Mediastino - anatomia

Mediastino - anatomia

(Parte 1 de 4)

MEDIASTINO

- é o compartimento central da cavidade torácica. É coberto de cada lado pela pleura mediastinal e contém todas as vísceras e estruturas torácicas, exceto os pulmões.

- estende-se da abertura superior do tórax até o diafragma inferiormente e do esterno e cartilagens costais anteriormente até os corpos das vértebras torácicas posteriormente.

- é uma região muito móvel, pois consiste principalmente em estruturas viscerais ocas (cheias de líquido ou ar) unidas apenas por tecido conjuntivo frouxo, frequentemente infiltrado por gordura. As principais estruturas no mediastino também são circundadas por vasos sanguíneos e linfáticos, linfonodos, nervos e gordura.

- nessa região, o tecido conjuntivo torna-se mais fibroso e rígido com a idade, assim as estruturas do mediastino tornam-se menos móveis.

- é dividido em superior e inferior (anterior, médio e posterior).

- o mediastino superior estende-se inferiormente da abertura superior do tórax até o plano horizontal( que inclui o ângulo esternal anteriormente e passa aproximadamente através da junção das vértebras T4 e T5 posteriormente, frequentemente definido como plano transverso do tórax) (f. 1.34 p. 125)

- o mediastino inferior situa-se entre o plano transverso do tórax e o diafragma. É subdivido pelo pericárdio em anterior, médio e posterior. O pericárdio e seu conteúdo (coração e as raízes de seus grandes vasos) constituem o mediastino médio.

- algumas estruturas (ex: esôfago) situam-se em mais de um compartimento mediastinal.

PERICÁRDIO (MEDIASTINO MÉDIO)

- inclui o coração e as raízes do grandes vasos (aorta ascendente, tronco pulmonar e veia cava superior) que entram e saem do coração.

- o pericárdio é uma membrana fibrosserosa que cobre o coração e o início de seus grandes vasos. É um saco fechado formado por 2 camadas:

PERICÁRDIO FIBROSO: camada externa resistente, é contínua (funde-se) com o tendão central do diafragma (f. 1.25 p.108), o local de continuidade foi denominado ligamento pericardicofrênico. Sua superfície interna é revestida pela lâmina parietal do pericárdio seroso, a qual é refletida sobre o coração nos grandes vasos como a lâmina visceral do pericárdio seroso.

É contínuo superiormente com a túnica adventícia dos grandes vasos e com a lâmina pré-traqueal da fáscia cervical profunda. Fixa-se na superfície posterior do esterno pelos ligamentos esternopericárdicos. Une-se às estruturas do mediastino posterior por tecido conjuntivo frouxo.

Protege o coração contra o superenchimento súbito, porque é tão inflexível quanto intimamente relacionado aos grandes vasos que o perfuram superiormente.

PERICÁRDIO SEROSO: composto principalmente por mesotélio, uma única camada de células achatadas que formam um epitélio que reveste a superfície interna do pericárdio fibroso e a superfície externa do coração.

- o coração é relativamente bem preso nesse saco fibroso.O pericárdio é influenciado por movimentos do coração e dos grandes vasos, esterno e diafragma.

- a cavidade pericárdica é um espaço virtual entre as camadas opostas das lâminas parietal e visceral do perciárdio seroso. Normalmente contém uma fina película de líquido que permite ao coração se movimentar e bater em um ambiente sem atrito (f. 1.35 p. 127).

- a lâmina visceral do pericárdio seroso constitui o epicárdio, a mais externa das 3 camadas da parede cardíaca. Estende-se sobre o início dos grandes vasos, tornando-se continua à lâmina parietal do pericárdio seroso onde a aorta e o tronco pulmonar deixam o coração e onde VCI e VCS e veias pulmonares entram no coração. O seio transverso do pericárdio situa-se entre esses 2 grupos de vasos e as reflexões do pericárdio seroso ao seu redor, e a reflexão do pericárdio seroso ao redor dos segundo grupo de vasos define seio oblíquo do pericárdio.

- os seios do pericárdio formam-se durante o desenvolvimento do coração em conseqüência do pregueamento do tubo cardíaco primordial. Quando o tubo cardíaco se dobra, sua extremidade venosa move-se póstero-superiomente (f. 1.36 p. 128), de forma que a extremidade venosa do tubo situa-se adjacente à extremidade arterial, separada apenas pelo seio transverso do pericárdio, uma passagem transversal no saco pericárdico entre as origens dos grandes vasos aferentes e eferentes (f. 1.37 p. 128). Assim, este seio situa-se posterior às partes intrapericárdicas do tronco pulmonar e a aorta ascendente, anterior à VCS e superior aos átrios do coração.

- à medida que as veias do coração se desenvolvem e se expandem, uma reflexão pericárdica que as circunda forma o seio oblíquo do pericárdio, um recesso semelhante a uma bolsa na cavidade pericárdica posterior à base (face posterior) do coração, formada pelo átrio esquerdo (f. 1.42 c e d p.134). Este seio é um saco cego.

- o suprimento arterial do pericárdio (f. 1.38 p. 128) provém principalmente de um ramo fino da a. torácica interna, a a. pericardicofrênica, que frequentemente acompanha ou segue paralela ao nervo frênico até o diafragma.

- há contribuições menores de sangue de:

A. Musculofrênica (ramo a. torácica interna)

A. brônquica, esofágica e frênica superior (ramos da aorta torácica)

A. cononárias (primeiros ramos da aorta)

- a drenagem venosa do pericárdio é feita:

V. pericardicofrênicas (tributárias das veias braquiocefálicas)

Sistema venoso ázigo

- a inervação:

Nervos frênicos (c3-c5): fonte primária das fibras sensoriais

Nervos vagos: função incerta

Troncos simpáticos: vasomotores

Obs: os nervos frênicos são nervos somáticos não-viscerais apesar de sua localização.

CORAÇÃO E GRANDES VASOS

- o coração é uma bomba dupla, auto-ajustável, de sucção e pressão.

- o lado direito do coração recebe sangue pouco oxigenado (venoso) do corpo através da VCS e da VCI e bombeia-o, através do tronco pulmonar, para ser oxigenado nos pulmões (f. 1.39 A)

- o lado esquerdo do coração recebe sangue bem oxigenado dos pulmões através das veias pulmonares e bombeia-o para a aorta, a fim de seja distribuído para o corpo.

- os sons do coração são produzidos pelo estalido de fechamento das válvulas unidirecionais que normalmente impedem o refluxo do sangue durante as contrações do coração.

- a parede de cada uma das 4 câmaras do coração (AD, VD, AE, VE) é formada por 3 camadas:

ENDOCÁRDIO: fina camada interna (endotélio e tecido conjuntivo subendotelial) ou membrana de revestimento do coração que também cobre suas valvas.

MIOCÁRDIO: camada intermediária helicoidal e espessa, formada por mm cardíaco.

EPICÁRDIO: camada externa fina (mesotélio) formada pela lâmina visceral do pericárdio seroso.

Obs: o miocárdio é mais espesso, principalmente nos ventrículos.

- quando os ventrículos se contraem, eles produzem um movimento de torção devido à orientação helicoidal dupla das fibras mm cardíacas. Este movimento inicialmente ejeta o sangue dos ventrículos enquanto a camada espiral externa (basal) contrai, primeiro estreitando e depois encurtando o coração, reduzindo o volume das câmaras ventriculares.

- as fibras musculares estão fixadas ao esqueleto fibroso do coração (f. 1.40 b p.132) que é uma estrutura complexa de colágeno denso que forma 4 anéis fibrosos que circundam os óstios das válvulas, um trígono fibroso direito e outro esquerdo, e as partes membranáceas dos septos interatrial e interventricular.

- o esqueleto fibroso do coração:

1. mantém os orifícios das valvas AV e arteriais permeáveis e impede que sejam excessivamente distendidos por um aumento do volume de sangue bombeado através deles.

2. oferece fixação para as válvulas (folhetos) das valvas.

3. oferece fixação para o miocárdio.

4. forma um “isolante” elétrico, separando os impulsos conduzidos mioentericamente dos átrios e ventrículos, de forma que estes se contraiam independentemente.

- o coração e as raízes dos grandes vasos no interior do saco pericárdico estão relacionados anteriormente com o esterno, as cartilagens costais e as extremidades anteriores das 3ª-5ª costelas no lado esquerdo (f. 1.41 p.133)

- o coração e o saco pericárdico estão situados obliquamente, cerca de dois terços à esquerda e um terço à direita do plano mediano.

- externamente, os átrios são demarcados dos ventrículos pelo sulco coronário ou atrioventricular, e os ventrículos direito e esquerdo são separados pelos sulcos interventriculares anterior e posterior.

- em vista anterior ou posterior, o coração parece trapezóide, mas em 3 dimensões seu formato é semelhante ao de uma pirâmide tombada com o ápice (voltado anteriormente e para a esquerda), uma base (oposta ao ápice, na maioria das vezes voltada posteriormente) e 4 lados.

- o ápice do coração (f. 1.42 B):

1. formado pela parte ínfero-lateral do ventrículo esquerdo

2. situa-se posterior ao 5º espaço intercostal, aproximadamente 9 cm do plano mediano.

3. permanece imóvel durante todo o ciclo cardíaco

4. é o local onde os sons de fechamento da valva mitral são máximos (batimento apical). O ápice está situado sob o local onde os batimentos cardíacos podem ser auscultados na parede torácica.

- a base do coração (f. 1.42 c e d):

1. é a face posterior do coração (oposta ao ápice)

2. formada principalmente pelo átrio esquerdo, com uma menor contribuição do átrio direito

3. está voltada posteriormente em direção aos corpos das vértebras t6-t9 e esta separada delas pelo pericárdio, seio pericárdico oblíquo, esôfago e pela aorta.

4. estende-se superiormente até a bifurcação do tronco pulmonar e inferiormente até o sulco coronário.

5. recebe veias pulmonares nos lados direito e esquerdo de sua porção atrial esquerda e as veias cavas superior e inferior nas extremidades superior e inferior de sua porção atrial direita.

- as quatro faces do coração (f. 1.44 a-d):

FACE ESTERNOCOSTAL (ANTERIOR): formada principalmente pelo ventrículo direito.

FACE DIAFRAGMÁTICA (INFERIOR E MAIS LISA): formada principalmente pelo VE e parte do VD, está relacionada principalmente ao tendão central do diafragma.

FACE PULMONAR DIREITA: formada principalmente pelo AD

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