Propagação de plantas frutiferas

Propagação de plantas frutiferas

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Dormência química - Determinada por substâncias inibidoras da germinação, tais como fenóis, cumarinas e ácido abscísico; essas substâncias estão associadas ao fruto ou aos envoltórios da semente, como acontece nas sementes de cultivares precoces de pessegueiro.

Dormência morfológica

Embrião rudimentar - Quando o embrião é pouco mais do que um pró-embrião envolvido por um endosperma.

Embrião não-desenvolvido - Quando, na maturação do fruto, o embrião encontra-se parcialmente desenvolvido. Um crescimento posterior do embrião dar-se-á após a maturação e a senescência do fruto.

Dormência interna

Dormência fisiológica - É comum na maioria das plantas herbáceas. Ocorre devido a mecanismos internos de inibição e tende a desaparecer com o armazenamento a seco. Existem dois casos especiais de dormência fisiológica:

limite variável conforme a espécie

Dormência térmica - A germinação é inibida em temperaturas superiores a um

Fotodormência - Ocorre em espécies cujas sementes necessitam de escuridão para germinarem. Nesse caso, não há germinação na presença de luz. Dormência interna intermediária - É característica de coníferas e é induzida pela presença dos envoltórios, ou tecidos de armazenamento da semente.

normalmente, mesmo que separado da semente

Dormência do embrião - Ocorre quando o embrião é incapaz de germinar

Dormência do epicótilo - Ocorre quando a exigência do epicótilo, para germinação, é diferenciada do embrião em relação à temperatura ou fitohormônios.

Qualidade da semente A qualidade da semente pode ser expressa por dois parâmetros: viabilidade e vigor. A viabilidade é expressa pelo percentual de germinação, o qual indica o número de plantas produzidas por um dado número de sementes. O vigor é definido como sendo a soma de todos os atributos da semente, que favorecem o estabelecimento rápido e uniforme de uma população no campo.

Uma semente em senescência caracteriza-se por apresentar uma diminuição gradual do vigor e subseqüente perda da viabilidade.

Potencial de germinação da espécie

As sementes da maioria das plantas perenes apresentam dificuldade de germinação, requerendo a utilização de métodos de superação dá dormência. Na maioria das vezes, a diferença de potencial de germinação entre espécies e cultivares é devida à interação, entre os diversos fatores, que podem afetar a viabilidade da semente. Não somente a germinação é influenciada pelo fator genético, como também pelo vigor e pela longevidade.

Água

A água é necessária para ativação do metabolismo da semente no momento da germinação. O teor de água mínimo para germinação depende da espécie, variando entre 40% e 60%, com base no peso da semente ainda fresca.

Temperatura É o fator mais importante para a germinação, pois exerce influência nas reações metabólicas, afetando, também, o cresci mento das plântulas. Conforme a espécie, as temperaturas mínimas, ótimas e máximas são bastante variáveis, sendo que a temperatura ótima, para a maioria das sementes que não se encontram em repouso, varia de 25°C a 30°C. Temperaturas alternadas são geralmente mais favoráveis do que tem- peraturas constantes.

Gases Geralmente, o oxigênio favorece a germinação, por ativar o processo da respiração. Contudo, o CO2, em concentrações elevadas, pode impedir ou dificultar o desencadeamento desse processo.

Luz

O efeito da luz sobre a germinação das sementes é variável de espécie para espécie, ainda que sempre favoreça o crescimento das plântulas. A germinação das sementes da grande maioria das plantas cultivadas não é afetada pela luz. Contudo, sementes de muitas plantas daninhas apresentam exigências variáveis de luz, sendo algumas favorecidas e outras inibidas pela presença desta. A presença ou a ausência de luz só é efetiva após a embebição da semente e atua na remoção de um bloqueio no metabolismo do embrião.

Técnicas de propagação sexuada

Para o uso adequado da reprodução sexuada, alguns cuidados devem ser tomados, desde a escolha das plantas-matrizes até o manejo das mudas.

Escolha das plantas-matrizes

As plantas-matrizes são aquelas destinadas ao fornecimento de sementes. Para a escolha de uma planta-matriz, devem-se considerar alguns critérios, tais como vigor, sanidade, regularidade de produção, qualidade e quantidade dos frutos, idade e representatividade da espécie. Além disso, é necessário que se escolham plantas com fenótipo o mais próximo possível de um padrão desejado. Características relacionadas ao hábito de ramificação, taxa de crescimento, resistência a pragas e doenças, e comportamento fenológico são parâmetros importantes na seleção de uma planta-matriz. Tais parâmetros são de suma importância quando se quer obter uma população relativamente uniforme, com características adequadas. Para tanto, é recomendável que se mantenha um bloco de plantas-matrizes no qual sejam registradas informações sobre esses parâmetros.

No caso específico do pessegueiro, é desejável o uso de sementes provenientes de cultivares tardias ou de meia-estação, visto que as cultivares precoces apresentam menor período para o desenvolvimento do embrião. O uso de cultivares precoces, como matrizes, pode acarretar baixos percentuais de germinação, além da formação de plântulas anormais e com acentuada variação no porte.

Escolha dos frutos

A exemplo da escolha das plantas-matrizes, a escolha dos frutos também deve obedecer a alguns critérios, como sanidade e maturação. Como regra geral, os frutos atacados por doenças, pragas, ou caídos no chão devem ser descartados, a fim de se evitar uma possível contaminação das sementes. Os frutos também devem ter atingido a maturação fisiológica, de maneira que as sementes encontrem-se completamente desenvolvidas.

Extração das sementes

Geralmente, no momento da colheita, as sementes estão envoltas pelos frutos, que de acordo com suas características, são divididos em dois grandes grupos: secos e carnosos. Os frutos secos liberam as sementes por deiscência, ou por decomposição das paredes. Quando um fruto carnoso é formado por um ou mais carpelos, contendo uma ou mais sementes, como é o caso da uva, da maçã, da pêra, dos citros, do caqui, entre outros, é genericamente chamado de baga.

Quando um fruto é formado por um único carpelo, que contém no seu interior uma só semente, como o pêssego e a ameixa, é chamado de drupa.

Para extração das sementes de frutos carnosos, esses devem estar maduros, a fim de facilitar a separação da polpa e da semente. Deve-se tomar cuidado para não deixar restos de polpa aderidos à semente, porque uma vez decompostos e fermentados, podem provocar sérios danos ao poder germinativo.

Caroços com polpa aderida e mantidos amontoados podem ter. sua temperatura aumentada, em virtude da fermentação, a ponto de prejudicar a viabilidade do embrião, reduzindo o poder germinativo das sementes. Por sua vez, em algumas espécies, uma ligeira fermentação da polpa pode facilitar a retirada das sementes, como acontece com caroços de pêssego. o intervalo compreendido entre a coleta das sementes e a semeadura deve ser o menor possível, para permitir alto percentual de germinação. Entretanto, se necessário, o armazenamento dessas sementes pode ser feito em locais úmidos e com baixas temperaturas, para que haja a maturação fisiológica ou a superação da dormência. Essa prática é muito utilizada em caroços de pessegueiro e em sementes de macieira e de pereira.

Escolha das sementes

Entre outros fatores, devem-se considerar, principalmente, o tamanho e a sanidade das sementes. Dentro de uma espécie, geralmente sementes de maior tamanho apresentam maior quantidade de substâncias de reserva, com reflexos positivos no vigor da planta. Com relação à sanidade, sementes atacadas por pragas ou doenças podem ter a germinação comprometida, bem como a sanidade das plântulas.

Conservação das sementes

A finalidade da conservação das sementes é manter sua viabilidade pelo maior tempo possível, permitindo a semeadura na época mais adequada/ e garantindo a manutenção do germoplasma na forma de semente.

A viabilidade após o armazenamento é resultante dos seguintes fatores: Viabilidade inicial na colheita - Determinada por fatores de produção e métodos de manejo. No caso de sementes que não requerem superação de dormência, o armazenamento pode, no máximo, manter a qual idade das mesmas.

Taxa de deterioração das sementes - Também denominada de taxa de trocas fisiológicas ou envelhecimento. Essa taxa é determinada pelo potencial genético de conservação da espécie e pelas condições de armazenamento, principalmente temperatura e umidade.

A durabilidade da semente é bastante variável com a espécie. Podem ser encontradas espécies cujas sementes perdem rapidamente seu poder germinativo em condições naturais, como outras que mantêm o poder germinativo por longos períodos. As sementes de citros, armazenadas em condições normais, perdem rapidamente seu poder germinativo devido à desidratação dos tecidos. Sementes com embriões dormentes, como macieira, pereira e videira, possuem maior capacidade de conservação, mesmo em ambiente natural.

É conveniente lembrar que, quanto maior for o período de armazenamento da semente, maior será o consumo das substâncias de reserva, resultando assim numa redução do vigor do embrião. As características das sementes podem determinar seu potencial de conservação.

Sementes amiláceas geralmente apresentam maior longevidade do que sementes oleaginosas. Além disso, sementes com embriões dormentes e envoltório impermeável apresentam maior tempo de conservação. Em se tratando de condições ambientais, a relação umidade/temperatura é muito importante na redução da taxa de respiração. Para a maioria das espécies, ambientes com baixa umidade e baixas temperaturas oferecem condições adequadas para prolongar a conservação das sementes. Além disso, a modificação da atmosfera de armazenamento, especialmente na redução do teor de oxigênio, mostra-se favorável à manutenção do poder germinativo da semente.

No que se refere à umidade da semente, acima de 8% a 9% de umidade, insetos podem entrar em atividade; acima de 12 % a 14%, fungos podem tornar-se ativos; acima de 18% a 20%, pode ocorrer aquecimento devido à fermentação; e acima de 40% a 60%, ocorre germinação. Caso a semente seja tolerante à desidratação, é importante que seja mantida em baixa umidade.

As baixas temperaturas prolongam a vida das sementes, sendo que em temperaturas de 0° a 45°C, cada diminuição de 5°C duplica a vida de armazenamento dessas sementes.

Superação da dormência o tratamento para superação da dormência varia de acordo com o tipo de dormência que a semente apresenta.

Aumento da permeabilidade dos envoltórios

É utilizado quando a causa da dormência é a impermeabilidade do tegumento da semente. A escarificação é o método indicado para tornar os envoltórios da semente mais permeáveis à entrada de água e às trocas gasosas, bem como facilitar a emergência da radícula ou da plúmula, podendo ser feita por métodos físicos, químicos ou mecânicos.

Método físico - Consiste na imersão da semente em água quente, entre 6SOC e 8SoC, durante Sal O minutos. A temperatura elevada diminui a resistência dos envoltórios e facilita a germinação.

Método químico - Consiste no tratamento das sementes com hidróxido de sódio ou de potássio, formol e ácido clorídrico ou sulfúrico, geralmente por um período entre 10 minutos até 6 horas, conforme a espécie. Assim, os tegumentos são desgastados e a germinação é facilitada. É importante que sejam eliminados todos os resíduos de ácido que, aderidos à semente, podem prejudicar a germinação, o que pode ser feito por meio de lavagem em água corrente.

Método mecânico - Esse método consiste no uso de uma superfície abrasiva, agitação em areia ou pedra ou na quebra dos envoltórios, como no caso das sementes de pessegueiro, que podem ser extraídas quebrando se os caroços com um torno manual, conforme Fig. 1. Deve-se ter cuidado para que o embrião não seja danificado. As sementes escarificadas tornam se mais sensíveis ao ataque de patógenos.

Fig. 1. Extração de sementes de pessegueiro com o uso de torno manual.

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