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As técnicas de drenagem dos pavimentos, que objetivam protegê-lo contra a ação da água, vêm sofrendo grandes melhorias no decorrer dos últimos anos. “De um modo geral, essa drenagem se faz necessária, no Brasil, nas regiões onde anualmente se verifica uma altura pluviométrica maior que 1500 milímetros e nas estradas com um TMD de 500 veículos comerciais.”(DNIT, 2006)

As infiltrações de água podem ocorrer de duas maneiras: provenientes de águas de chuva e vindas de lençóis d’água subterrâneos. Tais processos podem danificar seriamente a estrutura do pavimento se a drenagem não ocorrer.

São quatro o número de técnicas de drenagem utilizadas: camada drenante, drenos rasos longitudinais, drenos laterais de base e drenos transversais. As técnicas citadas serão abordadas a seguir.

4.1 Camada Drenante

Consiste em uma camada de brita, com granulometria apropriada, localizada diretamente abaixo do pavimento e acima da base ou sub-base. A espessura de tal camada varia de acordo com o índice de chuvas da região e a necessidade de drenagem.

FIGURA 1 – Camada Drenante

    1. Drenos Rasos Longitudinais

Têm por função coletar as águas drenadas da camada e base drenante e levá-las até o local onde essas irão desaguar. O dreno longitudinal possui forma de um pentágono ou então de um retângulo e localiza-se abaixo da camada drenante (FIGURA 1) e deve ter, no mínimo, a mesma condutividade hidráulica da camada acima.

    1. Drenos Laterais de Base

Possuem a mesma função dos drenos rasos longitudinais, ou seja, coletar a água que foi drenada pela camada drenante, mas aproveitando mais sua capacidade de escoar as águas. Localizam-se entre a borda da camada drenante e a borda livre do acostamento, fazendo com que o material drenado passe a correr junto a base dos acostamentos, até chegar nos drenos laterais e serem levados para desaguar em um local seguro.

    1. Drenos Transversais

São drenos dispostos transversalmente à pista de rolamento, objetivando drenar as águas que atravessam as camadas do pavimento. Localizam-se em pontos baixos de curvas verticais e em locais onde haja águas acumuladas e que não foram drenadas pelos demais drenos.

5 DRENAGEM SUBTERRÂNEA OU PROFUNDA

A drenagem subterrânea ou profunda tem como objetivo interceptar o fluxo subterrâneo e rebaixar o lençol freático. A solução de projeto de drenagem subterrânea exige segundo o 2º Edição do Manual de Drenagem de Rodovias do DNIT os seguintes tópicos:

a) conhecimento da topografia da área;

b) observações geológicas e pedológicas necessárias, com obtenções de amostras dos solos por meio de sondagens a trado, percussão, rotativa e em certos casos, por abertura de poços por meio de pá e picareta;

c) conhecimento da pluviometria da região, por intermédios dos recursos que oferece a hidrologia.

Para eliminar esses problemas foram desenvolvidos esses dispositivos:

* Drenos profundos;

* Drenos espinhas de peixe;

* Colchão drenante;

* Drenos horizontais profundos;

* Valetões laterais;

* Drenos verticais de areia.

5.1 Drenos Profundos

Esses drenos são instalados a cerca de 1,5 a 2 metros de profundidade, para interceptar o fluxo de água subterrânea e aliviar o lençol freático. São feitos com matérias filtrantes ( areia, agregados britados), materiais condutores ( tubos) e matérias drenantes (britas, cascalhos grossos lavados). Eles devem ser instalados onde haja o objetivo de interceptar e rebaixar o lençol freático.

5.2 Drenos Em Espinha De Peixe

São drenos normalmente usados em série quando o lençol freático estiver próximo da superfície, e também quando o solo natural não for permeável. Geralmente são de pequena profundidade e por isso usados sem tubos, embora possam ser usados com tubos. Para exemplificar veja essa figura retirando da Edição do Manual de Drenagem de Rodovias do DNIT:

FIGURA 2 – Drenos em espinha de peixe

5.3 Colchão Drenante

O objetivo das camadas drenantes é captar a água de pequena profundidade do corpo estradal que os drenos de espinha de peixo não possam drenar. São usados nos cortes de rocha, nos cortes em que o lençol freático estiver próximo do greide de terraplenagem, na base de aterros onde houver água livre próximo do aterro natural e nos aterros constituídos sobre terrenos impermeáveis. E retirada da água captada pelos colchões drenantes é feita por drenos longitudinais.

5.4 Valetões Laterais

É feito no bordo da rodovia, assim deixando as laterais da rodovia mais confiáveis nas épocas de chuva. Em regiões planas o disposivo pode funcionar tanto como sargeta como dreno profundo ao mesmo tempo.

5.5 Drenos Verticais

Aterros onde existem depósitos de solos moles com pouca condição de permeabilidade como argilas, siltes e turfas, onde nesses casos é necessário soluções difíceis e onerosas, entre essa soluções entra os drenos verticais como os de areia, cartão e fibro-químicos.

CONCLUSÃO

No trabalho foram apresentados diversos tipos de dispositivos que fazem parte da drenagem do pavimento rodoviário. Estes dispositivos devem ser dimensionados adequadamente para garantir a integridade da estrutura do pavimento e a segurança dos usuários.

Os vários sistemas com funções distintas devem interagir harmoniosamente entre si, evitando principalmente a erosão do solo e também uma possível ruptura de taludes, devido à grande quantidade de água que pode incidir no solo.

Devem ser avaliadas as condições financeiras, nos vários tipos de revestimentos para as sarjetas e valetas, o que pode ser de baixo custo de implantação posteriormente poderá gerar grande manutenção.

Também se conclui que o projetista da drenagem dos pavimentos deve interagir com as características naturais do terreno, propondo soluções adequadas para cada tipo de situação, na drenagem superficial, profunda, transposição de talvegues, o que está ligado diretamente com a vida útil da via e a qualidade do pavimento.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DNIT. Manual de drenagem de rodovias. Ministério dos Transportes. Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes. 2006.

http://www1.dnit.gov.br

http://www.drenagem.ufjf.br

http://www.revistatechne.com.br/

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