Interpretação de exames bioquímicos

Interpretação de exames bioquímicos

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INTERPRETAÇÃO DE EXAMES LABORATORIAIS

ÁCIDO ÚRICO

Sinonímia: Uricemia, urato, uricosúria

Material: Soro, líquido sinovial e urina de 24h.

Preparo do paciente: Jejum obrigatório de 8 horas para dosagem no soro. Para dosagem de urina, colher urina 24 horas, alcalinizada (bicarbonato de sódio 5g/L urina). Não refrigerar.

Método: Colorimétrico – enzimático automatizado

Valor de referência:

Soro: Homens – 3,4 a 7,0 mg/dL

Mulheres – 2,4 a 5,7 mg/dL

Urina 24 horas: 250 a 750 mg/24h

Urina (outras): à critério médico

Líquido sinovial: semelhante ao soro

Principais Aplicações Clínicas: Teste útil no diagnóstico das hiperuricemias, como as encontradas na gota, na calculose e na nefropatia úrica, em neoplasias, leucemias, linfomas, mielomas e policitemia. Constitui fator de risco nas dislipidemias, obesidade, diabetes, hipertensão e ingestão de álcool. Aumentado: na insuficiência renal, gota, anorexia, leucemias, doença infecciosa aguda, câncer metastático, eclampsia severa, choque, cetose diabética, acidose metabólica, intoxicação por chumbo, estresse, alcoolismo, exercício vigoroso, policitemia, psoríase , hiperuricemia assintomática. Diminuído: com uso de drogas antigota (alopurinol, probenecida), doença de Wilson, câncer.

ALBUMINA

Sinonímia: Albuminemia

Material: Soro, líquido pleural e ascítico.

Preparo do paciente: Jejum de 4 horas.

Método: Colorimétrico automatizado

Valor de referência:

Adultos: 3,5 a 4,8 g/dL

Crianças: 0 a 5 dias (<2,5 kg) 2,0 – 3,6g/dL

0 a 5 dias (>2,5 kg) 3,6 – 3,6g/dL

1 a 3 anos 3,4 – 4,2g/dL

4 a 6 anos 3,5 – 5,2g/dL

7 a 9 anos 3,7 – 5,6g/dL

10 a 19 anos 3,7 – 5,6g/dL

Nos líquidos corporais os valores de referência são correlacionados com o soro.

Principais Aplicações Clínicas: Exame útil na avaliação do estado nutricional, da capacidade de síntese hepática e da perda renal de proteínas. Nos líquidos cavitários, ajuda a estabelecer o diagnóstico diferencial entre transudatos e exudatos. Aumentada: na desidratação. Diminuída: em edema, doença hepática, má absorção, diarréia, queimadura, eclampsia, IRC, desnutrição, estresse, hiperhidratação, câncer, gestação, envelhecimento, síndrome nefrótica.

BILIRRUBINAS TOTAL E FRAÇÕES

Sinonímia: Bilirrubina direta (conjugada), indireta e total. BD, BI, BT.

Material: Soro.

Preparo do paciente: Jejum não obrigatório.

Método: Jendrassik/Grof - automatizado

Valor de referência:

Adulto:

Bilirrubina Total: 0,2 a 1,0 mg/dL

Bilirrubina Direta: 0,05 a 0,3 mg/dL

Bilirrubina Indireta: até 0,7 mg/dL

Recém-nascido:

Bilirrubina Total (mg/dL) 0 a 1dia 1 a 2 dias 3 a 5 dias

Recém-nascido prematuro 8,0 12,0 14,0

Recém-nascido a termo 6,0 10,0 8,0

Principais Aplicações Clínicas: Avaliação de hepatopatias e de quadros hemolíticos, em particular na avaliação do recém-nascido.

As causas mais comuns de aumento da Bilirrubina Direta são as doenças hepato-celulares e da árvore biliar. Aumentada: no dano hepatocelular, obstrução biliar, toxicidade por droga, hemólise, jejum prolongado, icterícia fisiológica neonatal, hipotireoidismo.

O aumento da Bilirrubina Indireta indica: (1) aumento da produção Hemólise (DHRN), (2) diminuição do transporte (anticorpos e medicamentos), (3) defeito da captação (deficiência ou bloqueio das lingadinas) e (4) defeito da conjugação (doença de Gilbert, entre outras).

CÁLCIO TOTAL

Sinonímia: Calcemia, calciúria, Ca.

Material: Soro, urina 24 horas.

Preparo do paciente: Jejum obrigatório de 4 horas. Urina 24h, uso facultativo de HCl 50% - 20mL/L urina. Não refrigerar. Dieta à critério médico.

Método: Methylthymol Blue (MTB) – automatizado.

Valor de referência:

Sangue: 8,5 a 10,4 g/dL

Urina 24 horas:

Sem dieta: até 280 mg/24h

Com dieta: 60 a 180 mg/24h

Urina (outras): à critério médico.

Principais Aplicações Clínicas: Diagnósticos e segmento de distúrbios o metabolismo de cálcio e fósforo, especialmente na avaliação de pacientes com cálculo renal.

O cálcio sérico é mantido dentro dos limites fisiológicos pela ação combinada do paratormônio e vitamina D através de seus efeitos sobre os ossos, intestino e rins.

Na maioria das vezes a hipercalcemia indica a presença de hiperparatireoidismo ou de doenças malignas. A hipercalcemia está associada ao uso de drogas como os tiazidicos, vitaminas A e D, antiácidos alcalinos e carbonato de lítio. A imobilização (fraturas), doença de Paget e doenças granulomatosas (Sarcoidose) são causas de hipocalcemia.

As causas mais comuns de hipocalcemia são:

  1. Hipoparatireoidismo idiopático ou cirúrgico,

  2. Pseudo hipoparatireoidismo,

  3. Insuficiência renal,

  4. Desordens do metabolismo da vitamina D,

  5. Deficiência de magnésio,

  6. Drogas,

  7. Tetania neonatal,

  8. Pancreatite aguda,

  9. Transfusões sangüíneas múltiplas.

CLORETOS

Sinonímia: Cloro, cloremia, Cl.

Material: Soro, urina de 24h ou amostra única, suor, líquor.

Preparo do paciente: Sangue, jejum não obrigatório.

Método: Colorimétrico automatizado

Valor de referência:

Sangue: 97 a 106 mEqL

Líquor: 118 a 132 mEq/L

Suor:

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