Perfil dos idosos residentes em lares/casas de repouso de São José SC

Perfil dos idosos residentes em lares/casas de repouso de São José SC

(Parte 1 de 4)

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UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ

CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE

CURSO DE FISIOTERAPIA

ANDRESSA SILVA MARTINS DE OLIVEIRA

DAYANA OLIVEIRA CORDEIRO

PERFIL DOS IDOSOS RESIDENTES EM LARES/CASAS DE REPOUSO DE SÃO JOSÉ-SC

BIGUAÇU (SC)

2009

ANDRESSA SILVA MARTINS DE OLIVEIRA

DAYANA OLIVEIRA CORDEIRO

PERFIL DOS IDOSOS RESIDENTES EM LARES/CASAS DE REPOUSO DE SÃO JOSÉ-SC

Trabalho de conclusão de curso apresentado como requisito parcial para obtenção dos créditos da disciplina de Trabalho de Iniciação Científica do Curso de Fisioterapia da Universidade do Vale do Itajaí, Campus Biguaçu (SC).

Orientadora: Profª MSc. Clarice Mariele de Andrade Pamplona.

BIGUAÇU (SC)

2009

ANDRESSA SILVA MARTINS DE OLIVEIRA

DAYANA OLIVEIRA CORDEIRO

PERFIL DOS IDOSOS RESIDENTES EM LARES/CASAS DE REPOUSO DE SÃO JOSÉ-SC

Esta monografia foi julgada adequada para a obtenção do título de bacharel em Fisioterapia e aprovada pelo curso de Fisioterapia da Universidade do Vale do Itajaí, Centro de Ciências da Saúde.

Área de concentração: Fisioterapia e Saúde.

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Profª.MSc Clarice Mariele de Andrade Pamplona

UNIVALI - CCS

Orientadora

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Prof. Marcelo Dias

UNIVALI - CCS

Banca

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ProfA. MSc. Janaina Medeiros de Souza

FESSC

Banca

RESUMO

O processo de envelhecimento acarreta alterações funcionais e comportamentais que afetam os seres humanos de maneiras características. Mesmo na ausência de patologias, na última fase da vida todos tornam-se relativamente menos ágeis, mais vulneráveis à ação do ambiente e mais dependentes dos recursos da cultura. Visto isso, procura-se saber se as atividades funcionais básicas de vida diária se encontram afetadas em indivíduos que permanecem nos chamados lares ou casas de repouso. Este estudo teve como intuito analisar a independência funcional nas atividades de vida diária em idosos residentes em lares/casas de repouso de São José – SC a partir da identificação dos lares/casas de repouso de São José-SC; do conhecimento do número de idosos residentes nestes lares; do traçado do perfil demográfico e da verificação do nível de independência funcional na execução das atividades de vida diária desses idosos. O estudo foi realizado nas instituições asilares de São José-SC, no período de junho a julho de 2009, e teve como população alvo os indivíduos (idosos) com idade acima de 60 anos de idade que residem nessas instituições. Para a composição da amostra foram considerados os seguintes critérios de inclusão: (a) indivíduos de ambos os sexos; (b) faixa etária acima de 60 anos; (c) capacidade cognitiva preservada; (d) residentes em lares/casas de repouso do município de São José-SC; (e) que concordem em participar da pesquisa, através da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Para atender os objetivos específicos, a coleta de dados foi desenvolvida em quatro etapas: (1) triagem inicial para identificar os lares/casas de repouso de São José-SC, bem como conhecer o número de idosos residentes; (2) análise dos prontuários a fim de traçar perfil demográfico dos idosos; e (3) aplicação do instrumento de pesquisa com o objetivo de verificar o nível de independência funcional na execução de AVD’s dos idosos (índice de barthel). Será utilizada a estatística descritiva, média, freqüência simples e relativa. Como resultados, verificou-se que entre 40 idosos institucionalizados em lares e casas de repouso do Município de São josé, com faixa etária de 61 a 103 anos, de ambos os sexos, o índice de Barthel teve predomínio a pontuação de 21-60 (dependência severa). Mostrando que o índice de dependência é maior no sexo feminino do que no masculino.

Palavras-chave:Idoso, independência funcional, casas de repouso.

SUMÁRIO

RESUMO 3

SUMÁRIO 4

1 INTRODUÇÃO 5

1.1 Objetivo Geral 7

1.2 Objetivos Específicos 7

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 9

3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 16

3.1 Delineamento do Estudo 16

3.2 Delimitação do Estudo 16

3.3 Instrumentos e Procedimentos de Coleta de dados 17

3.4 Procedimentos de Análise dos Dados 18

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO 20

4.1 Quanto as Instituições 20

4.2 Quanto ao perfil demográfico dos idosos selecionados 21

4.3 Quanto a independência funcional 26

CONSIDERAÇÕES FINAIS 29

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 30

APÊNDICE A 33

APÊNDICE B 35

APÊNDICE C 36

ANEXO A 38

1 INTRODUÇÃO

O processo de envelhecimento acarreta alterações funcionais e comportamentais que afetam os seres humanos de maneiras características. Mesmo na ausência de patologias, na última fase da vida todos tornam-se relativamente menos ágeis, mais vulneráveis à ação do ambiente e mais dependentes dos recursos da cultura (GUCCIONE, 2002).

Essa fragilidade não é determinada apenas pela idade, mas também por fatores genéticos, enfermidades, hábitos tóxicos, aspectos sociais e assistenciais do meio em que o indivíduo vive. A detecção precoce da reserva funcional que precede a incapacidade e a dependência de seus familiares é crucial ao idoso em sua busca por qualidade de vida. Esta fragilidade é, portanto, muitas vezes determinante da fisiopatologia básica que determina as manifestações da enfermidade no idoso e suas necessidades de atenção de tal maneira que se tem demonstrado que uma atuação específica e especializada sobre os idosos mais frágeis melhora sua qualidade de vida, reduz sua mortalidade e reduz consideravelmente os gastos na área da saúde (em 50% dos gastos hospitalares, em 23% dos gastos com exames laboratoriais e em 13% dos destinados a fármacos) (BAZTÁN et al, 2000).

Doenças que afetam o aparato músculo-esquelético ou afecções decorrentes de doenças cardiovasculares, cérebro-vasculares e metabólicas podem gerar dificuldades e limites adicionais para os adultos. À medida que envelhecem, mesmo na ausência de quaisquer limitações cognitivas, os portadores dessas moléstias serão cada vez menos independentes (RESENDE, 2001).

Entre as alterações fisiológicas nos idosos que estão relacionadas ao sistema músculo-esquelético estão a perda de força, flexibilidade e atrofia muscular, diminuição na amplitude de movimento e dificuldade na realização das atividades de vida diária são conseqüências dessas alterações sofridas pelos idosos, e podem ser responsáveis pela queda da qualidade de vida desta população. Isto porque impedem atividades necessárias e prazerosas para os idosos, os afastam da vida social, desmotivam a prática de atividade física e facilitam a instalação de outras doenças. Viver de maneira independente e com qualidade de vida é um desafio para os idosos. Para que estes indivíduos alcancem esses objetivos, é fundamental que consigam realizar com segurança um complemento das atividades de cuidados pessoais e controle domiciliar (GUCCIONE, 2002).

Visto isso, procura-se saber se as atividades funcionais básicas de vida diária se encontram afetadas em indivíduos que permanecem nos chamados lares ou casas de repouso.

A expectativa de vida tem aumentado; este aumento associado à baixa taxa de natalidade resulta no envelhecimento da população. Contudo, uma grande parcela das pessoas que hoje atinge a terceira idade, diferente de outras gerações, não quer esperar que os efeitos do envelhecimento e as doenças associadas a este apareçam, para que as medidas necessárias sejam tomadas. Esta população está mais consciente do valor da prevenção, busca independência e um envelhecimento saudável (GUCCIONE,2002).

Conforme o Ministério da Saúde (2004), a política objetiva, no âmbito do SUS, garantir atenção integral à Saúde da população idosa, enfatizando o envelhecimento saudável, ativo e fortalecendo o protagonismo das pessoas idosas no Brasil (Portaria nº 2.528, de 19 de outubro de 2006). São diretrizes importantes para a atenção integral à saúde do idoso: 1) promoção do envelhecimento ativo e saudável; 2) manutenção e reabilitação da capacidade funcional; 3) apoio ao desenvolvimento de cuidados informais. O envelhecimento ativo e saudável compreende ações que promovem modos de viver favoráveis à saúde e à qualidade de vida, orientados pelo desenvolvimento de hábitos como: alimentação adequada e balanceada, prática regular de exercícios físicos, convivência social estimulante, busca de atividades prazerosas e/ou que atenuem o estresse, redução dos danos decorrentes do consumo de álcool e tabaco e diminuição significativa da automedicação.

Promover o envelhecimento ativo e saudável significa, entre outros fatores, valorizar a autonomia e preservar a independência física e psíquica da população idosa, prevenindo a perda de capacidade funcional ou reduzindo os efeitos negativos de eventos que a ocasionem. Além disso, garantir acesso a instrumentos diagnósticos adequados, a medicação e a reabilitação funcional. É importante qualificar os serviços de Saúde para trabalhar com aspectos específicos da saúde da pessoa idosa (como a identificação de situações de vulnerabilidade social, a realização de diagnóstico precoce de processos demências e a avaliação da capacidade funcional) (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2004).

O sistema formal de atenção à saúde precisa atuar intersetorialmente e, também, como parceiro da rede de suporte social da pessoa idosa, auxiliando na otimização do suporte familiar, comunitário e fortalecendo a formação de vínculos de co-responsabilidade. Cabe, portanto, à gestão municipal da saúde desenvolver ações que objetivem a construção de uma atenção integral à saúde dos idosos em seu território. No âmbito municipal, é fundamental organizar as equipes de Saúde da Família e a atenção básica, incluindo a população idosa em suas ações (por exemplo: atividades de grupo, promoção da saúde, hipertensão arterial e diabetes mellitus, sexualidade, DST/aids). Seus profissionais devem estar sensibilizados e capacitados a identificar e atender às necessidades de Saúde dessa população (MINISTERIO DA SAUDE, 2004).

A avaliação geriátrica realizada na atenção primária, observando-se as dificuldades dos idosos em relação à execução de tarefas é de enorme validade, não só na prática profissional, como também com a finalidade de pesquisa. A medida da capacidade funcional permite identificar nas pessoas os estágios pré-clínicos de incapacidade, que poderiam se beneficiar de medidas ou intervenções preventivas, como programas de atividades psicomotoras e sócio-educativas (KAUFFMAN,2001).

Segundo Santos et al (2007), foi realizado um estudo no Município de Guatambu em SC, com 352 pessoas com idade maior ou igual a 60 anos, o objetivo do estudo foi verificar o índice de funcionalidade usando o índice de Barthel. O estudo sugere que a capacidade funcional depende da interação de fatores multidimensionais incluindo a saúde física, independência na vida diária, aspectos econômicos e psicossociais.

Como resultado deste estudo, a incapacidade funcional das pessoas aposentadas ou em outra situação foi mais do que duas vezes a das pessoas que ainda trabalhavam. Idosos com seqüelas devido a problemas de saúde e aqueles com um maior número de morbidades possuíam uma prevalência mais elevada de incapacidade funcional (SANTOS et al, 2007).

É essencial que novos estudos e programas visando a prevenção, a melhoria da qualidade de vida e manutenção da saúde dos idosos sejam desenvolvidos, em especial naquelas parcelas da população que possuem dificuldades de acesso a tais serviços; e considerando-se que a universidade é um espaço potencial para responder às demandas da comunidade na qual se insere, julgamos relevante a investigação realizada.

Sendo assim, criou-se a seguinte questão problema: Como se comporta a independência funcional nas atividades de vida diária em idosos residentes em lares/casas de repouso de São José-SC.

1.1 Objetivo Geral

Analisar a independência funcional nas atividades de vida diária em idosos residentes em lares/casas de repouso de São José – SC.

1.2 Objetivos Específicos

  • Identificar os lares/casas de repouso de São José-SC

  • Descrever o número de idosos residentes nos lares/casas de repouso de São José-SC

  • Traçar perfil demográfico dos idosos residentes nos lares/casas de repouso de São José-SC

  • Verificar o nível de independência funcional na execução das atividades de vida diária dos idosos residentes nos lares/casas de repouso de São José-SC

2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

Oindivíduo, segundo a Organização Mundial da Saúde (1999), é considerado idoso quando atinge mais de 60 anos de idade. Com o advento de medicamentos que permitiram maior controle e tratamento mais eficaz das doenças infecto-contagiosas e crônico-degenerativas, aliado aos avanços dos métodos diagnósticos e ao desenvolvimento de técnicas cirúrgicas cada vez mais sofisticadas e eficientes, houve um aumento significativo da expectativa de vida (NÓBREGA et al, 1999).

Conseqüentemente, há o envelhecimento populacional, que é um fenômeno mundial que também ocorre no Brasil, segundo dados do IBGE, no ano de 2030 o Brasil terá a sexta população mundial em número absoluto de idosos. De acordo com as previsões do IBGE, em 2005 haverá em torno de 2 (dois) milhões e meio de idosos no Brasil, e em 2050 a população de idosos no país deve alcançar aproximadamente 14 (quatorze) milhões.

Para Carvalho et al (1998), a exemplo de muitos países em desenvolvimento, o Brasil, que, apesar de contar com alguma melhoria dos indicadores sobre as condições gerais de vida, não pode atribuir exclusivamente a essas condições o rápido envelhecimento da sua população. Na realidade, conquistas setoriais, por exemplo, assistência médica e emprego de tecnologias, como vacinas e saneamento básico, são determinantes para esse novo perfil demográfico no país.

Entretanto deve-se considerar que o atual perfil epidemiológico ainda está pautado num contexto de iniqüidade social decorrente de causas estruturais, políticas e econômicas na sociedade brasileira. O atual perfil epidemiológico caracteriza-se, pois, simultaneamente pela presença de enfermidades crônicas e degenerativas, altos índices de enfermidades infecciosas e parasitárias, elevadas taxas de violência e ainda enfermidades emergentes ou re-emergentes (BARRETO et al, 2003).

Nesse sentido, apesar de se observar uma maior prevalência de doenças crônicas em uma população envelhecida, o conceito de saúde que se defende para os idosos está ligado à sua capacidade funcional e não apenas à presença ou não de uma patologia crônica, mesmo quando essa vem acompanhada de incapacidade associada. Para fins de planejamento, essa abordagem é extremamente útil, pois, nos países em desenvolvimento, devido à grande desigualdade social, o critério cronológico torna-se insuficiente, uma vez que muitas vezes o envelhecimento funcional antecede o envelhecimento cronológico (CARVALHO et al, 1998).

Envelhecer não é uma doença, mas é acompanhado por uma série de alterações fisiológicas, bem como pelo surgimento de doenças crônico-degenerativas advindas de hábitos de vida inadequados, tais quais tabagismo, má nutrição, sedentarismo e exposição a agentes nocivos (THOMPSON, 2000), ou seja, é o acúmulo de eventos biológicos que ocorrem ao longo do tempo (AMERICAN COLLEGE OF SPORT MEDICINE, 2008).

Não está exatamente claro como nosso corpo envelhece, porém, o processo de envelhecimento difere de pessoa para pessoa, sendo que os principais fatores que influenciam este processo são: tempo, hereditariedade, meio ambiente, dieta, estilo de vida e nível de atividade física (KRUEL, 2001).

Segundo Nóbrega et al (1999), o envelhecimento é um processo contínuo durante o qual ocorre um declínio progressivo de todos os processos fisiológicos e, entre as alterações fisiológicas estão: aumento da massa cardíaca, redução da força muscular, redução de massa óssea e alterações nas cartilagens levando à diminuição da função locomotora e da flexibilidade.

De acordo com Takahashi (2004), as alterações associadas ao envelhecimento são observadas nas capacidades físicas, nas modificações anátomo-fisiológicas, na função cognitiva e nas alterações psicossociais. Quanto às capacidades físicas há uma diminuição de coordenação motora grossa e fina, habilidades, equilíbrio, esquema corporal, visão e audição.

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