Construção civil

Construção civil

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Há, ainda, outros metais que se utilizam nas construções, como o alumínio (em caixilharias, divisórias, etc.), o latão (liga de cobre e zinco utilizadas em ferragens), o cobre (em fios eléctricos), o zinco (em algerozes), etc..

Os elementos em alumínio fundem a temperaturas relativamente baixas (a partir de 90 ˚C).

3.1.4. Madeiras

As madeiras, assim como as pedras naturais, constituem um material de construção utilizado há muito tempo. Todavia, são um excelente material de construção pois resistem bem à maioria dos esforços a que são solicitadas.

As madeiras absorvem água no tempo húmido e deformam-se. Porém, conservam-se quase indefinidamente ao ar seco ou mergulhadas na água. Veja-se o exemplo da baixa pombalina da cidade de Lisboa (fig. 7), que está edificada sobre estacas de madeira.

As alternâncias de secura e humidade provocam a destruição destes materiais. Para obviar a esta situação, é normal tratarem-se as madeiras com produtos apropriados (como tintas e vernizes), de modo a que se conservem por mais tempo. A maioria destes produtos é inflamável, aumentando as características combustíveis da madeira que protegem.

Para além da madeira natural, hoje em dia, utilizam-se na construção produtos derivados da madeira, principalmente, sob a forma de aglomerados.

Quanto mais delgada for a madeira, mais facilmente arde (a madeira começa a produzir gases combustíveis já de 150 a 200 C). Isto é, um barrote de madeira arde com alguma dificuldade, enquanto que placas ou painéis de madeira ardem, em geral, com maior facilidade. Contudo, as estruturas em madeira podem, mesmo, comportar-se melhor que as em aço, quando sujeitas à acção de um incêndio.

As madeiras têm uma aplicação generalizada na construção, destacando- -se a sua utilização, como elementos estruturais e de compartimentação, nos edifícios mais antigos (normalmente com mais de 60 anos), bem como em revestimentos e elementos de decoração.

Para melhorar a sua capacidade de resistência e de reacção ao fogo é conveniente protegê-las, tal como se apontou para as estruturas metálicas.

3.2. Materiais de ligação

Os materiais de ligação podem ser de três tipos:

•A éreos; •H idráulicos;

•H idrocarbonetos.

De entre os aéreos, que só endurecem pela acção do ar e não debaixo de água, destacam-se o barro, a cal aérea e o gesso, os quais não resistem à acção da água. Os dois últimos são muito mais utilizados que o primeiro, sendo a cal (que resulta da decomposição do calcário) empregue em acabamentos e o gesso em trabalhos de decoração no interior dos edifícios.

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A cal hidráulica e os cimentos são exemplos de materiais de ligação hidráulicos (este último mais usado), pois fazem ambos «presa» (endurecem), em presença da água.

Relativamente aos hidrocarbonetos utilizam-se os asfaltos e os alcatrões. Endurecem por arrefecimento, amolecendo para temperaturas superiores a 50 C. Aplicam-se nos revestimentos de arruamentos e nas impermeabilizações de terraços, empenas, muros, etc..

3.3. Materiais auxiliares

Muitos dos materiais de construção referidos anteriormente, como as madeiras, as pedras naturais, materiais compostos ou os metais, são também utilizados como materiais auxiliares na construção de edifícios, desempenhando funções de revestimento, decoração ou outras.

Dos materiais auxiliares, referem-se também os vidros usados no guarnecimento de caixilhos de janelas, portas, clarabóias, etc., as tintas e os vernizes que, para além de preservarem os vários elementos em que são aplicados, lhes conferem ainda um melhor aspecto estético.

As tintas das pinturas, em geral, formam bolhas e carbonizam a partir de 100 ˚C.

O vidro funde de 1000 a 2000 ˚C mas fractura-se, em geral, a uma temperatura muito mais baixa, começando a deformar-se a partir de 600 ˚C. Para obviar a esse inconveniente, pode recorrer-se a vidro armado, pois resiste um pouco melhor. Também as telhas e os tijolos de vidro têm pouca resistência ao fogo.

A cortiça é também um material auxiliar. É um material leve, com boas propriedades em termos de isolamento térmico, mas mau condutor do calor, muito combustível e não resistente aos efeitos da humidade.

Nos últimos anos tem vindo a usar-se cada vez mais polímeros (plásticos), PVC ou PEAD, nomeadamente em tubagens (para água, águas residuais – esgotos, ventilação, etc.), em tectos falsos, como revestimento de outros elementos – vedações metálicas ou outras, etc.. Estes materiais fundem a partir de 150 C e da sua combustão resulta, de entre outros produtos, a libertação de gases clorídricos, altamente tóxicos e corrosivos.

4Organização de um edifício

Os elementos constituintes de um edifício desempenham diversas funções (fig. 8), que se podem dividir, de um modo genérico, em estruturais e não estruturais.

Fig.8Diferentes funções dos elementos de construção de um edifício.

As funções estruturais são individualizadas das restantes pois qualquer construção tem, acima de tudo, que se manter em pé e suportar os esforços a que é sujeita, garantindo a resistência à derrocada do edifício.

De entre as funções não estruturais destacam-se as de compartimentação, interna e externa, do edifício e as que garantem a acessibilidade entre os seus pisos.

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4.1. Elementos estruturais

4.1.1. Considerações gerais sobre as cargas dos edifícios

Como se sabe, todo o corpo que for abandonado no espaço é deslocado de cima para baixo, na direcção vertical, por acção da força da gravidade. Também o vento pode pôr em movimento um corpo que esteja em repouso, ou mesmo alterar-lhe o movimento.

A gravidade, o vento, os sismos ou até a neve são exemplos de acções que geram forças capazes de actuar sobre as construções.

Os edifícios tem que estar calculados e construídos para resistirem à acção dessas forças, minimizando os seus efeitos, isto é, garantindo que os elementos de construção, em especial os estruturais, continuem a desempenhar a sua função.

As acções dessas forças, a que os edifícios estão sujeitos, designam-se por cargas e podem ser de diversos tipos.

Pode, desde logo, considerar-se o «peso próprio» do edifício, que se designa por carga permanente. Trata-se de uma carga específica de qualquer construção, onde se incluem os pesos de todos os elementos constituintes do edifício (elementos estruturais, paredes, escadas, caixas de elevadores, cobertura, etc.), que depende do tipo e quantidade dos diversos materiais envolvidos na construção desses elementos (fig. 9).

Fig.9As cargas permanentes dum edifício dependem dos elementos de construção.

No Quadro I apresentam-se alguns pesos específicos, isto é, o peso por unidade de volume em (Ton/m3) de alguns materiais utilizados na construção civil.

A carga permanente distingue-se de outras, como pessoas, móveis, veículos, equipamentos, etc., que se designam por sobrecargas (cargas não permanentes).

De acordo com a utilização prevista para os diversos espaços dum edifício, assim se consideram as sobrecargas.

Por exemplo, para o cálculo dos pavimentos (lajes) de uma dependência bancária ou de um restaurante a sobrecarga a adoptar será o dobro da considerada para uma habitação de carácter privado. Por outro lado, no cálculo da cobertura de uma construção podem tomar-se valores menores.

Como se referiu, as sobrecargas são consideradas em função do tipo de ocupação do edifício. No entanto, há situações em que, por ocorrerem deficiências, se registam acidentes. É o que poderá acontecer numa cobertura em terraço não acessível a pessoas nem a equipamentos, projectada para cargas reduzidas, se se entupirem os tubos de queda das águas pluviais(1).

(1)Consultar o Volume I – Hidráulica.

Aço de construção Alumínio fundido Alvenaria de basalto Alvenaria de blocos de betão pesados Alvenaria de calcário Alvenaria de tijolo furado vulgar Alvenaria de tijolo maciço Ardósia Areia húmida Argamassa asfáltica Argamassa de cimento Argamassa de gesso Betão armado

Materiais Peso (Ton/m )

Betão corrente Betonilha Brita Bronze Cal hidráulica Cimento portland Cantaria de granito Cantaria de mármore Chumbo Cortiça Ferro fundido Gesso Toros de madeira

Materiais Peso (Ton/m )

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