Criação de Tucunaré em Cativeiro

Criação de Tucunaré em Cativeiro

(Parte 1 de 2)

SBRT – Formulário de Resposta Técnica Padrão 1

Resposta Técnica

Assunto Agricultura e Pecuária.

Palavras-chave Piscicultura; Tucunaré; criação em cativeiro.

Identificação da demanda Existe produção do peixe tucunare em cativeiro?

Solução apresentada Tucunaré (Cichla Ocellaris)

Originário da Bacia Amazônica, hoje aclimatado em quase todas as regiões do Brasil, tem características de agressividade e predador nato. Atualmente, vem sendo introduzido em Clubes de Pesca, com grande apelo junto ao publico, por causa de sua esportividade. Sua carne é de qualidade, considerada nobre e de paladar requintado.

Por ser um peixe carnívoro, é recomendado para povoamento de represas, açudes ou tanques, onde haja superpopulação de outras espécies, como tilapia e o lambari, que servirão de alimentação natural para ele, mantendo o equilíbrio.

Na pratica, o tucunaré é criado sem despesas adicionais, pois se alimenta dos organismos em dos organismos vivos disponíveis na água do tanque, não aceitando rações ou similar.

O que determina as diversas cores do tucunaré é o local e a água onde vive. É comum, em todos os tipos, a mancha, que lembra um olho, na base da cauda.

Esta espécie consegue se reproduzir em água parada com desova anual fazendo ninho e cuidando dos filhotes. Normalmente, sua ninhada é pequena.

Tendo boa disponibilidade de alimentação, chega a atingir de um a 1,2 Kg/ano. A alevinagem é feita a partir da captura de desova natural.

Características

Existem 14 espécies conhecidas na Amazônia sendo cinco delas descritas (Cichla ocellaris, C. temensis, C. monoculus, C. orinocensis e C. intermedia). De maneira geral, apresentam corpo alongado e um pouco alto de coloração amarelada-esverdeada com o dorso mais escuro e ventre branco. Conforme a espécie pode apresentar faixas escuras verticais ou manchas irregulares nos flancos além do característico ocelo sobre o pedúnculo da nadadeira caudal. Os pacas como o nome indica têm o corpo coberto de pequenas manchas brancas. Os Pitangas grande mancha vermelha sob a boca. Sem esquecer dos Azuis, talvez seja o peixe com a maior variação de cores da água doce. Podem atingir 1m de comprimento e pesar 15Kg.

SBRT – Formulário de Resposta Técnica Padrão 2

Descrição

Os pescadores de tucunaré que freqüentam os rios da Amazônia diferenciam pelo menos 8 tipos diferentes, quanto ao padrão de colorido e às faixas de tamanho máximo, como o Tucunaré-Açu, Paca, Pitanga, Pretinho, Vermelho, Azul, Amarelinho e uma variedade com 6 barras pretas verticais encontradas no rio Araguaia. Atualmente o tucunaré já se encontra em outras regiões do mundo onde foi introduzido, como na Venezuela, no Panamá e nos Estados Unidos (Flórida e Havaí). São peixes que atingem cerca de 1,20 cm de comprimento e até 15 a 16 kg de peso (no caso do Tucunaré-Açu).

Habitat e comportamento

Habitam preferencialmente as lagoas marginais durante a época de seca e mata inundada (igapó) durante as cheias. Nas lagoas habitam áreas marginais durante o início da manhã e final de dia. Na hora do sol mais quente dirigem ao centro das lagoas, região que muitas vezes é ocupada pelas corvinas. Em rios que não possuam lagoas, os tucunarés se protegem da água corrente atrás de obstáculos de pedras e paus. Não gostam de água rápida.

Equipamentos

Os equipamentos utilizados na pesca do tucunaré são as varas de ação média a média/pesada com linhas de 17, 20, 25 e 30 lbs. O uso de um arranque com linha grossa de 0,60 a 0,70 m. é recomendado para evitar a perda do peixe nos paus. Também é um grande oponente na pesca de fly, onde as melhores iscas são os streamers e poppers, exigindo ainda mais perícia do pescador devido à maior flexibilidade do conjunto que deve ser do número 6 ao 10, dependendo do tamanho dos peixes. Com iscas naturais, o uso de bóia é indispensável. O anzol pode ser de 2/0 a 4/0 sem o uso de empates.

Iscas

Predadores por excelência, alimentam-se de camarões e peixes que caçam no sistema de tocaia ou perseguição ativa. De hábito alimentar generalista, não têm preferência pelos tipos de peixes que se constituem suas presas, alimentando-se daquilo que está ao alcance de sua boca. Devido a essa característica, aliada à imensa voracidade, já que necessitam estar se alimentando constantemente, a sua pesca é muito emocionante, principalmente na modalidade que emprega iscas artificiais. Praticamente todas as iscas artificiais podem atrair tucunarés, mas a pesca com plugs de superfície é a mais emocionante devido aos botes que dão para capturar os peixinhos. Quando eles explodem; na superfície, a adrenalina vai a mil e o pescador tem que ser muito rápido para evitar que o peixe busque o enrosco, o que acarreta a perca do exemplar na maioria das vezes. As iscas artificiais mais utilizadas para a pesca do tucunaré são os plugs de superfície e meia água, os spinners, colheres e até papel alumínio ou pedaços de pano vermelho ou branco.

Dicas

O tucunaré será eleito o peixe simbólico da pesca esportiva no Brasil. Os índios e caboclos da Amazônia pescavam o tucunaré com iscas artificiais antes desse tipo de pesca se difundir no Brasil. Atada a uma corda fina, a isca feita de penas vermelhas é arrastada pela canoa ou atada a uma vara comprida com cerca de 1,5 cm de linha que é passada na flor d'água. Esse sistema de pesca é conhecido por Pinda-Siririca. Apesar de as iscas naturais serem pouco utilizadas, os resultados são excelentes. Como isca pode ser utilizados pequenos peixes vivos presos a um conjunto de linha com bóia, que deve ser arremessado junto às margens, perto de galhadas e pedras.

SBRT – Formulário de Resposta Técnica Padrão 3

Sistemas de Criação

Com a finalidade de se obter resultado compensatório, busca-se um maior rendimento dos viveiros, como forma de obter melhor rentabilidade.

São os seguintes os sistemas de criação estudados, expostos para que possam servir como modelos:

1) Sistema de criação semi-intensivo, por barramento, com baixos níveis de monitoramento da qualidade da água;

2) Sistema de criação semi-intensivo, por derivação, com níveis intermediários de monitoramento da qualidade da água e tecnologia de manejo;

3) Sistema de criação semi-intensivo, por derivação, terreno plano com baixa movimentação de terra, com alto nível de controle do manejo cultural das espécies de peixe e monitoramento intensivo da água, inclusive com o uso de aeradores mecânicos.

Tipos de Viveiros Normalmente, os tipos de viveiros observados são:

• Por Barramento: Consiste na interrupção de um curso d'água, formando viveiros de baixo custo de construção. Entretanto, apresentam características como fundo irregular, falta de condições para controlar o fluxo de água que entra no viveiro, maior dificuldade de controle de predadores e também da densidade (peixe/m2). São, portanto, de difícil manejo cultural.

• Por Derivação, ou seja, os escavados. Esse tipo possui custo de construção maior, dada a necessidade de movimentação de terra, que pode variar de 0,6m3 a 0,8m3 para a construção de 1m2 de viveiro, dependendo da topografia do terreno. Contudo, suas características permitem controle melhor do volume de água, da densidade de peixes e dos predadores, o que proporciona melhor produtividade.

• Viveiros-berçários: Nos sistemas que utilizam níveis mais altos de tecnologia, é necessário utilizar esse tipo de viveiro, que têm como objetivo aumentar a taxa de sobrevivência dos alevinos. Sua proporção é de 1:1,7, ou seja, 1 m2 de viveiro-berçário para cada 1,7 m2 de viveiros de criação, podendo os primeiros ter tamanhos que variam de 500 a 1.500 m2.

Tecnologia

Entre as tecnologias, atualmente em uso na criação de peixes contam-se os sistemas de produção semi-intensivos, que incluem técnicas de exploração com baixa renovação da água (menos de 5% ao dia) e nível baixo de monitoramento de sua qualidade, contando-se apenas o monitoramento de sua transparência e, em conseqüência, com uma produtividade anual por hectare inferior a 5.500 Kg de peixe e baixa rentabilidade.

Outro sistema semi-intensivo possível de ser desenvolvido incorpora mais tecnologia, com uma taxa de renovação da água do viveiro entre 5% e 10% ao dia, nível intermediário de monitoramento da qualidade da água, com acompanhamento de sua transparência, das temperaturas máxima e mínima, pH e níveis de alcalinidade, e uso de viveiros-berçários, de forma a aumentar a taxa de sobrevivência dos alevinos, obtendo-se produtividade anuais/médias, entre 6 mil a 10 mil Kg/ha/ano.

SBRT – Formulário de Resposta Técnica Padrão 4

Por último, tem-se o sistema intensivo de criação. Caracteriza-se por uma tecnologia de produção que envolve a renovação de mais de 10% da água do viveiro por dia, intensivo monitoramento da qualidade da água, acompanhando-se a transparência, temperaturas máximas e mínimas, pH, alcalinidade, oxigênio dissolvido e amônia, somando o uso de aeradores na proporção de 4 HP/ha e o uso de viveiros berçários, alcançando a produtividade média anual acima de 10 mil Kg/ha.

Cenário

O estabelecimento da produção total da piscicultura brasileira não é tarefa fácil. A estimativa é de que sejam produzidas em torno de 25.0 ton/ano. Boa parte desta produção cabe a estações públicas de criação de alevinos. Existem cerca de 70 estações destas no país, que produzem, aproximadamente, 80 milhões de alevinos/ano. Mesmo com estes condicionantes, o mercado brasileiro ainda tem muito espaço para novos empreendimentos. Mas, como em todo negócio, o sucesso vai depender de como ele será conduzido pelo seu proprietário.

O que leva ao sucesso

Os fatores primordiais para o sucesso de uma criação de peixes são a qualidade do produto, o preço competitivo, a localização adequada, a facilidade para distribuição e a diversificação de espécies. De todos esses fatores, o principal é, sem dúvida, a qualidade sanitária do produto. A ela, segundo especialistas do ramo, está ligado diretamente o sucesso de um criatório. Para isso, são essenciais os cuidados veterinários com a criação, a limpeza geral dos tanques, a boa saúde dos empregados e a qualidade das rações, além de boas instalações e manutenção adequada.

Tamanho do aquário: Mínimo de 1000 litros
Tamanho do máximo: 100cm
Iluminação: Média

OUTRAS INFORMAÇÕES pH: 6,6 Dificuldade de criação: Fácil

Temperatura: 27ºC Sociabilidade: Predador Territorial Modo de reprodução Ovíparo

Dificuldade de reprodução: Difícil

Alimentação: Alimento vivo, Peixes

Informações adicionais:

Diversos artigos sobre a criação de peixes em tanques-rede, temperatura da água, dentre outros. Disponível em: http://www.jundiai.com.br/abrappesq/materias.htm

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