Parada Cardiorespiratória

Parada Cardiorespiratória

(Parte 1 de 7)

I - Introdução5
I - Conceitos6
I - Diagnósticos e Procedimentos Iniciais6
IV - Suporte Básico de Vida9
V - Suporte Avançado de Vida18
VI - Medicamentos usados na PCR26
VII - Cuidados Pós-reanimação30
VIII - Transporte do Paciente32
IX - Ressuscitação Cerebral32
X - Atribuição de cada profissional na PCR34
XI - Material e equipamento que uma Unidade Móvel deve conter37
XII - Precauções universais no atendimento de emergência38
XIII - Atendimento nas situações de PCR39
XIV - Particularidades nas unidades hospitalares40

Este manual leva em conta as características do Hospital Sírio-Libanês e destina-se a contribuir para uma melhor coordenação das ações no atendimento à Parada Cardio- Rrrespiratória (PCR) em ambiente hospitalar. Ele é dirigido ao pessoal médico, equipe de enfermagem, de fisioterapia e aos demais funcionários.

Na elaboração deste manual foi considerado que as pessoas envolvidas têm um mínimo de conhecimento teórico e prático prévio, assim como habilidades para utilização de materiais e equipamentos de uso comum ou específico nas situações de PCR.

A padronização tem por objetivo tornar rápido e organizado o atendimento, aumentando a chance de sucesso das manobras de Ressuscitação Cardiopulmonar (RCP), sem estresse nem desgaste dos profissionais encarregados desta função.

Muitas das recomendações aqui contidas certamente serão modificadas à medida que, em futuro próximo, ocorra nova padronização internacional. Estas modificações serão sempre fruto do reconhecimento consensual da eficácia demonstrada, em trabalhos clínicos e experimentais, de novas técnicas e novas atitudes terapêuticas na ressuscitação.

PARADA CARDIO-RESPIRATÓRIA (PCR) Interrupção súbita e brusca da circulação sistêmica e da respiração.

Deterioração irreversível dos órgãos e sistemas, que se segue à PCR, quando não se instituem as manobras de circulação e oxigenação.

Necrose do tronco e do córtex cerebral pela falta de oxigenação por mais de 5 minutos.

A constatação imediata da PCR, assim como o reconhecimento da gravidade da situação, é de fundamental importância, pois permite iniciar prontamente as manobras de reanimação, antes mesmo da chegada de outras pessoas e de equipamento adequado. Evita-se, dessa forma, uma maior deterioração do sistema nervoso central (SNC) e de outros órgãos nobres.

A) SITUAÇÕES COM MAIOR RISCO DE EVOLUIR PARA UMA PCR • Cardiopatias (destas, a doença aterosclerótica coronária é a mais importante)

• Hipertensão arterial

• Diabetes

• Antecedentes familiares de morte súbita

• Anóxia

• Afogamento

• Pneumotórax hipertensivo

• Hemopericárdio

• Choque

• Obstrução das vias aéreas

• Broncoespasmo

• Reação anafilática

B) PRINCIPAIS SINAIS E SINTOMAS QUE PRECEDEM UMA PCR • Dor torácica

• Sudorese

• Palpitações

• Tontura

• Escurecimento visual

• Perda de consciência

• Alterações neurológicas

• Sinais de baixo débito cardíaco

• Sangramento

C) SINAIS CLÍNICOS DE UMA PCR • Inconsciência

• Ausência de movimentos respiratórios

• Solicitar ajuda / desfibrilador / monitor • Colocar a vítima em decúbito dorsal horizontal, em uma superfície plana e dura

• Manter a cabeça e o tórax no mesmo plano

• Iniciar suporte básico de vida (ABCD primário)

Obs.: Em algumas situações bem definidas deve-se adotar o sistema de “chamar rápido” e não o de “chamar primeiro”. São situações nas quais indica-se um minuto de RCP antes de chamar por ajuda: • Obstrução de vias aéreas por corpo estranho

• Intoxicação por drogas

• Trauma

• Parada respiratória

Consiste em iniciar imediatamente manobras que restituam a oxigenação e a circulação em órgãos nobres (coração e cérebro), seguindo-se uma seqüência denominada ABCD primário (Algoritmo 1- ABCD primário):

A) ABERTURA DAS VIAS AÉREAS • Alinhamento da cabeça com o tronco

• Inclinação da cabeça e elevação do queixo

• Elevação da mandíbula

Com o relaxamento da musculatura, a base da língua poderá obstruir as vias aéreas, situação comum em pessoas inconscientes (Figura 1a e 1b). Deve-se atentar para a presença de corpos estranhos (dentadura, por exemplo), que deverão ser retirados das vias aéreas, quando visíveis.

Obs.: Nos casos de trauma em que pode haver acometimento da coluna cervical, deve-se ficar atento para não se mobilizar o pescoço. Nesse caso, para abrir a via aérea deve-se apenas elevar a mandíbula.(Figura 2)

Se, após a abertura das vias aéreas, o paciente não respirar espontaneamente – VER,

OUVIR e SENTIR (Figura 3) –, deve-se iniciar a ventilação boca-a-boca, caso não se disponha de máscara para respiração boca-máscara (fig. 4a) ou bolsa-valva-máscara (fig. 4b).

Ventilação Boca-a-boca

[EP1] Comentário: A diretriz nova recomenda que, em não conseguindo ventilar com a tração da mandíbula, deve-se fazer inclinação da cabeça e elevação do queixo, tomando cuidado para não hiperestender. A prioridade é ventilar.

Após ocluir as asas do nariz da vítima com a mão que mantém a extensão da cabeça, realiza-se uma inspiração normal e em seguida colocam-se os lábios ao redor da boca da vítima, insuflando, por duas vezes, um volume de ar suficiente para provocar uma expansão visível do tórax, com duração de 1 segundo. Em crianças pequenas, a insuflação de ar pode ser feita com a boca do reanimador cobrindo a boca e o nariz da vítima, também com duração aproximada de 1 segundo. Deve-se, em todas essas situações, evitar o escape de ar expirado pelo reanimador, mantendo-se uma oclusão adequada. A freqüência deve ser de 10 a 12 ventilações por minuto, se a vítima tiver circulação espontânea (presença de pulso).

No paciente com ausência de pulso, deve ser aplicada a compressão torácica externa (massagem cardíaca externa), que consiste na aplicação rítmica de pressão sobre o tórax, com uma freqüência de 100 vezes por minuto. Quando bem executado, esse procedimento promoverá uma circulação de sangue adequada para os órgãos mais nobres.

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