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MINISTÉRIO DA SAÚDE BRASÍLIA 2000

ASSISTÊNCIA PRÉ-NATAL Manual Técnico

MINISTRO DA SAÚDE José Serra

SECRETÁRIO DE POLÍTICAS DE SAÚDE João Yunes

DEPARTAMENTO DE GESTÃO DE POLÍTICAS ESTRATÉGICAS Ana Figueiredo

COORDENADORA DAS AÇÕES DE SAÚDE DA MULHER Tania Di Giacomo do Lago

SECRETÁRIO DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE Renílson Rehen de Souza

DEPARTAMENTO DE ASSISTÊNCIA À SAÚDE Cláudio Duarte da Fonseca

COORDENADORA DE ATENÇÃO BÁSICA Heloísa Machado de Souza

3º EDIÇÃO-REVISÃO TÉCNICA − Angel P. Parras

− Elcylene Leocádio

− Janine Schirmer

− José Ferreira Nobre Formiga Filho

− Martha Lígia Fajardo

− Milton Menezes da Costa Neto

− Paulo Afonso Kalume Reis

− Pedro Pablo Chacel

− Regina Coeli Viola

− Ricardo Fescina

− Suzanne Serruya

COLABORAÇÃO Alunas do Curso de Mestrado em Enfermagem - Área de Concentração em

Enfermagem Obstétrica da Universidade Federal de São Paulo.

ILUSTRADOR Fernando Castro Lopes

© 2000. Ministério da Saúde

APRESENTAÇÃO5
1. ACOLHIMENTO7
2. ORGANIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA PRÉ-NATAL9
2.1 Construindo a Qualidade no Pré-natal9
2.2 Educação e Saúde9
2.3 Visitas Domiciliares10
2.4Preparo para Parto e Nascimento Humanizados1
Pré-natal12
3. ASSISTÊNCIA PRÉ-NATAL17
3.1 Diagnóstico da Gravidez17
3.2 Calendário de Consultas18
3.3 Consultas19
3.4Padronização de Procedimentos e Condutas23
4. FATORES DE RISCO REPRODUTIVO25
4.1 Fatores de Risco na Gravidez25
5. MEDIDA DO PESO27
6. CONTROLE DA PRESSÃO ARTERIAL35
7. VERIFICAÇÃO DA PRESENÇA DE EDEMA37
CRESCIMENTO FETAL39
8.1Interpretação do Traçado Obtido e Condutas41
9. AUSCULTA DOS BATIMENTOS CARDIOFETAIS43
10.1 Teste Anti-HIV na Gravidez47
Mellitus Gestacional47
1. VACINAÇÃO ANTITETÂNICA49
12.NÍVEIS DE EXECUÇÃO DA ASSISTÊNCIA PRÉ-NATAL51
13. ANEXOS53
I.Técnicas Padronizadas para o Exame Clínico e Obstétrico53
I.Aconselhamento Pré e Pós-teste Anti-HIV na Gravidez62

Para que a gravidez transcorra com segurança, são necessários cuidados da própria gestante, do parceiro, da família e, especialmente, dos profissionais de saúde.

A atenção básica na gravidez inclui a prevenção, a promoção da saúde e o tratamento dos problemas que ocorrem durante o período gestacional e após parto.

O Ministério da Saúde está publicando estas normas de atenção ao pré-natal, com a finalidade de oferecer referências para a organização da rede assistencial, capacitação profissional e normatização das práticas de saúde. As secretarias estaduais e municipais de saúde devem adaptar, colocar em prática e avaliar a aplicação destas normas, visando à melhoria da qualidade do pré-natal em todo o país.

Melhorar a assistência à saúde, convém ressaltar, depende também da atenção que cada profissional dedica à sua paciente.

JOSÉ SERRA Ministro da Saúde

"acolher: 1. dar acolhida a; dar agasalho a;

2. dar crédito a; dar ouvidos a; 3. admitir, aceitar, receber,;

4. tomar em consideração." (AURÉLIO)

Cabe à equipe de saúde, ao entrar em contato com uma mulher gestante, na unidade de saúde ou na comunidade, buscar compreender os múltiplos significados da gestação para aquela mulher e sua família.

O contexto de cada gestação é determinante para o seu desenvolvimento bem como para a relação que a mulher e a família estabelecerão com a criança desde as primeiras horas após o nascimento. Interfere, também, no processo de amamentação e nos cuidados com a criança e com a mulher. Um contexto favorável fortalece os vínculos familiares, condição básica para o desenvolvimento saudável do ser humano.

Assim, a história que cada mulher grávida traz deve ser acolhida integralmente, a partir do relato da gestante e de seus acompanhantes.

Sãotambém parte desta história os fatos, emoções ou sentimentos percebidos pelos membros da equipe envolvida no pré-natal.

Contando sua história, as grávidas esperam partilhar experiências e obter ajuda. Assim, a assistência pré-natal torna-se um momento privilegiado para discutir e esclarecer questões que são únicas para cada mulher e seu parceiro, aparecendo de forma individualizada, até mesmo para quem já teve outros filhos. Temas tabus, como a sexualidade, poderão suscitar dúvidas ou necessidade de esclarecimentos.

O diálogo franco, a sensibilidade e a capacidade de percepção de quem acompanha o pré-natal são, condições básicas para que o saber em saúde seja colocado à disposição da mulher e sua família - atores principais da gestação e parto.

Uma escuta aberta, sem julgamentos nem preconceitos, que permita à mulher falar de sua intimidade com segurança, fortalece a gestante no seu caminho até o parto e ajuda a construir o conhecimento sobre si mesma, levando a um nascimento tranqüilo e saudável.

Escutar uma gestante é algo mobilizador. A presença da grávida remete à condição de poder ou não gerar um filho, sendo-se homem ou mulher. Suscita solidariedade, apreensão. Escutar é um ato de autoconhecimento e reflexão contínua sobre as próprias fantasias, medos, emoções, amores e desamores. Escutar é desprendimento de si.

Na escuta, o sujeito se dispõe a conhecer aquilo que talvez esteja muito distante de sua experiência de vida e por isso exige um grande esforço para compreender e ser capaz de oferecer ajuda, ou melhor, trocar experiências.

As mulheres estão sendo estimuladas a fazer o pré-natal e estão respondendo a esse chamado. Elas acreditam que terão benefícios quando procuram os serviços de saúde. Depositam confiança e entregam seus corpos aos cuidados de pessoas autorizadas, legalmente, a cuidarem delas.

Como abrir mão dos papéis predeterminados socialmente, reaprender a fala popular, aproximar-se de cada sujeito respeitando sua singularidade e não perdendo de vista seu contexto familiar e social?

Como ser capaz de corresponder à confiança que as mulheres demonstram ao aderir à assistência pré-natal? As respostas a essas perguntas são da competência de cada pessoa que escolheu trabalhar com a prática geral da saúde ou, especificamente, com gestantes, ou ainda que, por força das circunstâncias, se depara com essa função no seu dia a dia. Um desafio a ser aceito.

Ao Ministério da Saúde compete estabelecer políticos e normas técnicas para a atenção pré-natal de boa qualidade. Além dos equipamentos e instrumental necessários, deve-se levar em conta a capacitação da equipe de saúde.

O manual de pré-natal aqui apresentado foi elaborado com o propósito de oferecer parâmetros para esses serviços. Deverá ser adaptado às condições locais, garantindo-se, no entanto, o atendimento integral e os requisitos básicos para promoção do parto normal, sem complicações e com prevenção das principais afecções perinatais.

2.1. CONSTRUINDO A QUALIDADE NO PRÉ-NATAL

O principal objetivo da assistência pré-natal é acolher a mulher desde o início de sua gravidez - período de mudanças físicas e emocionais -, que cada gestante vivencia de forma distinta. Essas transformações podem gerar medos, dúvidas, angústias, fantasias ou simplesmente a curiosidade de saber o que acontece no interior de seu corpo.

Na construção da qualidade da atenção pré-natal está implícita a valorização desses aspectos, traduzida em ações concretas que permitam sua integração no conjunto das ações oferecidas.

Em geral, a consulta de pré-natal envolve procedimentos bastante simples, podendo o profissional de saúde dedicar-se a escutar as demandas da gestante, transmitindo nesse momento o apoio e a confiança necessários para que ela se fortaleça e possa conduzir com mais autonomia a gestação e o parto. A maioria das questões trazidas, embora pareça elementar para quem escuta, pode representar um problema sério para quem o apresenta. Assim, respostas diretas e seguras são significativas para o bem-estar da mulher e sua família.

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