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ENFERMAGEM EM SAÚDE COLETIVA A.M.C.R 1

1-Definições Gerais

1.1--A expressão saúde coletiva é uma invenção tipicamente brasileira que surgiu em fins da década de 1970, na perspectiva de constituir uma nova articulação entre as diferentes instituições do campo da saúde.

1.2--Definição atual: Compreende um conjunto complexo de saberes e práticas relacionados ao campo da saúde, envolvendo desde organizações que prestam assistência à saúde da população até instituições de ensino e pesquisa e organizações da sociedade civil. Compreende práticas técnicas, científicas, culturais, ideológicas, políticas e econômicas (Carvalho, 2002). 1.3-Enfermagem em saúde Coletiva: É o ramo da enfermagem que está direcionado a saberes e práticas aplicados em prol da coletividade.

2- SUS – SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE : 2.1-DEFINIÇÃO :

O Sistema Único de Saúde - SUS- foi criado pela Lei Orgânica da Saúde n.º 8.080/90 com o objetivo de alterar a circunstância de disparidade na assistência à Saúde da população, tornando obrigatório a assistência de saúde, sem ônus a qualquer cidadão, não sendo permitido qualquer cobrança de dinheiro sob qualquer pretexto. Assim, o SUS não é um serviço ou uma instituição, mas um Sistema que significa um conjunto de unidades, de serviços e ações que interagem para um fim comum. Esses elementos integrantes do sistema referem-se ao mesmo tempo, às atividades de promoção, proteção e recuperação da saúde.

2.2- Componentes do SUS : Do Sistema Único de Saúde fazem parte os centros e postos de saúde, hospitais - incluindo os universitários, laboratórios, hemocentros (bancos de sangue), além de fundações e institutos de pesquisa, como a FIOCRUZ - Fundação Oswaldo Cruz e o Instituto Vital Brazil.

2.3- Benefícios para o cidadão : Por meio do Sistema Único de Saúde, todos os cidadãos têm direito a consultas, exames, internações e tratamentos nas Unidades de

Saúde vinculadas ao SUS, sejam públicas (da esfera municipal, estadual e federal) ou privadas, contratadas pelo gestor público de saúde.

2.4-Financiamento do SUS: O SUS é destinado a todos os cidadãos e é financiado com recursos arrecadados através de impostos e contribuições sociais pagos pela população em geral e compõem os recursos do governo federal, estadual e municipal.

2.5-Doutrinas do SUS: Baseado nos preceitos constitucionais a construção do SUS se norteia pelos seguintes princípios doutrinários:

1.UNIVERSALIDADE – É a garantia de atenção à saúde por parte do sistema, a todo e qualquer cidadão. Com a universalidade, o indivíduo passa a ter direito de acesso a todos os serviços públicos de saúde, assim como àqueles contratados pelo poder público. Saúde é direito de cidadania e dever do Governo: municipal, estadual e federal. 2.EQÜIDADE – É assegurar ações e serviços de todos os níveis de acordo com a complexidade que cada caso requeira, more o cidadão onde morar, sem privilégios e sem barreiras. Todo cidadão é igual perante o SUS e será atendido conforme suas necessidades até o limite do que o sistema puder oferecer para todos. 3.INTEGRALIDADE - É o reconhecimento na prática dos serviços de que: cada pessoa é um todo indivisível e integrante de uma comunidade; as ações de promoção, proteção e recuperação da saúde formam também um todo indivisível e prestar assistência integral. 2.6-Princípios que regem a Organização do SUS

1.REGIONALIZAÇÃO e HIERARQUIZAÇÃO - Os serviços devem ser organizados em níveis de complexidade tecnológica crescente, dispostos numa área geográfica delimitada e com a definição da população a ser atendida. Isto implica na capacidade dos serviços em oferecer a uma determinada população todas as modalidades de assistência, bem como o acesso a todo tipo de tecnologia disponível, possibilitando um ótimo grau de resolubilidade (solução de seus problemas). O acesso da população à rede deve se dar através dos serviços de nível primário de atenção que devem estar qualificados para atender e resolver os principais problemas que demandam os serviços de saúde. Os demais, deverão ser referenciados para os serviços de maior complexidade tecnológica. A rede de serviços, organizada de forma hierarquizada e regionalizada, permite um conhecimento maior dos problemas de saúde da população da área delimitada, favorecendo ações de vigilância epidemiológica, sanitária, controle de vetores, educação em saúde, além das ações de atenção ambulatorial e hospitalar em todos os níveis de complexidade. 2.RESOLUBILIDADE - É a exigência de que, quando um indivíduo busca o atendimento ou quando surge um problema de impacto coletivo sobre a saúde, o serviço correspondente esteja capacitado para enfrentálo e resolvê-lo até o nível da sua competência. 3.DESCENTRALIZAÇÃO - É entendida como uma redistribuição das responsabilidades quanto às ações e serviços de saúde entre os vários níveis de governo, a partir da idéia de que quanto mais perto do fato a decisão for tomada, mais chance haverá de acerto. Assim, o que é abrangência de um município deve ser de responsabilidade do governo municipal; o que abrange um estado ou uma região estadual deve estar sob responsabilidade do governo estadual, e, o que for de abrangência nacional será de responsabilidade federal. 4.PARTICIPAÇÃO DOS CIDADÃOS - É a garantia constitucional de que a população, através de suas entidades representativas, participará do processo de formulação das políticas de saúde e do controle da sua execução, em todos os níveis, desde o federal até o local. A participação deve se dar nos Conselhos de Saúde, com representação paritária de usuários, governo, profissionais de saúde e prestadores de serviço. 5.COMPLEMENTARIEDADE DO SETOR PRIVADO - A

Constituição definiu que, quando por insuficiência do setor público, for necessário a contratação de serviços privados, isso deve se dar sob três condições: 1ª - a celebração de contrato, conforme as normas de direito público, ou seja, interesse público prevalecendo sobre o particular ;

2ª - a instituição privada deverá estar de acordo com os princípios básicos e normas técnicas do SUS. Prevalecem, assim, os princípios da universalidade, eqüidade, etc., como se o serviço privado fosse público, uma vez que, quando contratado, atua em nome deste ; 3ª - a integração dos serviços privados deverá se dar na mesma lógica organizativa do SUS, em termos de posição definida na rede regionalizada e hierarquizada dos serviços. Dessa forma, em cada região, deverá estar claramente estabelecido, considerando-se os serviços públicos e privados contratados, quem vai fazer o que, em que nível e em que lugar.

3-História Natural da doença História natural da doença é a denominação dada ao conjunto de processos interativos que engloba as inter-relações do agente, do suscetível e do meio ambiente que afetam o processo global e seu desenvolvimento, desde as primeiras forças que designam o estímulo patológico no meio ambiente, ou em qualquer outro lugar, passando pela resposta do homem ao estímulo, até as alterações que levam a um defeito, invalidez, recuperação ou morte.

1.PERÍODO DE PRÉ-PATOGÊNESE

O primeiro período da história natural: é a própria evolução das inter-relações dinâmicas, que envolvem, de um lado, os condicionantes sociais e ambientais e, do outro, os fatores próprios do suscetível, até que se chegue a uma configuração favorável á instalação da doença. Envolve, como já foi citado antes, as inter-relações entre os agentes etiológicos da doença, o suscetível e outros fatores ambientais que estimulam o desenvolvimento da enfermidade e as condições sócio-econômico-culturais que permitem a existência desses fatores.

2.PERÍODO DE PATOGÊNESE

A história natural da doença tem seguimento com a sua fundação e evolução no homem. É o período da patogênese. Este período se inicia com as primeiras ações que os agentes patogênicos desempenham sobre o ser afetado. Seguem-se as reações bioquímicas em nível celular, prosseguindo com as perturbações na forma e na função, evoluindo para defeitos permanentes, cronicidade, morte ou cura.

3.1-Prevenção é o conjunto de medidas que visam evitar a doença na coletividade, utilizando medidas que acabem com a patologia, ou a minimizem na população.

3.1.1-Tipos de Prevenção

Primária - quaisquer atos destinados a diminuir a incidência de uma doença numa população, reduzindo o risco de surgimento de casos novos;

São exemplos a vacinação , o tratamento da água para consumo humano, de medidas de desinfecção e desinfestação ou de ações para prevenir a infecção por HIV , e outras ações de educação e saúde ou distribuição gratuita de preservativos , ou de seringas descartáveis aos toxicômanos .

Secundária - quaisquer atos destinados a diminuir a prevalência de uma doença numa população reduzindo sua evolução e duração;

Um exemplo é o rastreio do cancro do colo uterino, causado pela transmissão sexual do HPV . A prevenção secundária consiste em um diagnostico precoce e tratamento imediato.

Terciária - quaisquer atos destinados a diminuir a prevalência das incapacidades crônicas numa população, reduzindo ao mínimo as deficiências funcionais consecutivas à doença.

Como exemplo, podem-se citar ações de formação a nível de escolas ou locais de trabalho que visem anular atitudes fóbicas em relação a um indivíduo infectado pelo HIV . Outro exemplo, a nível da saúde ocupacional seria a reintegração daquele trabalhador na empresa, caso não pudesse continuar a exercer, por razões médicas, o mesmo tipo de atividades.

4- Programas dos Centros de Saúde e PSF: 4.1-PROGRAMA DE ASSISTÊNCIA INTEGRAL A SAÚDE DA MULHER E DA CRIANÇA – PAISMIC:

O objetivo maior do PAISM é atender a mulher em sua integralidade, em todas as fases da vida, respeitando as necessidades e características de cada uma delas.

4.1.1-As áreas de atuação do PAISM são divididas em grupos baseados nas fases da vida da mulher, a saber: • Assistência ao ciclo gravídico puerperal: pré-natal (baixo e alto risco), parto e puerpério;

• Assistência ao abortamento;

• Assistência à concepção e anticoncepção-;

• Prevenção do câncer de colo uterino e detecção do câncer de mama; (Portaria 3040 de 21 de junho de 1998 do Ministério da Saúde instituiu o Programa Nacional de Combate ao Câncer do Colo Uterino);

• Assistência ao climatério;

• Assistência às doenças ginecológicas prevalentes;

• Prevenção e tratamento das DST/AIDS;

• Assistência à mulher vítima de violência.

4.2-TRO-TERAPIA DE REIDRATAÇÃO ORAL

Este Programa tem por objetivo corrigir o desequilíbrio hidroeletrolítico pela (restabelecendo em nível o mais próximo possível, a água e os eletrólitos reduzidos durante a diarréia), manter e recuperar o estado nutricional. 4.3-IRA – INFECÇÃO RESPIRATÓRIA AGUDA Este Programa visa atender as crianças com IRA que é um conjunto de doenças, que acomete principalmente crianças e que se espalha com facilidade, passando de uma pessoa para outra, dando mais de uma vez na mesma criança. As infecções respiratórias agudas, principalmente a pneumonia, podem trazer risco de vida quando não tratadas. A criança é acompanhada por este Programa até a melhora do Quadro patológico. 4.4-PCCU- PROGRAMA DE CÂNCER DO COLO UTERINO Este Programa consiste no desenvolvimento e na prática de estratégias que reduzam a mortalidade e as repercussões físicas, psíquicas e sociais do câncer do colo do útero e de mama. ( com a introdução do programa viva mulher).

4.5-PROAME- PROGRAMA DE INCENTIVO AO ALEITAMENTO MATERNO É um Programa de saúde pública, de atendimento ambulatorial, com atuação de uma equipe multidisciplinar que acompanha o crescimento e o desenvolvimento de crianças de 0 a 6 meses de vida, orientando e incentivando as mães para que amamentem seus filhos exclusivamente ao seio durante esse período. 4.6-AIDP-ASSISTÊNCIA INTEGRAL AS DOENÇAS PREVALENTES O objetivo do Programa é reduzir a morbimortalidade de crianças de zero a cinco anos de idade. A estratégia AIDPI incorporou as ações do Programa de Assistência Integral à Saúde da Criança (PAISC), porém introduzindo o conceito de integralidade. Propõe um novo modelo de abordagem à saúde da criança no primeiro nível de atenção, sistematizando o atendimento clínico e integrando ações curativas com medidas preventivas e de promoção da saúde. 4.7-DST-AIDS - PROGRAMA DE DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS E AIDS A missão do Programa Nacional de DST e Aids (PN-DST/AIDS) é reduzir a incidência do HIV/aids e melhorar a qualidade de vida das pessoas vivendo com HIV/aids. Para isso, foram definidas diretrizes de melhoria da qualidade dos serviços públicos oferecidos às pessoas portadoras de aids e outras DST; de redução da transmissão vertical do HIV e da sífilis; de aumento da cobertura do diagnóstico e do tratamento das DST e da infecção pelo HIV; de aumento da cobertura das ações de prevenção em mulheres e populações com maior vulnerabilidade; da redução do estigma e da discriminação; e da melhoria da gestão e da sustentabilidade. 4.8-PSF- PROGRAMA SAÚDE DA FAMÍLIA A Saúde da Família é entendida como uma estratégia de reorientação do modelo assistencial, operacionalizada mediante a implantação de equipes multiprofissionais em unidades básicas de saúde. Estas equipes são responsáveis pelo acompanhamento de um número definido de famílias, localizadas em uma área geográfica delimitada. As equipes atuam com ações de promoção da saúde, prevenção, recuperação, reabilitação de doenças e agravos mais freqüentes, e na manutenção da saúde desta comunidade. 4.9-PACS-PROGRAMA DE AGENTES COMUNITÁRIOS DE SAÚDE Ao Programa a de saúde da Família também está associado o PACS, que cria esse ator, o Agente Comunitário de Saúde , morador da comunidade onde trabalha e atua. Ele deve ser instrumentalizado para desenvolver ações de educação em saúde e apoiar a comunidade na melhoria das suas condições de vida. Desempenha papel relevante de interlocutor com a comunidade, que pode contribuir para identificação mais cuidadosa de suas necessidades e ainda estimular a participação da comunidade no controlede suas condições de saúde e de qualidade de vida. 4.10- PLANEJAMENTO FAMILIAR Programa que engloba a assistência ao planejamento familiar deve incluir acesso à informação e a todos os métodos e técnicas para a concepção e anti-concepção cientificamente aceitos, e que não coloquem em risco a vida e a saúde das pessoas. 4.1- PROGRAMA DE SAÚDE MENTAL O Programa de Saúde Mental busca reverter o atual modelo baseado na internação em hospitais psiquiátricos por serviços que privilegiem o atendimento fora dos hospitais. 5-DOENÇAS INFECCIOSAS A doença infecciosa ou doença transmissível é qualquer patologia causada por um agente biológico por exemplo: vírus, bactéria, parasita , em contraste com causa física (por exemplo: queimadura , intoxicação, etc.).

5.1-SARAMPO – É uma doença exantemática.trabalhos de assistência, e integração de Epidemiologia: É um dos cinco exantemas da infância clássicos, com a varicela rubéola, eritema infeccioso e roséola. É altamente infeccioso e transmitido por secreções respiratórias comoespirro e tosse Sintomas: As manifestações iniciais são febre alta, tosse rouca e persistente, coriza, conjuntivite e fotofobia (hipersensibilidade à luz). Surgem manchas brancas na mucosa da boca (que são diagnósticas). Surgem ainda manchas maculopapulares avermelhadas na pele, inicialmente no rosto e progredindo em direção aos pés, durando pelo menos três dias, e desaparecendo na mesma ordem de aparecimento.. Diagnóstico e tratamento: O diagnóstico é clinico devido às caracteristicas muito típicas, especialmente as manchas de Koplik - manchas brancas na mucosa da bocaparte interna da bochecha. Pode ser feita detecção de antiigenos em amostra de soro.

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