Crianças e desporto. Perspectivas do ponto de vista da psicologia

Crianças e desporto. Perspectivas do ponto de vista da psicologia

Crianças e desporto. Perspectivas desde Perspectivas de el punto de vista de la Psicología. ponto de vista da psicologia.

Essa questão da criança e o esporte é um tema um tanto polêmico. Aprendemos através de mídia que o esporte é uma ferramenta extremamente saudável para as crianças, que ajuda a “gastar a energia”, que ensina disciplina, responsabilidade, a cooperação, a socialização, a lidar com imprevistos, com perdas, a programar metas, estimula motivação, autoconfiança, etc. Enfim, são tantos benefícios, que logo que as crianças fazem 5 anos são matriculadas em escolinhas de futebol, lutas, balé, ginástica, natação entre tantas outras que trabalham habilidades físicas, motricidade e que complementam a educação pedagógica delas.

Porém, não prestamos atenção em como as nossas crianças estão desenvolvendo estas atividades.

Infelizmente a mídia vende a prática do esporte-rendimento, e os pais muitas vezes, projetam em seus filhos futuros campões. Logo, seus treinadores, até mesmo para não perder seus alunos e suas mensalidades, acabam treinando o lado competitivo da prática esportiva.

Segundo este artigo, numa citação de Bidle (1993), estudos sobre o benefício do exercício sobre a saúde psicológica requer uma expansão em investigação pediátrica e indica que é necessário resolver satisfatoriamente uma série de questões metodológicas.

Pois bem, Bidle deixa claro que, tem que haver uma integração no trabalho psicológico e físico da criança para assim aplicar métodos satisfatórios que tenham resultados positivos na sua educação, porém nem sempre, integramos a pediatria, a psicologia e a pedagogia para educarmos as nossas crianças, e por muitas vezes, esquecemos de analisar a maturidade delas (Teoria de Piaget) antes de submetê-las à prática de exercícios físicos.

Calfa e Taylor (1994) disseram que a moderação entre a prática da atividade física e psicológica, traz certos benefícios para crianças e adolescentes, especialmente os relativos ao aumento da auto-estima.

Mas fica claro neste artigo, que a criança deve praticar esporte de modo práxis, (com prazer) e pedagógico. E que esse aprendizado nesse meio social, seja feito de forma natural e gradual de acordo com a maturação dela, respeitando suas etapas discutidas por Piaget, para que não tenham transtornos futuros, mas sim uma formação psicopedagógica útil para sua vida e realizadas com metodologias apropriadas.

Entretanto, outro ponto discutido neste artigo, é o mau uso da prática esportiva nas crianças. Bañuelos Sanchez (1999) ressalta: uma pessoa competitiva afeta suas oportunidades de interação social e ambiente. A competitividade influencia a capacidade de se comunicar e interagir com outras pessoas.

De fato, uma pessoa competitiva ao extremo é capaz de praticar o chauvinismo para conseguir o que deseja.

Crianças submetidas a se tornarem superatletas podem se tornar pessoas perturbadas psicologicamente caso elas não consigam atingir suas metas ou vencer em competições, não ser o melhor do time, etc.

A criança então sofre com a frustração e isso pode levar ao abandono da prática esportiva.

Este artigo também chama atenção para outro ponto. Quanto educadores, nós somos preparados a trabalhar os princípios igualitários, o respeito pela individualidade e a atenção a diversidade. Em contrapartida estas atitudes são contrárias nas práticas esportivas, principalmente quando geramos a pressão nas crianças em seu desempenho atlético, onde Maria Carmen Pulgarin Medina diz neste artigo que não é nada mais do que um prolongamento da pressão do desporto profissional.

É obvio que nesse ponto há uma pressão da mídia e do mercado esportivo onde começam a buscar novos talentos em jovens atletas (alguns mesmos começando com 3 ou 5 anos de idade o início de uma carreira).

Mostra que estes treinamentos não trabalham de acordo com um estudo psicológico da criança, e nem respeita as suas etapas, criando nelas desequilíbrios emocionais, cognitivos passando a sofrer perturbações e bloqueios afetivos. Sem contar que pode afetar o seu biológico com micros lesões, torções, sobrecarga muscular... e também problemas psicológicos de auto-estima, fatores que podem prejudicar até mesmo seu desempenho escolar se tornando um obstáculo para sua evolução com parâmetros considerados normais entra as crianças e jovens.

Para estes problemas, o artigo sugere algumas alternativas:

  • A geração do motor e atividades recreativas que podem envolver todas as crianças em idade escolar, além da concorrência.

É sugerido que as crianças que praticam um especialidade de esporte, deve praticar um outro tipo de modalidade também , praticando a transferência, porém não de uma forma competitiva, mas de modo que sirva para socialização em outros meios sem a pressão do vencer.

  • Mudar as atuais estruturas do desporto escolar.

Mudar algumas regras, como as que acontecem no mini-basquete ou futebol 7 favorecendo um gradual adaptação da criança no mundo dos esportes.

  • Que permite que a criança ou o jovem atleta não sofra as conseqüências com a pressão de campeonatos e torneios.

Preservar esta criança ou jovem do mundo do esporte-rendimento e a pressão imposta por eles como se fosse disputa de alto-nível. Não deixar que o mundo esportivo e sua competitividade influenciem no psicológico destas crianças e jovens de forma negativa, levando alguns casos a terem sérios problemas até mesmo de saúde.

  • Escolaridade obrigatória até, pelo menos 16 anos.

Preservar a necessidade que a criança e jovem tem de obter uma qualificação mínima que permite aos indivíduos a prosseguirem os seus estudos ou entrar no mercado de trabalho com alguns requisitos mínimos de formação, e que ele mesmo faça a escolha se deseja continuar com a prática esportiva ou terminar seus estudos. Isso poderia ser uma alternativa para aquelas crianças que chegam à elite dos esportes sem nem terem concluído os estudos básicos.

Qualquer inserção feita com as crianças no mundo esportivo é de responsabilidade de pais e treinadores – professores e que o mesmo deve fazer de forma responsável, não almejando o esporte-rendimento, mas sim o esporte-participação e o esporte-educacional.

PROPOSTA CONCLUSIVA

Ao lermos este artigo, concluímos que este tema é de profunda importância para nós, futuros profissionais de Educação Física na forma em que conduziremos os treinamentos infantis.

Este assunto foi pesquisado e analisado em dois pontos que para nós, são cruciais nesta discussão: os benefícios e os problemas da inserção da criança no esporte.

Nós concordamos que realmente o esporte é muito saudável na vida da criança se tiver um treinamento responsável. Temos percebido, durante os nossos estudos o quanto é importante o treinamento psicológico integrado com o treinamento físico. Alguns treinadores/professores ainda não aplicam este método, ou por falta de tempo, ou por falta de informação.

As técnicas do treinamento psicológico têm sido aderidas no mundo dos esportes melhorando tanto o psicológico quanto o físico dos atletas e seus resultados mostram como hoje essa técnica tem sido imprescindível para o sucesso do desempenho. E é notória sua necessidade também no esporte-educação, com as crianças e jovens, tanto na sua prática física quanto na pedagógica.

São inúmeros os benefícios que o esporte traz as crianças, tais como: coordenação motora, raciocínio, disciplina, motivação, motricidade, adaptação de ambiente, lidar com imprevistos e derrotas, solidariedade, cooperação, socialização, etc.

Todos estes benefícios influenciam em outras áreas da sua vida familiar, escolar, social e cultural, conforme a teoria de Vygotski, este ambiente esporte-educação/ esporte-participação, irá influenciar a sua formação e comportamento num efeito transferência.

Essa prática esportiva não deve estimular a competitividade, nem idealizar uma prática do esporte-rendimento para que não seja criado nesta criança problemas psicológicos e até mesmo físicos.

Este é o ponto negativo de uma má aplicação da prática física para as crianças. Nós assistimos ao vídeo: Como são feitos os campeões (disponível no site do youtube), e fizemos dele um instrumento para uma análise crítica e até mesmo polêmica da situação.

Não é fácil falar do assunto. É claro que nem sempre que uma criança é introduzida ao mundo dos esportes ela passa pela situação extrema vista nesse vídeo. E nem tudo que chamamos de "esporte" é a mesma coisa. Basicamente, podemos dividi-lo em 3 tipos:

O esporte de entretenimento/ lazer (ou esporte-participação), que são as atividades físicas formais ou informais, realizadas no tempo livre, para a diversão e que são ideais para toda e qualquer tipo de criança e jovem.

O esporte no contexto escolar (ou esporte-educação), onde os esportes são utilizados - ou deveriam ser - como ferramenta para ajudar a desenvolver habilidades motoras e cognitivas nos alunos, assim como cooperação e respeito pelo próximo, evitando o caráter competitivo e o treinamento esporte-rendimento.

O esporte-rendimento, o esporte profissional (esporte-performance), onde cada segundo a mais ou a menos conta, onde a competição é a regra de maior peso.

O problema está no esporte de rendimento. Uma criança está preparada para os sacrifícios que esse tipo de prática física exige? A criança entende o que está fazendo? Quais os objetivos? Ela não deveria estar brincando? Acreditamos que os esportes podem trazer muitos benefícios para o desenvolvimento das crianças. Mas existem meios e técnicas apropriadas.

Para a Federação Européia de Psicologia do Esporte (1996), existem alguns motivos que levam a criança a esta prática precoce. Entre eles podemos citar o aumento dos esportes organizados, o próprio interesse das crianças aguçado pela mídia, o desejo dos pais na busca do desenvolvimento físico e psíquico (socialização) de seus filhos e por fim a busca de talentos, resultando num recrutamento esportivo precoce.

É verdade, e sabemos que infelizmente o mundo dos esportes é vendido pela mídia capitalista como uma tendência ao consumismo e as disputas em si se tornam grandes espetáculos esportivos, e que essa prática vai exigindo dos atletas muitos sacrifícios para que eles se mantenham na elite dos melhores do mundo. A prática esportiva deixou de ser algo prazeroso para se tornar uma competição que tem que ser ganha a qualquer custo.

Em alguns casos, o professor sabe que não será saudável para a criança, porém para agradar os pais e não perder o aluno, ele acaba preparando a criança para que ela se transforme num superatleta com métodos de treinamento de alto nível.

Muitas vezes, essas crianças nem são submetidas a exames físicos para saber se o seu corpo suporta essa carga. E menos ainda são avaliadas psicologicamente para saber como estes treinamentos estão influenciando o comportamento delas.

Isso pode gerar na criança vários distúrbios emocionais e psicológicos como frustração (toda vez que ele não conseguir atingir sua meta, ele pensará que está decepcionando os seus pais, o treinador e a equipe), extrema competitividade (A competição se torna negativa quando a orientação esta voltada exclusivamente para o produto/resultado final), desgosto pelo esporte (a pressão é tão grande que ele se sentirá incapaz e desistirá da prática, talvez pelo resto da vida). Pode também provocar lesões no físico, bem como torções, problemas musculares e ósseos.

De fato, com o crescimento dos programas de esportes juvenis, inúmeras crianças buscam a prática do esporte através de clubes, colégios e escolas especializadas. Dentro deste ambiente, é possível perceber que os eventos esportivos, as competições e os treinamentos direcionados às crianças são estruturados com base nos modelos de programas de competição de adultos.

Alguns atletas se tornaram conhecidos mundialmente exatamente por sua pouca idade, principalmente na ginástica olímpica onde isto ocorre com muita freqüência, sendo Nadia Comanecci  o exemplo mais significativo da frágil menininha que se tornou estrela mundial com pouquíssima idade. Casualmente, esta mesma atleta teve graves problemas de saúde mental após o abandono das competições esportivas.

Desta forma, devemos respeitar as necessidades e os interesses das crianças, saber que tipo de atividades que as motivam, enfim devemos de todas as formas, minimizar as possíveis pressões que as mesmas poderão sofrer, onde na grande maioria das vezes já começam em casa, quando os pais que não tiveram sucesso esportivo na infância depositam toda sua frustração em desejo de ver o seu filho como um esportista de renome.

Se compararmos com os adultos, as crianças estão em grande desvantagem, pois além de  não estarem preparadas emocionalmente e fisicamente para suportar altas cargas de treinamento é inexistente o acompanhamento de pessoas capacitadas que poderiam evitar ou amenizar as conseqüências  desta precocidade esportiva.

A adequada prática esportiva e competitiva infantil vão depender de uma infinidade de fatores entre os quais podemos citar: a formação e atuação do professor, os meios e os objetivos propostos, a faixa etária das crianças, o tipo de competição no qual ela vai participar a efetiva forma de participação da família neste contexto e etc.

Para concluir, lembramos que a criança não é um adulto (atleta) em miniatura e que o treinador ou professor além de sua tarefa técnica, também deve ter responsabilidade pedagógica com o futuro – principalmente – do jovem a ele confiado.

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