Sistematização da assistência de enfermagem informatizada: uma revisão bibliográfica

Sistematização da assistência de enfermagem informatizada: uma revisão bibliográfica

(Parte 1 de 3)

Ji-Paraná

2007 CENTRO UNIVERSITÁRIO LUTERANO DE JI-PARANÁ - CEULJI/ULBRA

Monografia apresentada ao Centro Universitário luterano de Ji-Paraná – CEULJI/ ULBRA, para obtenção de título de bacharel no Curso de Enfermagem, sob a orientação da profª Claudia Dias.

Ji-Paraná 2007

1° Avaliador – CEULJI/ULBRANota
2° Avaliador – CEULJI/ULBRANota
3° Avaliador – CEULJI/ULBRANota

Média

Ji-Paraná 2007

Dedico este trabalho ao meu esposo pelo apoio nos momentos difíceis vividos no decorrer deste quatro anos, ao meu irmão e meus pais, que mesmo estando longe contribuíram de alguma forma para a obtenção do êxito nesta jornada.

A professora Cláudia Dias, pela colaboração no desenvolvimento desta pesquisa.

As colegas Aline, Cléo e Jéssica, pelos bons momentos que passamos juntas no decorrer dos quatro anos de graduação.

RESUMO1
ABSTRACT12
1 INTRODUÇÃO8
2 OBJETIVOS1
2.1 Geral1
2.2 Específicos1
assistência de enfermagem1
3 referencial teórico12
3.1 Processo de Enfermagem12
3.2 A Informática na Enfermagem21
4 METODOLOGIA24
5 Análise e Discussão25
6 conclusão29

SUMÁRIO 1.Relacionar os principais fatores associados à não-adesão da informatização na 7 ReferEncial .................................................................................................................................31

No ano de 2002 o Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) denominou uma nova nomenclatura para o processo de enfermagem, o qual passou a ser conhecido como Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE), esta metodologia baseou-se na proposta de Horta, porém com algumas modificações que visavam deixar o método mais simplificado. Mesmo com as modificações propostas pelo COFEN (2002) a SAE ainda continuava sendo longa e despendendo um tempo muito longo para a sua elaboração, devido a este fato surgiu a proposta de informatizar o processo de sistematização da assistência de enfermagem. A seguinte pesquisa demonstrar os benefícios e as dificuldades encontradas com a aplicação da sistematização da assistência de enfermagem informatizada. Além disso, a pesquisa demonstra que ainda encontrase restrito o número publicações brasileiras sobre a sistematização da assistência de enfermagem informatizada, sendo a maioria dos estudos disponibilizados encontrados em algumas pesquisas relacionadas a instituições e universidades das regiões sul e sudeste.

Palavras-chave: Sistematização da Assistência de Enfermagem, Processo de Enfermagem e Sistematização da Assistência de Enfermagem Informatizada.

In the year of 2002 the Federal Council of Nursing (COFEN) named a new nomenclature for the process of nursing, which has become known as Systematization of the Assistance of Nursing (SAE), this methodology based on the proposal of Horta, but with some changes aimed at letting the most simplicaficado. Even with the changes proposed by COFEN (2002) the SAE yet still being long and spending a very long time for its development, due to this fact came the proposal to computerize the process of systematizing the assistance of nursing. The following research showing the benefits and difficulties encountered in the application of systematic assistance from nursing computerized. Moreover, the research shows that there is still restricted the number Brazilian publications on the systematization of the assistance of nursing computerized, and most studies found available in some related research institutions and universities in the regions south and southeast.

Key-words: Mapping the assistance of Nursing, Nursing Process Mapping and the assistance of Nursing Informatizada.

1 INTRODUÇÃO

Na década de 70, Wanda Horta criou o processo de enfermagem, definindo-o como a “dinâmica das ações sistematizadas e inter-relacionadas, visando a assistência ao ser humano”. O processo de enfermagem proposto por Horta era composto pelo histórico de enfermagem, exame físico, plano assistencial, prescrição de enfermagem, evolução de enfermagem e prognóstico de enfermagem, sendo neste modelo o prognóstico de enfermagem está separado da evolução de enfermagem somente para fins didáticos, ou seja, para a sua melhor compreensão.

No ano de 2002 é que o Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) denominou uma nova nomenclatura para esta metodologia, a qual passou a ser conhecida como Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE). Esta filosofia de assistência de enfermagem baseou-se no processo de enfermagem de Horta, porém com algumas modificações que visavam deixar o método mais simplificado. Assim a SAE surgiu como uma nova metodologia de orientação para a equipe de enfermagem na prestação da assistência de enfermagem ao cliente, além disso, possibilita a aplicação do cuidado integral e humanizado. Sua aplicação permite que o enfermeiro conheça o indivíduo de forma mais abrangente, identificando os problemas colaborativos que possam representar risco demaseado para a manutenção do seu bem-estar.

Conforme Sperandio; Évora (2005), a “elaboração da Sistematização da Assistência de Enfermagem é um dos meios que o enfermeiro dispõe para aplicar seus conhecimentos técnico- científicos e humanos na assistência ao paciente e caracterizar sua prática profissional, colaborando na definição do seu papel”. A formalização da SAE como modelo oficial para a prestação da assistência em enfermagem pode parecer para muitos enfermeiros mais um trabalho burocrático a ser realizado, ou seja, algo que não otimiza o cuidado de enfermagem, pois os mesmos gastam muito tempo escrevendo todos os passos do processo de enfermagem, tempo este que poderia ser usado para prestarem a assistência ao cliente à beira do leito.

Diante dessas afirmações práticas, surgidas no contexto do serviço de enfermagem, nas últimas duas décadas do século passado, um grupo de estudiosos iniciou a busca para a racionalização do tempo de execução do processo de enfermagem, associando-o a uma nova ferramenta tecnológica da modernidade, a informática.

Para Busanello apud Marin (2006):

No Brasil, as primeiras publicações na área de informática em enfermagem iniciaram por volta de 1985, com destaque para a Escola de Enfermagem da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com o trabalho de alguns professores, impulsionando outros profissionais a desenvolverem pesquisas e trabalhos nessa área. Esses eram direcionados aos sistemas de informação hospitalar e sistemas de simulação no ensino de enfermagem.

O uso de computadores na enfermagem ainda está muito restrito à administração dos serviços de enfermagem, como, por exemplo, para a realização das escalas de pessoal e programas na área educacional, sendo ainda restrito o seu uso para a área assistencial. a padronização dos cuidados de enfermagem completos na forma de SAE modulados por programas de computador ainda enfrenta barreiras para a sua total implantação em nosso país, diferentemente, daquilo que já se apresentou como uma ferramenta metodológica avançada para o cuidado de qualidade nos países desenvolvidos. Nesta área da enfermagem, o uso de sistemas de informação, puramente assistenciais, ainda não foi difundido e padronizado em todas as regiões do país, estando restrita a iniciativa individual de algumas instituições nos estados do sul e sudeste, onde se encontram também as principais pesquisas sobre a implantação desses sistemas de informação específicos para a área assistencial.

Inúmeras são as barreiras descritas para a baixa adesão do processo de informatização da

SAE, sendo as principais causas àquelas relacionadas com o alto custo para a implementação e manutenção desta tecnologia e, em segundo lugar os altos índices de analfabetismo digital apresentado pelo cidadão brasileiro, fatos estes que não se justificam o atraso, pois a evolução tecnológica já caminha para a dominação total sobre todos os processos produtivos relacionados com todas as ações em um hospital, sendo assim, todos os profissionais terão que se adequar a esta nova realidade do mercado de trabalho.

Esta pesquisa realizou um levantamento bibliográfico atualizado sobre a sistematização da assistência de enfermagem informatizada, demonstrando os benefícios advindos da associação de ferramentas tecnológicas a esta metodologia de trabalho da SAE. Além de caracterizar quais são as causas atribuídas por pesquisadores para a falta de adesão a esta forma de trabalho pela equipe de enfermagem.

A padronização dos cuidados de enfermagem completos na forma da SAE modulados por programas de computador ainda enfrenta barreiras para a sua total implantação em nosso país, diferentemente, daquilo que já se apresenta como uma ferramenta metodológica avançada para o cuidado de qualidade nos países desenvolvidos.

2 OBJETIVOS 2.1 Geral

Analisar o impacto da aplicação de sistemas de informação na assistência sistematizada de enfermagem.

2.2 Específicos

1.Relacionar os principais fatores associados à não-adesão da informatização na assistência de enfermagem.

- Caracterizar os benefícios relacionados a associação de sistemas de informação no cuidado integralizado em enfermagem.

3 REFERENCIAL TEÓRICO 3.1 Processo de Enfermagem

O processo de enfermagem é definido por Horta (1979) como a “dinâmica das ações sistematizadas e interrelacionadas que visam à assistência ao indivíduo, família e comunidade”. Mahomet apud Possari (2005) define-o como a “maneira ordenada e sistemática de determinar o problema do cliente (isto é, avaliando e atingindo um diagnóstico) fazendo planos para resolvêlos, executar o plano ou determinar outros para executá-lo, e avaliar a efetividade do plano na resolução dos problemas identificados”.

Horta (1979), propõe o processo de enfermagem composto por seis fases distintas: o histórico de enfermagem, o diagnóstico de enfermagem, o plano assistencial, o plano de cuidados ou prescrição de enfermagem, a evolução de enfermagem e o prognóstico de enfermagem. Essas fases devem estar relacionadas entre si, ou seja, os dados coletados no histórico de enfermagem devem guiar o enfermeiro para a execução dos passos seguintes. Assim, os erros detectados no decorrer do processo podem ser resolvidos independente da fase em que foram identificados.

O histórico de enfermagem é composto pela coleta sistemática de dados, os quais formarão a base para a identificação dos problemas que afetam o cliente; os problemas de enfermagem apresentados representam condições que desencadearam o desequilíbrio em sua saúde, levando a necessidade da prestação da assistência de enfermagem. Ao realizar o histórico de enfermagem é de suma importância que o enfermeiro forneça dados concisos, evitando a repetição de informações sobre a condição atual do cliente.

O enfermeiro deve utilizar a técnica de entrevista para estabelecer o diálogo e uma relação de confiança com o cliente para atingir a quantidade e a qualidade das informações que deverão ser obtidas, (SMELTZER; BARE, 2005). Para Bandman e Bandman apud Potter (2004), ao efetuar o histórico de enfermagem o enfermeiro deve coletar, verificar, analisar e comunicar sistematicamente os dados coletados sobre o cliente:

“Esta fase do processo de enfermagem engloba duas etapas: a coleta e verificação dos dados a partir de uma fonte primária (o cliente) e de fontes secundárias (a família, os profissionais de saúde) e a análise dos dados como uma base para os diagnósticos de enfermagem, (POTTER, 2004)”.

Ao desenvolver o histórico de enfermagem, o enfermeiro deve aplicar os seus conhecimentos sobre fisiologia, fisiopatologia, sinais e sintomas, aplicando perguntas relevantes e detectando dados significativos sobre o estado de saúde. O enfermeiro deve estar atento para a linguagem não-verbal, ou seja, expressões faciais apresentadas pelo cliente no momento da entrevista, por exemplo, caretas faciais podem ser indicativos da presença de dor.

Ainda afirma Potter (2004) que na execução do histórico de enfermagem podem ser obtidos dois tipos de dados, os dados subjetivos que correspondem aos relatos que somente o cliente pode fornecer, ou seja, são as suas percepções, tais como a presença de dor e a descrição de sua duração e intensidade, além dos dados objetivos, os quais representam as observações feitas pelo enfermeiro no momento da entrevista, por exemplo, a mensuração da temperatura corporal e a aferição dos índices de pressão arterial, (POTTER, 2004).

Possari (2005), baseado nos conceitos de Gaidzinski; Kimura; Cianciarullo (1989), lista as finalidades do histórico de enfermagem descrevendo-as como ferramentas para atingir os seguintes objetivos: a identificação dos problemas, percepções e expectativas do cliente; o conhecimento dos hábitos individuais, facilitando a adaptação do cliente ao tratamento; o estabelecimento de uma relação interpessoal; o oferecimento do cuidado de enfermagem de forma que atenda as necessidades biopsicossocioespiritual; a individualização ou personalização da assistência de enfermagem; realização da avaliação das condições apresentadas pelo cliente podendo detectar novos problemas de enfermagem e esclarecendo dúvidas ou falhas no atendimento do cliente. Também Potter (2004), lista algumas finalidades específicas do histórico de enfermagem, entre essas: estabelecer os dados sobre as necessidades, os problemas, as expectativas, o estilo de vida e a experiência de um determinado indivíduo. Essas informações coletadas servirão de base para o levantamento de dados para o estabelecimento dos diagnósticos de enfermagem e o planejamento da assistência de enfermagem necessária.

Nesta fase está incluído o exame físico, este correspondendo a avaliação do estado físico atual apresentado pelo cliente, realizado através das técnicas de inspeção, ausculta, palpação e percussão; este difere do exame médico por que sua realização identifica problemas de enfermagem, enquanto o exame físico médico sugestiona o indicativo de um diagnóstico clínico.

Em um estudo realizado por Possari (2005), com enfermeiros aplicando na prática assistencial o histórico de enfermagem em um hospital universitário da cidade de São Paulo, constatou-se que o tempo médio para a sua execução foi de 38 minutos com um desvio padrão de 10 minutos, “portanto, os tempos mínimos e máximo para o preenchimento do histórico de enfermagem foram respectivamente 28 e 48 minutos”.

A análise dos dados levantados no histórico de enfermagem direciona para o diagnóstico de enfermagem, o qual deve basear-se no desequilíbrio das necessidades humanas básicas. O diagnóstico de enfermagem não é um diagnóstico médico, pois o último identifica e denomina uma condição patológica, enquanto o diagnóstico de enfermagem descreve os efeitos das condições patológicas ou de um processo vital sobre as atividades ou ainda, o estilo de vida do cliente, (ALFARO-LEFER apud KOOP; GERMANI, 2006).

Potter (2004), em seus estudos afirma que o diagnóstico de enfermagem:

“(...) focaliza e define as necessidades de enfermagem do cliente. Ele reflete o nível de saúde do cliente ou a resposta a uma doença ou processo patológico, um estado emocional, um fenômeno sociocultural ou um estágio de desenvolvimento. Um diagnóstico médico identifica predominantemente um estado de doença específico. O foco médico se faz sobre o diagnóstico e o tratamento da doença”.

Os objetivos do diagnóstico de enfermagem se baseiam no direcionamento do plano de cuidados para auxiliar os clientes e seus familiares a se adaptarem a doença e resolverem os seus problemas, enquanto o diagnóstico médico está baseado na identificação e idealização de um tratamento para obter a cura de um processo patológico.

O diagnóstico de enfermagem é a fase do processo de enfermagem que possibilita ao enfermeiro o exercício da reflexão sobre os dados coletados no histórico de enfermagem e sobre as necessidades de cuidado do cliente. Nesta fase o enfermeiro individualiza o cuidado, usa o seu conhecimento técnico-científico e a sua experiência para identificar e analisar os problemas de enfermagem. O enfermeiro deve estar seguro sobre a representatividade do diagnóstico de enfermagem, não correspondendo somente os desequilíbrios das alterações fisiológicas ou o resultado de uma doença, podendo vir a ser o indicativo de um desequilíbrio físico ou emocional, o qual poderá desencadear um processo patológico, (POTTER, 2004).

NANDA apud Foschiera; Vieira (2004), definem diagnóstico de enfermagem como “um julgamento clínico sobre as respostas do indivíduo, da família ou da comunidade aos problemas de saúde/processos vitais, reais ou potenciais”, expressa que quando usado de forma adequada torna-se um agente facilitador para a execução de cuidados de enfermagem planejados, pois indicam quais as intervenções necessárias a serem executadas, (FOSCHIERA; VIEIRA, 2004).

Após a detecção do diagnóstico de enfermagem é estabelecida a terceira fase do processo, o chamado plano assistencial, nesta fase o enfermeiro deverá determinar a assistência global necessária ao cliente. A seguir é elaborada a prescrição de enfermagem, sendo descrita como um roteiro diário ou aprazamento dos cuidados ou procedimentos, os quais a equipe de enfermagem seguirá para a execução da assistência.

A diferença entre o plano assistencial e a prescrição de enfermagem está fundamentada na seguinte determinação: no plano assistencial o enfermeiro tem uma visão ampla do cuidado em enfermagem, da assistência global necessária a prestar ao cliente através de orientações, supervisões e até mesmo na forma de encaminhamentos; já, no plano de cuidados, o enfermeiro planeja as ações imediatas para que a equipe execute ao prestar a assistência de enfermagem em um período de 24 horas. Essas ações devem vir acompanhadas de horários ou freqüência para a sua execução.

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