teste de sensibilidade a penicilina

teste de sensibilidade a penicilina

(Parte 1 de 8)

1Manual: Testes de Sensibilidade à Penicilina

Ministério da Saúde

Secretaria de Políticas de Saúde Coordenação Nacional de DST e Aids

Testes de

Sensibilidade à Penicilina Manual

Brasília 1999

2Manual: Testes de Sensibilidade à Penicilina

© 1999 - Ministério da Saúde É permitida a reprodução parcial ou total, desde que citada a fonte. Tiragem: 20.0 exemplares

Ministério da Saúde Secretaria de Políticas de Saúde Coordenação Nacional de DST e Aids

Esplanada dos Ministérios - Bloco G - Sobreloja CEP 70058-900 Brasília-DF Brasil

Disque Saúde / Pergunte Aids: 0800 61 1997 http://www.aids.gov.br

Publicação financiada com recursos do Projeto BRA92/001.

Ficha catalográfica

Manual : Testes de Sensibilidade à Penicilina - Brasília :

Ministério da Saúde, 1999. 32 p. : il.

1. Penicilinas2. Testes cutâneos I. Coordenação

ISBN 85 334 0199 X Nacional de DST e Aids.

NLM - QV 354

Impresso no Brasil / Printed in Brazil

3Manual: Testes de Sensibilidade à Penicilina

APRESENTAÇÃO5
I. REAÇÃO DE HIPERSENSIBILIDADE À PENICILINA7
I.A. FATORES DE RISCO7
I.B. MECANISMOS IMUNOLÓGICOS DAS REAÇÕES ÀS DROGAS8
I.C. ANTIGENICIDADE DA PENICILINA9
I.D. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS9
I. TESTES CUTÂNEOS PARA AVALIAÇÃO DE ALERGIA À PENICILINA1
I.A. REALIZAÇÃO DOS TESTES CUTÂNEOS1

Sumário

POTÁSSICA (PG) 10.0 U/ml1
I.A.2 PREPARO DA SOLUÇÃO DO TESTE CONTROLE12

I.A.1 PREPARO DO REAGENTE: SOLUÇÃO DE PENICILINA G

POTÁSSICA A 1:10.000UI12
I.B.1 TESTE DE PUNTURA (“PRICK TEST”)12
I.B.2 TESTE INTRADÉRMICO13
I. ANAFILAXIA À PENICILINA - TRATAMENTO15
I.A. TRATAMENTO GERAL15
I.B. TRATAMENTO ESPECÍFICO16
I.B.a. Hipotensão ou Choque16
I.B.b. Obstrução de vias aéreas superiores16
I.B.c. Obstrução de vias aéreas inferiores16
IV. DESSENSIBILIZAÇÃO DE PACIENTES COM ALERGIA À PENICILINA19
IV.A. PREPARO DA SOLUÇÃO DE PENICILINA V21
ANEXOS23

I.B. TÉCNICA DE REALIZAÇÃO DOS TESTES COM A PENICILINA G REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................................31

4Manual: Testes de Sensibilidade à Penicilina 4Manual: Testes de Sensibilidade à Penicilina

5Manual: Testes de Sensibilidade à Penicilina

Apresentação

O recrudescimento da sífilis adquirida, observado nas últimas décadas, tem como conseqüência o aumento do número de casos de sífilis congênita. E essa é uma doença perfeitamente prevenível, bastando diagnosticar e tratar toda gestante de forma oportuna, adequada e impedir que ela se reinfecte, isto é, tratando também adequadamente o(s) seu(s) parceiro(s).

Em 1993, a Coordenação Nacional de DST e Aids estabeleceu como prioridade a "eliminação da sífilis congênita". Em função dessa prioridade, foram iniciadas várias atividades destinadas à avaliação e ao controle da sífilis congênita.

Em um levantamento realizado pelo Programa Estadual de DST e Aids de São Paulo, em 474 casos notificados de sífilis congênita, no ano de 1996, constatou-se que, entre 54% (178/327) de mães "tratadas" e com pré-natal, somente

14% (25/178) apresentavam um tratamento correto, isto é, com droga, dose e em tempo adequado.

O melhor tratamento para a sífilis, em todos os seus estágios, ainda é a penicilina, sendo a única terapêutica com eficácia documentada para a neurossífilis e para a sífilis durante a gestação. Deve-se enfatizar que todas as outras alternativas terapêuticas não são totalmente eficazes, para serem aceitas sem restrições. Devemos lembrar também que a penicilina é a primeira opção para os indivíduos com sífilis e portadores do HIV. Não se constatou, até hoje, resistência à penicilina pelo Treponema pallidum.

O diagnóstico de alergia à penicilina deve ser adequadamente avaliado, antes de se excluir o medicamento da prescrição médica. E essa avaliação adequada compreende, em primeiro lugar, um interrogatório prévio eficiente (Anexo

I) que oriente para a real necessidade da indicação dos testes de sensibilidade à penicilina, que, na grande maioria dos casos, não são necessários.

A maioria das reações às penicilinas é de natureza relativamente benigna; as reações anafiláticas ocorrem em 10 a 40 de 100.0 injeções aplicadas, isto é, em 1 a 4 de 10.0 pacientes tratados, com aproximadamente 2 óbitos por

100.0 tratamentos. Muitos autores defendem a não realização dos testes de sensibilidade à penicilina. No entanto, em nosso dia-a-dia, deparamos com uma outra realidade: grande parte das receitas médicas com prescrição de penicilina solicita que a administração desta seja feita "após teste". Por outro lado, na maioria dos casos, os "testes de sensibilidade à penicilina" são realizados de forma completamente incorreta (aplicação da penicilina receitada, sem diluição, por via ID ou SC), expondo o paciente ao mesmo risco de reação a que seria submetido caso recebesse injeção com dose completa da penicilina prescrita.

A história de alergia à penicilina só pode ser confirmada por meio de testes de sensibilidade adequadamente realizados, os quais não necessitam de recursos humanos especializados como será abordado neste manual, podendo ser parte rotineira das atividades de uma Unidade Básica de Saúde.

Pacientes com neurossífilis ou aqueles com suspeita de neurossífilis e mulheres grávidas com sífilis em qualquer estágio (vide Anexos I e II) que manifestem alergia à penicilina devem ser submetidos à dessensibilização para, posteriormente, serem tratados com penicilina, dada a eficácia terapêutica dessa droga nesses casos.

Diante dessas questões, a Coordenação Nacional de DST e Aids, considerando indispensável a retomada e a revisão desse tema, organizou este manual como mais uma das atividades desenvolvidas para a "eliminação da sífilis congênita". Este manual foi elaborado pela mesma equipe que produziu o documento informativo "Penicilina x Sífilis" do Programa Estadual de DST e Aids de São Paulo, 1996.

Pedro Chequer Coordenador Coordenação Nacional de DST e Aids do Ministério da Saúde

6Manual: Testes de Sensibilidade à Penicilina 6Manual: Testes de Sensibilidade à Penicilina

7Manual: Testes de Sensibilidade à Penicilina

I. Reação de hipersensibilidade à penicilina

As penicilinas são um grupo de antimicrobianos de extrema utilidade na terapêutica e prevenção dos agravos infecciosos piogênicos ou suas complicações. A hipersensibilidade a antibióticos beta-lactâmicos, entre eles a penicilina, merece especial consideração, devido à sua importância clínica. A exclusão das penicilinas na terapêutica deve ser criteriosa. Em algumas situações, substitutos adequados podem ser disponíveis. No entanto, a indicação da penicilina pode ser indispensável, como no tratamento de endocardite enterocócica, abscesso cerebral, meningite bacteriana, e especialmente frente a quadros de neurossífilis, sífilis congênita, sífilis durante a gestação e sífilis associada ao HIV

(Anexos I e II).

Destaca-se a indicação da penicilina para o tratamento da sífilis, uma vez que outras alternativas não apresentam eficácia comprovada.

Um problema que se apresenta na prática clínica é a freqüência de reações de hipersensibilidade, observada em 0,7 a 10% dos pacientes tratados com penicilina. Aproximadamente 10% dos pacientes hospitalizados referem uma história de alergia a estes medicamentos. Muitos desses casos, no entanto, foram incorretamente diagnosticados.

Esse grupo de medicamentos é capaz de determinar todos os tipos de reações de hipersensibilidade, mas é importante destacar que as reações anafiláticas1, as mais graves, ocorrem em um número muito reduzido de pessoas, com incidência estimada de 0,04 a 0,2% e taxa de letalidade ao redor de 0,001% (1 em cada 50.0 a 100.0 tratamentos).

I.A. Fatores de risco

Alguns fatores individuais têm sido relacionados com o desenvolvimento de reações de hipersensibilidade à penicilina, como: a ligação do hapteno à proteína do hospedeiro; o mecanismo de regulação da resposta das células T e B na produção de anticorpos e a maior freqüência de reações cutâneas em mulheres do que em homens. A história de atopia não predispõe os indivíduos à alergia à penicilina. Apesar disso, indivíduos atópicos, sensíveis à penicilina, apresentam maior risco de reações anafiláticas graves, se houver produção de anticorpos IgE.

Um defeito de hiperprodução de IgE (regulado pela célula T), como é observado em algumas imunodeficiências, pode, teoricamente, predispor a reações de hipersensibilidade. A infecção pelo vírus Epstein-Barr (EBV), a leucemia linfóide aguda e a infecção pelo citomegalovírus (CMV) aumentam o risco de exantema máculo-papular induzido pela amoxicilina/ampicilina.

A incidência de reações graves é maior quando da administração parenteral de penicilinas, se comparada com a utilização oral.

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