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1 Guia EM da NBR5410

Dimensionamento do quadro de distribuição250
Os quadros de distribuição segundo a NBR 6808257
Localização dos quadros de distribuição261
A padronização brasileira de tomadas prediais265
Plugues e tomadas industriais269

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Guia EM da NBR5410 Quadros de distribuição - Tomadas11

Dimensionamento do quadro de distribuição

De acordo com a NBR IEC 60050 (826),quadro de distribuiçãoé o “equipamento elétrico destinado a receber energia elétrica através de uma ou mais alimentações,e distribuí-la a um ou mais circuitos, podendo também desempenhar funções de proteção,seccionamento,controle e/ou medição.”

Um quadro de distribuição pode ser entendido como o “coração”de uma instalação elétrica,já que distribui energia elétrica por toda a edificação e acomoda os dispositivos de proteção dos diversos circuitos elétricos.

Quantidade de circuitos

Antes da especificação técnica,propriamente dita,de um quadro de distribuição,é preciso dimensioná-lo,começando pela quantidade de circuitos que ele deverá acomodar — e obtendo-se,com essa informação,uma primeira idéia das dimensões e do tipo de quadro.

A quantidade de circuitos de uma instalação elétrica depende,entre outros fatores,de sua potência instalada,da potência unitária das cargas a serem alimentadas,dos critérios adotados na distribuição dos pontos,do maior ou menor “conforto elétrico”previsto,do grau de flexibilidade que se pretende e da reserva assumida visando futuras necessidades.

A NBR 5410 oferece um bom ponto de partida para essa definição. É verdade que o posicionamento da norma, sobre quantidade de circuitos,se afigura bem mais explícito no campo das instalações elétricas residenciais. Aliás, ela oferece aí várias regras que podem ser encaradas como o receituário mínimo da instalação. Mas a utilidade desses critérios,sobretudo pela lição conceitual que encerram,se estende muito além do domínio residencial.

E é assim que deve ser apreendido o exemplo em cima do qual discorreremos acerca do dimensionamento de um quadro de distribuição. O exemplo é aquele mostrado na figura 1:um apartamento de dois dormitórios,com cerca de 50 m2de área útil.

Divisão da instalação

Comecemos pelas regras da NBR 5410 que tratam da divisão da instalação em circuitos.

Na seção 4.2.4 (“Divisão das instalações”),mais exatamente,em 4.2.4.5,a norma diz que “devem ser previstos circuitos terminais distintos para iluminação e tomadas de corrente.”Ou seja,não se deve misturar em um mesmo circuito pontos de iluminação com pontos de tomada. Portanto,já teríamos aqui,para começo de história,no mínimo dois circuitos:um para iluminação e o outro para tomadas.

No artigo seguinte,4.2.4.6,a norma acrescenta outra regra balizadora da definição do número de circuitos:a de que em unidades residenciais e acomodações (quartos ou apartamentos) de hotéis,motéis e similares,devem ser previstos circuitos independentes para cada equipamento com corrente nominal superior a 10 A. Logo,não se pode “pendurar”,em um mesmo circuito,mais de um equipa-

Fig.1 – O apartamento-exemplo mento com corrente nominal superior a 10 A — como é o caso,por exemplo,de chuveiros,torneiras elétricas,aparelhos de microondas,máquinas de lavar louça e máquinas de secar roupa. Cada equipamento deverá ter o seu próprio circuito.

No nosso apartamento-exemplo (figura 1) entendemos que o mínimo a ser previsto,de cargas com essa característica,que exigiriam circuito individual,são:um chuveiro elétrico,no banheiro; uma torneira elétrica,na cozinha; e uma máquina de lavar louça,também na cozinha. Todos esses equipamentos domésticos têm potências que resultam em corrente superior a 10 A (no caso da máquina de lavar louça,em particular,assumiu-se alimentação em 127 V). Logo,somado isso ao nosso ponto de partida de pelo menos dois circuitos,um de iluminação e outro de tomada,já passamos para cinco circuitos: –o do chuveiro,

–o da máquina de lavar louça,

–o de tomadas (ou de outrastomadas,já que a conexão da máquina de lavar louça à instalação também se dá via tomada,diferentemente do chuveiro e da torneira elétrica, que são ligados diretamente à caixa de derivação).

Mas será que um só circuito para todas as tomadas do apartamento (exceto a da máquina de lavar louça,claro) é algo razoável?

Evidentemente,não. Como se verá,teremos não apenas um,mas quatro circuitos de tomadas. E por razões muito sólidas. Entre elas,a necessidade de atender à previsão de carga — mínima! — ditada pela NBR 5410; a necessidade prática ou conveniência de evitar o uso de condutores de “grande”seção nominal em circuitos de tomadas de uso geral; e a obrigação de proporcionar um mínimo de conforto ao usuário,garantindo uma certa flexibili- dade para a instalação. E tudo isso constitui,na verdade,o mínimo que se pode esperar de uma instalação elétrica.

Pois bem,o que nos diz a NBR 5410 sobre previsão de carga,particularmente no que se refere a circuitos de tomadas?

O assunto é tratado em 4.2.1.2.3 (“Tomadas de uso geral”). Aí a norma diz,por exemplo,que em cozinhas,copas, copas-cozinhas,áreas de serviço,lavanderias,e locais análogos,deve-se instalar,no mínimo,uma tomada para cada 3,5 m,ou fração,de perímetro. E que devem ser atribuídas a essas tomadas potência de 600 VA por tomada,até três tomadas,e de 100 VA por tomada para as excedentes,considerando cada um desses ambientes separadamente.

Ora,aplicado o critério do número mínimode tomadas à cozinha e à área de serviço do apartamento-exemplo,resultam três tomadas para a cozinha (além da destinada especificamente à máquina de lavar louça) e duas para a área de serviço. Com que potências? Seguindo-se os critérios dados pela norma,vem: na cozinha,como são três tomadas,teremos,necessariamente, 3×600 VA; na área de serviço,com suas duas tomadas,o mesmo raciocínio: 2 ×600 VA.

Se as tomadas desses dois ambientes (o que dá cinco tomadas) fossem atendidas por um único circuito,considerando tensão nominal de 127 V e as potências a elas atribuídas,o dimensionamento do circuito certamente nos conduziria a um condutor de 4 mm2. No entanto,razões de ordem prática aconselham evitar o uso de condutores de seção superior a 2,5 mm2em circuitos de tomadas de uso geral. Pelo menos,esse é um critério adotado “nas boas casas do ramo”de projetos. Adotado esse critério,como faremos aqui,cozinha e área de serviço constituirão então

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Em seu artigo 6.5.9.2,a NBR 5410 estipula que todo quadro de distribuição,não importa se geral ou de um setor da instalação,deve ser especificado com capacidade de reserva (espaço),que permita ampliações futuras, compatível com a quantidade e tipo de circuitos efetivamente previstos inicialmente.

Esta previsão de reserva deve obedecer os seguintes critérios: a)quadros com até 6 circuitos:prever espaço reserva para no mínimo 2 circuitos; b)quadros de 7 a 12 circuitos:prever espaço reserva para no mínimo 3 circuitos; c)quadros de 13 a 30 circuitos:prever espaço reserva para no mínimo 4 circuitos; d)quadros acima de 30 circuitos:prever espaço reserva para no mínimo 15% dos circuitos.

A norma frisa que a capacidade de reserva por ela indicada deverá ser considerada no cálculo do circuito de distribuição que alimenta o quadro em questão .

Capacidade de reserva dos quadros dois circuitos de tomadas (ou tomadas de uso geral,como qualifica a norma).

Com isso,a quantidade de circuitos passa agora de cinco para sete. Recapitulando: –o do chuveiro,

–o da máquina de lavar louça,

Mas o que a norma fala a respeito de tomadas nos ambientes ainda não analisados no nosso exemplo — o banheiro,o corredor,os dormitórios e a sala?

No mesmo item 4.2.1.2.3,já citado,a NBR 5410 dispõe que em banheiros deve-se instalar,no mínimo,uma tomada junto ao lavatório (observadas as restrições do capítulo 9 da norma,que fixa os requisitos para instalações ou locais especiais),com potência mínima de 600 VA; e que no caso de dormitórios e salas (incluindo o corredor do nosso exemplo) deve-se instalar no mínimo uma tomada, se a área for igual ou inferior a 6 m2; e no mínimo uma tomada para cada 5 m,ou fração,de perímetro se a área for superior a 6 m2,espaçadas o mais uniformemente possível. A potência a ser atribuída é de 100 VA por tomada.

Isso posto,e seguindo basicamente os critérios mínimosfornecidos pela norma,teríamos uma tomada no banheiro,com 600 VA; uma tomada no corredor,com 100 VA; três tomadas em cada dormitório,com 100 VA cada; e

tante”com TV,aparelho de som,vídeoComo o nosso

quatro tomadas na sala,com 100 VA cada. No entanto,destinar quatro tomadas para a sala,ainda que atendendo o mínimo exigido pela norma,seria “lavar as mãos”de forma censurável. Por quê? Imaginemos o seguinte enredo,que reproduz situações comuns na vida real. Na nossa historieta o projetista recebe,junto com a documentação passada pelo arquiteto ou construtora,material promocional do imóvel,onde consta o layoutsugerido para a mobília. E há lá,na sala,a sugestão de uma “espersonagem não é praticante do me-engana-que-eu-gosto, nem mais realista do que o rei (daqueles que fazem da atividade de projeto sabujice),ele não tem dúvidas em passar do mínimo exigido pela norma ao mínimo necessário. E acrescenta duas outras tomadas às quatro da conta inicial, posicionando essas duas ao lado daquela locada no ponto onde se sugere a estante. Assim,raciocina ele,atenderemos uma necessidade real do futuro morador,evitando o uso de benjamins.

Com isso,a conta das nossas tomadas passa então das 12 pré-historieta para 14,isto é, (1 ×600) + (13 ×100), totalizando 1900 VA. De qualquer forma,sendo esses os números,pouco importando duas tomadas a mais ou a menos,nenhum dos critérios até aqui mencionados — seja os da norma,seja o de evitar condutores de seção superior a 2,5 mm2em circuitos de tomadas de uso geral — impede a inclusão de todas elas num só circuito.

Mas aí entra o bom senso e um mínimo de preocupação com a comodidade do usuário,o que pede uma insta-

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© Copyright - Revista EletricidadeModerna Fig.2 – Os circuitos definidos para o apartamento-exemplo lação com certa flexibilidade. Assim,entre outros exemplos,supondo que o morador venha a usar,embora não de forma permanente,aquecedores de ambiente — o que é algo absolutamente comum em algumas regiões do país — é aconselhável então dividir as 14 tomadas relacionadas para o conjunto (banheiro,corredor,dormitórios e salas), em dois circuitos:um reunindo as tomadas do banheiro,do corredor e dos dormitórios; e outro ficando só com as tomadas da sala.

Assim,e finalmente,chegamos ao número de circuitos que o nosso apartamento-exemplo,sem luxo algum (seja do apartamento,seja da instalação elétrica),deveria ter. Ou seja, oito circuitos, assim discriminados: –o do chuveiro,

–o da máquina de lavar louça,

–o das tomadas do banheiro,corredor e dormitórios e

O resultado final está ilustrado e computado na figura 2. No caso do circuito de iluminação,as potências consideradas seguiram as recomendações mínimas da norma, dadas em 4.2.1.2.2: 1)em cada cômodo ou dependência com área igual ou inferior a 6 m2deve ser prevista uma carga de iluminação mínima de 100 VA; e 2)em cada cômodo ou dependência com área superior a 6 m2deve ser prevista uma carga de iluminação mínima de 100 VA para os primeiros 6 m2,acrescida de 60 VA para cada aumento de 4 m2inteiros.

Por outro lado,a única exigência da norma diretamenteassociada ao número de pontos de luzé que “em cada cômodo ou dependência deve ser previsto no mínimo um ponto de luz fixo no teto,com potência mínima de 100 VA, comandado por interruptor de parede.”

Como há os que preferem interpretar o mínimo como sendo o máximo,é importante ressaltar que não basta colocar apenas um “bico de luz”em cada local. Mesmo porque a NBR 5410 faz referência a normas de iluminação a serem atendidas. E frisa que as potências por ela indicadas, para iluminação,são para efeito de dimensionamento dos circuitos, não havendo assim,necessariamente,vinculação entre potência e ponto.

De qualquer forma,voltando ao nosso exemplo,o circuito de iluminação nele incluído prevê então: um ponto de luz,com 100 VA,na cozinha,na área de serviço,no corredor,na varanda e em cada dormitório; um ponto de luz com 100 VA e uma arandela com 60 VA no banheiro; e dois pontos de luz com 160 VA cada (atendendo a exigência 2acima) na sala.

Logo,são ao todo 10 pontos de luz,totalizando 1080 VA.

O quadro de distribuição

Na figura 2,com os resultados do exemplo,a tabela inclusa funciona também como um levantamento das necessidades mínimas que o quadro de distribuição deverá prover. Até porque os circuitos estão aí indicados em termos de número de pólos,que é a unidade básica para dimensionamento do quadro.

Foram previstos ainda nesse quadro,seguindo o que a norma dispõe: um dispositivo de proteção a corrente diferencial-residual (dispositivo DR),tetrapolar,funcionando como chave geral (presume-se aqui que na origem do circuito de distribuição que alimenta o quadro deverá haver um dispositivo de proteção contra sobrecorrentes,devidamente coordenado. Poder-se-ia,alternativamente,prever um disjuntor imediatamente a montante do dispositivo DR. Tudo isso são opções de projeto); espaço reserva (ver boxe) para três disjuntores,sendo dois monopolares e um bipolar.

Ao dimensionamento do quadro de distribuição,como aqui feito,segue-se sua especificação técnica.

A especificação técnica de um quadro de distribuição é a identificação minuciosa das diversas características que ele deve apresentar,em função das características do projeto e do local de instalação. É nesse momento que se “qualifica”o tipo de quadro de distribuição mais adequado para a instalação sendo projetada.

Nada a ver,portanto,com as “especificações”equivocadas que comumente se vêem — preguiçosas,incompletas e denotando ausência total de profissionalismo,

A correta especificação técnica de um quadro exige, além do atendimento ao mínimo que se espera de uma instalação elétrica — como aqui exposto,no exemplo de dimensionamento —,o exame de todos os demais parâmetros pertinentes à sua seleção e instalação. Aí,é função da norma de instalações (a NBR 5410) ditar as condições a serem preenchidas no exame desses parâmetros — por sua vez,fixados e disciplinados pela norma do produto.

O conhecimento desses parâmetros,ou características, é assim fundamental para que a seleção seja bem-sucedida. É do que trata o artigo seguinte.

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Os quadros de distribuição segundo a NBR 6808

Anorma NBR 6808:Conjuntos de Manobra e Controle de Baixa Tensão Montados em Fábrica - Especificação,apresenta as requisitos técnicos mínimos que um quadro elétrico deve satisfazer,bem como os ensaios correspondentes.

Como sugere a própria denominação utilizada (“conjuntos de manobra e controle”),a norma cobre um amplo universo de conjuntos BT,desde os menores quadros de distribuição até painéis de grande porte.

O que se segue é uma exposição dos requisitos da

NBR 6808 — mas centrada,em particular,nos aspectos mais relacionados com os quadros de distribuição prediais.

Tensão nominal

É o valor máximo de tensão que pode ser aplicado entre as barras (fases) do quadro,sem que ocorra arco ou fuga de corrente.

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