Apresentação Seminário SiBCTS

Apresentação Seminário SiBCTS

Vegetação às margens da Barragem de Sobradinho BA

Convênio Embrapa Solos / Codevasf concluído em 2005

Introdução

Nas últimas décadas o ecossistema planetário tem passado por diversas mutações, entre essas, destacam-se, por exemplo, as estimativas de que o mundo já perdeu desde a metade do século passado, um quinto da superfície cultivável e das florestas tropicais, e que a cada ano são perdidos 25 bilhões de toneladas de húmus por efeito da erosão, desertificação, salinização e de outros processos de degradação do solo (Brasil, 1991).

Realidade atual

O momento atual exige uma reavaliação de conceitos e, certamente, mudança de procedimentos.

Não mais se admite que a evolução da sociedade busque caminhos quase sem limites em direção ao progresso.

De todas as regiões brasileiras, a Nordeste é aquela que se destaca na necessidade de utilização da irrigação. Cerca de 60% das terras do Nordeste encontram-se sob o regime semi-árido. Nessa condição agrícola desfavorável, somente o uso da irrigação tornará possível a utilização agrícola sistemática de suas terras.

O BUREC (Bureau of Reclamation)

No Brasil, os projetos de irrigação implantados até 2005, utilizaram o sistema de classificação das terras preconizados pelo BUREC (Estados Unidos, 1984), de modo simplificado, sem atentar, por falta de subsídios técnicos e em atendimento às urgências das políticas públicas para a agricultura irrigada, para as ações que redundavam em degradação das terras e/ou baixa taxa de retorno, que em alguns casos, afetaram o pleno sucesso da implementação do projeto.

Necessidade de um novo Sistema

Neste sentido, a CODEVASF identificou, ao longo de sua atuação, um elenco de problemas nos seus perímetros irrigados, que evidenciavam a necessidade da criação de um sistema de classificação adequado à nossa realidade e particularidades. 

Uma resposta positiva das terras ao emprego da tecnologia de irrigação A existência de uma adequada classificação brasileira da potencialidade dessas terras para a irrigação, que deve:

O SiBCTI concede importância muito grande à questão da drenabilidade natural dos ambientes, visando restringir ao máximo os riscos de salinização e degradação dos solos

O SiBCTI concede importância muito grande à questão da drenabilidade natural dos ambientes, visando restringir ao máximo os riscos de salinização e degradação dos solos

Um Sistema só Nosso

O Sistema brasileiro de Classificação das terras para Irrigação (SiBCTI) é uma metodologia que objetiva preencher uma lacuna existente há muito tempo, qual seja a classificação das terras adaptadas ao manejo e solos brasileiros.

Mais do que classificar o solo isoladamente, o SiBCTI procura atuar segundo a ótica do ambiente integrado, interagindo os seguintes temas:

solo, espécie vegetal, qualidade da água de irrigação e método de irrigação.

EFEITOS DA IRRIGAÇÃO MAL CODUZIDA: 1. bananal abandonado por salinização do solo

2. Bananeira na parte baixa sobre solo com elevado nível de salinização. O bananal apresenta péssimo aspecto, com plantas de menor porte, folhas com necrose marginal e alto nível de falhas nas linhas de plantio. Produtividade seriamente afetada, atingindo somente um terço da correspondente à parte alta.

Importância da Classificação de Solos para Irrigação

Muitos projetos de irrigação, principalmente no semi-árido nordestino, têm apresentado no decorrer dos tempos diversos problemas como:

salinização,

encharcamento,

utilização de lâminas d’água incompatíveis com o solo,

entre outros; os quais têm resultado num flagrante desperdício de água em alguns projetos, bem como degradação de muitas áreas produtivas.

O SiBCTI foi estruturado para trabalhar com três sistemas de irrigação, de acordo com a eficiência energética na aplicação da água, interação com fitossanidade e interação com parâmetros do solo:

IRRIGAÇÃO POR SUPERFÍCIE => sulco, inundação, corrugação, entre outros

IRRIGAÇÃO POR ASPERSÃO => convencional, pivô central, canhão hidráulico, entre outros

IRRIGAÇÃO LOCALIZADA => microaspersão, gotejamento, jato pulsante

CONCEITOS DO SISTEMA

Principais Características

  • Sistema aberto, informatizado, acoplado a base de dados e que permite a evolução de acordo com o aprimoramento das variáveis básicas;

  • Variáveis pedológicas + edafoclimáticas + econômicas;

  • Baseado na estrutura do BUREC, adaptado às condições dos solos tropicais;

  • Acompanhado de um programa de computador, em linguagem Java, passível de utilização tanto em plataforma Windows quanto em Linux, facilitando a obtenção da classificação pelo usuário.

No SiBCTI, não se considera somente as características da "terra", mas sua interação com o sistema de irrigação, cultura específica e qualidade da água, na forma de um sistema ESPECIALISTA mais flexível e com mais variáveis de controle.

VARIÁVEIS RELACIONADAS AO SOLO

VARIÁVEIS RELACIONADAS AO CUSTO E QUALIDADE DA ÁGUA DE IRRIGAÇÃO

VARIÁVEIS RELACIONADAS AO SISTEMA DE IRRIGAÇÃO  

VARIÁVEIS RELACIONADAS ÀS CULTURAS

Colocar figura da pag 38 do sibcti

REPRESENTAÇÃO GRÁFICA PADRÃO – SiBCTI

SIGNIFICADO DA REPRESENTAÇÃO GRÁFICA

m = subscrito antes da classe  indica a rentabilidade esperada com base no cruzamento de dois temas:

1. rentabilidade clássica de dois grupos de culturas, basicamente fruticultura ou grãos;

2. custo da captação da água, representada pela distância e diferença de cota.

SUBSCRITO RENTABILIDADE

a = retorno potencial superior (alto)  cultura escolhida pertencente a um grupo de rentabilidade superior, irrigável em um ambiente com água de baixo custo de captação.

b = retorno potencial inferior (baixo)  cultura escolhida pertencente a um grupo de rentabilidade inferior, irrigável em um ambiente com água de alto custo de captação.

m = retorno potencial mediano  ou a cultura escolhida pertence a um grupo de rentabilidade inferior, ou o ambiente tem água de elevado custo de captação.

CLASSES E PARÂMETROS LIMITANTES

  • 4 = classe  representa a produção relativa do ambiente avaliado em relação a um ambiente referência.

  • C = primeiro subscrito após a classe  representa o parâmetro com maior grau de limitação, portanto, aquele com maior importância na definição da classe. Pode ser parâmetro ligado ao solo (letra maiúscula) ou a água de irrigação (letra minúscula)

  • f = segundo subscrito após a classe  representa o segundo parâmetro com maior grau de limitação, portanto, aquele com importância superada apenas pelo parâmetro principal na definição da classe. Pode ser parâmetro ligado ao solo (letra maiúscula) ou a água de irrigação (letra minúscula).

Caso 1: ONDE NÃO IRRIGAR

Perfis de CAMBISSOLO HÁPLICO Carbonático vértico A moderado textura média sob relevo plano, detalhando a transição dos horizontes Biv e CBv

DESCRIÇÃO MORFOLÓGICA

CLASSIFICAÇÃO CAMBISSOLO HÁPLICO Carbonático vértico A moderado textura média relevo plano

DECLIVE - Área plana, 0 a 1%;

PEDREGOSIDADE - Presente.

ROCHOSIDADE - Ausente.

RELEVO LOCAL - Plano.

RELEVO REGIONAL - Plano.

EROSÃO - Não aparente.

DRENAGEM - Mal a imperfeitamente drenado

CLIMA - BSwh´ de Köppen (Clima bastante quente. A temperatura média do mês mais frio é superior a 18°C. Semi-árido. A estação chuvosa é no verão} e 4aTh de Gaussen

  • A 0 – 10cm Bruno-amarelado escuro (10YR 4/5, úmido); franco-arenosa; fraca, pequena, granular; macio, muito friável, ligeiramente plástico e ligeiramente pegajoso

  • BA 10 – 22cm Bruno-amarelado (10YR 5/6, úmido); mosqueado comum, pequeno, proeminente; franco-arenosa a franco; fraca, pequena e média, blocos sub-angulares e blocos angulares; ligeiramente duro, friável, ligeiramente plástico e ligeiramente pegajoso

  • Biv 22 – 38cm Amarelo-brunado (10YR 6/6, úmido); mosqueado comum, pequeno, proeminente; franco-argilo-arenosa; maciça qsd em fraca, média, blocos sub-angulares e blocos angulares; ligeiramente duro, friável, ligeiramente plástico e ligeiramente pegajoso;

  • CBv 38 – (52-64)cm Branco (10YR 8/1, úmido); mosqueado comum, pequeno, proeminente; franco-argilo-arenosa; maciça; muito duro, firme, muito plástico e muito pegajoso

  • Cv(52-64) – 100cm+ Branco (10YR 8/1, úmido); franco-argilo-arenosa; maciça; muito duro, firme, muito plástico e muito pegajoso

DETERMINAÇÕES DE CAMPO

RESULTADO DO TESTE DE INFILTRAÇÃO

TELAS DO SiBCTI COM OS DADOS DO SOLO

a 6 Z I

  • o primeiro parâmetro “a” indica retorno potencial superior ou seja, a cultura escolhida (manga) é uma cultura elencada como de rentabilidade implícita superior, da mesma forma que a água para irrigação tem baixo custo de captação.

  • o número “6” indica a classe da terra, ou seja, não irrigável.

  • o sistema resgata o parâmetro mais limitante, ou seja, aquele que exerceu maior influência na classificação final da terra. No caso, por ser maiúscula e de cor vermelha, fica caracterizado que é um parâmetro ligado a solo e sendo “Z” representa o parâmetro profundidade do solo.

  • o sistema resgata também o segundo parâmetro mais limitante: a letra “I” representa um parâmetro de solo e representa a velocidade de Infiltração.

O SiBCTI, ao classificar esses solos como classe 6 (não irrigável), evitou que, potencialmente, toda essa extensão de terras fosse em algum momento incorporada à agricultura irrigada, redundando no completo desperdício de montante financeiro direto, bem como o violento impacto ambiental que isto causaria

O SiBCTI, ao classificar esses solos como classe 6 (não irrigável), evitou que, potencialmente, toda essa extensão de terras fosse em algum momento incorporada à agricultura irrigada, redundando no completo desperdício de montante financeiro direto, bem como o violento impacto ambiental que isto causaria

Caso 2: ONDE IRRIGAR

DESCRIÇÃO MORFOLÓGICA

  • CLASSIFICAÇÃO - NEOSSOLO QUARTZARÊNICO Órtico latossólico A fraco relevo plano

  • DECLIVE - Área plana, 2 a 3%; Cultura de manga Haden com aproximadamente 6 anos

  • PEDREGOSIDADE - Ausente

  • ROCHOSIDADE - Ausente

  • RELEVO LOCAL - Plano

  • RELEVO REGIONAL – Plano a suave ondulado

  • EROSÃO - Não aparente.

  • DRENAGEM - Fortemente drenado

  • CLIMA - BSwh’ - Clima bastante quente. A temperatura média do mês mais frio é superior a 18°C. Semi-árido. A estação chuvosa é no verão

  • Ap 0 - 20cm (10YR 4/4 úmido); areia; fraca, muito pequena e pequena, granular; macio e muito friável; não plástico e não pegajoso

  • C1 20 - 52cm (10YR 6/6 úmido); areia franca; Maciça que se desfaz em fraca, pequena, blocos sub-angulares; macio e muito friável; não plástico e não pegajoso

  • C2 52 - 90cm (7,5YR 7/6 úmido); mosqueados poucos, muito pequenos e distintos (10YR 7/6); areia franca; Maciça que se desfaz em fraca, pequena e média, blocos sub-angulares; macio e muito friável; não plástico e não pegajoso

  • C3 90 - 135cm (7,5 YR 5/6 úmido); mosqueados poucos, médios e distintos (10YR 7/6); franco arenosa; Maciça que se desfaz em fraca, pequena e média, blocos sub-angulares; ligeiramente duro e muito friável; não plástico e não pegajoso

  • C4 135 - 185cm (7,5 YR 5/6 úmido); franco arenosa; Maciça que se desfaz em fraca, pequena e média, blocos sub-angulares; ligeiramente duro e muito friável; não plástico e não pegajoso; plana e difusa

  • C5 185 – 200 (7,5 YR 5/6 úmido); franco arenosa; Maciça que se desfaz em fraca, pequena e média, blocos sub-angulares; ligeiramente duro e muito friável; ligeiramente plástico e ligeiramente pegajoso

Classificação Final: a3IK

Área cultivada com manga irrigada por microaspersão apresentando em primeiro plano local da coleta do solo (Perímetro Nilo Coelho – Petrolina/PE).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Grato pela atenção tadeu.henriques@codevasf.gov.br foto: Barragem de Sobradinho BA

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