Educação à Distância

Educação à Distância

(Parte 3 de 11)

Comprovamos que, dos traços não unânimes, este é o que tem maior peso no quadro anterior. Provavelmente, a coincidência em tomo dele talvez seja igual a dos outros caracteres, mas alguns autores consideram que ele está implícito nos outros, não havendo necessidade de insistir nisso. A comunicação unidirecional é absolutamente insuficiente. Seria inconcebível um aluno receber um bombardeio informativo por todos os meios, sem qualquer contato com o professor, sem retorno de sua reação a instituição. Trata-se, portanto, da intensidade ou do valor que é concedido a este momento de um modo explícito e diferencial. Esta comunicação bidirecional ou, se desejarmos, esta ação de retorno, em que o aluno manifesta o que sente, é utilizada pelas vias já conhecidas. O telefone talvez seja, quando empregado adequadamente, a via mais direta, instantânea e interpessoal, por seu acento afetuoso. A consulta por carta foi o elemento tradicional, ainda que corra o risco da lentidão, que é o tendão de Aquiles do ensino a distância. No caso de o aluno ter um problema grave, uma urgência e a resposta demorar vários dias, às vezes semanas, para chegar, é possível que, quando chegue, ele já tenha desistido ou que a resposta seja inútil, pois já foi conseguida por outros meios. As clássicas provas a distância são outra via de retorno, de "feedback" do aluno para o professor. 'rodos os meios telemáticos, como o fax ou o correio eletrônico, permitem uma comunicação muito mais rápida, mas provavelmente nenhum deles alcançou a riqueza de matizes, o valor geral que tem a presença cara a cara com o professor-tutor.

No ensino tradicional, o professor constata imediatamente no decorrer da aula se os alunos acompanham sua mensagem, se os ensinos são muito elevados, demasiado difíceis, se não estão motivados, e detêm de imediato a mensagem, recorrendo a outras vias para comprovar se estão aprendendo, se estão interessados e se convém continuar com a mesma tecnologia ou variar de procedimentos para alcançar melhor os objetivos.

Há instituições como a Associação Nacional de Ensino a Distância, nos EUA, que têm como lema que o aluno receba a resposta para a sua consulta ou a informação de que necessita, no mais tardar, em 24 horas. Na Nova Zelândia, estima-se que o aluno, inclusive por correio, não deve esperar mais de 3 dias para ter a resposta. Este é um ponto fundamental. Os atrasos podem ser o tendão de Aquiles e uma das causas do fracasso dos alunos e de todo o ensino a distância.

Ao delinear uni novo sistema, deve-se estabelecer de maneira clara todos os procedimentos a que recorreremos para que o aluno não se sinta sozinho, para que esta comunicação bidirecional seja uma das condições e, simultaneamente, o objetivo da aprendizagem a distância.

Procedimentos industriais

Peters é que definiu a educação a distância como um sistema de produção industrial. Visto que a ação presencial do professor tem um caráter individual, singular, artesanal e às vezes artístico, ela é substituída por um material didático que exige, para ser produzido, uma cuidadosa planificação, uma seleção dos autores, uma avaliação do material no processo de realização, e, quando já está pronto, uma comercialização e uma utilização adequada dos canais de distribuição, que multiplicará o seu efeito. À medida que seu alunado aumenta, ela ganha em economia. Tudo isso assemelha-se muito mais aos produtos industriais que à aula tradicional. Por isso fala-se que, no sistema a distância, é preciso procurar tudo que possa ser submetido a um princípio de tecnificação, de racionalização, substituindo a mera ação pessoal, singular, efêmera que, uma vez terminada, desaparece. Tomemos um exemplo, cada exercício deve ser lido pessoalmente pelo professor, mesmo que tenha mil alunos, coisa freqüente no ensino a distância. Na UNED espanhola, os primeiros cursos da Faculdade de Direito alcançaram quase 10.0 alunos, que devem ser avaliados pelos professores da sede central, aqui não há delegação de funções aos tutores nos centros associados. Esse procedimento torna-se lento, esgotante e corre o risco da precipitação, às vezes pode gerar uma qualificação inadequada. Se pudermos estabelecer pelo menos uma parte do exame mediante provas objetivas, que são lidas pelo computador, o trabalho simplifica-se logicamente e temos uma garantia maior de objetividade. Outra parte pode referir-se à resolução de problemas, também podendo ser submetida a uma avaliação objetiva pelo computador. E mesmo que se deixe alguma parte para as provas de ensaio, para exercícios de crítica pessoal, a ação pode descarregar-se enormemente, graças a esta tecnificação da avaliação em relação ao tipo tradicional.

Nessa parte, pode-se incluir não só a produção de materiais semelhantes aos elaborados e difundidos em qualquer indústria, mas também os princípios e as técnicas designados como "tecnologia educativa", isto é, a racionalização do processo, baseando-se em princípios psicopedagógicos da aprendizagem e nas regras que irão reger os processos realizados no ensino a distância. Estes princípios têm um caráter imaterial, são princípios lógicos, obtidos por uma dedução racional ou por uma indução empírica, após inúmeras investigações, de qualquer maneira, esta tecnificação impõe-se com mais exigência que no ensino tradicional.

Como nos outros traços, convém pontuar que não estamos frente a um traço diferencial absoluto, mas sim de maior ou menor intensidade. É evidente que o ensino tradicional, com uma didática que aplique os princípios da psicologia da aprendizagem, pode e deve levar esta tecnologia para as salas de aula, mesmo assim ela é mais exigida no ensino a distância, porque os produtos mal elaborados, inadaptados, que não cumpram estas exigências fundamentais na comunicação pedagógica, dificilmente poderão ser retificados antes dos próximos cursos, e isso no caso de estarem estabelecidas as vias para avaliá-lo, mediante enquêtes, entrevistas ou as comunicações com os alunos.

Por conseqüência, todo ensino deverá responder, de algum modo, a esses principias tecnológicos, mas o ensino a distância de maneira mais definida.

A difusão de massa de suas mensagens

O típico da educação a distância é romper todos os limites espaço-temporais e psicossociológicos. Isto é, deve chegar a todos que, potencialmente, possam cursar esses ensinos e desejem comprometer-se com essa via de aprendizagem. Com efeito, os meios empregados são abertos, ou seja, não se circunscrevem a um horário, a um lugar e a um público determinados. Qualquer um pode ser usuário, pode aprender nessas instituições. No ensino tradicional, o típico é que seja um ensino limitado aos alunos de um professor, de uma instituição e que freqüentem as aulas, obedecendo um horário determinado. Por essa razão, à medida que os alunos se multiplicam, deve-se aumentar o professorado. A conseqüência disso é o numerus fixus ou numerus clausus, isto é, um número limite, imposto pelos espaços escolares e pelo professorado disponível. Com certeza, nos ensinos superiores, estes limites costumam ser fruto de requisitos legais, além de outras motivações menos explícitas. Se visitarmos qualquer sala de aula universitária, verificaremos que normalmente apenas 50% do alunado freqüenta-a, e às vezes nem isso. Esses assentos vazios, talvez indiquem que milhares de alunos tenham saído da instituição. Por suposição, não existe uma realidade sem limite. Não podemos ter um alunado que ultrapasse nossa capacidade de receber suas ligações telefônicas, ou se, na hora de corrigir os exames, não há como atender unia demanda excessiva, demorando-se na qualificação por várias semanas, assim o aluno não sabe, às vezes até meses mais tarde, se foi aprovado ou não na matéria e se deve apresentar-se ou não a convocação seguinte. E evidente que ternos limites, mas estes são muito mais flexíveis e mais fáceis de resolver no ensino a distância, sempre que há uma boa planificação e o professorado quer colaborar. Como elemento indicativo na universidade espanhola, nos cursos de massa, há um topo de 100 alunos no primeiro ciclo básico (os 3 primeiros anos) que se reduz a 75 no segundo. Todavia, esta cifra se eleva a 350 no caso do ensino a distância, ou seja, temos quase 4 vezes mais alunos, a quem podemos e devemos atender com os mesmos recursos do ensino presencial.

A comunicação de massa é consubstancial com nosso sistema a ponto de ir muito além de nossos próprios alunos. Em uma instituição tradicional seria estranho que alguém, sem se inscrever, pudesse participar de seus cursos, o que não ocorre no ensino a distância onde todos podem comprar os livros que encontram no mercado, adquirir as fitas-cassete ou videocassetes e acompanhar as emissões radiofônicas ou televisivas, que não têm limite nem restrição alguma para sua recepção. Este é um traço importante. Muitos alunos dos ensinos tradicionais adquirem os livros do ensino a distância, porque foram elaborados cuidadosamente por equipes de especialistas e submetidos à avaliação, o que os torna uma fonte de informação válida para outras universidades. Quem se interessa por uma matéria específica, por um curso determinado, segue normalmente as emissões sem custo nem proibição. Esta produção de massa, esta difusão ilimitada dos conhecimentos, é um constitutivo de nossa universidade, que deve ser planificado, considerando e contando com eles e todas as conseqüências.

Economia

O princípio da economia ou, se quisermos, do custo-eficácia, é analisar as inversões do ensino a distância e estudar seus resultados, foi considerado desde o primeiro momento. Agora não insistiremos nesse ponto, porque destinamos um capítulo mais a frente a este tema, por sua importância capital, queremos apenas sublinhar que, para alguns autores, ele é um elemento definitório. Se, em princípio, o ensino a distância ficará mais caro, não vale a pena organizá-lo, para isso já temos o ensino presencial. A objeção não é válida, porque no ensino a distância podemos alcançar um público que seria impossível ou muito difícil atingir no ensino presencial. Quantas escolas de engenharia técnica podemos organizar no país? E, no entanto, os alunos de ensino a distância estudam-na de qualquer lugar da geografia nacional e internacional, podendo, em algum momento, chegar a realizar as práticas correspondentes. O nascimento das universidades a distância em momentos de crise econômica., e porque era o momento em que se difundia a idéia da accountability, prestar contas dos recursos recebidos, contribuiu para que o estudo da rentabilidade de seus recursos fosse um traço consubstancial, bem como a busca dos bons rendimentos, explorando ao máximo os recursos disponíveis.

A flexibilidade

Freqüentemente, fala-se de flexibilidade, esta capacidade de responder a uma demanda variadíssima, que pode vir dos indivíduos, tanto por sua situação geográfica como pelo tempo disponível e por sua preparação prévia.

Alguns autores alegam que o ensino a distância é mais rígido, não pode adaptar-se às condições pessoais de cada um, como pode ocorrer no ensino presencial. No ensino presencial, um professor pode aplicar o exame no dia mais adequado, para evitar que se sobreponha o trabalho com o de outros exames, em contrapartida, no ensino a distância, aparece invariavelmente um calendário que, ademais, se repete de curso para curso, com o qual o aluno .já sabe, ao inscrever-se, em que dias terá exames ao longo de todo o ano. Logo, é mais flexível ou mais rígido? Ambos os adjetivos podem aplicar-se aos dois ensinos, mas de maneiras diferentes. Em relação aos lugares e aos horários, é evidente que o ensino a distância é mais flexível que o ensino presencial. Cada um dos alunos escolhe o lugar e o horário de aprendizagem, pelo menos dentro dos prazos estabelecidos pelo curso, especialmente para o exame final. Quanto aos conteúdos de aprendizagem teórica, são similares e, nos dois ensinos, o programa é estabelecido previamente. O professor pode, na sala de aula, dar um ar mais pessoal a seus ensinamentos, adaptá-los aos últimos acontecimentos, ocorridos pouco antes de entrar na sala, selecionar o que considera mais válido, recomendar materiais lançados recentemente, bibliográficos ou dos meios de comunicação social. Em contrapartida, o material a distância, que.

deve estar pronto, na mão do aluno, no início do curso, é mais rígido, não pode ser mudado e às vezes estabelece-se, inclusive, um período razoável, entre 3 e 5 anos, para que possa sofrer modificações.

Os próprios exames, no ensino presencial, costumam ser mais livres, mais pessoais,. mais variados, às vezes, o professor avalia de uma maneira preferencial o que comprovou no desenrolar das aulas, as respostas às suas questões, as intervenções dos alunos, pequenos exercícios ou provas parciais, No ensino a distância isso é muito mais difícil e deve-se estabelecer exames imodificáveis. Na UNED, consistem em 2 horas de provas escritas (ou gráficas, no caso de ser o desenho técnico), que se realizam 3 vezes ao ano nos meses de fevereiro, junho e setembro. Há diferenças também no conteúdo da matéria. Enquanto no ensino presencial o aluno é obrigado a escolher todas as matérias que compõem o curso escolar e só pode inscrever-se nas que não foi aprovado no curso anterior, no ensino a distância, a liberdade é completa, ele pode matricular-se desde uma só matéria até dois cursos ou mais, podendo interromper seus estudos quando preferir. Como aqui não se trata de distribuir espaços, de contratar os professores de acordo com os alunos que se inscrevem em uma disciplina, podemos oferecer maior flexibilidade, para que o aluno selecione o que lhe interessa e trabalhe naquilo que acredita poder superar razoavelmente.

Resposta às demandas sociais

Teoricamente, todo ensino responde a demandas sociais, mas na educação a distância este imperativo é cumprido com mais facilidade. Se há repentinamente uma enorme demanda pelos cursos de informática, como tem acontecido nos últimos anos, é mais fácil estabelecer um novo título, programar ensinos e esperando apenas para elaborar o material, lança-se uma oferta de formação que seria inconcebível para muitas universidades. No caso da UNED, foram oferecidas 12.0 vagas no âmbito nacional, distribuídas entre todos os centros associados para ter a certeza de que os alunos dispunham do material informático necessário para sua preparação.

No caso dos cursos de aperfeiçoamento do professorado, ocorreu a mesma coisa. No sistema educativo espanhol, por causa da publicação da Lei de Educação, no ano de 1970, os alunos deveriam, já na educação básica, aprender um idioma estrangeiro, que, na maioria dos casos, era o inglês. Nas Escolas Normais, todos os professores formaram-se em francês, e agora precisavam ensinar o inglês. A cifra de professores de inglês era insignificante para uma demanda esmagadora de milhares, mesmo recorrendo aos que se formaram na Espanha ou no estrangeiro. Devia-se atender a milhares de alunos e preparar rapidamente um professorado, às vezes do ponto 0, ainda que fosse com conhecimentos elementares e utilizando materiais adequados, entre eles, os livros de texto e o gravador. assim poderiam ouvir vozes de intérpretes ingleses, sem os defeitos fonéticos que o improviso do professor poderia transmitir. De qualquer modo, só foi possível atendei- a esta demanda nacional, graças ao ensino a distância. Em convênio com o Ministério de Educação, foram preparados milhares de professores. Tal demanda seria inviável pelas vias tradicionais.

Em algumas instituições, como na UNED da Costa Rica, é estabelecido, em seus estatutos de fundação, que será atendida especialmente a demanda não satisfeita, para não se repetir as carreiras dadas por outros centros e evitar a conversão do ensino a distância em uma fábrica de intelectuais desempregados. O ensino a distância, que praticamente abarca todos os campos do ensino superior, repetiu o modelo tradicional; contudo, com muito mais flexibilidade para atender a essas situações emergentes.

Há uma oferta que não é exclusiva do ensino a distância, mas ocorre nele com intensidade especial. Trata-se da educação permanente, já mencionada na lição anterior. Todas as universidades a distância, junto com os programas de carreiras tradicionais, dedicam uma parte considerável de seus recursos e de seu professorado à demanda feita por uma população que se pretende qualificar, atendendo às necessidades sociais. Na universidade espanhola isto é freqüente, de modo que o número dos cursos oferecidos no ensino a distância mediante programas de educação permanente ultrapassa duzentos. Desses, uma grande parte, quase uma centena, é destinada ao aperfeiçoamento do professorado, a fim de atendê-los nos aspectos de conteúdos curriculares ou didáticos que possam otimizar sua tarefa, com o evidente efeito multiplicados: que isso produz por todo o alunado.

Um dos campos mais fecundos e mais atendidos da educação permanente foi precisamente o aperfeiçoamento do professorado, até o ponto de que inúmeras universidades a distância nasceram com estes programas. Esses títulos ou diplomas, adquiridos por meio das universidades a distância, contribuíam para sua promoção profissional e econômica, junto com o hábito de estudar e ter viva motivação, pois sentem suas insuficiências de maneira direta, especialmente quando se trata da instauração de novos currículos, por tudo isso é um público propício e que costuma ser, de maneira prioritária, o público dos programas de educação permanente.

A educação a distância procura estar atenta às necessidades sociais e, caso não a cumpra no grau que se propõe, ao menos realiza muito mais, dadas as suas potencialidades, do que os ensinos presenciais, que, sem dúvida, a cada dia estão mais sensíveis a esta educação permanente; mas tropeçam em dificuldades de organização e institucionais bem superiores às dos ensinos a distância.

“Nossa experiência do passado dá-nos a única luz a que temos acesso para iluminar o futuro.”

A. Toynbee

Pelo que se constata, em todo o mundo, a educação a distância se apresenta como uma das soluções para atender a necessidades e interesses pessoais que não encontram nas ofertas formais de ensino, campo para sua concretização.

Também em nosso país a EAD surge como uma das propostas para suprir as demandas reprimidas, tanto de educação geral quanto de formação profissional.

As dimensões continentais do Brasil e seus problemas educacionais sempre exigiram e estão a exigir do poder público e da sociedade, ações arrojadas que possam tomar realidade para todos os brasileiros o acesso à educação. Nesta perspectiva, considera-se a EAD como uma das alternativas capazes de romper as barreiras do espaço e do tempo contribuindo, substancialmente, para a reconstrução das bases educacionais do país, levando-o aos patamares já alcançados pelas nações mais desenvolvidas.

Os recursos tecnológicos colocados à disposição da sociedade moderna, notadamente os das telecomunicações e da informática, se utilizados dentro dos parâmetros defendidos e estabelecidos pela EAD, no Brasil e em outros países, poderão viabilizar a melhoria da qualidade do ensino, em todos os níveis e modalidades. Este espaço estratégico permite capacitar professores e profissionais de diversas áreas, com qualidade, em larga escala e a custos reduzidos, assim como fornecer material de apoio nas situações convencionais de sala de aula.

A experiência brasileira em EAD encontra referências já no início deste século. Numa visão retrospectiva. pode-se considerar como grande marco a inauguração da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro (hoje Rádio MEC-AM). em 1923). Para a época, sua proposta de programação no campo da educação não formal era surpreendentemente avançada, fruto da visão de vanguarda dos pioneiros Roquette-Pinto e Henrique Morize, que obtiveram incentivo e aprovação da Academia Brasileira de Ciências.

Em 1928, como parte da reforma da instrução pública do Distrito Federal, Fernando de

Azevedo projeta a "escola-rádio " e determina a instalação de projetores fixos e cinematográficos em todas as escolas primárias.

Grande veículo de massa nas décadas de 30, 40 e 50, o rádio enseja inovações como a

Universidade do Ar, da célebre Rádio Nacional. Na área do ensino comercial, uma rede de emissoras paulistas lança cursos especiais para alcançar ouvintes do interior do estado.

Inspirado na experiência colombiana do padre Salcedo, em 1957 o MEC instala o Sistema Rádio Educativo Nacional (SIRENA), difundindo a criação de radioescolas e distribuindo discos educativos para as emissoras participantes do sistema. No ano seguinte, no Rio Grande do Norte têm início as atividades do Sistema Radiodifusão Educativo, idealizado e mantido pela Arquidiocese de Natal. com a colaboração do Serviço de Assistência Rural. Dessa e de outras experiências nordestinas de educação de adultos pelo rádio surge depois o Movimento de Educação de Base (MEB), atuando com suas "escolas radiofônicas principalmente nos estados das regiões Norte e Nordeste.

Com a evolução do serviço dos Correios, são criados cursos por correspondência, inspirados em modelos americanos. O Instituto Monitor, fundado em 1939 e o Instituto Universal Brasileiro, de 1941, seguidos de outras empresas, buscam preencher lacunas no sistema educacional, no que se refere a formação de mão-de-obra.

Em fins dos anos 50 prosperou a idéia de uma televisão educativa em perspectiva nacional.

Foi nesse período, que a educação deixou de ser entendida como sub-produto da riqueza e do progresso para ser reconhecida como agente efetivo do processo de valorização nacional. Nos anos 60, vivia-se um clima propício a empreendimentos nessa área sendo a televisão a estrela principal. Foi quando os educadores brasileiros trataram de colocá-la efetivamente a serviço da educação.

Em 1961, a Fundação João Baptista do Amaral produz um curso para alfabetização de adultos. Reconhecido pelo MEC e transmitido pela TV Rio, permanece no ar até 1965. Com a participação da Missão Norte-Americana de Cooperação Técnica, em 1962, outro programa daquela Fundação foi transmitido também pela TV Rio (posteriormente, por outras emissoras): Novos Rumos para o Ensino Primário, série gravada em "videotape", destinada ao aperfeiçoamento de professores primários. Na mesma época, em São Paulo, a Secretaria Estadual de Educação lança seu programa de Admissão ao Ginásio, iniciativa que deu origem à Fundação Padre Anchieta.

Ainda em 62, Gilson Amado propõe a idéia da Universidade de Cultura Popular. Esse projeto se concretiza em 1966, com transmissão do curso Artigo 9 pela TV Continental e, depois. por outras emissoras em diferentes estados.

Em outubro de 1964, uma comissão oficiosa, integrada por educadores, técnicos do MEC e do Conselho Nacional de Telecomunicação (CONTEL) inicia estudos para criação de um Centro Brasileiro de TV Educativa. Oficializada no ano seguinte, a comissão prossegue em seus esforços até 1967, quando a lei 5.198/67 finalmente institui a nova entidade, como Fundação, colocada sob o controle do MEC. Gilson Amado é seu primeiro presidente.

Em fins dos anos 60 sentia-se a falta de uma coordenação única para as atividades de rádio e televisão educativa e de uma política governamental específica para educação a distância, ou teleducação, como era denominada. Em 1972 o MEC cria o Programa Nacional de Teleducação (PRONTEL), incumbido de "integrar, em âmbito nacional, as atividades didáticas e educativas através do rádio, da televisão e de outros meios, deforma articulada com a Política Nacional de Educação" (Decreto ri' 70.185/'72). órgão de natureza Vitoria, foi substituído em 1979 pela Secretaria de Aplicações Tecnológicas (SEAT). criada pelo Decreto ri' 84.240179.

Outro fato relevante é conseqüência das portarias interministeriais MEC/MINICOM 408/70 e 568/80, que estenderam os espaços de veiculação de programas educativos de rádio e TV a todas as emissoras comerciais. Estas medidas possibilitam a produção dos chamados TELECURSOS, voltados para clientela de jovens e adultos, permitindo-lhes terminalidade de 1.º e 2.º graus, num sistema de multimeios: utilização de material impresso, rádio, televisão e monitoria. As secretarias estaduais de educação, por sua vez, criam setores dedicados à implementação de cursos a distância em seus âmbitos de atuação.

Cabe acrescentar que, entre as décadas de 50 e 80, surgem núcleos regionais de meritório e expressivo trabalho na teleducação. Entre eles, a Fundação Padre Landell de Moura (FEPLAN), o Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (IRDEB), a Fundação Padre Anchieta, com suas TV Cultura e Rádio Cultura de São Paulo, além de emissoras de rádio e TV universitárias educarias em Sanas unidades de federação. São instituições que muito contribuíram e contribuem para consolidar a EAD como proposta séria de educação permanente.

O quadro I oferece uma visão cronológica das principais iniciativas e experiências realizadas em nosso país. Os documentos legais que tratam de EAD se encontram no quadro IV.

QUADRO I - ALGUMAS RE,4LIZ4ÇõES DE EAD NO BRASIL (de 1904 a 1978)

1904 Curso por correspondência mantido pelas Escolas Internacionais (empresa representante de organização norte-americana).

(Parte 3 de 11)

Comentários