Tratamento fisioterapêutico em paciente com osteoartrose: estudo de caso

Tratamento fisioterapêutico em paciente com osteoartrose: estudo de caso

TRATAMENTO FISIOTERAPÊUTICO EM PACIENTE COM OSTEOARTROSE: ESTUDO DE CASO.

AMARAL, D. M.1; CERDEIRA, F. A.1

VIDOTTO, J. J.2

Resumo: A osteoartrose (AO) é a doença degenerativa crônica das articulações, com exacerbações da inflamação aguda. O objetivo desse estudo de caso foi descrever o caso clínico de uma paciente com osteoartrose, bem como estabelecer os objetivos e condutas adequadas ao êxito do tratamento. Este relato aborda de forma concisa a patologia, seus sinais e sintomas, etiologia e tratamentos, enfatizando a abordagem fisioterapêutica como forma de tratamento de eleição. O estudo foi baseado em uma paciente que procurou o serviço de fisioterapia na Clínica Integrada de Atenção Básica a Saúde (CIABS), localizada em Biguaçu (SC), devido à indicação médica. No tratamento fisioterapêutico foi realizada 29 (vinte e nove) sessões, incluindo a avaliação, onde destas a paciente compareceu em 25 (vinte e cinco) sessões. Cada sessão teve duração de 50 minutos, onde a mesma foi submetida às técnicas fisioterapêuticas como utilização de manipulações/mobilizações escapulares e articulares, alongamento passivo e/ou ativo-assistido, exercícios isométricos e isotônicos para fortalecimento e resistência muscular, exercícios ativo-resistidos, exercícios ativo-assistidos com bastão, eletroterapia -ultrassom. A paciente evoluiu de forma positiva, apresentando redução de edema, aumento da amplitude de movimento, ganho de força muscular, melhora ao realizar as atividades de vida diária, consequentemente melhorando a qualidade de vida, o que nos salienta a importância do tratamento fisioterapêutico tornando-se indispensáveis para estes pacientes.

Palavras-chave: osteoartrose, reumatologia, fisioterapia.

Introdução

A Osteoartrose (OA) é uma doença degenerativa que atinge as articulações sinoviais e caracteriza-se por apresentar alterações na cartilagem articular, dando origem a zonas de fibrilação e fissuração, sendo observados também microfraturas, cistos, esclerose subcondrais _________________________________

Acadêmicas do 7ª período do Curso de Fisioterapia da Universidade do Vale do Itajaí - UNIVALI.

2 Professora da disciplina de Reumatologia do Curso de Fisioterapia da Universidade do vale do Itajaí - UNIVALI.

e formação de osteófitos nas bordas articulares11. A osteoartrose é um distúrbio músculoesquelético progressivo e lento que tipicamente afeta as articulações das mãos, da coluna e articulações que suportam maior carga (quadril, joelho) nas extremidades inferiores. É o distúrbio articular mais comum e a principal causa de incapacidade entre os idosos14.

É a doença reumática mais prevalente, afetando cerca de 10% da população dos países ocidentais. Representa uma das principais queixas da consulta médica e é responsável por um número exorbitante de absenteísmo e aposentadorias por invalidez2.

Homens e mulheres são igualmente afetados, embora no homem a maior prevalência seja antes dos 45 anos e, nas mulheres, depois dos 45 anos12. O padrão de distribuição articular é diferente entre homens e mulheres. Nos homens, a ordem das articulações afetadas é quadril (mais comum), joelho, coluna vertebral, tornozelo, ombro, dedos. Nas mulheres, a ordem é o joelho, dedos, coluna vertebral, quadril, tornozelo e ombros13.

De acordo com West (2001) a osteoartrose pode ser classificada em primária (idiopática) e secundária. A OA primária localizada em mãos (nódulos de Heberden e Bouchard, primeira CMC), mãos (erosiva, inflamatória), pés (primeira MTF), quadril, joelho, coluna; de maneira generalizada como síndrome de Kellgren.

A OA secundária caracteriza-se por: trauma, luxação, infecção, deformidade, obesidade, hemofilia, acromegalia, hipertireoidismo13.

A etiologia da OA não é bem conhecida, mas está relacionada com cargas excessivas e microtraumas repetitivos associados a tarefas ocupacionais, além de fatores hereditários, metabólicos e endócrinos que sugerem a participação do estrógeno na desordem10. Além disso, outros fatores influenciam como o sobrepeso, notoriamente em articulações de suporte de peso (joelho, quadril), provocando na patologia estabelecida dor articular protocinética (que exacerba no início do movimento), diminuição da força muscular, incapacidade funcional, alterações proprioceptivas e em fase mais avançada, deformidades11. Clinicamente, os pacientes também apresentarão rigidez matinal de curta duração, crepitação que pode ser palpável ou até mesmo audível com a mobilização da articulação envolvida, diminuição ou perda da função articular, além de hipotrofia muscular e sintomas irradiados ou referidos, como ocorrem nos casos de osteoartrose da coluna2.

A dor geralmente ocorre devido a cargas compressivas ou à atividade excessiva da articulação envolvida e é aliviada com o repouso. Nos estágios avançados da doença, a dor costuma achar-se presente no repouso. Esta dor deve-se provavelmente ao envolvimento secundário do osso subcondral, da sinóvia e da cápsula articular, sendo que na coluna poderá haver dor radicular se houver um crescimento ósseo invadindo o espaço da raiz nervosa8.

O exame físico revela sensibilidade local, aumento de partes moles ou hipertrofia óssea. Crepitação é o achado característico. A palpação pode demonstrar aumento de temperatura local. Desuso por dor pode ser causa de atrofia muscular periarticular. Em casos avançados, deformidades grosseiras, hipertrofia óssea, subluxação e perda da mobilidade articular podem dominar o quadro12.

A patologia desta afecção envolve alterações específicas na cartilagem articular e no osso subcondral. A cartilagem osteoartrósica sofre degradação com surgimento de fibrilações e erosões, redução progressiva da sua espessura até o seu desaparecimento; o osso subcondral passa a receber maior impacto mecânico devido à redução do amortecimento da cartilagem, reagindo com intensa remodelação, tornando-se mais denso, prolongando-se nas bordas da superfície articular e formando as exostoses marginais, denominadas osteófitos. No estágio final da doença, também chamado eburneação óssea, o osso articular pode ficar completamente desnudado e sua superfície se torna lisa e brilhante4.

Conforme Kisner (2005) com a progressão da doença, o remodelamento ósseo, o edema e as contraturas alteram a transmissão de forças através da articulação, o que perpetua ainda mais as forças deformantes e cria deformidade articular.

Até hoje não se conhece nenhum procedimento capaz de recuperar a lesão já instalada. Por isso, o objetivo desse tratamento é minimizar a progressão das lesões, controlar a dor, melhorar e prevenir limitações e deformidades articulares, o estilo e a qualidade de vida do paciente5. Dentre as alternativas terapêuticas, pode-se mencionar as medicamentosas, as conservadoras e a cirúrgica4.

O tratamento medicamentoso envolve fármacos sintomáticos de ação rápida, como os analgésicos e antiinflamatórios não hormonais, fármacos de ação lenta, além de terapêutica local intra-articular2.

O tratamento conservador inclui educação do paciente, perda de peso, fisioterapia, programas de condicionamento físico e uso de órteses, que pode estar associado ou não ao tratamento medicamentoso4.

A fisioterapia tem papel importante no que diz respeito à melhora dos sintomas e restauração da função10. Especialmente no que se refere à dependência, posto que será fundamental que o paciente crônico seja, dentro de suas possibilidades, independente tanto do ponto de vista funcional como psíquico6. Assim, sua proposta deve seguir vários objetivos, tais como: o alívio da dor, a prevenção da perda de trofismo, força muscular e redução de amplitude de movimento. Além disso, outros benefícios, como a melhora da capacidade funcional e da qualidade de vida podem ser alcançados por meio da execução de um adequado programa terapêutico4.

O tratamento cirúrgico muitas vezes pode tornar-se necessário, em razão do processo de cronicidade, do aumento da dor e da limitação funcional do paciente5.

Este relato tem como objetivo descrever o caso clínico de uma paciente com osteoartrose, bem como estabelecer os objetivos e condutas adequadas ao êxito do tratamento.

Dados do caso e intervenção clínica

Este estudo foi realizado na Clínica Integrada de Atenção Básica à Saúde (CIABS), na Cidade de Biguaçu. No dia vinte e seis de março de dois mil e nove (26/03/2009), foi realizado a avaliação fisioterapêutica com paciente B. G. H., 66 anos, sexo feminino, caucasiana, viúva, natural de Antonio Carlos, procedente da cidade de Biguaçu. Exerceu até os 30 anos trabalhos rurais, em seguida, trabalhou 7 anos e meio numa indústria onde cortava papelão, grampeava e limpava tampos de mesa, entre outros, e também lavava roupa para fora. Durante a avaliação foram colhidos os dados de identificação da paciente, bem como telefone para contato, histórico escolar, dados clínicos, médico responsável e sua especialidade. Foi aferida sua pressão arterial (PA) através do esfignomanômetro e do estetoscópio. Em seguida foi realizado a anamnese, onde foi coletada a história da doença pregressa, história da doença atual, a queixa principal da paciente, seu histórico familiar e social, assim como também foram analisados seus exames complementares.

Logo após, foi realizado a avaliação da dor, utilizando uma escala analítica de 0-10 (onde 0 refere à ausência da dor, e 10 dor de intensidade insuportável), observou-se o local e o tipo da dor. Posteriormente deu-se início ao exame físico, sendo realizado uma inspeção observando coloração da pele, presença de cicatrizes e feridas, deformidades ósseas e/ou cutâneas, simetria e marcha; inspeção das AVD’s; palpação, observando temperatura, presença de nódulos, dor, edema, crepitação, integridade da circulação e tônus muscular; se a paciente possui a sensibilidade preservada; perimetria, com utilização da fita métrica; avaliação postural, com o paciente em posição ortostática, com vista anterior, perfil e posterior; goniometria, verificando-se a amplitude de movimento (ADM) através do goniômetro (Carci) e prova de função muscular (conforme a escala de graduação de Kendall, de 0-5).

Ao término da avaliação, foram estabelecidos os diagnósticos fisioterapêuticos, bem como os objetivos para o tratamento e seu respectivo plano de tratamento fisioterapêutico, correspondente aos dados coletados em toda avaliação.

Resultados e discussão

No dia vinte e seis de março de dois mil e nove (26/03/2009), deu-se início a avaliação fisioterapêutica aferindo a PA inicial da paciente, 170/90mmHg, e, em seguida foi realizada a anamnese. Na história da doença pregressa a paciente relatou que, há mais de 10 anos, já realizou cirurgia para varizes, retirada da vesícula, períneo para suspender a bexiga. Há 12 anos vem apresentando câncer de pele, onde já realizou várias pequenas cirurgias no pescoço, rosto, membros superiores e nas costas. Paciente hipertensa, hipercolesterolêmica, depressiva, apresenta osteoporose e esporão de calcâneo bilateral.

Na história da doença atual a paciente descreve muita dor em cervical, ombro e membro superior esquerdo. Procurou atendimento em uma clínica médica onde prescreveram um medicamento para alívio da dor. Também refere dor em membro inferior direito, com ênfase em quadril e joelho.

Na avaliação da dor, a paciente referiu, de acordo com a escala visual analítica, grau 8 em membro superior esquerdo.

No exame físico, durante a inspeção apresentou-se em bom estado geral de saúde; pele seca; presença de cicatriz abdominal discreta, com boa cicatrização, vertical, no lado direito à cicatriz umbilical; presença de edema em membro superior esquerdo. No que se refere às atividades de vida diária (AVDs), a paciente tem dificuldade em realizar as atividades de casa em geral devido à dor em membro superior esquerdo como, por exemplo, lavar a louça e varrer a casa.

Quanto à palpação a paciente é eutônica; apresenta edema sem cacifo em membros superiores (com ênfase em membro superior esquerdo); contratura muscular em trapézio; dor à palpação na articulação do ombro; presença de crepitação na articulação femuro-patelar; possui varizes em toda extensão dos membros inferiores; patelas com pouca mobilidade, principalmente no lado direito.

Na avaliação postural a paciente apresentou em vista anterior: cabeça inclinada à direita e rodada à esquerda, ombro esquerdo levemente elevado, antebraço pronado, triângulo de Talles esquerdo aumentado, espinha ilíaca ântero-superior esquerda elevada, joelho hiperextendido, joelho direito em rotação interna e esquerdo neutro, tíbia vara, pés supinos. Em vista posterior pode-se notar: cervical retificada, ombro esquerdo levemente elevado, hipercifose torácica, hiperlordose lombar, espinha ilíaca póstero-superior esquerda elevada, anteroversão pélvica, sacro verticalizado, joelhos hiperextendidos. Em vista lateral pode-se confirmar: Cabeça anteriorizada, Cervical retificada, hipercifose torácica, hiperlordose lombar desde lombar alta, anteroversão pélvica, sacro verticalizado, joelhos hiperextendidos.

Na avaliação goniométrica, a paciente apresentou uma redução considerável do grau de amplitude de movimento principalmente em membro superior esquerdo e membro inferior direito (conforme tabela 1). Marques (1997) descreve a goniometria como um método de avaliação para medir os ângulos articulares do corpo. As medidas goniométricas são usadas pelo fisioterapeuta para quantificar a limitação dos ângulos articulares, decidir a intervenção terapêutica mais apropriada e, ainda, documentar a eficácia desta intervenção.

Tabela 1:

ARTICULAÇÃO

MOVIMENTO

DIREITA

ESQUERDA

Ombro

Flexão ativa

150°

122º

Ombro

Flexão passiva

174°

162º

Ombro

Extensão ativa

45º

38º c/ dor

Ombro

Extensão passiva

45º

45º c/ dor

Ombro

Abdução ativa

176°

114°

Ombro

Abdução passiva

180°

134° c/ dor

Ombro

Adução ativa

32°

30°

Ombro

Adução passiva

45°

45°

Quadril

Flexão ativa

96°

98°

Quadril

Flexão passiva

112°

120°

Quadril

Extensão ativa

Quadril

Extensão passiva

16°

Quadril

Abdução ativa

13°

18°

Quadril

Abdução passiva

24°

30°

Quadril

Adução ativa

16°

20°

Quadril

Adução passiva

20°

20°

Joelho

Flexão ativa

108°

114°

Joelho

Flexão passiva

128° c/ dor

129° c/ dor

Na avaliação da força muscular, segundo Kendall (2007), apresentou: em membro superior esquerdo, grau 4 para flexores e extensores do cotovelo, adutores e abdutores do ombro, grau 4 com dor para flexores e extensores do ombro; em membro superior direito apresentou grau 5 para flexores e extensores do cotovelo, flexores, extensores, abdutores, adutores do ombro; grau 4 com dor para flexão de quadril bilateral, grau 3 para o lado direto ao realizar extensão do quadril e grau 4 para o lado esquerdo, grau 4 com dor para flexores de joelho direito, grau 5 para flexores de joelho esquerdo e extensores de joelho bilateral.

Tendo como referência o olecrano da ulna, realizou-se uma perimetria em 13 pontos distintos, sendo delimitados a cada cinco centímetros. Foi mensurado bilateralmente, de modo que possam ser comparadas as medidas obtidas. De acordo com a tabela 2, pode-se notar que os pontos cujo havia maior diferença foram a 25 e 30 cm infra-referência, diferença de 1,8cm e, a 10 cm, 15 cm e 20 cm infra-referência, tendo como diferença 2,0cm, 2,1cm e 2,5cm, respectivamente, devido edema na região.

Tabela 2:

Ponto de referência (PR) = olécrano.

INFRA-REFERÊNCIA

PR

SUPRA-REFERÊNCIA

Cm

35

30

25

20

15

10

5

PR

5

10

15

20

25

E

20

21,3

19,2

23,4

25,9

27,8

30,4

29,4

33,3

36,4

38,5

40

38,8

D

20,4

19,5

20

22,7

25,2

27,4

29

29

31,5

34,4

36,4

37,5

37,2

#

0,4

1,8

1,2

0,7

0,7

0,4

1,4

0,4

1,8

2,0

2,1

2,5

1,6

Tendo como referência a linha média patelar, realizou-se uma perimetria em 13 pontos distintos, sendo delimitados a cada cinco centímetros. Foi mensurado bilateralmente, de modo que possam ser comparadas as medidas obtidas. De acordo com a tabela 3, pode-se notar que os pontos cujo havia maior diferença foram a 25 e 30 cm infra-referência, diferença de 3,0 cm e 2,6 cm respectivamente, e, a 10 cm supra-referência, tendo como diferença 1,3cm.

Tabela 3:

Ponto de referência (PR) = linha média patelar.

INFRA-REFERÊNCIA

PR

SUPRA-REFERÊNCIA

Cm

40

35

30

25

20

15

10

5

PR

5

10

15

20

E

28,7

25,1

25,8

29,7

35,7

39,6

42,4

42,5

46

49

51,8

55,6

56,2

D

28,4

22,5

23,2

26,7

33,7

38,2

43

42,1

45

48,8

50,5

54,5

57,4

#

0,3

2,6

2,6

3,0

2,0

1,4

0,6

0,4

1,0

0,2

1,3

1,1

1,2

Após realizada a avaliação fisioterapêutica obteve-se os seguintes diagnósticos: dor em membro superior esquerdo e membro inferior direito; dificuldade em realizar AVDs com membro superior esquerdo; edema sem cacifo em membros superiores, com ênfase no esquerdo; contratura muscular em trapézio; hipomobilidade patelar, com ênfase em patela direita; diminuição da ADM nas articulações do ombro (com ênfase em membros superiores), do quadril e joelho (com ênfase em membro inferior direito); diminuição da força muscular em membro superior esquerdo, e membros inferiores; alterações posturais.

Baseado nos diagnósticos, foram traçados os seguintes objetivos: reduzir quadro álgico; reduzir edema em membros superiores; melhorar mobilidade articular (em ombro esquerdo, quadril e joelho direito); ganhar ADM nas articulações do ombro, quadril e joelho; promover relaxamento muscular (ênfase em trapézio); ganhar força e resistência muscular em membro superior esquerdo e membros inferiores; readequar curvaturas fisiológicas da coluna; estimular propriocepção e consciência corporal; evitar instalação de deformidades.

Para alcançar tais objetivos, foram realizadas as condutas descritas a seguir.

Manipulações e mobilizações escapulares e articulares. A mobilização articular refere-se às técnicas de fisioterapia manual usadas para modular a dor e tratar disfunções articulares que limitam a amplitude de movimento, abordando especificamente a mecânica da articulação que está alterada8. Tais exercícios promovem o movimento ideal, sem dor, mantendo a extensibilidade da articulação e outras estruturas periarticulares ou aumentando a extensibilidade quando há restrições periarticulares. O movimento articular proporciona um mecanismo para a circulação do fluido sinovial na articulação normal, nutrindo assim as superfícies articulares; a manipulação também diminui a dor na articulação pela estimulação dos receptores articulares3. Marques (1997) descreve que manter a mobilidade articular é muito importante para os pacientes com artrose, pois a perda de amplitude de movimento causa encurtamento, contratura em músculos e estruturas capsulares, podendo dificultar a funcionalidade.

Alongamento passivo e/ou ativo-assistido de flexores/extensores de punho cotovelo e ombro, pronadores e supinadores do antebraço, adutores e abdutores do ombro, tríceps sural, isquiotibiais, piriforme, glúteo, quadrado lombar, paravertebrais, quadríceps, iliopsoas, adutores e abdutores de MMII.

Alongamento é o termo utilizado para descrever qualquer manobra fisioterapêutica elaborada para aumentar a mobilidade dos tecidos moles e subsequentemente melhorar a amplitude de movimento por meio do alongamento (aumento do comprimento) de estruturas que tiveram encurtamento adaptativo e tornaram-se hipomóveis com o tempo. Esta hipomobilidade pode ser causada, entre outros fatores, pela imobilização prolongada de um segmento do corpo e trauma dos tecidos resultando em inflamação e dor8. A força do alongamento deve ser controlada em casos de inflamação, pois esta diminui a força tênsil do músculo em 50%10.

Exercícios isométricos e isotônicos para fortalecimento e resistência muscular. Os exercícios isométricos são recomendados inicialmente, por ser bem tolerados pelos pacientes e por ser mínima a probabilidade de causar inflamação, principalmente se realizados em ângulos articulares que causam menos dor. Além disso, a elevação da pressão intra-articular, através desse tipo de exercício, é pequena, e a destruição do osso subcondral também é mínima em relação a outros tipos de exercícios. Já os exercícios isotônicos podem ser utilizados em seguida, quando a dor e a inflamação forem controladas, pois estes são superiores aos exercícios isométricos em relação ao ganho de força, endurance, capacidade aeróbica e habilidade funcional10. Os exercícios isotônicos demandam movimento articular, sendo mais efetivos na aquisição de massa muscular e melhora da resistência2. Os exercícios concêntricos e excêntricos são componentes fundamentais de um programa de treinamento resistido elaborado para aumentar a força, a potência ou a resistência muscular à fadiga para habilidades funcionais necessárias8.

Exercícios ativo-resistidos. Segundo Kisner (2005), exercícios ativo-resistidos é qualquer forma de exercício ativo no qual uma contração muscular dinâmica ou estática é resistida por uma força externa, aplicada manual ou mecanicamente. É um elemento essencial do programa de reabilitação para quem deseja promover ou manter a saúde e bem-estar físico, favorecer potencialmente o desempenho de habilidades motoras e prevenir ou reduzir o risco de lesão e doenças.

Exercícios ativo-assistidos com bastão, realizando flexão do ombro e retorno do movimento, para ganho de ADM na articulação do ombro. Exercícios com bastão são utilizados quando o paciente controla voluntariamente os músculos do membro superior envolvido, mas precisa de direcionamento ou motivação para completar as amplitudes de movimento do ombro ou no cotovelo, proporcionando uma assistência8.

Eletroterapia: Ultra-som, onde foram utilizados os seguintes parâmetros: modo pulsado, 100% para analgesia, 20% para dor crônica, ERA de 3,5W/cm², freqüência de 1MHz. O aparelho utilizado foi da marca KLD.

O ultra-som promove efeitos biológicos tais como: vasodilatação, aumento da permeabilidade celular, auxilia no retorno venoso linfático (favorecendo a reabsorção de edemas), incremento do metabolismo local e capacidade de regeneração celular, incremento da flexibilidade dos tecidos ricos em colágeno, com diminuição da rigidez articular e da contratura, associada à cinesioterapia, efeito analgésico e espasmolítico1. A utilização do calor promove relaxamento muscular, reduz a rigidez articular e melhora a circulação local2.

Durante o tratamento fisioterapêutico, foram previstas 29 sessões, incluindo a avaliação fisioterapêutica, onde destas a paciente compareceu em 25. Cada sessão teve duração de 50 minutos, totalizando 1250 minutos de atendimento à paciente.

No dia sete de julho de dois mil e nove (07/07/2009) foi realizada uma reavaliação fisioterapêutica, onde se pode notar uma evolução positiva do tratamento.

Na avaliação goniométrica, a paciente apresentou melhora considerável do grau de amplitude de movimento na articulação do ombro bilateral, na articulação do quadril e joelho, conforme mostra a tabela 4.

Tabela 4:

ARTICULAÇÃO

MOVIMENTO

DIREITA

ESQUERDA

Ombro

Flexão ativa

160°

144°

Ombro

Flexão passiva

180°

174°

Ombro

Extensão ativa

48°

48°

Ombro

Extensão passiva

50°

48°

Ombro

Abdução ativa

180°

162°

Ombro

Abdução passiva

180°

180°

Ombro

Adução ativa

30°

38°

Ombro

Adução passiva

48°

45°

Ombro

Rotação interna ativa

90°

90°

Ombro

Rotação interna passiva

90°

90°

Ombro

Rotação externa ativa

90°

90°

Ombro

Rotação externa passiva

90°

90°

Quadril

Flexão ativa

114°

118°

Quadril

Flexão passiva

122°

126°

Quadril

Extensão ativa

18°

19

Quadril

Extensão passiva

18°

20°

Quadril

Abdução ativa

19°

26°

Quadril

Abdução passiva

30°

46°

Houve grande redução do edema, principalmente em membros superiores, que pode ser comprovado na perimetria descrita na tabela 5 e 6.

Tabela 5:

Ponto de referência (PR) = olécrano.

INFRA-REFERÊNCIA

PR

SUPRA-REFERÊNCIA

Cm

35

30

25

20

15

10

5

PR

5

10

15

20

25

E

20,0

23,0

19,0

22,2

25,3

27,0

29,0

29,5

32,0

34,5

37,2

39,0

39,5

D

20,0

22,0

20,0

23,0

26,0

27,5

29,3

28,5

31,0

34,5

36,0

38,5

39,0

#

0,0

1,0

1,0

0,8

0,7

0,5

0,3

1,0

1,0

0,0

1,2

0,5

0,5

Tabela 6:

Ponto de referência (PR) = linha média patelar.

INFRA-REFERÊNCIA

PR

SUPRA-REFERÊNCIA

Cm

40

35

30

25

20

15

10

5

PR

5

10

15

20

E

30,0

25,3

26,0

30,0

36,0

41,0

42,5

43,0

46,0

48,5

52,0

54,0

58,0

D

29,4

22,7

24,0

27,5

34,5

40,5

43,5

42,0

45,0

49,0

51,5

54,5

59,0

#

0,6

2,6

2,0

2,5

1,5

0,5

1,0

1,0

1,0

0,5

0,5

0,5

1,0

Ao reavaliar a força muscular, observamos uma melhora significativa: em membros superiores, grau 5 para flexores e extensores de punho, cotovelo e ombro, adutores, abdutores, rotadores interno e externo do ombro, pronadores e supinadores do antebraço; em membros inferiores, grau 5 para flexores e extensores do quadril, extensores do joelho bilateral e flexores do joelho esquerdo, grau 4 para flexores do joelho direito.

A paciente também descreveu não sentir mais dor ao repouso, e atualmente, realiza as AVDs com menos esforço e dor.

Conclusão

O tratamento da osteoartrose deve ser multidisciplinar, buscando a melhora funcional, mecânica e clínica do paciente.

Em relação a paciente tratada neste estudo, pode-se notar que o tratamento fisioterapêutico é de grande importância em pacientes com osteoartrose. Foram apresentados ótimos resultados em relação à redução de edema, aumento da amplitude de movimento, ganho de força muscular, melhora ao realizar as atividades de vida diária, melhorando assim a qualidade de vida da paciente e prevenindo a limitação funcional.

Portanto o tratamento fisioterapêutico é indispensável a esses pacientes a fim evitar a progressão da patologia, principalmente incapacidades, bem como proporcionar qualidade de vida ao paciente.

Referências Bibliográficas

  1. AGNE, Jonas Eduardo. Eletrotermoterapia: teoria e prática. Santa Maria: Orium, 2005.

  1. BIASOLI, M. C.; IZOLA, L. N. T. Aspectos gerais da reabilitação física em pacientes com osteoartrose. REV. BRAS. MED. VOL 60, n. 3, março/2003. Disponível em: http://www.biasolifisioterapia.com.br/publicacoes/reabilitacao_fisica.pdf. Acesso em: 12 de abril de 2009.

  1. EDMOND, Susan L; SHIONIS, Lee; HARRINGTON, Cheryl. Manipulação e mobilização: técnicas para membros e coluna. São Paulo: Manole, 2000.

  1. FACCI, Ligia Maria; MARQUETTI, Renata; COELHO, Kelley Cristina. Fisioterapia aquática no tratamento da osteoartrite de joelho: série de casos. Fisioterapia em Movimento. V. 20, n. 1, p. 17-27, Curitiba: jan./mar., 2007.

  1. FRANCO, L. R. et al. Influência da idade e da obesidade no diagnóstico sugestivo de artrose de joelho. ConScientiae Saúde. V. 8 (1), p. 41-46; 2009.

  1. GABRIEL, M. R. Serra; CARRIL, M. L. de Sande; PETIT, J. Diaz. Fisioterapia em traumatologia ortopedia e reumatologia. Rio de Janeiro: Revinter, 2001.

  1. KENDALL, Florence Peterson. Músculos: provas e funções. 2. ed. São Paulo: Manole, 2007.

  1. KISNER, Carolyn; COLBY, Lynn Allen. Exercícios terapêuticos: fundamentos e técnicas. 4. ed. São Paulo: Manole, 2005.

  1. MARQUES, Amélia Pasqual. Manual de goniometria. São Paulo: Manole, 1997.

  1. MARQUES, A. P.; KONDO, A. A fisioterapia na osteoartrose: uma revisão da literatura. Revista Brasileira Reumatologia. Vol. 38, n.2, Mar/Abr, 1998. Disponível em: http://www.reumatologia.com.br/publicacoes/revista/1998%2038%2002%20p%20083-090%20Mar%20Abr.pdf. Acesso em: 12 de abril de 2009.

  1. MELO, S. I. L. et al. Avaliação da força muscular de flexores e extensores de joelho em indivíduos com e sem osteoartrose. Revista Brasileira de Cineantropometria e Desempenho Humano. Disponível em: http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/rbcdh/article/view/335/5870. Acesso em: 12 de abril de 2009.

  1. SKARE, Thelma Larocca. Reumatologia: princípios e pratica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1999.

  1. THOMSON, A. M. (Ann M.); PIERCY, Joan; SKINNER, Alison. Fisioterapia de Tidy. 12. ed. São Paulo: Santos, 1994.

  1. WEST, Sterling G. Segredos em reumatologia: respostas necessárias ao dia-a-dia, em rounds, na clinica, em exames orais e escritos. Porto Alegre: ARTMED, 2001.

Comentários