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Planejar a orientação educacional implica delinear o seu sentido, os seus rumos, a sua abrangência e as perspectiva de sua atuação. Vale dizer que esse planejamento envolve, antes de tudo, uma visão global sobre a natureza da Educação, da Orientação Educacional e de suas possibilidades de ações. È importante termos em mente que de nada vale as boas idéias, se não vierem a revestir ações que as ponham em prática. Assim como não se deve pensar em ações , sem que se considerem as suas dimensões conceptuais de sentido amplo, não se deve pensar nestas , sem que se levem em consideração as formas de expressão.

Ao planejamento são atribuídos significados diversos, segundo o enfoque e a ênfase com que o estudioso o aborda. Dessa forma, surge diferentes conceito que nos orientam na abordagem à problemática do planejar.

Vejamos alguns conceitos de planejamento. O mesmo considerado como:

“Processo permanente e metódico de abordagem racional e científica de problema” (Baptista,1979,p.13). “Processo de tomada de decisão, execução e teste de decisões”(Goldberg,1973,p.64). “Processo que consiste em preparar um conjunto de decisões tendo em vista agir, posteriormente, para atingir determinados objetivos”(in Turra et al.1975,p.13 )

Segundo uma descrição mais especifica e analítica o planejamento é conceituado como sendo:

Processo de estruturação e organização da ação intencional, realizado mediante; o Análise de informações relevante do presente e do passado objetivando, principalmente, o estabelecimento de necessidade a serem atendidas; o Estabelecimento de dados e situações futuras desejados; o Previsão de condições necessárias aos estabelecimentos desses estados e situações; o Escolha e determinação de uma linha de ação capaz de produzir os resultados desejados, de forma a maximizar os meios e recursos disponíveis para alcançá-los.

Esse conceito pode ser representado graficamente:

Observa-se que nos conceitos de planejamentos apresentados há, de forma explicita ou implícita, certo elementos básico comuns, componentes de um processo mental único e global. Estes elementos são racionalidades, tomadas de decisão e futurismo.

Racionalidade- Significa tornar flexivo empregar o raciocino para resolver problemas. Tomada de decisão – È que respalda a construção do futuro segundo a visão daquilo que se espera obter. Futurismo- O planejamento, embora leve em consideração o passado o presente, tem por orientação superá-los, tendo em vista uma realidade futura de sentido melhor.

O Planejamento, como realidade complexa,é, também uma unidade dual.Do ponto de vista do objeto desse trabalho podemos evidenciar as seguintes dimensões:

DIMENSOES TÉCNICA e DIMENSOES POLITICA

Planejar é

Levantar a situação atual

Estabelecer o que se deseja mudar

Maior eficiência

Maior exatidão e determinação

Maiores e melhores resultados

Maximização dos esforços e gastos

A fim de se obter

Organizar a ação futura

DIMENSOES TÉCNICA – A concepção de um fim requer a antecipação de meios; a compreensão das relações mútuas entre os meios e fins, transforma uma atividade movida pelo impulso ou desejo em ação inteligente elaborada e conseqüente. Quanto ao planejamento educacional, a dimensão técnica diz respeito tanto à observância dos passos do planejamento e das qualidades de clareza e precisão na descrição de cada um dos aspectos relevante à organização das ações, registrada em um plano ou um projeto, como a lógica dos processos mentais utilizado na determinação desse aspecto.

1- QUALIDADES GERAIS DO PLANEJAMENTO-

Determinada a qualidades são identificadas como imprescindíveis para o planejamento e seu produto (planos e projetos) possam garantir a qualidade da ação desencadeada.

Algumas dessa qualidade aparecem enumeradas na literatura sobre a dominação de princípios. Independentemente de como são denominadas elas devem constituir-se em critério indispensáveis a serem observados na realização do planejamento sem os quais mesmo deixará de servir á sua finalidade principal de direcionar a ação.

Observe-se que as qualidades são relacionadas entre si, e até mesmo, independentes.

As mais comumente citadas são:

Continuidade – Garante aos planos, projetos e consequentemente, a ação que orientem entre um objetivo e outro, um momento e outro uma atividade e outra.

Flexibilidade – Corresponde à capacidade do plano ou projeto de adaptar-se a situação nova surgidas durante a sua execução.

Inclusividade – Relaciona-se ao grau em que o plano ou projeto de ação oferece condição de solucionar o(s) problema(s) que descreve.

Objetividade – Corresponde à percepção e descrição da realidade tal como é e não como se julga que seja bem como a interpretação cuja propriedade possa ser sujeita à verificação por outro observado.

Operacionalidade – A operação de um plano ou projeto de ação diz respeito a sua capacidade de aplicação e de execução isto é corresponde a sua capacidade de ser: Viável, factível e executável dentro do tempo de acordo com as circunstâncias existentes e com métodos e recuso propostas.

Orientação – A orientação se refere à condição de apresentar clara, precisa e objetivamente diretriz de ação, de especificar, adequadamente, que efeitos se pertencem produzir projeto de oferecer orientações efetivas à ação depende de clareza, especificidade, precisão simplicidade.

Responsabilização – Um dos efeitos desejados ao se planejar é o de que os planos ou projetos sejam capazes de estruturar as ações daqueles que serão responsáveis pela realização dos objetivos.

Perguntas básicas do planejamento:

Um bom planejamento baseia-se fundamentalmente na resposta a determinadas perguntas.

• O que? • Por quê?

• Para que?

• Quanto?

• Como?

• Onde?

• Para quem?

• Com quem?

Sua relevância depende diretamente da clareza, objetividade e precisão com que essas perguntas são respondidas.

O que? Esta é geralmente a primeira pergunta que o profissional faz.O que vou fazer? Baseia-se na preocupação motivadas pelo falta de que o profissional é geralmente, caracterizado por aquilo que faz. A pergunta refere-se à atividade, a ação observável ou procedimento. Por quê? Refere-se às causas às da ação a identificação do problema que do motivo e que se torna necessário à ação prevista. Quanto mais completas forem as respostas, melhores condições terão o orientado de realizar um bom planejamento. Para que? Uma ação não justifica por si. A afirmação de que é melhor fazer alguma coisa a não fazer nada quase nunca é confirmada.São os objetivos das ações, as intenções, para que são desenvolvidas que se tornam significativos ou não. A amplitude a direção, o significado dos objetivos de uma ação é que a justificam. Quando? Os planos são construídos para a promoção de resultado dentro de um espaço de tempo determinado, a consideração desse tempo diz respeito a três aspectos. a- Quanto tempo é disponível para o desempenho de uma ação; b- Quanto tempo é necessário para o seu desempenho; c- Em que tempo a ação é mais necessária útil e eficiente;

Como? Meios diferentes poderão produzir os mesmos resultados Onde? Onde situa o desempenho de uma atividade orientada, é uma questão que envolve não sôo o local físico mais também a sua melhor posição dentro do programa global da escola. Para quem? È principio básico da orientação que seus esforços devem destina-se a todos os alunos e não se constituir um privilegio de alguns poucos. Com quem? Um aspecto chave em qualquer planejamento é a determinação das pessoas responsáveis pela realização dos objetivos e suas respectivas atividades.

Não existe planejamento neutro ou apenas concebido como técnica, uma vez que, propondo diretrizes de ação que afetarão pessoas estabelece um sentido social.Todos os problemas relacionados à convivência e organização social são problemas da coletividade pertinente e as soluções devem ser buscadas em conjunto, levando-se em conta os interesses comuns.A conjuração das ações de indivíduos e de grupos humanos,dirigindo-as para um fim comum, é, pois política.

Observa-se comumente que certas situações associadas entre si contribuem para manutenção de uma imagem negativa da orientação educacional, como incapaz de contribuir para o projeto de educacional da escola, imagem esta que vem servindo de justificativa para que não se criem vagas de orientadores educacionais em muitos sistemas municipais de ensino. Algumas dessas situações, que serão analisadas a seguir aparecem, a princípio, invalida qualquer possibilidade do orientador planejar o seu trabalho. No entanto ela mesma exige que a orientação educacional seja planejada como forma de se agir no sentido de se contrapor a elas.

1. Permanência de orientação educacional nas escolas tem sido descontínua e seu trabalho assistemático.

A descontinuidade e a falta de sistematização do trabalho do orientador e divida a falta de consistência no entendimento pelos administradores de nível macro (estaduais e municipais), quanto a uma política educacional e de recursos humanos para a educação.

2. O Orientador educacional é comumente solicitado nas escolas, a realizar múltiplas tarefas que não dizem respeito, diretamente a orientação educacional.

O atendimento a situações emergenciais, como controle de disciplina, distribuição de merenda e materiais escolares, substituição de professores faltosos, organização de festas, constituem muitas vezes o dia a dia do orientador educacional , que assim atuando, revela a falta de plano pedagógico para direcionar a atuação. Atuando assim o orientador age ao saber dos ventos, sem compromisso político com a transformação da escola e, portanto sem determinação clara e explicita de sua responsabilidade.

3. Alunos, pais, professores e equipe administrativa da escola desconhecem o significado da orientação educacional e as perspectivas de sua atuação.

inadequadasque, por certo, promovem situações desnecessariamente

Sabe-se que o desconhecimento e a falta de informações e geram expectativas desgastantes para todos e para o desenvolvimento do projeto pedagógico da escola como um todo.

Mediante a prática pedagógica planejada o orientador poderá; 1. Constituí e estabelecer a relevância do seu trabalho;

2. Garantir a natureza peculiar da prática de orientação do seu trabalho; 3. Estabelecer uma imagem positiva da orientação educacional; 4. Dar a pratica profissional um caráter sistemático e continuo; 5. Demonstrar a importância e relevância na orientação educacional o desenvolvimento da pratica pedagógica;

1- Definir o escopo do trabalho como um todo e de seu significado no contexto escolar; 2- Dimensionar a ação pretendida, relacionando-as outras no sentido mais amplo; 3- Definir e ordenar a finalidade, os objetivos amplos e os específicos a serem alcançados; 4- Estruturar e ordenar as ações a serem encetadas; 5- Estabelecer a articulação e a integração vertical e horizontal de ações, garantindo um conjunto contínuo de trabalho; 6- Tornar clara as responsabilidades; 7- Diminuir a possibilidade de omissões de pessoas, em relação à responsabilidade que devem ser assumidas por elas; 8- Racionalizar a distribuição e o uso de tempo, de energia e de recursos; 9- Evitar a duplicação do uso de recurso e de esforços; 10- Promover a maximização e o esforço necessário ás ações desencadeadas aos seus resultados;

Embora o planejamento, enquanto processo mental de organização de trabalho, seja reconhecido como condição necessária para que à ação pedagógica possa ser mais efetiva no alcance dos resultados educacionais pretendidos, verifica-se ser freqüente a resistência dos profissionais em educação em assumirem essa prática. Apresentamos alguns comentários comumente apresentadas pelos orientadores a respeito da questão:

Falta de tempo para planejar - è um dos argumentos mais freqüentes quanto o envolvimento nos processos de planejamento, Indicam os orientadores que há tanto faz em período tão limitado, que consideram melhor e mais prudentes “começar a fazer logo e atender as demandas”, em vez de” perder tempo na análise de objetivos e de estratégias de ação”, mediante uma compreensão prévia do que, por que, para que, como,quando,onde, com quem, para quem, deve ser a ação desencadeada.

Preocupações com soluções imediatas. -O planejamento enquanto processo que antecede as ações e funções de organização da prática . Como tal seu ponto imediato de convergência não é a implementação de uma transformação ou relação de ajuda. Reconhece-se que planejar requer tempo, energia e dedicação. Que não se traduz na produção de resultados imediatos.

Influências de expectativa do meio ambiente-Relacionada à falta de tempo e as preocupações com soluções imediatas estão à pressão do meio ambiente traduzida nas expectativas que seus participantes têm em relação ao trabalho do orientador educacional. é comum o orientador sofrer pressão do diretor,dos professores e corpo administrativo no sentido que atuem segundo as expectativas que mantém , sobre o trabalho desse profissional. Muitas vezes essas expectativas são motivadas pela busca de alivio para a sua responsabilidade e outros pelo desconhecimento do sentido da orientação educacional e pela falta de informação a respeito das atribuições de atuação nesta área.

Hesitação em assumir responsabilidades- O plano ou projeto que resulta o planejamento consiste no estabelecimento de um compromisso de trabalho.Ao fazê-lo, o orientador educacional afirma o seu comprometimento em promover determinadas transformações no contexto escolar,o qual será cumprido, na medida em que haja acordo com metas estabelecidas.

Falta de habilidade de planejar- O planejamento enquanto processo mental envolve habilidades especificas de analise, síntese, prospecção, extrapolação, criatividade, discernimento, comparação,perspicácia , dentre outras .Todas elas imperiosa para, com propriedade se identificar necessidades analisar alternativas, estabelecer prioridades , definir objetivos,propor estratégias de ação,definir e articular ações, estabelecer cronograma de ações ajustadas e dimensionar estratégias de avaliação do programa de ação.

Planejar em educação envolve também habilidades em trabalho em grupo, de envolvimento de pessoas e de articulação de seus esforços, uma vez que sendo uma ação coletiva implica que seja feita de forma participativa.

A falta de planejamento para orientar uma ação, ou sua realização sem os cuidados de análise objetiva e globalizante torna-se imprecisa, inconsistente , incoerente,e até mesmo inócua . Vamos ressaltar alguns problemas: o Reforço à rotina- Pela falta de analise contextual da situação na qual se propõe a agir e das expectativas de resultados dessa ação , em busca de uma modificação na realidade, o orientador passa a proceder a um contexto com o que fez em outro, numa ocasião como em outra, indiferenciadamente. Em vista disso, as ações se tornam repetitivas e rotineiras, desempenhadas mecanicamente. o Baixa eficiência e eficácia no trabalho- A inadequada compreensão da realidade na qual se pretende atuar e a falta de clareza de direcionamento das ações necessárias causam, por certo, hesitações , imprecisões, variações aleatórias de direcionamento que , de um lado levam uma baixa eficiência ,isto é uma inadequada canalização de recursos e energia e por outro lado uma baixa eficácia isto é uma inadequada produção de resultado. o Desentendimento e confusão-A imprecisão na definição dos rumos a seguir gera confusão e desarticulação entre os envolvidos no trabalho educativo. o Obstruçãoe desenvolvimento da área de orientação educacional- o desenvolvimento de uma área profissional se faz mediante a aplicação de pressupostos teóricos de método e de técnica que sendo confrontados com a realidade são gradativamente corrigidos, expandido e transformados.

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