metodologia da lingua portuguesa

metodologia da lingua portuguesa

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Sumário:

Introdução

Módulo I - Pressupostos Teóricos e Metodologia

Módulo I – TEXTUALIDADE, TIPOS DE TEXTOS E GÊNEROS TEXTUAIS

Unidade I: Condições de Textualidade Unidade I: Tipos de Texto e Gêneros Textuais

Módulo I - A Produção de Sentido e Informações Não Explícitas

Unidade I : Construindo o sentido do texto Unidade I : Nem tudo o que é lido está escrito

Módulo IV - COESÃO E COERÊNCIA

Unidade I : Coesão Unidade 2: Coerência

Módulo V - Literariedade Unidade I: Literário X Não literário

Módulo VI - Estilo e Épocas Unidade I: Visões de Estilo

Módulo VII - Intertextualidade Unidade I : Texto e Intertexto

Unidade 1 – O “PARA QUÊ” ENSINARMOS GRAMÁTICA Unidade 2 – DOGMATISMO OU DEMOCRACIA? Unidade 3 – A GRAMÁTICA EM UMA PERSPECTIVA TEXTUAL-INTERATIVA Unidade 4 – SOBRE GRAMÁTICA E TEXTO

Bibliografia:

Introdução

De modo geral, nosso aluno manifesta seu desagrado em relação às aulas de língua portuguesa, porque, quase sempre, se constituem de um desfile de regras a serem decoradas, juntamente com suas exceções e um excesso de terminologias gramaticais. Tal desagrado não é unilateral, pois, logo nos primeiros anos de atividade profissional, o professor mais criativo sente também uma insatisfação com a forma pela qual a língua é ensinada.

Muitos dos nossos alunos sabem as regras gramaticais, mas conservam uma grande dificuldade para estruturar lingüisticamente um pensamento e aplicar adequadamente as regras memorizadas.

Nem sempre, entretanto, podemos responsabilizar o professor, tendo em vista que ele sofre pressões externas que interferem em sua metodologia de ensino de língua portuguesa, tais como: provas de concursos e vestibulares que, muitas vezes, hiper-valorizam questões pouco significativas e que não permitem ao falante pôr em evidência o seu potencial lingüístico.

Nossa disciplina se justifica, ainda, pelo fato de propiciar a reflexão sobre o uso da língua

Portanto, o objetivo fundamental do ensino de língua materna é o desenvolvimento da competência comunicativa. Os usuários da língua se comunicam por meio de textos, assim, o trabalho de desenvolvimento da competência comunicativa corresponde, em última instância, ao desenvolvimento da capacidade de produção e compreensão nas mais variadas situações de comunicação. como construtora de significados e de papéis sociais. A leitura, assim, não pode ser dissociada do contexto interlocutivo; ao contrário, deverá se relacionar à situação sócio-histórica em que o texto foi construído, incluídos aí interlocutores, intencionalidade e seleção de elementos do sistema lingüístico.

Objetivos

É fundamental que as aulas de língua portuguesa não sejam apenas aulas de gramática.

capacidade de leitura e de escrita funcionais

Devem, portanto, oportunizar momentos de reflexão a respeito da língua e oferecer instrumentos que facilitem a análise de sua estrutura e de seu funcionamento, para que se a aperfeiçoe a

Nessa perspectiva, são os seguintes objetivos do ensino da língua portuguesa: • retornar, sistematizar e aprofundar os conhecimentos lingüísticos internalizados pelo aluno;

• conscientizar o estudante da importância de desenvolver uma certa competência de análise gramatical, não como um fim em si, mas como uma “linguagem especial” útil para a reflexão a respeito da norma culta e para o emprego eficiente dela; • dar possibilidades ao aluno no sentido de ampliar gradativamente o seu domínio de uso da norma culta, variedade indispensável para a sua participação na vida social letrada; • contribuir para que o aluno desenvolva uma visão não preconceituosa em relação às variedades lingüísticas divergentes do padrão culto; • capacitar o aluno no sentido de distinguir os diferentes recursos (morfológicos, sintáticos, semânticos) na construção formal e significativa dos enunciados lingüísticos; • desenvolver habilidade de leitura funcional do aluno, para que ele seja capaz de associar o conteúdo lingüístico de um texto com o conhecimento de mundo (informações pragmáticas, de modo a “interpretar” eficientemente textos de caráter prático (informativo, publicitário, instrucional etc.) que circulam n o meio social; • tornar o aluno mais apto a identificar aspectos discursivos explorados pelo texto determinando seus objetivos e intencionalidades.

1Tipos de ensino
Partindo de uma visão sócio-interacionista da linguagem, em que o aluno atua como

MÓDULO I: PRESSUPOSTOS TEÓRICOS E METODOLOGIA interlocutor de fato, isto é, como produtor de sentido, e não apenas como aquele que o recebe, nossa metodologia estará voltada, sobretudo, para a análise de situações concretas de leitura e para a elaboração de estratégias de compreensão e interpretação, envolvendo o estabelecimento de mecanismos de produção de sentido que certamente vão contribuir para aprimorar o uso da língua.

Não podemos esquecer que a terminologia deve ser parte do conhecimento do professor, nenhuma aula ganha sustentação sem um embasamento teórico-metodológico.

Atividade: Sugestão para formação de um fórum de discussão Discutir com os demais participantes do curso a seguinte afirmação: “A terminologia não deve ser o alvo do ensino, mas não deve deixar de fazer parte dele”.

O ensino pode ser realizado sob três óticas: 1. ensino prescritivo 2. ensino descritivo 3. ensino produtivo

Ensino prescritivo

O ensino prescritivo objetiva levar o aluno a substituir seus próprios padrões de atividade lingüística considerados errados/inaceitáveis por outros considerados corretos/aceitáveis. Esse tipo de ensino está diretamente vinculado ao estudo gramática normativa como um fim em si mesmo, só privilegiando, em sala de aula, o trabalho com a variedade escrita culta, tendo como um de seus objetivos básicos a correção formal da linguagem.

Objetivo: evitar que o aluno cometa erros de linguagem. Características: - goza de grande tradição na escola brasileira;

- constitui uma contingência social;

- valoriza a visão maniqueísta do certo e do errado;

- interfere nas habilidades lingüísticas já existentes. O ensino prescritivo objetiva, portanto, levar o aluno a substituir seus próprios padrões de atividade lingüística considerados errados por outros considerados corretos. Este tipo de ensino está ligado, portanto, à gramática normativa

Ensino descritivo

O ensino descritivo objetiva mostrar como a linguagem funciona e como determinada língua em particular funciona. Fala de habilidades já adquiridas sem procurar alterá-las, porém, mostrando como podem ser utilizadas.

Objetivo: descrever o funcionamento da língua. Características: - não procura alterar os padrões já adquiridos pelos falantes;

- são tímidas ainda as suas contribuições: maior desenvolvimento das descrições fonológicas e morfológicas; - procura mostrar como esses padrões já adquiridos podem ser utilizados.

Ensino produtivo

O ensino produtivo objetiva ensinar novas habilidades lingüísticas. Contribui no sentido de fazer com que o aluno entenda uso de sua língua materna de maneira mais eficiente. Dessa forma, não quer alterar os padrões que o aluno já adquiriu, mas aumentar os recursos que ele já possui e fazer isso, de modo tal, que tenha a seu dispor, para uso adequado, o maior grau possível de potencialidades de sua língua, em todas as diversas situações em que tem necessidades delas. O ensino produtivo valoriza o respeito à variabilidade lingüística, como também a adequação às diversas situações de interação entre os falantes. Objetivo: desenvolver nos falantes nativos novos hábitos lingüísticos ou facilitar o desenvolvimento daqueles já anteriormente adquiridos. Características: - não preconiza o abandono de hábitos anteriores;

- estimula a criatividade do falante.

A partir dessas três modalidades apresentadas podemos estabelecer algumas conclusões: a) o ensino prescritivo não deve ser superestimado em detrimento do ensino produtivo; b) as três modalidades de ensino são importantes; c) as modalidades prescritiva e descritiva devem ser vistas como ferramentas fundamentais para o ensino produtivo; d) através do ensino produtivo, o professor deverá criar estratégias para o preenchimento de lacunas sintáticas e semântico-pragmáticas observadas no discurso do aluno, capacitando-o a ser um bom compreendedor e produtor de textos; e) o uso de terminologias deve ser feito com moderação.

Atividade: sugestão de fórum de discussão Discuta a seguinte afirmação: “As três modalidades de ensino (prescritiva, descritiva e produtiva) são importantes para formação do saber do aluno”.

A partir do que aparece sugerido nos parâmetros curriculares, os professores que trabalham com L1 (língua materna) não devem centrar suas aulas na utilização de teoria gramatical principalmente, somente em cursos que visam à aprovação em concursos de egresso a órgãos públicos e em empresas de economia mista é que tais conhecimentos metalingüísticos devem ser cobrados dos alunos.

Sem dúvida alguma, principalmente a partir da valorização das discussões sincrônicas, as várias correntes da lingüística surgidas no século X, muito têm contribuído para a melhora do ensino de L1. Tal fato aparece refletido nos parâmetros curriculares propostos pelo MEC, bem como nas sucessivas reformulações por que têm passado os manuais didáticos.

As questões focalizadas nessa disciplina devem servir de reflexão para nós profissionais que trabalhamos com o ensino de língua materna no ensino fundamental e médio e que aula de língua portuguesa é aula, primordialmente, de compreensão e produção de textos e que não devemos enfocar a gramática pela gramática, tornando-a um fim em si mesma e não um meio.

Módulo I TEXTUALIDADE, TIPOS DE TEXTOS E GÊNEROS TEXTUAIS

Objetivos Específicos: ƒ Identificar as condições de textualidade;

ƒ Distinguir tipo de texto e gênero textual.

Unidade 1 Condições de Textualidade

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