Manual de biossegurança

Manual de biossegurança

(Parte 2 de 5)

Instruções de uso do protetor respiratório: - Segure o respirador na mão e aproxime no rosto cobrindo a boca e o nariz.

- Puxe o elástico de cima, passando-o pela cabeça e ajustando-o acima das orelhas. Depois faça o mesmo com o elástico inferior, ajustando-o na nuca.

- Pressione o elemento metálico com os dedos de forma a moldá-lo ao formato do nariz.

- Para verificar o ajuste, coloque as mãos na frente do respirador e assopre fortemente. O ar não deve vazar pelas laterais.

- Para retirar, comece pelo elástico de baixo das orelhas e depois o outro.

- Profissionais imunizados por sarampo e varicela não necessitam de proteção respiratória, devendo estes serem escalados para o atendimento de pacientes portadores destas doenças infecciosas.

• Avental e gorro

O avental (limpo, não estéril) serve para proteger a pele e prevenir sujidade na roupa durante procedimentos que tenham probabilidade de gerar respingos ou contato de sangue, fluidos corporais, secreções ou excreções. O avental será selecionado de acordo com a atividade e quantidade de fluido encontrado (plástico ou tecido). O avental de plástico está indicado para lavagem de materiais em áreas de expurgo. O avental sujo será removido após o descarte das luvas e as mãos devem ser lavadas para evitar transferência de microrganismos para outros pacientes ou ambiente.

O gorro estará indicado especificamente para profissionais que trabalham com procedimentos que envolvam dispersão de aerossóis, projeção de partículas e proteção de pacientes quando o atendimento envolver procedimentos cirúrgicos. É o caso da equipe odontológica e outras especialidades como oftalmologia, otorrinolaringologia, cirurgia geral, cirurgia vascular e outras especialidades cirúrgicas.

Tanto o avental quanto o gorro podem ser de diferentes tecidos laváveis ou do tipo descartável de uso único. A lavagem domiciliar de aventais contaminados deve ser precedida de desinfecção, por 30 minutos em solução de hipoclorito de sódio a 0,02% (10ml de alvejante comercial a 2 a 2,5% para cada litro de água).

• Calçados

Os calçados indicados para o ambiente com sujeira orgânica são aqueles fechados de preferência impermeáveis (couro ou sintético). Evita-se os de tecido que umedecem e retém a sujeira. Escolha os calçados cômodos e do tipo anti-derrapante. Se o local tiver muita umidade, como em lavanderias, usar botas de borracha.

CCCCCAPÍTULO 3APÍTULO 3APÍTULO 3APÍTULO 3APÍTULO 3 HIGIENIZAÇÃO DHIGIENIZAÇÃO DHIGIENIZAÇÃO DHIGIENIZAÇÃO DHIGIENIZAÇÃO DAAAAAS MÃOSS MÃOSS MÃOSS MÃOSS MÃOS

As mãos são a nossa principal ferramenta, pois são elas as executoras das nossas atividades.

A medida que tocamos nos objetos e nos pacientes entramos em contato com uma enorme quantidade de microrganismos. Estes germes aderidos nas nossas mãos são repassados para outros objetos e pacientes, assim como podemos transferí-los para outras partes do nosso corpo, como os olhos e nariz ao nos coçarmos. Somente a lavagem das mãos com água e sabão irá remover estes germes adquiridos e evitar a transferência de microrganismos para outras superfícies. Para aprofundar os conhecimentos vamos ver como é formada a microbiota da nossa pele.

• Flora residente

Formada por microrganismos que vivem (colonizam) na pele. Nas mãos, estes germes localizam-se em maior quantidade em torno e sob as unhas e entre os dedos. Também são encontradas nas camadas externas da pele, fendas e folículos pilosos. Por isso, a importância de mantermos as unhas curtas e evitar o uso de anéis. Os microrganismos da flora residente não são facilmente removíveis, entretando são inativados por antissépticos (álcool, clorexidina, iodóforos) (veja Capítulo 6). As bactérias mais comumente encontradas são as Gram-positivas (Staphylococcus aureus, Staphylococcus epidermidis, Estreptococos sp). A flora residente é de baixa virulência e raramente causa infecção, contudo pode ocasionar infecções sistêmicas em pacientes imunodeprimidos e após procedimentos invasivos.

• Flora transitória

É adquirida no contato com pacientes e superfícies contaminadas. Os microrganismos que a compõem permanecem na pele por um certo período podendo ser transferidos ou eliminados com a lavagem das mãos. Suas bactérias são mais fáceis de serem removidas, pois se encontram na superfície da pele, junto à gorduras e sujidades. Esta flora bacteriana é eliminada com água e sabão neutro. A flora transitória das mãos é composta pelos microrganismos freqüentemente responsáveis pelas infecções hospitalares: as bactérias Gram-negativas (Pseudomonas sp, Acinetobacter sp, Klebsiella sp), o que bem demonstra a importância das mãos como veículo de transmissão.

Existe uma gama enorme de momentos, durante o nosso trabalho, que a lavagem das mãos está indicada. Mesmo que, durante os procedimentos, as luvas sejam utilizadas, após a retirada das luvas as mãos devem ser lavadas. A luva irá nos proteger de uma contaminação grosseira de matéria orgânica, porém a microporosidade da luva, a sua fragilidade que ocasiona furos e a possível contaminação na sua retirada, indica que ocorreu contato de microrganismos na pele de nossas mãos. Sendo assim, mesmo com o uso de luvas, as mãos devem ser lavadas após a sua retirada. Vamos as indicações dos momentos em que as mãos são lavadas:

- após tocar fluidos, secreções e itens contaminados;

- após a retirada das luvas;

- antes de procedimentos no paciente;

- entre contatos com pacientes;

- entre procedimentos num mesmo paciente;

- antes e depois de atos fisiológicos;

- antes do preparo de soros e medicações.

Para a realização da lavagem das mãos necessitamos das seguintes instalações físicas: - pia;

- saboneteira suspensa e vazada para sabonete em barra ou dispensador de sabonete líquido. No caso de dispensador, se não for descartável, estabeleça uma rotina de limpeza semanal;

- toalheiro com toalhas de papel;

- torneira com fechamento automático, preferivelmente.

Ao lavarmos as mãos estabelecemos uma sequência de esfregação das partes da mão com maior concentração bacteriana que são: as pontas dos dedos, meio dos dedos e polegares. Vejamos a técnica da lavagem das mãos:

- posicionar-se sem encostar na pia; - abrir a torneira;

- passar o sabão (líquido ou barra) na mão;

- friccionar as mãos dando atenção às unhas, meio dos dedos, polegar, palmas e dorso das mãos (tempo aproximado de 15 segundos);

- enxaguar as mãos deixando a torneira aberta;

-enxugar as mãos com papel toalha;

- fechar a torneira com a mão protegida com papel toalha, caso não tenha fechamento automático.

Meio dos DedosUnhas

PolegarPalmasFechamento da torneira

É importante lembrar que para melhor remoção da flora microbiana as mãos devem estar sem anéis e com as unhas curtas, caso contrário, uma carga microbiana ficará retida nestes locais sendo passíveis de proliferação e transmissão. Na lavagem rotineira das mão o uso de sabão neutro é o suficiente para a remoção da sujeira, da flora transitória e parte da flora residente. O uso de sabões com antissépticos devem ficar restritos a locais com pacientes de alto risco e no desenvolvimento de procedimentos cirúrgicos e invasivos ou em situações de surto de infecção hospitalar.

Geralmente as instalações físicas no ambiente de trabalho tem poucas pias e temos uma demanda grande de trabalho, de forma que lavamos pouco as mãos comparado ao número de vezes em que a lavagem das mãos está indicada. Para substituir a lavagem das mãos, indicamos a aplicação de um antisséptico de ampla e rápida ação microbiana que é o álcool glicerinado. O álcool glicerinado é composto de álcool 70% mais 2% de glicerina para evitar o ressecamento das mãos. Ele irá destruir a flora aderida

Aplicação do álcool glicerinado nas mãos no momento da aplicação, porém as mãos não devem apresentar sujidade visível. Neste caso indica-se a lavagem das mãos com água e sabão. Vejamos como usar o álcool grlicerinado:

- aplicar o álcool glicerinado (3 a 5 ml) nas mãos e friccionar em todas as faces da mão até secar naturalmente;

- não aplicar quando as mãos estiverem visivelmente sujas.

O álcool glicerinado também pode ser usado como antisséptico após a lavagem das mãos. Neste caso, a lavagem das mãos e posterior antissepsia está indicada antes de procedimentos invasivos como punções, sondagens, cateterizações e entubações. Outra indicação de aplicação do álcool glicerinado após a lavagem das mão é em caso de exposição da pele ao contato direto com sangue e secreções.

A antissepsia é uma medida para inibir o crescimento ou destruir os microrganismos existentes nas superfícies (microbiota transitória) e nas camadas externas (microbiota residente) da pele ou mucosa, através da aplicação de um germicida classificado como antisséptico. A descontaminação depende da associação de dois procedimentos: a degermação e a antissepsia. A degermação é a remoção de detritos, impurezas e bactérias que se encontram na superfície da pele, sendo utilizado para esse procedimento sabões e detergentes neutros. A antissepsia, como descrito acima, é a utilização de um antisséptico com ação bactericida ou bacteriostática que irá agir na flora residente da pele. Existem vários tipos de antissépticos com diferentes princípios ativos e diferentes veículos de diluição como degermante sólido(sabão) ou cremoso; aquoso ou alcoólico. Variam também na sua ação, concentração e tempo de efeito residual. Os antissépticos são indicados para a antissepsia das mãos dos profissionais e para pele ou mucosa do paciente em áreas onde serão realizados procedimentos invasivos ou cirúrgicos. Os antissépticos alcoólicos devem ser aplicados após a limpeza da área envolvida quando esta apresentar sujidade visível.

Antissepsia das mãos antes de procedimentos cirúrgicos

• Instalações físicas:

- pia; - escova c/ cerdas macias desinfetada e de uso individual ou descartável;

- dispensador com sabão neutro ou antisséptico degermante;

- dispensador com antisséptico alcoólico (obrigatório se não for usado antisséptico degermante);

- compressas esterilizadas;

• Técnica da antissepsia (escovação) das mãos:

- retirar jóias e adornos das mãos e manter unhas aparadas e sem esmalte; - aplicar o sabão ou antisséptico degermante nas mãos (+ ou - 5 ml);

- iniciar com a escovação, somente nas unhas e espaços interdigitais, durante 01 minuto. Esfregar sem uso de escova, com as próprias mãos, a palma, dorso e antebraço do membro durante 04 minutos. Estaleleça uma seqüência sistematizada para atingir toda a superfície da mão e antebraço num tempo total de 05 minutos. Proceder a antissepsia no outro membro;

- enxaguar abundantemente as mãos e antebraço com água corrente; - manter os braços elevados com as mãos acima do nível dos cotovelos;

- fechar a torneira com o cotovelo, caso não tenha fechamento automático;

- secar as mãos e antebraço com compressa estéril;

- aplicar antisséptico alcoólico, obrigatoriamente se foi usado apenas sabão neutro para a esfregação.

A higiene tem como objetivo remover a sujidade. Entende-se que os resíduos retém microrga nismos que podem, em algum momento, ser transmitidos tanto por contato direto como atra vés de poeira suspensa no ar. Outro aspecto importante é o bem estar proporcionado por um ambiente limpo e organizado, mesmo sendo em instalações físicas simples. Antes de iniciar o processo de limpeza e desinfecção do ambiente, este deve ser organizado de modo que todos os objetos e materiais estejam guardados, liberando as superfícies para facilitar a limpeza, além de contribuir para as condições de trabalho da equipe. Lembramos ainda que as instituições de saúde tem o dever de dar o exemplo dos princípios básicos da promoção da saúde, que são: a higiene do ambiente, do corpo e dos alimentos.

Por definição a limpeza é a remoção ou retirada de sujeira através de fricção de uma superfície com água e sabão ou detergente. Quanto maior o acúmulo de sujidade em uma superfície, maior será o tempo e força de fricção para sua remoção. Em ambiente fechado de assistência à saúde utiliza-se a varredura úmida, feita através de rodo e panos úmidos. Não se utiliza varrer ou espanar as superfícies para não dispersar partículas de poeira que podem se depositar nos artigos hospitalares, serem inaladas pela equipe e usuários, ou ainda, contaminar ferimentos expostos.

O nosso ambiente de trabalho pode ser dividido em área física compreendendo o piso, paredes, teto, portas e janelas; o mobiliário compreendendo cadeiras, mesas, balcões, macas, bancadas e pias; e, ainda, equipamentos eletroeletrônicos e artigos hospitalares específicos da assistência. O reprocessamento destes dois últimos será abordado no próximo capítulo.

CCCCCAPÍTULO 4APÍTULO 4APÍTULO 4APÍTULO 4APÍTULO 4 HIGIENIZAÇÃO DO AMBIENTEHIGIENIZAÇÃO DO AMBIENTEHIGIENIZAÇÃO DO AMBIENTEHIGIENIZAÇÃO DO AMBIENTEHIGIENIZAÇÃO DO AMBIENTE

Área física: Mobiliário: Piso Mesas Paredes Balcões Teto Macas Portas Cadeiras Janelas Pias

A limpeza deve obedecer princípios básicos. São eles:

• Periodicidade

Limpeza concorrente que é aquela realizada diariamente e logo após exposição à sujidade. Inclui o recolhimento do lixo, limpeza do piso e superfícies do mobiliário geralmente uma vez por turno, além da limpeza imediata do local quando exposto à material biológico.

Limpeza terminal que é aquela geral, realizada semanal, quinzenal ou mensalmente conforme a utilização e possibilidade de contato e contaminação de cada superfície. Inclui escovação do piso e aplicação de cêra, limpeza de teto, luminárias, paredes, janelas e divisórias.

• Seqüência

- Como primeiro passo, recomenda-se o recolhimento do lixo; - Inicia-se a limpeza do local mais alto para o mais baixo, próximo ao chão;

- Limpa-se a partir do local mais limpo para o mais sujo ou contaminado;

- Inicia-se pelo local mais distante dirigindo-se para o local de saída de cada peça.

Área* Terminal Concorrente

Crítica Semanal Duas vezes por turno

Semi-crítica Quinzenal Uma vez por turno

Não crítica Mensal Duas vezes ao dia

*áreas críticas (pacientes graves, procedimentos invasivos e/ou cirúrgicos e odontológicos, isolamentos) áreas semi-críticas (enfermarias, consultórios e ambulatórios, sala de espera) áreas não críticas: (sem paciente,sala de lanche, almoxarifado, secretaria,

• Materiais

Luvas de borracha, baldes(2), panos(2), rodo, escovas (para chão, sanitário), esponjas de aço, palha de aço, carrinho de limpeza, sacos de lixo (branco, verde e preto), papel higiênico, papel toalha.

• Produtos químicos

Sabão ou detergente, sapólio, hipoclorito de sódio 2% a 2,5% (alvejante como Q-Boa®, Clarina®,

Alvex®), pinho ou outro desinfetante aromatizado para sanitários, álcool 70%, ceras líquidas siliconadas de preferência anti-derrapante usadas na limpeza terminal de piso.

• Técnica indicada

Seguir a técnica dos dois baldes:

1° Preparar um balde com a solução de água e sabão ou detergente equivalente a uma colher de sopa do detergente para cada litro de água.

2° Preparar o outro balde com água pura para o enxágüe. Esta água de enxágüe deve ser renovada quando estiver suja.

3° Aplica-se na superfície o pano com a solução de água e sabão, friccionando (força mecânica) para soltar a sujidade.

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