projeto de intervenção

projeto de intervenção

Disciplina: Educação na Promoção da Saúde

Docente: Márcia Fernandes

Enfermagem, 6° Semestre, Matutino A

PROJETO DE INTERVENÇÃO DIDÁTICO

Violência sexual contra a criança e o adolescente

VIOLÊNCIA SEXUAL CONTRA A CRIANÇA NO ÂMBITO FAMILIAR

Discentes: Cecília Viana, Ivana Araujo, Jaciara Assunção, Jamile Barcelar, Juliana Abreu, Juliana Farias, Luiza Sueli, Nara Duarte, Núbia Alexandra, Patrícia Verbena, Sara Neves

Salvador/2009

1. Introdução

Segundo Azevedo & Guerra (2007), denomina-se a violência sexual doméstica como todo ato ou jogo sexual, relação hetero ou homossexual, entre um ou mais adultos e uma criança, tendo por finalidade estimular sexualmente esta criança, ou utilizá-la para obter uma estimulação sexual sobre sua pessoa ou de outra pessoa. Nesse caso entende-se que a criança é sempre a vítima e não poderá ser transformada em ré. A intenção do processo de Violência Sexual é sempre o prazer (direto ou indireto) do adulto, sendo que o mecanismo que possibilita a participação da criança é a repressão exercida pelo adulto, sendo que tal repressão tem raízes no padrão adultocêntrico de relações adulto-criança vigente em nossa sociedade. Na contemporaneidade, o abuso contra crianças é constatado diariamente nos noticiários e estudos científicos, devido a seu alto índice, estando diretamente relacionada às questões estruturais e interpessoais, em diferentes aspectos: social, econômico, cultural e psicológico. Segundo Lauro Monteiro médico pediatra e editor do observatório da infância, a enorme divulgação da decisão do arcebispo de Recife e Olinda de aplicar a lei da Igreja Católica e excomungar aqueles que participaram do aborto, legal pelas leis brasileiras, em uma menina de 9 anos vítima de estupro pelo padrasto, só trouxe um grande benefício: Mostrar ao Brasil uma realidade, que é o abuso sexual na família. Longe de se constituir em exceção, a violência sexual contra a menina pernambucana de 9 anos e sua irmã de 14 anos pelo padrasto, é um exemplo trágico de uma prática freqüente, que não aparece nas estatísticas e que segue silenciosa, destruindo a infância de muitas crianças e o pior é que suas conseqüências, não se restringem a uma gravidez de alto risco, mas a uma gama enorme de repercussões na vida da vítima. A violência sexual causa seqüelas imensuráveis, principalmente quando a agressão se dá pelo próprio responsável. Diante dessa realidade como docentes de Enfermagem o nosso principal compromisso é de promover a saúde e quem melhor para proteger, e resguardar nossas crianças do que suas próprias mães? Por sua vez, como estas mães se atentarão a indícios dessa violência? Sem sobras de duvidas com a informação.

2. Justificativa

O título em questão foi escolhido por ser um assunto de bastante relevância no que diz respeito á percepção da mãe em atentar-se para possíveis abusos de cunho sexual. Todo o projeto foi voltado para o pleno esclarecimento dessas tutoras que por razões questionáveis ou não ficam inertes ao perigo iminente que seus filhos correm muitas vezes dentro de suas próprias residências. O real paradoxo dessa questão é que o lar doméstico onde normalmente as crianças estão inseridas deveria ser um meio de as mesmas estarem sendo protegidas e não expostas a esse risco. Então surge a dúvida, será que esses índices realmente estão aumentando ou só agora foram descobertos? Seja como for, o importante é que tanto as famílias como a sociedade unam-se para diminuir as estatísticas existentes. O trabalho foi realizado no centro Comunitário do bairro Santa Clara, onde residem famílias de classe média baixa, com baixa escolaridade. Mães que precisam trabalhar fora para o sustento da família, e a desinformação são fatores que por si só contribuem para a ocorrência de casos de abuso contra essas crianças sendo esta a realidade das moradoras do bairro de Santa Clara. O intuito é de dar esclarecimento e alertar as mães destas famílias com crianças entre 4 á 9 anos de idade por ser uma fase de formação física e emocional, onde esse tipo de agressão pode trazer conseqüências irreversíveis na vida adulta dessas crianças.

2.1 Objetivos

O presente trabalho teve por finalidade analisar a violência sexual que ocorre no âmbito privado da família ou, mais especificamente, aquela perpetrada pelos pais e/ou padrastos contra a criança. O objetivo geralda intervenção visa reduzir os índices de violência sexual contra as crianças dessa comunidade de Santa Clara.

Já os objetivos específicos visam sanar ou diminuir as conseqüências físicas, psicológicas, estruturais, educacionais e culturais existentes. São eles:

  • Reduzir ou evitar traumas psicológicos futuros.

  • Diminuir a evasão e o baixo aproveitamento escolar.

  • Permitir que a criança tenha uma infância sadia.

  • Fortalecer os valores éticos, morais e familiares.

  • Orientar os pais quanto aos sinais e sintomas do abuso.

  • Conscientizar a população quanto à existência de órgãos específicos de apoio a criança violentada.

2.2 Quem são os Sujeitos Envolvidos

Os sujeitos dessa intervenção, portanto são, além da própria criança e sua família, em especial as mães, a sociedade, profissionais de saúde, o líder comunitário e os agentes de saúde. O centro comunitário do bairro tem cadastrado todas as famílias moradoras do bairro, onde selecionamos as famílias dentro da faixa etária escolhida, e constatamos que haviam 300 famílias no bairro e destas 300, haviam 148 famílias com crianças na faixa etária de 4 á 9 anos de idade. Como o espaço físico do centro tem um salão com capacidade para 100 lugares, dividimos então a ação em duas fases, onde seriam convidadas 72 famílias em cada intervenção.

2.4 Conteúdos a serem abordados

  • A evolução da mulher na sociedade ,

  • A estrutura familiar atual ,

  • Vínculo afetivo mãe e filho,

  • Abordagem do convívio dessas crianças extra-familiar ,

  • Inversão de valores (promiscuidade) ,

  • O incentivo e o despertar ao amadurecimento precoce destas crianças com estímulo da libido delas e de terceiros,

  • Identificação de sinais e sintomas do abuso sexual,

  • Prevenção

  • Conseqüências para as crianças.

  • Como acionar os órgãos competentes para proteção dessas crianças e denuncia aos acusados.

2.3 Metodologia

Foram distribuídos previamente os convites para as famílias; Nós, estudantes de Enfermagem e os agentes comunitários que apresentava o seguinte tema: Relação mãe e filho; Mães vocês sabem o que está acontecendo com seus filhos? Além disso, foram ressaltados no convite impresso o horário e o local , brindes, lanches bem como toda a programação do evento. A Forma de apresentação escolhida foi por meio de um Vídeo educativo, onde seria apresentado os seguintes temas: A evolução da mulher na sociedade, A estrutura familiar atual, vínculo afetivo mãe e filho seguido de três depoimentos. A metodologia utilizada privilegiou a abordagem qualitativa, enriquecida com informações obtidas através de jogo dinâmico de perguntas e respostas sobre o vídeo, entrevistas e levantamentos estatísticos, registrados na DCECA, (Delegacia de Combate à Exploração Contra a Criança e o Adolescente), no ano 2001, esclarecimentos de dúvidas, (anônimas ou não), Fluxo de imagens, Entrega de panfleto explicativo, Sorteio de brindes e o Lanche. Após a escolha do público alvo, foi definido que a abordagem seria feita através da apresentação de um vídeo educativo sobre o tema “Abuso Sexual contra a criança no âmbito familiar” onde seria abordado como acontece esse abuso, sinais e sintomas, e a definição do tema propriamente dito. Para a plena percepção do que essas mães sabem a respeito do assunto faremos uma dinâmica com perguntas e respostas no entanto, visando estimula-lás a participarem iremos ofertar gratifições de brindes, em seguida será realizado uma dinâmica com um jogo de perguntas e respostas, onde dentro de uma caixa os organizadores iram colocar 15 perguntas sobre o tema, e um dos seus componentes iram no (caso as mães participantes), iram uma por vez retirar uma pergunta a qual será explanada, para que as mães respondam, e para mediar esse “bate papo” o apresentador fará perguntas de reflexão a todas as envolvidas, promovendo uma interação com ambas as partes.

Logo que as mães chegam ao centro lhes foram entregues uma caneta com um número preso a uma etiqueta para sorteio de brindes no final da intervenção, junto foram entregues tiras de papel para quem não quiser se identificar colocando as perguntas em uma urna própria.

Em seguida a caixa que contem as perguntas que foram colocadas pelas mães durante a apresentação do vídeo explicativo, serão respondidas progressivamente. Por fim, apresenta-se um vídeo com duração de 5 minutos, com fluxos de imagens relacionadas ao tema, onde conterão imagens de famílias unida, á brigas familiares, mães trabalhando fora, crianças sendo abusadas sexualmente, a mudança no comportamento da criança (hostilidade /apatia), O déficit escolar da criança, fotos de crianças com seqüelas físicas, e por fim foto desta criança quando adulta transtornada e doente emocionalmente. Ocorrerá a distribuição de panfletos, explicativos quanto ao assunto e no final com o número e endereço de como e onde denunciar o agressor. Logo após, será realizado o sorteio para as mães de brindes que foram doados por patrocinadores conseguidos pela equipe organizadora da intervenção seguido de agradecimentos pelo comparecimento das mães e o lanche.

2.4 Plano de ação/ Meta

O plano de ação consiste na realização de três ações educativas num período de 4 horas/cada intervenção visando atingir as 142 famílias (mães) da comunidade. O procedimento iniciou-se com a abordagem do resgate histórico da família. Foi passado uma lista de presença no intuito de verificar ou computar a assistência na conclusão do projeto. Posteriormente, fez-se referencia à violência como expressão de poder, destacando-se o incesto e o abuso incestuoso, bem como a legislação pertinente ao assunto em questão.

Procurou-se, assim, compreender as conseqüências dessa violência no interior da família, por meio de perguntas já pré estabelecidas colocamos de uma maneira racional a banalização do crime; a repetição do ato e a idealização da família. De acordo com pesquisas, concluiu-se que a violência sexual doméstica infanto-juvenil, tem a figura do pai e/ou padrasto como principal agressor. Ainda no que concerne à transgressão legal e moral desse ato, verificou-se que muitas mães omissas procuram recompor as antigas relações familiares dentro dos moldes do que se denomina família conjugal moderna, e que as mães de crianças desconfiadas da violência procuram inúmeras razões para continuarem letárgicas ao conhecimento do fato.

2.5 Resultados Esperados

Esperamos que haja um esclarecimento e conscientização dessas mães sobre o abuso sexual e suas conseqüências na vida de seus filhos, e que as mães sintam-se comprometidas a desempenharem seu papel de cuidadora e facilitadora de ações pertinentes ao ato de incriminar o réu, tendo a consciência sobre uma vida de promiscuidade. Após a realização das duas intervenções, a equipe organizadora, fará uma reunião para avaliar se alcançou seus objetivos iniciais, ou seja, obter um bom percentual de presença das mães. Como foram duas intervenções cada uma com 72 mães, deverão ser avaliada as listas de presença para realizar uma posterior intervenção, caso não seja satisfatória (cerca de 80%) de presença, o ideal é verificar quais as mães que não compareceram para analisar a próxima intervenção.

2.6 Recursos

Recursos Materiais

* Convites (148 famílias),

* Lista de presença das mães em cada intervenção,

* Sala com ventiladores de teto (6) com capacidade para 100 pessoas,

* TV, vídeo, microfone, caixas de som,

* Brindes a todas as mães: canetas enumeradas e tiras de papel

(148 unidades),

* Outros brindes (patrocínio):

1- Kit com shampoo + condicionador + pente + batom (10 unidades)

2- Cestas básicas (6 unidades)

3- Kit banho: toalha banho + toalha de rosto (10 unidades)

Recursos Humanos

Professora Márcia

Estudantes de enfermagem

3.0 Conclusão

A Prática do abuso sexual dentro de casa deve ser vista como uma expressão do ataque à proteção, enquanto necessidade da própria condição de dependência, principalmente, da criança. Seguindo o desenho da figura humana, a primeira representação gráfica que o ser humano realiza, a casa é o segundo desenho da criança, o círculo do "rosto-corpo" ganha linhas retas que guardam por algum tempo as mesmas características do rosto na "porta-boca" e nas "janelas-olhos". Simboliza, mais do que um rosto, o corpo da mãe, protetor e provedor de tudo para ela (GUERRA, 1985). E é, exatamente, esta casa plena de significado assegurador que abriga a cena do abuso sexual, abortando assim esta expectativa básica de segurança. Este é um dano psicológico de dimensões imensas e duráveis: a perda permanente do sossego que é fruto da proteção. Assim, o par "abusador-omissa", formado pelas duas figuras mais importantes ou substitutos próximos, cometem em cumplicidade o crime do abuso sexual, derrubando juntos os alicerces do caráter da criança. Comumente as vítimas abusadas estão aterrorizadas, confusas e muito temerosas de contar sobre o incidente. Com freqüência elas permanecem silenciosas e a omissão acontece por não desejarem prejudicar o abusador ou provocar uma desagregação familiar ou por receio de serem consideradas culpadas ou castigadas. Crianças maiores podem sentir-se envergonhadas com o incidente, principalmente se o abusador é alguém da família.

Com isso, a omissão e o medo de enfrentar o problema são os maiores aliados de quem vive o problema do abuso sexual de crianças e adolescentes, seja por parte da vítima ou de quem convive com ela, ou seja, a mãe. Pois, a denúncia do agressor que na maioria das vezes é o pai ou padrasto não acontece pelo medo das conseqüências que essa denuncia pode causar.

4.0 Referências

http://www.scribd.com/doc/8766308/Projeto-de-Intervencao-Mostra-Curta-Que-e-Cultura. Acesso em 22/05/09 ás 22:00

http://www.psicologiavirtual.com.br/psicologia/principal/conteudo.asp?id=3919 Acesso em 22/05/09 ás 22:00.

AGUIAR, Wanda M. Junqueira; BOCK, Ana M. B.; OZELLA, Sergio. A orientação profissional com adolescentes: um exemplo da prática na abordagem  sócio-histórica. In Psicologia sócio-histórica (uma perspectiva crítica em psicologia). São Paulo: Cortez, 2001

FALEIROS, Eva T. Silveira. Repensando os conceitos de violência, abuso e exploração sexual de crianças e de adolescentes. Brasília: Thesaurus, 2000.

FURNISS, T. Abuso sexual da criança: Uma abordagem multidisciplinar. (M.A.V. Veronese, Trad.) Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.

MORALES, A.E.; Schramm, F.R. - A moralidade do abuso sexual intrafamiliar em menores. Ciência & Saúde Coletiva 7 (2): 265-273, 2002.

PAIVA, R.M. - A dimensão de gênero na violência doméstica contra a infância, 2000. Disponível em <http://www.cfch.ufrj.br/jor_p4/Relacge2/dimegene.htm>.   Acesso 18 de julho de 2007.

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