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MOTIVAÇÃO NAS ORGANIZAÇÕES 1-CONCEITUAÇÃO DE MOTIVAÇÃO:

Atualmente a organização vem enfatizando cada vez mais o assunto sobre a motivação pessoal. em razão do destaque deste assunto na literatura administrativa temos os mais diversas conceituações e aplicações da motivação no ambiente de trabalho, porém o sentido da palavra motivação provem do latim, é o que afirma Maximiniano, (2004 p. 14) “A palavra motivação deriva do latim motivus, movere, que significa mover. O seu sentido original fundamenta-se no processo no qual o comportamento é incentivado, estimulado ou energizado por algum motivo ou razão”.

Pode-se analisar que o autor refere-se à motivação como a mola propulsora que contribui para a realização de um determinado desejo, sendo o motivo e a emoção o segredo do entusiasmo na realização de algum objetivo.

A motivação é um aspecto intrínseco ás pessoas, pois ninguém pode motivar ninguém. A mesma passa a ser entendida como fenômeno comportamental único e natural e vem da importância que cada um dá ao seu trabalho, do significado que é atribuído a cada atividade desse trabalho e que cada pessoa busca o seu próprio referencial de auto-estima e autoidentidade (BERGAMINI, 1997, p.54).

Portanto, motivação é pessoal, mas pode ser influenciada por objetivos e interesses coletivos as pessoas a irem em busca de algo que possa satisfazer suas vontades e que contribua de alguma forma para a realização de seus desejos, fica difícil motivar pessoas, até porque o ser motivado supera limites como se a pessoa estivesse sob efeito de algo superior, isso se dá quando a pessoa está centrada em seu objetivo maior levando a uma integração em busca de sua auto-realização.

“Para compreender o comportamento humano é fundamental o conhecimento da motivação humana. Motivo é tudo aquilo que impulsiona a pessoa a agir de determinada forma isto é, tudo aquilo que dá origem a alguma propensão a um comportamento específico” (CHIAVENATO 1982, p. 414).

Através desta informação do autor, pode-se verificar que na verdade o ser humano precisa de algo que o estimule para então começar a agir em busca de um determinado objetivo. Sabe-se, portanto, que a motivação humana ao longo dos anos serviu de objeto de estudo, para tentar tornar claro o que estimula o ser em questão a objetivar algo, portanto assim como que o ser humano é estimulado através de uma recompensa é desestimulado para um comportamento primitivo, isto é, o impulso leva as pessoas a agirem por necessidades reais direcionada por suas expectativas de vida e por aspirações.

Falar-se de motivação em geral é algo a ser bastante pensado, ou seja, desafiador. Baseia-se na sua própria significação de palavra que motivação é simplesmente aquilo que motiva pessoas para uma determinada ação. Um dos questionamentos mais discutidos é o fato de que a motivação é interna.

Montana (1999, p. 203) diz que motivação é o “processo de estimular um indivíduo para que tome ações que irão preencher uma necessidade ou realizar uma meta desejada”.

Diante desta afirmativa, observa-se que a motivação é o insight para a ação e a partir daí o ser humano busca satisfazer suas necessidades. Pois, é notório que o estágio atual do ser humano conta com uma constante busca por tudo o que possa servir de melhoria de vida em relação a desempenho profissional, familiar, financeiro e tudo o que possa servir de melhoria contínua.

Para Faria (1982 p. 101) “o homem é um animal permanentemente insatisfeito, lutando sempre para conseguir algo mais que julga imprescindível a sua satisfação”, no entretanto entendese que este ao satisfazer suas necessidades humanas básicas, pessoais e as de status, logicamente não significa dizer está motivado, já que estes fatores é motivação para permanecer no mesmo nível de necessidades, pois este tem necessidade de perspectivas para torná-lo sempre capaz de encarar e viver novos desafios, tais como mudanças no ambiente organizacional, novos empreendimentos, novas funções no setor de trabalho e outros procedimentos que contribuem para um novo impulso em relação á novas conquistas. As necessidades humanas são infinitas, pois sempre esta estará sentindo falta de algo, que será visto como necessidade para a sua realização. Os seres humanos estão a todo o momento procurando motivos para continuar a viver, e isso vai depender sempre de um impulso, um estímulo motriz que esteja direcionado sempre num sentido de desejo por algo, que seja capaz de satisfazê-lo.

De acordo com o site do portal eletrônico da saúde1. A palavra “saúde” representa a harmonia de alguns fatores importantíssimos da vida humana, como equilíbrio físico, mental, espiritual, social e econômico. O equilíbrio físico é o que, em geral, é chamado de ausência de patologia física O equilíbrio mental esta inserido no equilíbrio do fator psicológico, de saber estar em controle emocional, de estar saudável em termos mentais, em suas necessidades de evoluir, enfim de tudo que se relaciona com a conduta psicológica2. (LEI 8.080/90 § I).

21 Disponível em http://www.saude.gov.br 2 Lei orgânica da Saúde

TEORIAS MOTIVACIONAIS 2 - BREVE HISTÓRICO SOBRE A MOTIVAÇÃO:

De acordo com Steers e Poter apud Casado (2002, p.249). “Antes da revolução industrial a motivação tinha forma de medo, punição - física financeira ou social.”

Verifica-se desta forma que a punição era uma forma de motivar os colaboradores em um ambiente organizacional e o medo instalava-se neste ambiente de trabalho. Estas punições não eram realizadas somente de forma psicológica, apareciam também sob forma de restrições financeiras, e diversas vezes foram caracterizadas no sentido real sob a forma de lesão de ordem física. Com a industrialização maciça veio à cultura de produtividade em larga escala, e essa preocupação com produtividade, exigia um melhoramento dos procedimentos e, por conseguinte, novas maneiras de uniformizar as atividades.

Em contrapartida no Taylorismo, o método de racionalizar a produção, de primar a todo custo pelo aumento da produtividade do trabalho, desta forma "economizando tempo”, aperfeiçoou a divisão social do trabalho inserida pelo sistema de fábrica, assegurando definitivamente o controle do tempo do trabalhador pela classe dominante, e difundindo sempre a idéia que para se motivar o trabalhador é necessário que se utilize o dinheiro, como forma de acompanhar a motivação na produtividade. Essas idéias levaram a uma idealização errada de motivação no trabalho.

A administração científica de Taylor passa a defender o uso de formas de controle sobre os subordinados e, no ambiente que antes era da punição, surgiu uma nova crença de que o dinheiro seria a principal forma de incentivar o trabalhador a produzir. Se a preocupação de antes era descobrir o que se deveria promover para motivar as pessoas, nos dias contemporâneos o discurso organizacional sobre motivação caminha para o vértice do prazer na execução das tarefas, excluindo a suposição de que o trabalho seja algo desagradável, retira-se do trabalhador ou mau ou o bom desempenho e eficiência e colocase a responsabilidade ao supervisor. (CASADO, 2002, p.249-250).

Seguindo este pensamento, é esperado que o gerente preencha cada posição com o trabalhador adequado, forneça treinamento e exerça controle para atingir resultados, uma vez atingidos, os trabalhadores devem ser bem recompensados financeiramente, desta forma induzindo a trabalhar mais rápido e melhor. À medida que este modelo tradicional foi aplicado os problemas começaram a surgir.

Maslow apud Montana (1999, p.228) explica que “existe uma tendência natural na qual o indivíduo se torna conscientes de cada uma delas? (atos de sentimentos de proteção e segurança, atos de pertencer, estima, e no final auto-realização), motivados por elas em ordem decrescente”.

Identifica-se que a motivação para a realização de qualquer necessidade se dá pelo fato de que o indivíduo tem consciência de cada uma das tendências naturais, isto é, de todos os sentimentos relativos às necessidades dos seres humanos, atingindo seu grau de motivação conforme o momento de sua vida. Seus estudos influenciaram vários outros autores tal como: Frederick Herzberg que também realizou um postulado sobre a Teoria Motivação-Higiene, que tratava de comportamentos humanos e as atitudes no trabalho avaliando sobre o aumento da produtividade, em relação ao funcionário motivado, diminuição do absenteísmo e melhores relações no ambiente da organização, baseado nestes ideais haveria a compreensão que elevam o moral trazendo a alegria com a auto-realização.

Herzberg apud Stoner e Freeman (1995, p.326) chegou à premissa de que “os fatores responsáveis pela satisfação são em geral desligados e distintos dos fatores da satisfação profissional”. Isto é quando explicamos a teoria da motivação baseada nas necessidades falamos de Maslow e quando se quer explicar a teoria fundamentada em comportamentos e atitudes, Herzberg é o que se ajusta a essa idéia.

Os administradores devem estar cientes destes fatores, e ter conhecimento das teorias que influenciam o ser humano. As organizações para a sua funcionalidade mais efetiva estão sistematizadas em hierarquias, e os colaboradores devem estar cientes de seus papéis , assim como é sempre um grande desafio para os gerentes, tentarem compreender os colaboradores ali estão alocados, enfocando sempre no contexto, as razões de seus comportamentos, e qual a maneira melhor para motivá-las para serem mais produtivas e atenderem os apelos da organização.

3-TEORIAS DA MOTIVAÇÃO: 3.1-Teoria da Hierarquia das Necessidades de Maslow:

Segundo Spector (2002, p.198) “a motivação é um estado interior que induz uma pessoa a assumir determinados tipos de comportamentos”. Visto por outro angulo, a motivação refere-se ao desejo de adquirir ou alcançar determinado objetivo ou meta, ou seja, motivação em seu sentido amplo resulta dos desejos das necessidades ou vontades que o ser humano tem de alcançar algo, da insatisfação que nos leva sempre a procura de um novo objetivo a cada realização concluída. Isso justifica porque algumas pessoas são bastante motivadas a ganhar dinheiro, neste sentido observa-se que um alto grau de motivação pode influenciar o ser humano para a satisfação de seus desejos.

A motivação é uma ferramenta das mais importantes para o sucesso organizacional, pois afeta o desempenho funcional do colaborador, sendo a mola propulsora para que o processo de produção que é a funcionalidade da organização seja o responsável pelo processo de transformação, isto é, os processos de transformação são responsáveis pela geração de bens (produtos e serviços), e para que saia a contento do cliente é necessário que atinja seu grau de excelência. Este fato torna-se muito presente quando se fala das hierarquias das necessidades, pois mostra na verdade, que tudo deve estar em concordância com as verdadeiras necessidades, ou seja, cada qual ao seu nível, pois caso isso não ocorra, a produção sofre uma conseqüência a qual chamamos de efeito cascata.

Para Chiavenato (1982 p. 418) “a complexidade da motivação humana é brilhantemente ilustrada e compreendida através da Pirâmide de Maslow na chamada Hierarquia das Necessidades.”. Maslow, em uma pirâmide de cinco partes, consegue ilustrar o tamanho da importância que se da para cada necessidade, conforme os níveis vão sendo ultrapassados. Abraham Maslow, psicólogo e consultor norte-americano em psicologia, estudioso no campo das motivações, fundamentou uma teoria pela qual as necessidades humanas estão organizadas e dispostas em níveis, numa hierarquia de importância e influencias. Essa hierarquia de necessidades é representada e visualizada em uma pirâmide, cuja base está no patamar das necessidades mais baixas e no topo da pirâmide está as mais elevadas.

A figura 1 representa as chamadas necessidades básicas do ser humano, segundo o tradicional modelo de pirâmide, que presume a satisfação do nível menor, para haver a permissão a satisfação do maior.

Figura 1- A Figura Pirâmide das Necessidades Humanas Básicas Fonte: MASLOW, 2000, p.105

Maslow (2000, p.105) ainda complementa dizendo que “as necessidades vão se tornando mais sofisticadas à medida que mudamos de nível”. Na hierarquia das necessidades, quer seja membro de uma tribo primitiva, ou de classes sociais distintas, nunca se estará inteiramente satisfeito com as coisas essenciais que já se possui. Continuamente, procura-se melhor qualidade e

TEORIAS MOTIVACIONAIS maior variedade, sempre em busca de maior satisfação na vida.

A motivação sem dúvida é exclusivamente interna a cada indivíduo, e podemos dizer que ninguém motiva ninguém, porém os gestores devem entender que a organização para funcionar no contexto produção competitividade, é necessário que os grupos sejam trabalhados com o estímulo externo de motivação para que ela ocorra, para isso é preciso incentivar os gestores de empresas utilizem várias ferramentas de trabalho, tais como atividades de animação para que haja rendimento no trabalho. O funcionário que tem motivação tem vontade de realizar os trabalhos que lhe competem, tem vontade de ter conhecimentos que aprimorem o seu desempenho no trabalho, e tem compromisso com a organização.

Segundo Malik (1998, p.58) “Um trabalhador absolutamente desmotivado numa dada unidade, ao mudar de local e de condições de trabalho, passa a fazer o que lhe é pedido na maioria das vezes. Motivação é algo que a organização espera a priori do trabalhador”.

Constata-se que a motivação pode muito bem estar relacionada ao ambiente da organização, a gerência, e a outros motivos que levam muitas vezes o profissional a mudar de ambiente de trabalho e modificar completamente seu estado desmotivado, e apresentar um quadro de muita motivação na realização de suas tarefas, levando a um excelente desempenho, muitas vezes da mesma atividade que realizava na antiga unidade, nesse caso podemos observar que a motivação surge de estímulos externos.

Chiavenato (1981, p.49) afirma que “a motivação funciona em termos de forças ativas e impulsionadoras, traduzidas como desejo e receio, o indivíduo deseja poder deseja status receia o ostracismo social, que nada mais é que o isolamento social rejeita ameaças de auto-estima”.

Entende-se que a motivação aberta deve produzir metas, e para obtenção é necessário que o ser humano gaste energias. Nessa perspectiva, quando se pergunta qual à razão do colaborador agir de forma inesperada quando submetido a estímulos motivacional. Reconhece-se que a complexidade do ser humano de apresentar e de seus comportamentos múltiplos, divergindo necessidades entre eles, torna-se desta forma imprescindível que se procurem informações para a motivação de cada um.

Morgan (1996) sugere as seguintes medidas a serem usadas pelas empresas para atingirem a motivação de seus colaboradores no que tange a Teoria de Maslow:

1. Auto-realização; estimulo ao completo comprometimento, o trabalho como dimensão importante na vida do empregado; 2. Auto-estima: cargos que permitam realização, autonomia, e responsabilidade, trabalho que valoriza a identidade; 3. Sociais: estímulos á interação com os colegas no trabalho, possibilidade de atividades sociais e esportivas, e reuniões sociais que ocorram fora da organização; 4. Segurança: seguro-saúde e planos de aposentadoria, segurança no trabalho, estabelecimento e divulgação do plano de carreira; 5. Fisiológicos: salário e benefício; segurança e condições agradáveis no trabalho.

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