Pneumonia

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Os ventiladores de pressão positiva são aqueles que obrigam os alvéolos a se expandiram durante a inspiração. Isto faz com que os pulmões inflem durante esta fase inspiratória, enquanto a expiração ocorre de forma passiva, sem o auxílio do ventilador mecânico. Há três tipos de ventiladores mecânicos que utilizam a pressão positiva, sendo classificados de acordo com a forma do término da inspiração. São eles: ciclados a pressão, a tempo e a volume. Outra maneira de aplicação da pressão positiva é pela ventilação mecânica não-invasiva (SMELTZER e BARE, 2002).

O principal efeito da aplicação da pressão positiva sobre o sistema cardiovascular é a diminuição do retorno venoso, em razão do aumento da pressão intratorácica e elevação das pressões pericárdica, mediastinal e pleural. Outra consequência observada é a disfunção do ventrículo direito, podendo haver dilatação do mesmo, devido a maior resistência da vascularização pulmonar. Um outro efeito que pode ocorrer é a alteração da distensibilidade do ventrículo esquerdo, em razão dos desvios dos septos interventriculares (AZEREDO, 2000).

Os ventiladores ciclados a pressão regulam a administração do gás a uma determinada pressão constante durante a fase inspiratória. Neste tipo de ventilador é possível controlar os limites das pressões de platô e de pico empregadas para a insuflação pulmonar, para a variação do volume corrente e também do volume minuto, de acordo com a resistência do sistema respiratório. Uma desvantagem deste tipo de ventilador é que o volume de gás que entra nos

Monografias do Curso de Fisioterapia da Unioeste n. 01 – 2005 ISSN 1675-8265 pulmões varia de acordo com a impedância pulmonar, sendo que este gás pode ser insuficiente para as necessidades pulmonares (GOLDMAN e AUSIELLO, 2005).

Os ventiladores ciclados a volume são os mais empregados atualmente. O volume de gás que é aplicado a cada inspiração já é preestabelecido. Após a administração deste volume ocorre a expiração de maneira passiva. A cada ciclo respiratório o gás empregado é praticamente constante, favorecendo uma respiração mais apropriada ao paciente (SMELTZER e BARE, 2002).

Os ventiladores ciclados a tempo permitem com que haja a passagem do ar para o indivíduo, até que seja alcançada uma duração inspiratória preestabelecida. Devido a sua capacidade de gerar altas pressões, este tipo de ventilador pode ser útil em pacientes com grave insuficiência respiratória (COSTA, 1999).

A ventilação mecânica pode ter necessidade de ser utilizada se o paciente tiver um aumento da pressão arterial de dióxido de carbono (PaCO2), uma diminuição contínua da pressão arterial de oxigênio (PaO2) e uma acidose persistente. Situações como intoxicação por drogas, cirurgias abdominais ou torácicas, lesão por inalação, doença pulmonar obstrutiva crônica, trauma múltiplo, coma, podem induzir à falência respiratória, fazendo com que o paciente necessite da ventilação mecânica (SMELTZER e BARE, 2002).

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Figura 2 – Leito de UTI com ventilação mecânica

Fonte:< http://imagens.viamidia.com/tmb0000013793.2.jpg> 2.5.1 Ventilação Mecânica Invasiva

Para que a ventilação mecânica invasiva (VMI) seja utilizada, a intubação endotraqueal ou a traqueostomia devem ser realizadas. Dessa forma, a intubação pode ser orotraqueal, quando o tubo endotraqueal é colocado pela boca, ou nasotraqueal, quando o tubo é introduzido pelo nariz. Além de terem função de fornecer uma conexão com o ventilador, os tubos endotraqueais facilitam a retirada das secreções por meio do cateter de aspiração. A traqueostomia é empregada quando há a necessidade de ultrapassar a obstrução das vias aéreas superiores, como no caso de um tumor de laringe ou edema alérgico. A traqueostomia é utilizada também em pacientes que têm um tempo de permanência prolongado na UTI, como por exemplo em um pós-operatório de neurocirurgia. No entanto, existem várias complicações associadas à aplicação do tubo endotraqueal e da traqueostomia, como edema de glote, ulceração da laringe e traquéia, infecção, lesão das cordas vocais, pneumotórax, dentre outras (WEST, 1996).

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2.5.1.1 Modalidades de Ventilação Mecânica Invasiva

2.5.1.1.1 Ventilação mecânica controlada

A ventilação mecânica controlada (VMC) exige que o paciente seja previamente anestesiado antes de sua instalação. Neste modo de ventilação mecânica invasiva, a freqüência respiratória e o volume corrente são determinados pelo ventilador. Todavia, pode ocorrer assincronia entre o paciente e o ventilador. Este tipo de ventilação mecânica é indicado para o alívio de pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica, hiperventilação de pacientes neurocríticos, sedação, dosagem excessiva de drogas e em pacientes apnéicos secundários à paralisia de músculos respiratórios (AZEREDO, 2002).

2.5.1.1.2 Ventilação mecânica assistida/controlada

No modo assistido/controlado, o ventilador fornece ciclos controlados e assistidos. O ventilador pode na ausência de esforço inspiratório do paciente manter os ciclos controlados na freqüência pré-programada. Quando o paciente realiza esforço inspiratório o ventilador dispara através da programação da sensibilidade (BONASSA, 2000 apud CARVALHO, 2000).

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A ventilação assistida controlada pode ser indicada, na medida do possível, como primeira escolha nas fases iniciais e de manutenção da ventilação mecânica em pacientes graves com insuficiência respiratória de qualquer causa. Uma das vantagens deste modo ventilatório é que o paciente pode controlar o seu volume-minuto e a sua freqüência respiratória. Uma de suas desvantagens é que o paciente pode se hiperventilar em virtude de fatores neurológicos ou devido à própria ansiedade (EMMERICH, 2001).

2.5.1.1.3 Ventilação mandatória intermitente sincronizada

A ventilação mandatória intermitente sincronizada (SIMV) é um modo ventilatório em que existe alternância entre ciclos asssitidos do ventilador e ciclos respiratórios espontâneos do paciente em intervalos preestabelecidos. Assim, o ventilador é ajustado para administrar um ciclo ventilatório intermitente com o esforço inspiratório subsequente. A sincronização não permite que o paciente seja hiperinsuflado quando ele receber um ciclo do ventilador durante ou ao final de sua inspiração voluntária. O início desse modo de ventilação é dado por fluxo/pressão, é ciclado a volume e limitado a pressão. As principais vantagens deste modo ventilatório são a diminuição da necessidade de sedação e a menor assincronia (EMMERICH, 2001; GOLDMAN e AUSIELLO, 2005).

2.5.2 Ventilação Mecânica Não-Invasiva

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A ventilação mecânica não invasiva (VNI) é uma técnica que não utiliza uma via aérea artificial, no entanto causa o aumento da ventilação alveolar. Este tipo de ventilação mecânica evita várias complicações que estão presentes na ventilação mecânica invasiva, como lesões das vias aéreas superiores, hemorragia, interferência na fala e na deglutição, trauma, desconforto, pneumonia nosocomial, sinusite entre outras. Além disso, a ventilação mecânica não-invasiva reduz o tempo de internação do indivíduo e diminui os custos médicos (MUNIVE, APRAÉZ e ÁVILA, 2003).

Existem algumas condições em que não é indicado o uso da VNI, como é o caso de pacientes não colaborativos, aqueles que apresentam ansiedade excessiva, indivíduos com instabilidade hemodinâmica, pacientes com grave hipoxemia, pessoas que tenha anatomia nasal e facial alteradas também não devem fazer a utilização da VNI. Se não existirem evidências de contra-indicações, a VNI pode ser utilizada em caso de insuficiência respiratória com hipoventilação alveolar, seguido por aumento do trabalho respiratório, hipoxemia apesar da aplicação de oxigênio com fração inspirada maior que 50% e também em indivíduos com obstrução das vias aéreas superiores (GÁLVEZ et. al., 2002).

Algumas desvantagens da ventilação mecânica não-invasiva são a distensão gástrica, necessidade de colaboração do paciente, reinalação de dióxido de carbono (CO2), surgimento de úlceras faciais, irritação dos olhos, desconforto, alergia à máscara e necessidade de monitorização constante (AZEREDO, 2002).

2.5.2.1 Modalidades de Ventilação Mecânica Não-Invasiva

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