectivos autores descritos na Bibliografia Consultada.

3 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores

Face à nova realidade, com numerosos medicamentos e suas informações técnico- científicas não alcançando adequadamente a população, vieram os problemas farmacoterapêuticos e nem sempre eram solucionados trazendo prejuízos ao paciente.

Em 1990 surge uma nova prática profissional anunciada por Hepler e Strand onde o paciente é o principal beneficiário das ações do farmacêutico e juntos trabalham para resolver os problemas relacionados a medicamentos.

A atenção farmacêutica que tem como um dos princípios principais, 1) os medicamentos, não apenas o fornecimento correto, mas a participação do profissional nas decisões sobre o tratamento medicamentoso (medicamento mais indicado, forma, dosagem, via de administração, etc.) 2) o cuidado (atenção) que é a preocupação com o bem estar alheio (paciente) 3) o comprometimento do farmacêutico com os resultados do tratamento faz com essa prática seja elemento essencial aos serviços de saúde e deve estar integrada com as demais áreas do sistema de saúde (STORPIRTIS, RIBEIRO & MAROLONGO, 2000).

Na Hipertensão Arterial, a Atenção Farmacêutica é uma prática fundamental para o controle dessa patologia; minimizando os sintomas, suas complicações e trazendo melhor qualidade de vida. É um olhar diferenciado do tradicional, é um olhar na totalidade individual do ser humano considerado em seu contexto, com o objetivo de alcançar resultados que favoreça o seu bem estar.

O curso Atenção Farmacêutica a paciente hipertenso possui quatro módulos abrangendo a patologia, o tratamento farmacológico e não farmacológico, adesão ao tratamento e a prática farmacêutica na hipertensão arterial.

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1. HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA (HAS) COMO PROBLEMA DE SAÚDE PÚBLICA.

1.1 Dados epidemiológicos.

coração e cérebro) (BRANDÃO et al. 2003)

A hipertensão arterial é atualmente vista não somente como alteração dos níveis pressóricos, mas como uma doença caracterizada pela condição sistêmica que envolve a presença de alterações estruturais das artérias e do miocárdio, associadas a disfunção endotelial, constrição e remodelamento da musculatura lisa vascular. Essas condições estão freqüentemente relacionadas com os distúrbios metabólicos ligados à obesidade, à diabete e as dislipidemias e também com a lesão ou não dos órgãos alvos (olhos, rins,

Devido a sua elevada prevalência na população brasileira, vem tornando-se um problema de saúde pública de grande importância, pois reduz a expectativa de vida e trazem muitas complicações, cardíacas, renais, além de elevado custo econômico e social.

No Brasil não se conhece o número exato de indivíduos hipertensos, os estudos realizados foram em determinadas cidades ou de grupos populacionais. A prevalência da hipertensão no Brasil, realizada em algumas cidades do Brasil varia de 2,3% a 43,9%, aumenta com a idade e os indivíduos negros são afetados duas vezes mais que os brancos. (BRANDÃO et al. 2003; SOCIEDADE BRASILEIRA DE HIPERTENSÃO, 2002 ).

A hipertensão arterial constitui um dos fatores de risco mais importante para o desenvolvimento das doenças cardiovasculares, estima-se que afeta aproximadamente 1 bilhão de pessoas no mundo (NIH, 2003). As doenças cardiovasculares (Infarto agudo do miocárdio, morte súbita, acidente vascular encefálico, edema agudo do pulmão e insuficiência renal) constituem a primeira causa de morte no Brasil.

O Estudo de Framingham demonstrou uma forte tendência de associação da hipertensão arterial com outros fatores de risco como a dislidipidemia, obesidade, diabete

5 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores e tabagismo, representando mais que uma simples soma de riscos para a doença arterial coronariana, determina um risco de duas até sete vezes, para ambos os sexos.

Em 2000, as doenças cardiovasculares foram responsáveis por 15,2% das internações realizadas no Sistema Único de Saúde-SUS em indivíduos na faixa etária de 30 a 69 anos. Do total de casos (693.839), 17,7% estão relacionados ao acidente vascular encefálico e ao infarto de miocárdio. Segundo o Sistema de Informação Hospitalar (SIH/SUS), em 2000 os gastos com internações por hipertensão arterial foram de R$ 17 milhões, sendo que esse valor não reflete o real problema, pois não contemplam as internações por outras causas cardiovasculares, em que a hipertensão arterial atuaria como coadjuvante (BRANDÃO et al. 2003).

As doenças cardiovasculares em 2003 foram responsáveis por 274.068 óbitos (27,3%) do total das mortes sendo que na faixa etária de 35 a 64 anos representaram 31,3% do total de óbitos por esta causa, atingindo a população adulta em plena fase produtiva. Entre essas doenças, o acidente vascular encefálico e o infarto agudo do miocárdio são as mais prevalentes (5,4%). Na região Centro-Oeste, as doenças cardiovasculares foram responsáveis por 17.194 mortes (29%) do total das mortes para a região (MINISTÉRIO DA SAÚDE 2003).

A hipertensão arterial presente em mais de 60% dos idosos, pode estar associada a outras doenças também prevalentes nessa faixa etária, como a arteriosclerose e a diabete mellito, proporcionando alto risco para morbidade e mortalidade cardiovasculares. Portanto, há necessidade de uma correta identificação do problema e esquema terapêutico apropriado (BRANDÃO et al. 2003).

A avaliação da pressão arterial em crianças e jovens adolescentes surgiu na década de 60 e a partir de 1970 apareceram às primeiras recomendações sobre a medida rotineira nessa faixa etária. Verificou-se que as alterações discretas da pressão arterial podiam ser observadas e eram comuns e sem causa secundária identificada.

A pressão arterial na infância e adolescência deve ser interpretada de acordo com as curvas de distribuição da pressão arterial tanto sistólica como diastólica, por sexo e faixa etária, observando-se os valores correspondentes a diversos percentis. O peso e o

6 Este material deve ser utilizado apenas como parâmetro de estudo deste Programa. Os créditos deste conteúdo são dados a seus respectivos autores índice de massa corpórea são as variáveis mais acentuadas, também outros estão relacionados como: sexo, raça, história familiar e fatores dietéticos.

Em 1948, os serviços de saúde pública dos Estados Unidos, The US Public Health

epidemiológico (BRANDÃO et al. 2003)

Service, autorizou um estudo observacional a longo prazo, para determinar as causas da doença do coração. O estudo demonstrou que os indivíduos com hipertensão arterial têm maior risco para desenvolver doença arterial coronariana, quando comparados com indivíduos de pressão arterial normal. A associação de fatores de risco como dislipidemia, diabete, obesidade e tabagismo juntam-se para formar a placa aterosclerótica, propiciando o surgimento de alterações cardiovasculares de grande impacto 1.2. Classificação

Segundo as IV Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial, os valores que permitem classificar os indivíduos adultos acima de 18 anos, de acordo com seus níveis tensionais estão no quadro 1:

Indivíduos com pressão arterial normal apresentam valores inferiores a 13/85 mmHg e ótima quando for igual ou inferior a 120/80 mmHg.

Quadro 1: Classificação da pressão arterial (> 18 anos).

Classificação Pressão sistólica (mmHg)

Pressão diastólica (mmHg)

Ótima < 120 < 80

Normal < 130 < 85

Limítrofe 130 -139 85 – 89

Hipertensão Estágio 1 (leve) 140 – 159 90 – 9

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Estágio 2 (moderada) 160 – 179 100 – 109

Estágio 3 (grave) ≥ 180 ≥ 110

Sistólica isolada ≥ 140 ≥ 90

O valor mais alto de sistólica ou diastólica estabelece o estágio do quadro hipertensivo. Quando as pressões sistólica e diastólica situam-se em categorias diferentes, a maior deve ser utilizada para classificação do estágio.

A pressão arterial para crianças e adolescentes é baseada nos percentis 90 e 95%.

Quadro 2: Classificação de HAS para crianças e adolescente.

Pressão Arterial (mmHg)

Os valores dos percentis 90 e 95 da pressão arterial para cada faixa etária são normalizados para o percentil da estatura da criança e adolescente.

Valores da PA Sistólica e Diastólica Classificação

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