Poluição

A poluição é geralmente conseqüência da atividade humana. É causada pela introdução de substâncias (ou de condições), que normalmente não estão no ambiente ou que nele existem em pequenas quantidades.

Poluente é o detrito introduzido num ecossistema não adaptado a ele, ou que não suporta as quantidades que são nele introduzidas. Dois exemplos de poluentes: o gás carbônico (CO2) e fezes humanas.

O CO2 das fogueiras do homem primitivo não era poluente, já que era facilmente reciclado pelas plantas. O mesmo gás, hoje produzido em quantidades muito maiores, é poluente e contribui para o agravamento do conhecido "efeito-estufa". Fezes humanas que são jogadas em pequena quantidade numa lagoa podem não ser poluentes, por serem facilmente decompostas por microorganismos da água. Em quantidades maiores, excedem a capacidade de reciclagem da lagoa e causam a morte da maioria dos organismos; neste caso, são poluentes.

Cidades sufocadas

O fenômeno conhecido como inversão térmica, bastante freqüente em cidades como São Paulo, traz sérios problemas de saúde à população. Ele é assim explicado: normalmente, as camadas inferiores de ar sobre uma cidade são mais quentes de que as superiores e tendem a subir, carregando as poeiras em suspensão. Os ventos carregam os poluentes para longe da cidade grande. No entanto, em certas épocas do ano, há fatores que favorecem o fato de camadas inferiores ficarem mais frias que as superiores.

O ar frio, mais denso, não sobe; por isso, não há circulação vertical e a concentração de poluentes aumenta. Se houver além disso falta de ventos, um denso "manto" de poluentes se mantém sobre a cidade por vários dias.

Poluição de água

O petróleo derramado nos mares prejudica a fotossíntese, por interferir na chegada de luz ao fitoplâncton. São assim afetadas as cadeias alimentares marinhas.

O acúmulo de certos detritos inertes, como poeiras e argilas, também interfere na transparência da água do mar, de rios e de lagoas e, portanto, compromete a realização da fotossíntese.

O despejo de esgoto no mar pode tornar as praias impróprias para o banho, transformando-as em fontes de contaminação por vírus e bactérias. Esgoto orgânico, doméstico ou industrial, lançado nas águas de rios ou lagoas, pode acabar "matando" o ecossistema.

A água quente usada em usinas atômicas, quando lançada nos rios ou nos mares, diminui a solubilidade do O2 na água; isso afeta os organismos sensíveis à diminuição do oxigênio.

O despejo de substâncias não-biodegradáveis, como detergentes, não sofre ataque dos decompositores e permanecem muito tempo nos ecossistemas. Formam montanhas de espuma em rios poluídos.

Sais de chumbo, de níquel, de cádmio, de zinco ou de mercúrio despejados pelas indústrias propagam-se pelas cadeias alimentares aquáticas, intoxicando os organismos e, eventualmente, o homem.

Chuva ácida

A chuva ácida é uma das principais conseqüências da poluição do ar. As queimas de carvão ou de derivados de petróleo liberam resíduos gasosos, como óxidos de nitrogênio e de enxofre. A reação dessas substâncias com a água forma ácido nítrico e ácido sulfúrico, presentes nas precipitações de chuva ácida.

Os poluentes do ar são carregados pelos ventos e viajam milhares de quilômetros; assim, as chuvas ácidas podem cair a grandes distâncias das fontes poluidoras, prejudicando outros países.

O solo se empobrece e a vegetação fica comprometida. A acidificação prejudica os organismos em rios e lagoas, comprometendo a pesca. Monumentos de mármore são corroídos, aos poucos, pela chuva ácida.

Desmatamento e extinção de espécies

Desmatar leva à destruição dos ecossistemas e à extinção das espécies que neles vivem. A ciência identificou até hoje cerca de 1,4 milhões de espécies biológicas. Desconfia-se que devam existir 30 milhões ainda por identificar, a maior parte delas em regiões como as florestas tropicais úmidas. Calcula-se que desaparecem 100 espécies a cada dia, por causa do desmatamento.

Planeta superlotado

A cada segundo, nascem três novos habitantes em nosso planeta. Hoje, existem 6 bilhões de habitantes. A população humana está crescendo em 100 milhões de pessoas por ano, o que significa mais um bilhão de pessoas para a próxima década. 90% desses nascimentos ocorrerão nos países subdesenvolvidos. Até o ano 2150, estima-se que chegaremos a quase o dobro da população atual.

O crescimento das populações humanas aumenta terrivelmente a gravidade dos problemas que a Terra já enfrenta. Eis alguns deles:

  • Maior necessidade de energia - Por enquanto, gerar energia leva a um aumento da poluição (queima de combustíveis como petróleo ou carvão), ou a destruição de ecossistemas (construção de hidrelétricas), ou ainda a riscos de contaminação por radiação (usinas atômicas). Métodos menos poluentes, como energia solar, poderão talvez resolver o problema.

  • Mais bocas para nutrir - Implicando maior produção de alimento e, portanto, necessidade crescente de terras agriculturáveis, às custas de mais desmatamento. Hoje, o planeta perde um hectare de solo aproveitável para a agricultura a cada 8 segundos. Buscar um aumento na eficiência da produção de alimentos, através de maior mecanização da agricultura, levaria à degradação maior do solo. Além disso, a utilização intensiva de adubos e pesticidas aumentaria a poluição do solo e dos lençóis de água.

  • Maior pressão de consumo - Gera maior demanda de recursos naturais não-retornáveis, como os metais e o petróleo. Além do esgotamento precoce desses recursos, mais resíduos serão produzidos, intensificando a poluição: o homem poderá afogar-se no seu próprio lixo!

Buraco na camada de ozônio

Os raios ultravioleta, presentes na luz solar, causam mutações nos seres vivos, modificando suas moléculas de DNA. No homem, o excesso de ultravioleta pode causar câncer de pele. A camada de gás ozônio (O3), existente na estratosfera, é um eficiente filtro de ultravioleta. O ozônio forma-se pela exposição de moléculas de oxigênio (O2) à radiação solar ou às descargas elétricas.

Detectou-se nos últimos anos, durante o inverno, um grande "buraco" na camada de ozônio, logo acima do Pólo Sul; este buraco tem aumentado a cada ano, chegando à extensão da América do Norte. Foi verificado que a camada de ozônio está também diminuindo de espessura acima do Pólo Norte. Acredita-se que os maiores responsáveis por esta destruição sejam gases chamados CFC (clorofluorcarbonos).

Estas substâncias são usadas como gases de refrigeração, em aerossóis (spray) e como matérias-primas para a produção de isopor. Os CFC se decompõem nas altas camadas da atmosfera e acabam por destruir as moléculas de ozônio, prejudicando assim a filtração da radiação ultravioleta.

"Um provérbio indígena questiona se somente quando for cortada a última árvore, pescado o último peixe, poluído o último rio, é que as pessoas vão perceber que não podem comer dinheiro".

O ozônio é uma forma de oxigênio com um átomo de oxigênio a mais na molécula - o oxígênio mais comum é o O2; o ozônio é o O3. Em baixas altitudes, ele participa da formação de poluentes, advindos de veículos a motor, termoelétricas, refinarias e lixões.

Ironicamente, em altitures mais elevadas, principalmente na estratosfera (camada da atmosfera que vai de 16 a 64 km de altura), o ozônio cumpre a função de bloquear radiações ultravioletas nocivas, vindas do espaço.

O ozônio estratosférico é atacado por algumas substâncias, como os compostos chamados clorofluorcarbonos (CFCs), usados em sprays, em certos tipos de extintores de incêndio, em equipamentos de refrigeração (ar-condicionado, geladeiras) e na fabricação de isopor.

Medições efetuadas por satélites mostravam, já na década de 70, que o ozônio na atmosfera estava diminuindo. Mas o famoso "buraco" foi descoberto pela primeira vez sobre a Antártida, em 1987.

A cada primavera antártica se notava uma acentuada diminuição da camada de ozônio. Pelo buraco, a superfície da Terra recebe mais radiação ultravioleta, que pode causar o surgimento de cânceres de pele e doenças nos olhos.

Mais recentemente, se notou que também houve diminuição na camada no hemisfério norte, sobre o Ártico.

Os pólos apresentam o buraco mais cedo, provavelmente por cauda da circulação do ar na atmosfera do planeta.

ECO 92 - Carta da Terra

"A paz, o desenvolvimento e a proteção do meio ambiente são interdependentes e inseparáveis".

Há uma ligação íntima entre os três fatores: a Política, a Economia e a Ecologia, que devem caminhar juntos. Não pode haver paz no planeta e nem proteção ao meio ambiente, se a pobreza continuar existindo em tantas regiões. Os países ricos consomem os recursos naturais de forma exagerada; por isso, são os que mais poluem. Cabe a eles uma parcela importante nos esforços para se conseguir um desenvolvimento sustentado, pelas tecnologias de que dispõem e pelos recursos financeiros que deverão investir.

O que é o Efeito Estufa?

Efeito estufa é o aquecimento gradual do planeta provocado pelo acúmulo de certos gases na atmosfera, principalmente dióxido de carbono ou gás carbônico (CO2). Os gases à base de carbono são conhecidos como gases estufa.

O efeito estufa tem um lado bom. A camada de gases em torno da Terra serve para manter a temperatura do planeta nos limites adequados para a vida. Sem essa "manta" que retém o calor, a atmosfera seria cerca de 18 graus Celcius mais fria.

O aspecto negativo do efeito estufa está relacionado à ação do homem. A atmosfera da Terra formou-se lentamente, em bilhões de ano. De repente, em poucas décadas, a grande produção de gases estufa pelo homem ameaça alterar seu equilíbrio, tornando-a cada vez mais espessa, o que resultaria na retenção de mais calor sobre a superfície da Terra.

Não há dúvida sobre o papel dos gases no aquecimento global. Mas ainda há discussões sobre o verdadeiro papel do dióxido de carbono emitido por atividades humanas, como a queima de combustíveis fósseis (petróleo, carvão) e a fumaça das queimadas.

Foi provado o aumento da temperatura média do planeta nos últimos anos. Também já foi mostrado o aumento da emissão de gases estufa por atividades humanas. Mas não se estabeleceu ainda um clara relação de causa e efeito entre esses dois fatos. O aumento da temperatura poderia ser uma oscilação natural do planeta.

Estuda-se também o papel dos oceanos. Eles cobrem três quartos da superfície do planeta. Grande parte do carbono é produzido nos oceanos através do fitoplâncton, minúsculos organismos vegetais. Qual a verdadeira capacidade de o mar servir de "depósito " de carbono? É mais um tema em discussão.

Mesmo com tantas incertezas, é melhor tomar medidas de redução dos gases estufa antes que seja tarde.

Desenvolvimento sustentável

Desenvolvimento sustentável é o desafio de conciliar progresso e ecologia. É o ecodesenvolvimento. É aquele desenvolvimento que atende às necessidades da geração atual sem comprometer a sobrevivência das gerações futuras.

Uma das chaves do desenvolvimento sustentável é a educação ambiental. Essa educação deve basear-se no fato de que a biosfera (solos, água e ar) tem capacidade limitada e as ações do homem podem acarretar modificações nefastas à saúde e à segurança das populações. Essa educação deve demonstrar que, para se desenvolver, todo ser humano depende das condições de seu meio ambiente, e deve acentuar que nenhuma geração pode arrogar-se o direito de destruir os elementos necessários à sobrevivência da geração seguinte.

“Os recursos a serem investidos na conservação ambiental poderiam ser conseguidos mediante solidariedade internacional: por exemplo, substituindo gastos militares por investimentos em meio ambiente, ou estabelecendo um imposto mundial sobre a fabricação e consumo de produtos poluentes, ou criando um fundo mundial de proteção da atmosfera. Os recursos desse fundo viriam de impostos sobre a emissão de dióxido de carbono e outros gases causadores do efeito estufa. Esse fundo permitiria aperfeiçoar sistemas energéticos menos poluentes, e garantiria também uma partilha mais justa dos custos de despoluir o meio ambiente e proteger a diversidade biológica.” (Berns von Droste, da Unesco)

Desenvolvimento sustentável é a continuidade do progresso científico, econômico e social da humanidade sem prejuízos graves à natureza e a manutenção dos recursos para as gerações futuras.

Biodiversidade

Biodiversidade é o termo utilizado para designar a variedade de seres vivos, animais e vegetais, existentes no planeta, referindo-se também à diversidade de ecossistemas e à diversidade genética.

A preservação da diversidade biológica do planeta é fundamental para a sobrevivência da própria espécie humana, já que condiciona não só a disponibilidade de matérias-primas e alimentos, como também a proteção do solo e o controle do clima.

Os cientistas ainda não conhecem todas as espécies de animais e vegetais do planeta. Já foram descritas 1,4 milhão delas, mas estima-se que o total pode chegar a um número entre 5 e 30 milhões. Os invertebrados, especialmente insetos, são as espécies mais numerosas. Os bichos maiores, como os vertebrados, são os mais conhecidos.

Mais da metade das espécies vivas do planeta se encontram nas florestas tropicais. Estas cobrem cerca de 2% da superfície terrestre e formam um anel em torno da linha do equador, entre os dois trópicos, cobrindo áreas sobretudo do Brasil, México, Indonésia, Zaire e Madagascar.

A cada dia, cerca de 300km² de florestas tropicais são eliminadas da face da Terra pelos desmatamento, queimadas, extração de carvão vegetal, abate indiscriminado de árvores para obtenção de matérias-primas, pela agricultura intensiva, poluição, urbanização desordenada. Por causa desses fatores muitas espécies de vegetais e animais desapareceram e estão desaparecendo (cerca de mil por ano), antes mesmo de serem descobertas pelo homem.

Animais em Extinção

Ainda no século passado, viviam na Europa ursos, lobos, corças, camurças, cabritos-monteses, águias, galos dos bosques, faisões dos montes e outros. Hoje, pode-se caminhar por horas e horas ao longo de uma picada nos campos, sem ouvir o canto de um pássaro ou um ruído de um animal. É a "natureza silenciosa", um dos aspectos negativos das conquistas da nossa atual civilização.

Trata-se de uma realidade que não pode ser ignorada: em todo o mundo, espécies inteiras de animais estão se extinguindo. As causas? Um cientista alemão, Vinzens Ziswiler, escreveu com amarga ironia: "A causa... o homem pode vê-la sempre que se olhar no espelho..."

Reação em cadeia

Boa parte das vezes a destruição poderia ter sido evitada ou, pelo menos, reduzida. Deve ser evitada ou reduzida, porque se o homem continuar a destruir a natureza acabará por se destruir a si próprio.

Se uma floresta é derrubada, por exemplo, desaparecem as ervas e frutos (alimento de certos bichos), e se lhes rouba também o refúgio natural; esses animais fogem ou morrem, e seu desaparecimento prejudica outros animais, que deles se alimentavam. É uma verdadeira reação em cadeia, cujo desastroso resultado final é o desaparecimento da fauna de regiões inteiras.

É caso para desesperar-se?

Sim e não. Sim, porque algumas espécies não poderão ser salvas, mesmo se forem poupadas pelo homem. Por outro lado, existem motivos de otimismo. Em alguns casos, as medidas de proteção permitem preservar muitas espécies e até fazê-las aumentar em número. Isso graças aos parques nacionais, que existem em diversos países. No Brasil, existem dezesseis parques e 27 reservas ecológicas.

Veja abaixo, o mapa dos parques nacionais:

1- Pacaás Novos (RO)2 - Serra do Divisor (AC)3 - Jaú (AM)4 - Pico da Neblina (AM)5 - Amazônia (AM/PA)6 - Monte Roraima (RR)7 - Cabo Orange (AP)8 - Araguaia (TO)9 - Lençóis Maranhenses (MA)10 - Sete Cidades (PI)11 - Serra da Capivara (PI)12 - Ubajara (CE)13 - Marinho de Fernando de Noronha (PE)14 - Chapada da Diamantina (BA)15 - Marinho de Abrolhos16 - Monte Pascoal (BA)17 - Grande Sertão Veredas (MG/BA)18 - Serra da Canastra (MG)19 - Serra do Cipó (MG)20 - Caparaó (MG/ES)21 - Itatiaia (MG/RJ)22 - Serra dos Órgãos (RJ)23 - Tijuca (RJ)24 - Serra da Bocaína (SP/RJ)25 - Iguaçu (PR)26 - Superagüí (PR)27 - São Joaquim (SC)28 - Aparados da Serra (SC/RS)29 - Serra Geral (SC/RS)30 - Lagoa do Peixe (RS)31 - Pantanal Matogrossense (MT)32 - Chapada dos Guimarães (MT)33 - Ernas (GO)34 - Chapada dos Veadeiros (GO)35 - Brasília (DF)

Quantos já desapareceram?

Segundo as estatísticas, mais de 300 espécies animais já desapareceram da face da Terra e a extinção continua ameaçando mais de 900 espécies existentes. Em nosso país - considerado como possuidor de uma flora e fauna entre as mais ricas do mundo - não se sabe ao certo quantas espécies já desapareceram.

As causas

Derrubada de florestas, poluição do ar, dos rios e mares, comercialização indiscriminada de determinadas espécies são fatores que, somados, estão provocando um perigoso desequilíbrio ecológico em diversos países. Além da caça indiscriminada para obtenção de carne, gordura, peles, plumas, troféus e lembranças. A coleta de ovos ou matança de filhotes, são bastante procurados devido ao grande lucro.

Doenças introduzidas ao meio ambiente pelos animais domésticos estão quase exterminando certas espécies.

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