Esquizofrenia

Esquizofrenia

ESQUIZOFRENIA

A esquizofrenia é uma doença mental que se caracteriza por uma desorganização de diversos processos mentais.

SINTOMAS:

  • Delírios,

  • Alucinações,

  • Alterações do pensamento,

  • Alterações da afetividade,

  • Diminuição da motivação,

  • Sintomas motores,

  • Autismo,

  • Ambivalência,

  • Auto-referência,

  • Alteração de cognição.

CARACTERIZAÇÃO E CLASSIFICAÇÃO ATUAL DOS SINTOMAS

DELÍRIOS: são crenças, idéias, ou pensamentos falsos que não correspondem à realidade. Alguns portadores acham que estão sendo vigiados ou perseguidos pela polícia, pela máfia ou alguma organização secreta; outros acham que os vizinhos puseram câmaras escondidas para observá-lo ou que o telefone está “grampeado” para que possam ouvir suas conversas. Idéias relacionadas a temas religiosos ou de grandeza podem ocorrer.

ALUCINAÇÕES: são percepções irreais dos órgãos dos sentidos. Alucinações auditivas são mais freqüentes na esquizofrenia. Ouve vozes, mais raramente podem acontecer alucinações visuais, na forma de visões, olfativas, gustativas ou táteis.

ALTERAÇÕES DO PENSAMENTO: há uma perda da seqüência lógica do pensamento, levando a uma desorganização que ocasiona uma conversa “sem nexo”. Alguns portadores sentem que seus pensamentos lhe escapam da mente ou que outras pessoas os podem ler, influenciar ou controlar.

ALTERAÇÕES DA AFETIVIDADE: Alguns portadores têm uma diminuição dessa capacidade de expressar suas emoções, tanto de modo verbal, falando delas, como de modo não verbal, pela sua expressão facial e corporal. Sentem “vazio”, “frios” de emoções, sem o “colorido” da vida, sem expressão.

DIMINUIÇÃO DA MOTIVAÇÃO: Pode ocorrer diminuição da vontade, havendo apatia, desânimo ou desinteresse. Precisa que alguém insista para que execute as tarefas mais simples. Muitas vezes se torna isolado e retraído socialmente, desligando-se dos amigos e deixando de participar de atividades que antes o interessavam.

SINTOMAS MOTORES: Alguns portadores apresentam alterações motoras, principalmente durante a fase aguda da doença. Os movimentos ficam lentos, sem espontaneidade. Alguns portadores longos períodos de tempo em posturas estranhas, como uma estátua sem andar ou falar. Podendo ocorrer o contrário, apresentando-se agitação, gesticulação e fala excessivas, sem propósito algum.

AUTISMO: é uma volta para si mesmo passando a pessoa a viver dentro de um mundo próprio e fantasioso, “desligada” do mundo exterior que a rodeia.

AMBIVALÊNCIA: A pessoa mostra-se dividida entre dois sentimentos ou vontades opostos que ocorrem simultaneamente; pode ficar “paralisada” diante de uma situação, incapaz de decidir-se.

AUTO REFERÊNCIA: Acha que fatos corriqueiros, que ocorrem a sua volta no dia-a-dia, se referem especificamente a ela; está sempre desconfiada suspeitando dos que a rodeiam, achando que a estão observando ou prejudicando.

ALTERAÇÕES DE COGNIÇÃO: Alterações de atenção, memória e capacidade de abstração.

COMPORTAMENTOS E HÁBITOS ESTRANHOS

Observar a intensidade e a natureza de tais mudanças relacionadas ao jeito de falar, isolamento, hábitos de se vestir, certas atitudes inusitadas etc. é muito importante.

CLASSIFICAÇÃO ATUAL DOS SINTOMAS

Os numerosos sintomas que podem ser observados na esquizofrenia vêm sendo agrupados em sintomas positivos, negativos, cognitivos e afetivos.

Sintomas Positivos: Compreendem principalmente os delírios e as alucinações, bem como a desorganização do pensamento.

Sintomas Negativos: Incluem a diminuição da vontade e da afetividade, e o empobrecimento do pensamento e o isolamento social.

Sintomas Cognitivos: Incluem as dificuldades de atenção, concentração, compreensão e abstração.

Sintomas Afetivos: Incluem a depressão, a desesperança e as idéias de tristeza, ruína e, inclusive, autodestrutivas.

DIAGNÓSTICO

Diferentemente de outras doenças, não há, até o momento, nenhum tipo de exame laboratorial ou de raio X que possa auxiliar no diagnóstico da esquizofrenia.

O médico solicita exames laboratoriais e para excluir outras doenças que podem apresentar manifestações semelhantes às da esquizofrenia. Vai também tentar classificar a esquizofrenia apresentada, segundo alguns subtipos conhecidos.

Paranóide: Delírios, alucinações

Hebefrênico: Alterações da afetividade

Catatônico: Alterações da motricidade

Simples: Sintomas negativos

DIANÓSTICOS DIFERENCIAIS DA ESQUIZOFRENIA

Cabe ao médico fazer uma distinção entre esquizofrenia e outras doenças que podem se apresentar com sintomas parecidos e que podem ser confundidos com esquizofrenia. Algumas doenças clínicas podem simular esquizofrenia (são os chamados transtornos mentais orgânicos esquizofreniformes), daí a necessidade de avaliação por meio de exames laboratoriais e radiológicos para excluí-las.

Transtornos relacionados à esquizofrenia,

Transtornos do humor,

Transtorno esquizoafetivo,

Transtornos da personalidade,

Psicoses induzidas por substâncias.

SINAIS DE RECAÍDA

Alguns portadores, mesmo quando estão fazendo o tratamento corretamente, podem vir a ter uma nova crise. Há alguns sintomas chamados de pródromos, que podem indicar que uma nova crise está se iniciando. Esses sintomas ocorrem antes que o portador volte a falar dos delírios e das alucinações. São eles:

- insônia, nervosismo, irritabilidade, depressão, sensibilidade aumentada em relação a estímulos externos (som, luz etc.), inquietação, dificuldade de concentração, isolamento, sensação de estranheza, excitação sexual aumentada.

COMPLICAÇÕES DA ESQUIZOFRENIA

Duas situações são freqüentes no curso da esquizofrenia e bastante perigosas: o abuso de drogas e depressão.

TRATAMENTO DA ESQUIZOFRENIA

O tratamento da esquizofrenia pode ser dividido em tratamento medicamentoso e abordagens psicossociais, os quais devem ser integrados, tanto na fase aguda da doença como na fase de remissão.

Tratamento medicamentoso

Os antipsicóticos mais antigos (clássicos ou típicos) tem a capacidade de aliviar sintomas como delírios, alucinações, pensamento desorganizado, mas pouco efeito têm sobre sintomas como pensamento empobrecido, apatia e diminuição da afetividade. Além disso eles provocam efeitos colaterais neurológicos que caracterizam por tremores, rigidez muscular e dificuldade para andar. Nos últimos anos vem surgindo um novo grupo de medicações antipsicóticas (atípicos ou de nova geração), que além de diminuir os sintomas positivos, atuam também sobre os sintomas negativos, além de produzir efeitos colaterais neurológicos em menor intensidade. Os medicamentos antipsicóticos são considerados, atualmente, imprescindíveis no tratamento da esquizofrenia, sendo seu uso indicado para todos os pacientes. São utilizados com dois objetivos:

- na fase aguda para controlar os sintomas mais intensos, e

- na fase de remissão, para evitar novos surtos psicóticos (tratamento de manutenção)

Efeitos colaterais

Os antipsicóticos tradicionais podem causar tremores, rigidez muscular, dificuldade para andar, inquietação nas pernas ou contrações musculares semelhantes a câimbras. São os chamados sintomas parkinsonianos (devido à semelhança com a doença de Parkinson), extrapiramidais ou “impregnação”. Os antipsicóticos podem provocar também sedação, pressão baixa, obstipação intestinal, tonturas, alterações da menstruação e outros sintomas.

Os novos antipsicóticos, em geral, acarretam poucos efeitos colaterais antiparkinsonianos. Seus efeitos colaterais mais comuns são sedação, ganho de peso e tonturas dentre outros.

Medicamentos antidepressivos

Em algumas circunstâncias, medicamentos antidepressivos podem ser utilizados com os antipsicóticos. Isso ocorre se o portador de esquizofrenia apresentar sintomas depressivos significativos. Em geral, essas medicações são utilizadas apenas por determinado período, para tratamento do quadro depressivo agudo e, depois, por alguns meses, para evitar a recaída da depressão.

As abordagens psicossociais

Visam minimizar ou diminuir as recaídas e promover o ajustamento social dos portadores da doença. Sua utilização é indispensável para a maior parte integrante e indissolúvel dos tratamentos bem-conduzidos. As principais abordagens psicossociais são indicadas abaixo:

  • Psicoterapia – pode ser individual ou em grupo. Deve ter por finalidade melhorar os sintomas, prevenir as recaídas e evitar a institucionalização

  • Terapia Ocupacional – é uma terapia centrada em atividades. A atividade faz com que a pessoa se organize e possa desenvolver sua criatividade.

  • Acompanhamento Terapêutico – profissional de saúde mental que vai ajudar o portador a recuperar habilidades perdidas, acompanhando- o em seu dia-a-dia.

  • Grupos de auto-ajuda - Contribuem para que os portadores e seus familiares troquem experiências.

  • Abordagens psicossociais em instituições – em determinados momentos de crise, a internação ainda pode ser útil. Deve ser de curto prazo. O CAPS ou o NAPS, centros de convivência e algumas associações de portadores e familiares estão organizados para atividades de reabilitação social do portador.

  • Orientação familiar – têm a finalidade de diminuir as tensões presentes no ambiente familiar e melhorar o funcionamento social do portador.

  • Oficinas de trabalho protegidas – trata-se de um tipo de equipamento importante para iniciar a reabilitação do portador após a instalação da doença, é fundamental na recuperação das habilidades perdidas e mesmo na aquisição de novas habilidades.

  • Pensões protegidas – na maioria dos casos, trata-se de pessoas que perderam seus vínculos familiares e que estão sós na vida. São alternativas mais econômicas que o hospital e muito mais humanas. Disponíveis para portadores específicos.

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