Anemias

Anemias

(Parte 1 de 4)

Rio de Janeiro, novembro/ 2009.

Flávia Fidelis Gilmar Soares

Guaraci Miranda

Lúcia Ferreira Lúcia Medina Lucimar Santos

Trabalho de aproveitamento do curso de Enfermagem; 3º período; disciplina: Processos patológicos gerais; professor: Daniel Melo; turma: EN 321.

Rio de Janeiro/ 2009.

Introdução

Anemia é definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como a condição na qual o conteúdo de hemoglobina no sangue está abaixo do normal como resultado da carência de um ou mais nutrientes essenciais, seja qual for a causa dessa deficiência. A hemoglobina é o pigmento dos glóbulos vermelhos (eritrócitos) e tem a função vital de transportar o oxigênio dos pulmões aos tecidos. Os valores normais para a concentração de hemoglobina sanguínea é de 13g∕dL para homens, 12 g ∕dL para mulheres e 1 g ∕dL para gestantes e crianças entre 6 meses e 6 anos.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, 30% da população mundial é anêmica, sendo que sua prevalência entre as crianças menores de 2 anos chega a quase 50%.

São várias as causas de anemia, sendo a anemia por deficiência de ferro a mais prevalente em todo o mundo. Crianças, gestantes, lactantes (mulheres que estão amamentando), meninas adolescentes e mulheres adultas em fase de reprodução são os grupos mais afetados pela doença, muito embora homens -adolescentes e adultos- e os idosos também possam ser afetados por ela.

Os pacientes com anemia têm uma significante redução na massa de hemácias, e uma diminuição correspondente na capacidade do sangue de transportar oxigênio. O volume total de sangue é mantido num nível constante, o que significa que o sangue fica mais diluído, com menor concentração de hemácias. A anemia é definida como uma redução maior que 10% dos valores normais de hemácias, para os dois sexos.

As hemácias são produzidas, nos adultos, pela medula óssea. A sua produção é estimulada por uma substância produzida no rim, a eritropoietina e é dependente da presença de ferros, vitaminas de complexo B, ácido fólico e proteínas. As hemácias, depois que saem da medula, sobrevivem, em média, por 120 dias, sendo então destruídas.

Tipos de anemia

Qualquer condição passível de comprometer a produção ou de aumentar a taxa de destruição ou de perda dos glóbulos vermelhos pode resultar em anemia, se a medula óssea não conseguir compensar a perda dos glóbulos vermelhos, ou mesmo um aumento das necessidades de ferro, como ocorre em crianças durante períodos de crescimento acelerado ou em mulheres durante a gestação e amamentação.

Os principais tipos de anemia são:

Anemia da carência de ferro (anemia ferropriva) Anemia das carências de vitamina B12 e de ácido fólico (anemia perniciosa)

Anemia das doenças crônicas

Anemias por defeitos genéticos: - anemia de células falciformes

- talassemias

- esferocitose

- deficiência de glicose-6-fosfato-desidrogenase (favismo)

Anemias por agressão periférica aos eritrócitos: - malária

- anemias hemolíticas imunológicas

- anemia por fragmentação dos eritrócitos

Anemias decorrentes de doenças da medula óssea: - anemia aplásica

- leucemias e tumores na medula

Anemia é a desordem mais comum do sangue. Há vários tipos de anemia, produzidos por uma variedade de causas. Anemia é classificada pelo tamanho da célula vermelha sanguínea: diminuída (microcítica), normal (normocítica) ou aumentada (macrocítica ou megaloblástica).

Sinais e sintomas

Os sinais e os sintomas de anemia dependem da doença base, assim como da gravidade e da rapidez de sua instalação. Muitos dos sinais e sintomas da anemia representam ajustes cardíacos e pulmonares compensatórios à diminuição das hemácias. Se a anemia desenvolveu-se rapidamente, não há tempo para estes ajustes e o paciente tem sintomas e sinais mais severos do que outro com anemia da mesma intensidade, que se desenvolveu lentamente.

Indivíduos com anemia ligeira, geralmente não apresentam sintomas ou podem se queixar de fadiga, dispnéia e palpitação. Pacientes com anemia severa, freqüentemente são sintomáticos, mesmo em repouso, tendo dificuldades para tolerar exercícios. Os pulsos são amplos e o ritmo cardíaco é rápido. O paciente queixa-se de tonteiras, cefaléia e pode desmaiar. Anorexia e indigestão são freqüentes. As mulheres freqüentemente têm distúrbios menstruais. A palidez das mucosas e das linhas da mão são bons indicadores do grau da anemia.

Portanto, os principais sinais e sintomas são: fadiga generalizada, anorexia (falta de apetite), palidez de pele e mucosas (parte interna do olho, gengivas), menor disposição para o trabalho, dificuldade de aprendizagem nas crianças, apatia (crianças muito "paradas").

Causas

Fatores genéticos que alteram a formação das hemácias, células em forma de disco que dão a cor vermelha ao sangue, devido ao pigmento chamado hemoglobulina.

Destruição dos glóbulos vermelhos devido a falhas no sistema imunológico ou em reação a certos medicamentos.

Deficiência de vitamina B12 devido a problemas digestivos, falhas de absorção da vitamina, dieta pobre em carne, leite, ovos e leite.

Problemas na medula óssea devido a infecções virais, hepatite A, B e C; exposição a radiações ou ambientes tóxicos.

Tipos de anemia

Existem vários tipos de anemia:

Anemia aplásica - A medula óssea não produz número adequado de elementos do sangue periférico.

Anemia ferropriva - É a forma mais comum da doença, causada por falta de ferro no organismo. Aparece, em geral, em mulheres, devido a alimentação inadequada, durante a gestação ou amamentação, ou em idosos, devido a dieta pobre em ferro.

Anemia por deficiência em ácido fólico - A suplementação de ácido fólico, antes da gravidez e nos primeiros meses de gestação, pode prevenir alguns defeitos congênitos no feto, como a espinha bífica.

As formas mais raras são:

Anemia falciforme - A doença, caracterizada pela incapacidade de os glóbulos vermelhos transportarem oxigênio para os tecidos do corpo, afeta, principalmente, os negros. Começa a manifestar-se no final do primeiro ano de vida, mas pode ser diagnosticada, por amniocentese, no segundo trimestre da gestação.

Talassemia - Ocasionada pelo acúmulo deficiente de hemoglobina, com anormalidade das hemácias, é uma doença hereditária, prevalente na região do Mediterrâneo, Oriente Médio e Sudeste Asiático. Existe em forma mais branda e em forma severa.

Anemia perniciosa - Doença causada pela incapacidade de o organismo absorver vitamina B12.

Diagnóstico

As anemias são diagnosticadas por determinados sinais clínicos e laboratoriais, dos quais o mais importante é a diminuição da taxa de hemoglobina. São várias as etapas de diagnóstico. A primeira visa saber se trata de uma anemia por falta de produção, por excesso de destruição ou por perda hemorrágica. Os exames de laboratório são:

Hemograma - para contagem de glóbulos vermelhos, brancos, plaquetas, reticulócitos, nível de B12, ferro, ácido fólico, G6PD, tamanho e formato das hemácias.

Eletroforese da hemoglobina, para checar hemoglobinas anormais.

Exame de urina, para medir a excreção do ácido metilmalônico.

Exame de Coombs, para detectar anemia hemolítica.

Exame de fezes, para verificar presença de sangue.

Ao abordar um paciente com anemia, buscamos, no exame de sangue, indicações para a origem desta. A presença e o número de reticulócitos, que são hemácias jovens, recémsaídas da medula óssea, divide as anemias em dois tipos: aquelas em que a produção de hemácias está aumentada ou aquelas em que a produção está diminuída.

No primeiro grupo estão as anemias hemolíticas, doenças em que as hemácias têm defeitos ou estão sendo destruídas e duram menos que as hemácias normais, exigindo da medula uma produção maior. A forma das hemácias defeituosas pode indicar o tipo de defeito.

Se o número de reticulócitos de um anêmico é normal ou baixo, isto indica que a produção de hemácias nem é suficiente para corrigir a anemia. Aqui também examinamos a forma e a cor das hemácias, dividindo-as em três grupos:

a) macrocíticas: hemácias aumentadas b) microciticas, hipocrômicas: pequenas e pálidas c) normocrômicas, normocíticas.

Anemia microcítica

O tipo mais comum de anemia é a decorrente de deficiência de ferro, a qual geralmente é microcítica. Causas bem mais raras (aparte de comunidades onde essa condição é prevalente) são talassemia e hemossiderose.

Anemia por deficiência de ferro ocorre quando o consumo na dieta ou absorção de ferro é insuficiente. Ferro é uma parte essencial da hemoglobina, e baixos níveis desse mineral resultam em incorporação diminuída de hemoglobina em célula vermelha. A principal causa de anemia por deficiência de ferro em mulheres pré-menopausa é a perda de sangue durante a menstruação. Estudos têm mostrado que a deficiência de ferro sem anemia causa queda de performance escolar e diminui o QI em garotas adolescentes. Em pacientes mais velhas, anemia por deficiência de ferro muitas vezes ocorre por lesões com sangramento no trato intestinal. Exame de fezes e endoscopia geralmente são feitos para identificar lesões com sangramentos, as quais podem ser malignas.

Anemia Normocítica

Anemia normocítica pode ser causada por perda de sangue aguda, doença crônica ou falha em produzir quantidade suficiente de células vermelhas. Problema renal crônico e no fígado causam anemia normocítica. No caso de problema renal isso deve-se à diminuição da produção do hormônio eritropoietina.

Certas deficiências hormonais, como deficiência de testosterona, podem causar anemia normocítica. Anemia sideroblastica é causada pela produção anormal de células vermelhas sanguíneas como parte da Síndrome Mielodisplásica, a qual pode se desenvolver em tumores malignos hematológicos (especialmente leucemia mielógena aguda).

Anemia aplástica é causada pela inabilidade da medula óssea produzir células sanguíneas. Anemia aplástica é muito mais rara do que a causada por deficiências na dieta ou defeitos genéticos, e progride rapidamente.

Anemia macrocítica

A cauda mais comum de anemia macrocítica é a deficiência de vitamina B12 e/ou ácido fólico, devida à ingestão inadequada ou absorção insuficiente. Deficiência de vitamina B12 produz sintomas neurológicos, já a deficiência de ácido fólico geralmente não. Anemia perniciosa é uma condição auto-imune onde falta ao organismo fator intrínseco necessário para absorver a vitamina B12 dos alimentos. Alcoolismo pode causar anemia macrocítica.

Classificação das anemias

A anemia pode ser aguda ou crônica.

Na anemia aguda (perda súbita de sangue) a falta de volume no sistema circulatório é mais importante que a falta de hemoglobina. A perda de até 10% do volume sangüíneo, como a que ocorre numa doação de sangue, é bem tolerada. Perdas entre 10 e 20% causam hipotensão postural, tonturas e desmaios. Nas perdas acima de 20% há taquicardia, extremidades frias, palidez extrema, e hipotensão, depois choque; se a perda ultrapassar 30%, sem reposição imediata de líquidos intravenosos, o choque torna-se rapidamente irreversível e mortal.

Nas anemias crônicas não há baixa do volume sangüíneo, que é compensado por aumento do volume plasmático.

Tratamento

Dependendo do tipo e do estágio da doença, o médico poderá prescrever suplementos de ácido fólico, ferro vitaminas C e B12; medicamentos para prevenir infecções; transfusões de sangue; internação hospitalar para assistência adequada. Existe a possibilidade de transplante de medula óssea de doador compatível, para tratamento da anemia aplásica.

A não ser que se trate de uma forma grave da doença, a anemia pode ser prevenida com alimentação rica em ferro, ácido fólico e vitamina B12:

Alimentos que contêm ferro: vegetais verdes e folhas; carne vermelha (magra); bife de fígado; aves, peixe, ostra; germe de trigo; frutas secas e cereais com adição de ferro.

Alimentos ricos em ácido fólico: aspargo, espinafre, alface, brócolis, rúcula; feijão; germe de trigo; aveia.

Alimentos que contêm vitamina B12: carne magra, peixe, aves e derivados do leite.

Deve-se ingerir alimentos com alta concentração de vitamina C, como frutas cítricas, tomates e morangos e evitar não só bebidas alcoólicas e fumo, mas chás, refrigerantes, cervejas e sorvetes, pois contêm fosfatos.

Anemia Ferropriva

Estima-se que 90% das anemias sejam causadas pela deficiência de ferro.

O Ferro é um nutriente essencial para a vida e atua principalmente na síntese (fabricação) das células vermelhas do sangue e no transporte do oxigênio para todas as células do corpo.

Nas crianças a principal causa de anemia ferropriva é o aumento da demanda de ferro e sua ingestão insuficiente, que ocorre mais freqüentemente nos bebês em aleitamento artificial ou após os seis meses de idade mesmo naqueles que recebem aleitamento materno.

Já nos adultos a causa mais comum de anemia ferropriva é a perda crônica de sangue, nos homens, mais freqüentemente, pelo trato gastrintestinal e nas mulheres, pelo sangramento menstrual. A causa da anemia deve ser sempre investigada, pois a perda de sangue pode ser desde de uma causa benigna, como por exemplo, o uso de aspirina, até uma causa maligna, como um câncer no intestino.

Os sinais e sintomas da carência de ferro são inespecíficos, necessitando-se de exames de sangue laboratoriais para que seja confirmado o diagnóstico de anemia ferropriva.

A carência de ferro, mesmo antes de suas manifestações hematológicas, provoca um acometimento sistêmico com repercussões na imunidade e resistência a infecções, na capacidade para o trabalho e no desenvolvimento neuropsicomotor. O resultado indesejável da deficiência de ferro na infância poderá repercutir negativamente no desenvolvimento escolar e, tardiamente, na inserção do indivíduo no mercado de trabalho.

Os principais fatores que inibem ou prejudicam a absorção do ferro são:

Tanino e cafeína – substâncias encontradas no café, chá preto, erva-mate e refrigerantes.

Oxalato – substância encontrada no chocolate, beterraba, espinafre, feijões, acelga, maçã, figo, abacaxi, couve e outros.

Fitatos – substância encontrada nos cereais integrais (trigo integral. Aveia, arroz integral, farelo de trigo e soja não fermentada), grãos (leguminosas) e farelos que formam ácido fítico.

Cálcio –forma um composto insolúvel com o ferro, diminuindo muito sua absorção, pois se unem em uma só molécula. Presente nos leites, queijos, coalhadas e iogurtes. O Leite materno é o único leite que previne a anemia ferropriva, pois ele contém quantidades adequadas de nutrientes para a criança. A trocas do leite materno pelo leite de vaca, aumenta em cerca de 5,4 vezes o risco de a criança desenvolver anemia (Nutri-Fuzzy).

Cozimento prolongado dos alimentos, o ferro é menos absorvido.

Como prevenir a anemia ferropriva

A melhor arma para a prevenção da anemia ferropriva é, sem dúvida, uma alimentação bem variada, rica em alimentos que naturalmente possuem ferro e os enriquecidos ou fortificados com o nutriente.

As melhores fontes naturais de ferro são os alimentos de origem animal – fígado e carne de qualquer animal – por possuírem um tipo de ferro melhor aproveitado pelo nosso organismo.

Outra forma eficaz de prevenir a anemia ferropriva, além da dieta adequada, é o uso do ferro profilático. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda o uso de ferro elementar desde o início do desmame até o término do segundo ano de vida para os recém-nascidos nascidos a termo, a partir do 30o dia de vida, por 2 meses para os recém- nascidos prematuros ou de baixo peso e, depois, inicia-se o esquema proposto para as crianças a termo. As mulheres grávidas também devem fazer uso profilaxia da anemia ferropriva a partir da 16o semana de gravidez através da ingestão de ferro elementar, que corresponde a 200 mg de sulfato ferroso por dia.

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