Rochas Metamórficas

Rochas Metamórficas

LUÍS FERNANDO P. SALES UNIVALI

,0,,

METAMORFISMO

ROCHAS ÍGNEAS / SEDIMENTARES ROCHAS METAMÓRFICAS

METAMORFISMO: META = MUDANÇA MORPHO = FORMA

METAMORFISMOS SÃO ALTERAÇÕES OU METAMORFOSES NO ESTADO SÓLIDO DA COMPOSIÇÃO MINERALÓGICA, TEXTURA E/OU ESTRUTURA DAS ROCHAS PRÉ-EXISTENTES (SEDIMENTARES, ÍGNEAS OU METAMÓRFICAS ANTERIORES), DEVIDO À AÇÃO DE AGENTES ENERGÉTICOS (ALTAS TEMPERATURAS, PRESSÕES E/OU SOLUÇÕES QUÍMICAS, DITOS “AGENTES DO METAMORFISMO”).

AGENTES DO METAFORMISMO:

  1. TEMPERATURA: AO APROFUNDAREM-SE PROGRESSIVAMENTE SOB UM CRESCENTE NÚMERO DE CAMADAS DE SEDIMENTOS AS ROCHAS VÃO SOFRENDO TEMPERATURAS CADA VEZ MAIS ELEVADAS.

  • CALOR RESIDUAL DA TERRA – GRAU GEOTÉRMICO (1ºC a cada 33 m);

  • INTRUSÕES ÍGNEAS – GRANDES MASSAS DE ROCHAS – COZINHAMENTO PRODUZEM ALTAS TEMPERATURAS;

  • DESINTEGRAÇÃO DE SUBSTÂNCIAS RADIOATIVAS – ENERGIA LIBERADA;

  • ATRITO ENTRE CAMADAS – ENERGIA DE FRICÇÃO.

  1. PRESSÃO: A SIMPLES ELEVAÇÃO DE TEMPERATURA NÃO É UM FATOR DETERMINANTE DO METAMORFISMO, MAS É PRINCIPALMENTE A PRESSÃO EM COMBINAÇÃO COM A TEMPERATURA QUE MAIS CONTRIBUI PARA AS PROFUNDAS MODIFICAÇÕES DAS ROCHAS.

    • PRESSÕES ORIENTADAS – SOBRECARGA DE ROCHAS SOBREJACENTES;

    • PRESSÕES HIDROSTÁTICAS – ZONAS PROFUNDAS DA CROSTA, ONDE AS ROCHAS TRABALHAM HIDROSTATICAMENTE;

    • OUTRAS PRESSÕES – PRESSÃO DA ÁGUA, GASES, VAPORES (CO2, O2).

EFEITOS DA PRESSÃO: ELIMINAÇÃO DA POROSIDADE

EXPLUSÃO DE VOLÁTEIS

DESAPARECIMENTO DE FÓSSEIS

APARECIMENTO DE MINERAIS MAIS DENSOS

  1. FLUIDOS: OS FLUIDOS, TAIS COMO ÁGUA, GÁS CARBONO, OXIGÊNIO, FLUOR, ETC DESEMPENHAM A FUNÇÃO DE FACILITAR AS REAÇÕES E TRANSFORMAÇÕES MINERALÓGICAS.

TIPOS DE METAMORFISMO:

  1. METAMORFISMO TÉRMICO OU DE CONTATO: OCORRE ATRAVÉS DO CONTATO DAS ROCHAS PRÉ-EXISTENTES, ESTE TIPO DE METAMORFISMO TEM O CALOR COMO AGENTE PRINCIPAL.

  1. METAFORMISMO DINÂMICO OU CATACLÁSTICO: DESLOCAMENTO DE MASSAS DE ROCHAS EM ZONAS DE FALHAS – PRESSÃO ORIENTADA. ESTE TIPO DE METAMORFISMO SE RESTRINGE ÀS PARTES POUCO PROFUNDAS DA CROSTA TERRESTRE E CONSISTE NO FRATURAMENTO, TRITURAÇÃO E MOAGEM DAS ROCHAS ORIGINAIS, COM A CONSEQÜENTE MODIFICAÇÃO DA TEXTURA E ESTRUTURA. NÃO HÁ PROCESSOS DE RECRISTALIZAÇÃO.

  1. METAMORFISMO REGIONAL DÍNAMO TERMAL: ESTÁ INTIMAMENTE RELACIONADO COM A FORMAÇÃO DE CADEIAS DE MONTANHAS. É TAMBÉM CHAMADO DE “GERAL”, POIS AFETA GRANDES REGIÕES E É CONSIDERADO O MAIS IMPORTANTE. ESTE TIPO DE METAMORFISMO OCORRE A GRANDES PROFUNDIDADES, MAS, PELA AÇÃO DE INTEMPERISMO E EROSÃO, AS ROCHAS METAMORFISADAS PODEM ATINGIR A SUPERFÍCIE, COMPLETAMENTE TRANSFORMADAS EM GRANDES MASSAS DE XISTOS E GNAISSES.

  1. METAMORFISMO PLUTÔNICO: NUM APROFUNDAMENTO AINDA MAIOR, AS ROCHAS ENTRAMNA FASE PLÁSTICA, PASTOSA E JÁ NÃO TRANSMITEM PRESSÕES DIRIGIDAS, PERDENDO POUCO A POUCO A ORIENTAÇÃO DOS SEUS MINERAIS, ENQUANTO NOVOS SE FORMAM, PRATICAMENTE SEM XISTOSIDADE.

CAUSAS DO METAMORFISMO:

    • CONTATO DE ROCHAS PRÉ-EXISTENTES;

    • MOVIMENTOS TANGENCIAIS DOS CONTINENTES (PLACAS TECTÔNICAS).

SEQÜÊNCIA DO METAMORFISMO:

  • DEFORMAÇÃO DOS MINERIAIS COM REDUÇÃO DOS POROS;

  • ACHATAMENTO DOS MINERAIS;

  • ORIENTAÇÃO DOS MINERAIS;

PRESSÃO ORIENTADA

  • DOBRAMENTO DAS ROCHAS;

PLANO DE XISTOSIDADE:

XISTOSIDADE É UMA EXPRESSÃO DA MEDIDA EM QUE MINERAIS MICÁCEOS, LAMELARES OU PRISMÁTICOS PARALELOS OU SUB-PARALELOS CARACTERIZAM A APARÊNCIA DE UMA ROCHA METAMÓRFICA. A XISTOSIDADE É EVIDENCIADA PELO ACHATAMENTO E ORIENTAÇÃO DOS GRÃOS DA ROCHA DURANTE O PROCESSO DE METAMORFISMO.

TIPOS DE ROCHAS METAMÓRFICAS:

ROCHA ÍGNEA OU SEDIMENTAR ORIGINAL

ROCHA METAMÓRFICA RESULTANTE

CONGLOMERADO

METACONGLOMERADO

ARENITO

QUARTZITO

ARENITO ARGILOSO

QUARTZITO MICÁCEO

ARGILITO & SILTITO (LAMITOS)

ARDÓSIA

FILITO

MICAXISTO

GNAISS

CALCÁREO PURO

MÁRMORE BRANCO

CALCÁREO ARGILOSO

MÁRMORE MICÁCEO

CALCÁREO DOLOMÍTICO

MÁRMORE VERDE

CARVÃO

ANTRACITO

GRAFITE

GRANITO

GNAISS

BASALTO

XISTOS VERDES

ANFIBOLITOS

ULTRABÁSICAS

SERPENTINOS

TALCO-XISTOS

PEDRA SABÃO

PROPRIEDADES MECÂNICAS DAS ROCHAS METAMÓRFICAS:

É EVIDENTE QUE AS CARACTERÍSTICAS MECÂNICAS DOS MACIÇOS E DAS ROCHAS METAMÓRFICAS IRÃO DEPENDER, FUNDAMENTALMENTE, DA XISTOSIDADE (AUSENTE, FRACA OU BEM PRONUNCIADA), DA COMPOSIÇÃO MINERALÓGICA E DA TEXTURA QUE ELAS APRESENTAREM. POR SUAS CARACTERÍSTICAS TECNOLÓGICAS SITUAM-SE ENTRE AS SEDIMENTARES E AS ÍGNEAS: TEM MAIOR DENSIDADE E SÃO MAIS RESISTENTES QUE AS SEDIMENTARES ORIGINAIS E SÃO MENOS RESISTENTES E MAIS DEFORMÁVEIS QUE AS ÍGNEAS, ESPECIALMENTE DEVIDO À XISTOSIDADE.

É IMPORTANTE SALIENTAR QUE O ARRANJO ORIENTADO DOS GRÃOS E A XISTOSIDADE FACILITAM SOBREMANEIRA O ATAQUE DOS AGENTES DO INTEMPERISMO, FACILITANDO BASTANTE A PROFUNDA ALTERAÇÃO DAS ROCHAS METAMÓRFICAS, GERANDO SOLOS ESPESSOS.

OUTRO ASPECTO IMPORTANTE PARA PRÁTICA DE ENGENHARIA É A EXTREMAMENTE RÁPIDA VARIAÇÃO LATERAL E VERTICAL DE SUAS CAMADAS EM TERMOS DE NATUREZA E CARACTERÍSTICAS.

ARDÓSIA – XISTOSIDADE E CLIVAGEM BEM DESENVOLVIDAS

MICAXISTO – XISTOSIDADE E CLIVAGEM BEM DESENVOLVIDAS

GNAISS – POBRE CLIVAGEM E XISTOSIDADE

SEQÜÊNCIA DE CAMPO:

a) MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO:

A UTILIZAÇÃO DE ROCHAS METAMÓRFICAS NA COSNTRUÇÃO CIVIL DEPENDERÁ DE SUA COMPOSIÇÃO MINERALÓGICA E GRAU DE METAMORFISMO.

PEDRA BRITADA – APROVEITAM-SE OS GNAISSES, QUARTZITOS E OS MÁRMORES. DEVIDO A TENDÊNCIA DE FORMAR FRAGMENTOS LAMELARES, AS ROCHAS XISTOSAS NÃO SÃO APROPRIADAS PARA MATERIAL DE BRITA, SEJA PARA CONCRETO, SEJA PARA ASFALTO.

REVESTIMENTO DE PISOS E PAREDES – O MÁRMORE, POR SUA BELEZA QUANDO POLIDO E PELO SEU PREÇO ACESSÍVEL É SEMPRE BASTANTE REQUISITADO. OS ENGENHEIROS DEVEM ESTAR ATENTOS PARA O FATO DE QUE, EM PISOS DE PRÉDIOS PÚBLICOS, O MÁRMORE (DUREZA 2) EM POUCO TEMPO ESTARÁ TOTALMENTE RISCADO PELOS FRAGMENTOS DE AREIA (DUREZA 7). A PRESENÇA DE MICAS NA GRANDE MAIORIA DAS ROCHAS METAMÓRFICAS CONFERE-LHES UM BRILHO DE GRANDE BELEZA QUE, COMBINADO COM A IMENSA VARIEDADE DE CORES E A FACILIDADE COM QUE DESAGREGAM EM PLAQUETAS, FAZEM DELAS REQUISITADOS MATERIAIS DE REVESTIMENTO DE FACHADAS E PAREDES INTERNAS.

COBERTURAS – A FACILIDADE DE SEPARAREM-SE EM PLACAS CONFERE ÀS ARDÓSIAS A POSSIBILIDADE DE SEREM UTILIZADAS COMO TELHAS OU COMO LAJOTAS DE REVESTIMENTO DE CALÇADAS.

b) TALUDES:

VALEM AS MESMAS CONSIDERAÇÕES EXENDIDAS EM RELAÇÃO AS ROCHAS SEDIMENTARES, COM UM AGRAVANTE: ALÉM DOS PLANOS DE XISTOSIDADE, VIA DE REGRA, SEREM MAIS INSTÁVEIS DO QUE OS PLANOS DE ESTRATIFICAÇÃO, DENTRO DO PACOTE DE ROCHAS METAMÓRFICAS MERGULHANTES PODEM EXISTIR CAMADAS COM BAIXÍSSIMA RESISTÊNCIA, ESPECIALMENTE DEVIDO ÀS MICAS.

c) TÚNEL:

A ESTABILIDADE DOS TÚNEIS E O PROCESSO DE ESCORAMENTO E TRATAMENTO DEVERÃO OBEDECER A DIREÇÃO DO PLANO DE XISTOSIDADE E A COMPOSIÇÃO MINERALÓGICA DO MACIÇO ROCHOSO.

AS OBSERVAÇÕES FEITAS PARA AS ROCHAS SEDIMENTARES SÃO TAMBÉM VÁLIDAS PARA AS ROCHAS METAMÓRFICAS EM OBRAS DE TÚNEIS.

VALE NOVAMENTE A RESSALVE QUE OS PLANOS DE XISTOSIDADE SÃO, EM GERAL, MENOS RESISTENTES QUE OS PLANOS DE ESTRATIFICAÇÃO.

d) BARRAGENS:

DE UMA MANEIRA GERAL, AS ROCHAS METAMÓRFICAS SÃO POUCO PERMEÁVEIS, APRESENTANDO ESPESSURAS DE SOLOS QUE JUSTIFICAM A OPÇÃO POR BARRAGENS HOMOGÊNEAS DE TERRA.

O GRANDE PROBLEMA É A ATITUDE DA XISTOSIDADE!

Comentários