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INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 114 – JUNHO/2006 1

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N0 114JUNHO/2006Promover o uso apropriado de P e K nos

sistemas de produçªo agrícola atravØs da geraçªo e divulgaçªo de informaçıes científicas que sejam agronomicamente corretas, economicamente lucrativas, ecologicamente responsÆveis e socialmente desejÆveis.

ADUBAO PARAADUBAO PARAADUBAO PARAADUBAO PARAADUBA˙ˆO PARA A CULTURA DA SOJAA CULTURA DA SOJAA CULTURA DA SOJAA CULTURA DA SOJAA CULTURA DA SOJA11111

1. EXIGNCIAS MINERAIS1. EXIGNCIAS MINERAIS1. EXIGNCIAS MINERAIS1. EXIGNCIAS MINERAIS1. EXIG˚NCIAS MINERAIS

Aabsorção de nutrientes por uma determinada espécie vegetal é influenciada por diversos fatores, entre eles as condições climáticas como chuvas e temperaturas, as diferenças genéticas entre cultivares de uma mesma espécie, o teor de nutrientes no solo e os diversos tratos culturais. Na Tabela 1 são apresentadas as quantidades médias de nutrientes contidas em 1.0 kg de restos culturais de soja e em 1.0 kg de grãos de soja.

2. DIAGNOSE FOLIAR2. DIAGNOSE FOLIAR2. DIAGNOSE FOLIAR2. DIAGNOSE FOLIAR2. DIAGNOSE FOLIAR

Além da análise do solo, para indicação de adubação, existe a possibilidade complementar da diagnose foliar, principalmente para micronutrientes, pois os níveis críticos desses no solo são ainda preliminares. Assim, a diagnose foliar apresenta-se como uma ferramenta complementar na interpretação dos dados de análise de solo, para fins de indicação de adubação, principalmente para a safra seguinte.

Basicamente, a diagnose foliar consiste em analisar quimi- camente as folhas e interpretar os resultados, conforme a Tabela 2. Fonte: Tecnologia de Produção de Soja – Região Central do Brasil - 2006. Londrina: Embrapa Soja, Embrapa Cerrados, Embrapa Agropecuária Oeste, 2005. (Embrapa Soja. Sistemas de Produção, n. 9). p. 4-58.

Tabela 1. Quantidade absorvida e exportação de nutrientes pela cultura da soja.

Parte da planta N P2O5 K2O Ca Mg S B ClM oF e Mn Zn Cu

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2 INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 114 – JUNHO/2006

Tabela 2. Concentrações de nutrientes usadas na interpretação dos resultados das análises de folhas de soja (sem pecíolo) do terço superior, no início do florescimento (estádio R1). Embrapa Soja, Londrina, PR, 1985.

ElementoDeficiente ou muito baixoBaixoSuficiente ou médioAltoExcessivo ou muito alto

- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - (g kg-1) - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - (mg kg-1) - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

Mn< 1515 a 2020 a 100100 a 250> 250 Fe< 3030 a 5050 a 350350 a 500> 500 B< 1010 a 2020 a 5 a 80> 80 Cu< 6 a 14> 14 Zn< 1 a 2020 a 5050 a 75> 75 Mo< 0,50,5 a 1 a 5,05,0 a 10> 10

Fonte: SFREDO et al. (2001).

Os trifólios a serem coletados, sem o pecíolo, são o terceiro e/ou o quarto, a partir do ápice de, no mínimo, 40 plantas no talhão, no início do florescimento (estádio R1). Quando necessário, para evitar a contaminação com poeira de solo nas folhas, sugere-se mergulhá-las em água, simplesmente para a remoção de resíduos de poeira, e em seguida colocá-las para secar à sombra e, após, embalálas em sacos de papel (não usar os de plástico).

Para os Estados de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, a interpretação dos resultados de análise foliar é feita a partir de faixas de teores definidas na Tabela 3. Nestes Estados, adota-se como folha-índice o terceiro trifólio e/ou quarto trifólio com pecíolo, a partir do ápice, coletado no estádio de florescimento pleno (R2).

3. ADUBAO3. ADUBAO3. ADUBAO3. ADUBAO3. ADUBA˙ˆO

3.1. NitrogŒnio3.1. NitrogŒnio3.1. NitrogŒnio3.1. NitrogŒnio3.1. NitrogŒnio

O nitrogênio (N) é o nutriente requerido em maior quantidade pela cultura da soja. Estima-se que para produzir 1.0 kg de grãos são necessários 80 kg de N. Basicamente, as fontes de N disponíveis para a cultura da soja são os fertilizantes nitrogenados e a fixação biológica do nitrogênio (FBN) (HUNGRIA et al., 2001).

A fixação biológica do nitrogênio (FBN) é a principal fonte de N para a cultura da soja. Bactérias do gênero Bradyrhizobium, quando em contato com as raízes da soja, infectam as raízes, via pêlos radiculares, formando os nódulos. A FBN pode, dependendo de sua eficiência, fornecer todo o N de que a soja necessita.

Resultados obtidos em todas as regiões onde a soja é cultivada mostram que a aplicação de fertilizante nitrogenado na semeadura ou em cobertura, em qualquer estádio de desenvolvimento da planta, em sistemas de semeadura direta ou convencional, além de reduzir a nodulação e a eficiência da FBN, não traz nenhum incremento de produtividade para a soja. No entanto, se as fórmulas de adubo que contêm nitrogênio forem mais econômicas do que as fórmulas sem nitrogênio, elas poderão ser utilizadas, desde que não sejam aplicados mais do que 20 kg ha-1 de N.

Tabela 3. Teores de nutrientes usados na interpretação dos resultados das análises de folhas de soja (com pecíolo) para o Mato Gros-

Elemento Baixo Suficiente Alto

- - - - - - - - - - - - - - - - - - - (mg kg-1) - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - B< 3 a 50> 50

3.2. Regiªo dos cerrados3.2. Regiªo dos cerrados3.2. Regiªo dos cerrados3.2. Regiªo dos cerrados3.2. Regiªo dos cerrados

3.2.1. Adubaçªo fosfatada3.2.1. Adubaçªo fosfatada3.2.1. Adubaçªo fosfatada3.2.1. Adubaçªo fosfatada3.2.1. Adubaçªo fosfatada

A indicação da quantidade de nutrientes, principalmente em se tratando de adubação corretiva, é feita com base nos resultados da análise do solo.

Na Tabela 4 são apresentados os teores de P extraível, obtidos pelo método Mehlich 1, e a correspondente interpretação, que varia em função dos teores de argila.

Duas proposições são apresentadas para a indicação de adubação fosfatada corretiva: a correção do solo de uma só vez, com posterior manutenção do nível de fertilidade atingido, e a correção gradativa, através de aplicações anuais no sulco de semeadura (Tabela 5).

INFORMAÇÕES AGRONÔMICAS Nº 114 – JUNHO/2006 3

A adubação corretiva gradual pode ser utilizada quando não há a possibilidade de fazer a correção do solo de uma só vez. Esta prática consiste em aplicar, no sulco de semeadura, uma quantidade de P de modo a acumular, com o passar do tempo, o excedente e atingindo, após alguns anos, a disponibilidade de P desejada. Ao utilizar as doses de adubo fosfatado sugeridas na Tabela 5 espera-se que, num período máximo de seis anos, o solo apresente teores de P em torno do nível crítico.

Quando o nível de P no solo estiver classificado como Médio ou Bom (Tabela 4), usar somente a adubação de manutenção, que corresponde a 20 kg ha-1 de P2O5 para cada 1.0 kg de grãos produzidos.

3.2.2. Adubaçªo potÆssica3.2.2. Adubaçªo potÆssica3.2.2. Adubaçªo potÆssica3.2.2. Adubaçªo potÆssica3.2.2. Adubaçªo potÆssica

A indicação para adubação corretiva com potássio, de acordo com a análise do solo, é apresentada na Tabela 6. Esta adubação deve ser feita a lanço, em solos com teor de argila maior que 20%. Em solos de textura arenosa (< 20% de argila), não se deve fazer adubação corretiva de potássio, devido às acentuadas perdas por lixiviação.

Na semeadura da soja, como manutenção, aplicar 20 kg de

Tabela 4. Interpretação de análise de solo para indicação de adubação fosfatada (fósforo extraído pelo método Mehlich 1), para solos de Cerrado.

Teor de P Muito baixo Baixo1 Médio Bom

1 Ao atingir níveis de P extraível acima dos valores estabelecidos nesta classe, utilizar somente adubação de manutenção. Fonte: SOUSA e LOBATO (1996).

Teor de argila

Tabela 5. Indicação de adubação fosfatada corretiva, a lanço e adubação fosfatada corretiva gradual no sulco de semeadura, de acordo com a classe de disponibilidade de P e o teor de argila, para solos de cerrados.

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