Imre Lakatos

Imre Lakatos

BC 0004 – Bases Epistemológicas da Ciência Moderna

SUMÁRIO

BIOGRAFIA .................................................................................................................... 1

EXPOSIÇÃO DAS OBRAS ............................................................................................ 2

TESES IMPORTANTES DE IMRE LAKATOS ............................................................... 3

CONCLUSÕES ................................................................................................................ 6

APÊNDICES ................................................................................................................... 7

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .............................................................................. 8

BIOGRAFIA

Imre Lakatos foi um dos principais nomes da filosofia da ciência no século XX. O seu nome está geralmente associado ao termo “programa de pesquisa”, expressão usada por Lakatos com intuito de explicar o desenvolvimento da ciência empírica. Da crítica ao positivismo emerge uma nova abordagem racionalista da ciência que se caracteriza pela preocupação em confrontar o trabalho do filósofo com a História da Ciência, sendo Lakatos o primeiro que colocou o problema de modo elaborado. Para ele, a ciência deveria ser estudada a partir de suas estruturas mínimas de compreensão histórica, bem como os momentos históricos onde ocorreram mudanças científicas significativas, ou seja, momentos onde determinados programas são substituídos por outros. Essa preocupação, enquanto busca de uma reconstrução histórica, assinala o comprometimento espistomológico de Lakatos com a explicação racional numa época de descrédito na possibilidade de explicação do progresso científico[1].

Ele nasceu em uma família judia em 1922, na cidade de Decebren, na Hungria. Sua vida era sempre dominada pelo caos resultante do poder nazista e da Segunda Guerra Mundial. Seu verdadeiro nome era Imre Lipschitz, e ele se formou em matemática, filosofia e física na Universidade de Decebren, em 1944. Para evitar ser perseguido por nazistas, mudou seu nome para Imre Molnár. Assim, ele conseguiu sobreviver enquanto outros milhares de judeus húngaros eram levados para campos de concentração, incluindo sua mãe e avó, que morreram em Auschwitz. Nos anos seguintes, se tornou um comunista ativo durante a Segunda Guerra mundial.

Quando a Guerra terminou, Imre percebeu que teria problemas se usassse suas roupas que tinham as iniciais “I.L.”, então novamente alterou seu sobrenome, agora para Lakatos, que significa “serralheiro”, em honra de Géza Lakatos. Em 1948 continuou seus estudos de doutorado na Universidade de Debrecen, onde também freqüentou aos seminários de Georg Lukács1. Também estudou na Universidade Estatal de Moscovo, sob a supervisão de Sofya Yanovskaya[2].

Quando retornou à Hungria trabalhou como oficial no Ministério da Educação Húngaro. Entretanto, teve problemas em acatar ordens das autoridades russas e acabou sendo preso em 1950, por três anos. Depois de sua libertação, Lakatos regressou à vida acadêmica fazendo pesquisa em matemática e vivendo de traduções. Embora ainda fosse comunista de nome, os seus pontos de vista políticos tinham mudado muito, então envolveu-se em pelo menos um grupo dissidente de estudantes, numa altura em que viria a dar a Revolução Húngara.

Em 1956, quando a Revolução Húngara foi abortada pelos russos, Lakatos fugiu para Viena e daí para a Inglaterra, onde doutorou-se em Filosofia de Ciência pela Universidade de Cambrige. O livro Proofs and Refutations (“Provas e Refutações”), publicado após a sua morte, é baseado neste trabalho.

Já em 1960, foi nomeado para um lugar na London School of Economics (LSE), onde trabalhou em seus escritos sobre filosofia da matemática e filosofia de ciência. O departamento da filosofia da LSE em que trabalhava incluía Karl Popper2 e John Watkins.

Em 1965, tendo como co-editor Alan Musgrave3, editou o muito citado Criticism and the Growth of Knowledge: Proceedings on the International Colloquium in the Philosophy of Science, em Londres. Publicado em 1970, o Colóquio de 1965 incluía intervenientes muito conhecidos que apresentavam artigos em resposta à obra A Estrutura das Revoluções Científicas, de Thomas Kuhn4. Segundo Alan Musgrave, Thomas Kuhn era tão popular durante os anos 60 que as pessoas chegavam a assistir às suas aulas em salas adjacentes, ouvindo-o através de sistemas de som.

Lakatos permaneceu na London School of Economics até morrer, repentinamente, em 1974, com uma hemorragia cerebral, tendo apenas 51 anos. O Prêmio Lakatos foi estabelecido pela escola em sua memória. Parte da sua correspondência com o seu amigo e crítico Paul Feyerabend foi publicada na obra For and Against Method.

EXPOSIÇÃO DAS OBRAS

CRITICISM AND THE GROWTH OF KNOWLEDGE (“A CRÍTICA E O DESENVOLVIMENTO DO CONHECIMENTO”)

Esta foi a primeira obra publicada envolvendo Imre Lakatos. Ela foi lançada em 1970 e incluía as atas do Colóquio Internacional sobre Filosofia da Ciência, realizado em Londres em 1965. Além de Imre Lakatos, outros importante filósofos participaram da conclusão desta obra, como Alan Musgrave, Paul Feyrabend, Thomas Kuhn, Karl Popper, entre outros.

PROOFS AND REFUTATIONS (“PROVAS E REFUTAÇÕES”)

No seu livro Provas e Refutações (1976), Lakatos apresentou o seu método de provas e refutações que, na sua opinião, daria a chave para a correta interpretação da história da matemática. Lakatos ilustra seu método por meio da interpretação da história da conjectura de Euler, a qual afirma que, para todo poliedro, vale a relação V - A + F = 2, onde V é o número de vértices, A é o número de arestas e F é o número de faces do poliedro[3]. O método de provas e refutações consta, segundo Lakatos, dos seguintes estágios:

  1. Conjectura primitiva. No caso analisado, a conjectura afirma que, para todo poliedro, vale a relação V - A + F = 2;

  2. Prova (um argumento mental ou argumento aproximado que decompõe uma conjectura primitiva em subconjecturas ou lemas);

  3. Surgem contra-exemplos globais, isto é, contra-exemplos à conjectura primitiva;

  4. A prova é reexaminada: é identificado um lema que é refutado pelo contra-exemplo global. Pode acontecer que este lema culpável tenha permanecido “oculto” anteriormente ou que ele não tenha sido corretamente identificado. Ele é explicitado e é incorporado como condição às hipóteses da conjectura primitiva. Desta forma, a conjectura primitiva é melhorada;

  5. São examinadas provas de outros teoremas no intuito de determinar se o lema descoberto aparece neles ou se o conceito gerado pela prova aparece neles;

  6. São comprovadas as conseqüências da conjectura melhorada.

Desta forma, o que Lakatos tentou estabelecer era de que nenhum teorema , ou não, é perfeito ou representa a verdade absoluta. Nenhum teorema é verdadeiro somente porque não foram encontrados contra-exemplos. Na verdade, para Lakatos, uma vez encontrado um fato que falsifica um teorema, era preciso que o próprio teorema fosse ajustado, possibilitando um domínio maior de validade dele. Isto compreendia um contínuo acúmulo de conhecimento, através do processo de provas e refutações.

THE METHODOLOGY OF SCIENTIFIC RESEARCH PROGRAMMES (“A METODOLOGIA DOS PROGRAMAS DE PESQUISA CIENTÍFICA”)

Em sua obra A Metodologia dos Programas de Pesquisa Científica (1977), Lakatos procurou proporcionar um refinamento à abordagem falsificacionista popperiana, que o inspirou, mediante a incorporação de conceitos desenvolvidos por Thomas Khun, mas sem negar algumas das hipóteses clássicas do falsificacionismo, como os critérios demarcacionistas e a ênfase na investigação e nos testes empíricos, tornando Lakatos um “falseacionista sofisticado”. Desta forma, esta obra se tornou a mais conhecida de Lakatos.

As principais idéias de Imre Lakatos em seu livro consistem na noção de programa de pesquisa como uma estrutura dotada de um núcleo irredutível de hipóteses básicas das teorias levantadas, protegido por um cinturão protetor de hipóteses auxiliares e por heurísticas positivas e negativas que guiam o processo de investigação científica. O pensamento de Lakatos foi muito discutido na metodologia da economia , por exemplo, por parecer defender boa parte do trabalho, teórico e empírico, dessa área. Apesar de um entusiasmo inicial, a aplicação dos programas de pesquisa lakatosianos na ciência passaram a ser considerados em geral a partir dos anos oitenta. Entretanto, havia ainda críticas que dirigiram-se diretamente a Lakatos e outras críticas que atacavam os próprios critérios demarcacionistas da metodologia científica[4].

MATHEMATICS, SCIENCE AND EPISTEMOLOGY (“MATEMÁTICA, CIÊNCIA E EPISTEMOLOGIA”)

No livro Matemática, Ciência e Epistemologia (1978), Lakatos procura dar continuação as idéias de seu livro anterior sobre os metódos de pesquisa científica, entretanto, nesta obra, ele procura relacionar a matemática e a filosofia científica, bem como também a História da Ciência, aos conceitos da metodologia dos programas de pesquisa. Além disto, comenta também os critérios de demarcação da pseudociência com relação à ciência real.

TESES IMPORTANTES DE IMRE LAKATOS

O PROBLEMA DA DEMARCAÇÃO

Por um lado, tem-se a crescente importância da ciência e suas tecnologias na sociedade; por outro, um crescente irracionalismo, associado normalmente ao que se denomina pseudociência.

É lógico que sem os produtos proporcionados pela tecnociência, a civilização entraria em colapso. O problema deriva para uma percepção da ciência como uma espécie de igreja com seus rituais e seus oficiantes: nós cidadãos chegamos, em geral, a desfrutar dos dons da ciência, mas sem chegar a compreendê-los, nem a analisá-los. Que isto seja errôneo e equívoco não impede que algo assim suceda. Quando por uma razão ou outra se furta ou evita o debate, a livre crítica que está no fundo do método científico, fica a liturgia. E as pseudociências aproveitam este abismo entre ciência e sociedade para aparecer como ciências quando realmente não o são[5].

Não se pode aprofundar mais a análise presente sem realizar algum tipo de definição das pseudociências. Certamente, não é um tema simples, ainda quando etimologicamente signifique “falsas ciências”: disciplinas, portanto, que se aparentemente se revestem do manto da ciência, não o são na realidade. O termo “falso” parece indicar, sendo no geral, certa intenção de engano consciente: sem chamar muita atenção se tenta tal disfarce com o interesse de dar uma respeitabilidade que possuem os produtos da ciência, e abusar da marca científica na hora de silenciar as possíveis críticas[6].

Epistemologicamente, não obstante, fica complicada a definição de pseudociências, por ser uma definição negativa: “o que não é, ainda que pareça, ciência”. Coloca imediatamente a questão sobre quem decide o que seja ou não ciência. Ou seja, nos submerge no tormentoso assunto da definição de ciência, e seus critérios de demarcação, um tema que ocupou uma boa parte da discussão filosófica do século[7].

Pseudociências são matérias que:

  1. não utilizam métodos experimentais rigorosos em suas investigações;

  2. carecem de uma armação conceitual contrastável;

  3. afirmam ter alcançado resultados positivos, embora suas provas sejam altamente questionáveis, e suas generalizações não tenham sido corroboradas por investigadores imparciais.

Pode-se valer desta caracterização por enquanto, que aponta traços com suficientes informações se pode tentar avaliar. Assim, o assunto da armação conceitual, que podería ser redefinido como “a existência de hipóteses não refutáveis ou não falsificáveis” (no sentido popperiano). Sem entrar em detalhe na questão da falsificabilidade, esta característica está presente em muitas pseudociências.

FALSEACIONISMO METODOLÓGICO SOFISTICADO

Partindo das idéias de Popper, mas procurando desenvolvê-las a fim de superar as críticas de Kuhn e de Feyerabend, Lakatos, considerado um racionalista crítico, propõe sua metodologia dos programas de pesquisa científica como uma explicação lógica do fazer científico. Lakatos afirma que os relatos indutivistas e falsificacionistas da ciência são falhos por não considerarem a complexidade do estudo histórico das principais teorias científicas. Assim, ele procurou analisar de que modo a razão e a história participaram do processo de crescimento e desenvolvimento do conhecimento científico.

A idéia proposta por Lakatos é que a ciência deriva da competição entre programas rivais de pesquisa. Segundo Lakatos, é essa a idéia que caracteriza o falseacionismo metodológico sofisticado, concepção desenvolvida de acordo com Popper. Ainda há o falseacionismo dogmático que se desenvolve por meio de conjecturas ousadas e falsificações infalíveis, no entanto está equivocado pelo fato da base empírica da ciência ser constituída de proposições de observações, o que também está sujeito a erros humanos. Por outro lado existe o falseacionismo metodológico ingênuo que corrige o erro do falseacionismo dogmático, mas que também é insatisfatório, porque concebe o desenvolvimento da ciência como uma série de duelos sucessivos entre a teoria e os fatos. Por isso, para Lakatos, a discussão entre o teórico e o factual sempre ocorre em três partes: entre duas teorias em competição e os fatos reais. Isto explica porque uma teoria não é descartada quando algum fato a contradiz, mas somente quando a comunidade científica tem uma teoria melhor que a anterior[8].

PROGRAMAS DE PESQUISAS COMO SUCESSÕES DE TEORIAS

Lakatos procurou demonstrar que a não refutação imediata das teorias permitiu o progresso da ciência. Está claro que a ciência avançará mais eficientemente se as teorias forem estruturadas de maneira a conter em seu interior indícios e receitas bastante claras quanto a como elas devem ser desenvolvidas e estendidas. Elas devem ser estruturas abertas para que ofereçam um programa de pesquisa.

Assim, para Lakatos, ao fornecerem programas coerentes como guia de pesquisas futuras, permitiriam avaliar objetivamente o progresso da ciência. A metodologia dos programas de pesquisa lakatosianos estabelece que o programa de pesquisa deva possuir um núcleo rígido, ou seja, um conjunto de leis consideradas irrefutáveis, que são os princípios fundamentais de uma teoria.

O programa pesquisa de Copérnico continha em seu núcleo rígido a "proposição de que as estrelas constituem o sistema de referência fundamental para a física". O programa de pesquisa de Newton continha as três leis do movimento e a Lei da Gravitação Universal. Os cientistas que trabalharam ou trabalham nesses programas não descartariam tais hipóteses, mesmo quando encontrassem fatos problemáticos ("refutações" ou anomalias). Por exemplo, quando foi observado pelos newtonianos que a órbita prevista para Urano era discordante com as observações astronômicas, eles não consideraram que a Mecânica Newtoniana estivesse refutada; Adams e Leverrier, por volta de 1845, atribuíram tal discordância à existência de um planeta ainda não conhecido - o planeta Netuno – e, portanto, não levado em consideração no cálculo da órbita de Urano. Essa hipótese permitiu também calcular a trajetória de Netuno, orientando os astrônomos para a realização de novas observações que, finalmente, confirmaram a existência do novo planeta.

Além do núcleo rígido, o programa de pesquisa deve possuir um cinturão de proteção, que possui um conjunto de hipóteses auxiliares e condições iniciais passíveis de serem refutadas, protegendo assim, o núcleo contra refutações, condição imprescindível para que as anomalias não provoquem abandonos precipitados de teorias, o que além de evitar que os pesquisadores fiquem confusos, permite períodos propícios ao desenvolvimento e o progresso das pesquisas. Foi desta forma, mantendo o núcleo rígido, e promovendo alterações no cinturão de proteção, que foi possível, por exemplo, manter a teoria newtoniana e progredir em direção à descoberta do planeta Netuno.

Esta regra de manter intacto o núcleo rígido, é chamada por Lakatos de heurística negativa do programa. Há também a heurística positiva, que estaria relacionada com as sugestões e propostas de modificação do cinturão de proteção, a fim de tornar as observações refutáveis em observações concordantes com o núcleo. A heurística positiva apresenta um programa que inclui uma cadeia de modelos cada vez mais complicados, que simulam a realidade: a atenção do cientista focaliza-se na construção dos modelos de acordo com as instruções que figuram na parte positiva do programa.

Para avaliar os programas de pesquisa, Lakatos propõe critérios que permitem classificá-los em progressivo e degenerativo. Um programa está progredindo, ou seja, é progressivo, quando modificações no cinturão de proteção levam à previsão de novos fatos, e um programa está regredindo, ou ainda, é degenerativo, quando acrescenta ajustes que não prevêem nenhum fato novo, ou, se prevê, este fato não é corroborado[9].

Lakatos concorda com Popper na crença de que a ciência procura aumentar seu conteúdo empírico e preditivo de suas teorias, e que esse aumento de conteúdo não deve ser degenerativo. Ao contrário de Kuhn que considera a revolução científica como um processo irracional, resultado da psicologia das multidões, Lakatos afirma que a passagem de um programa de pesquisa para outro é um processo racional. A superação de um programa de pesquisa, ocorre quando um programa rival possui maior conteúdo progressivamente preditivo, ou seja, prediz tudo que o programa confrontado prediz e ainda mais.

Mas como se sucedem as revoluções científicas? Segundo Lakatos, se houver dois programas de pesquisa rivais e um deles progride, enquanto o outro degenera, os cientistas tendem a aderir ao programa progressivo. Esta é a explicação das revoluções científicas. Porém, a superação de um programa por outro não é um processo imediato.

CONCLUSÕES

Imre Lakatos foi um importante filósofo da matemática e da ciência, mesmo não sendo muito comentado. Sua epistemologia baseava-se na Metodologia dos Programas de Pesquisa Científica, na qual pretendia usá-la como explicação lógica para o fazer científico, levando-se em conta a História da Ciência. Para Lakatos, a avaliação objetiva do crescimento do conhecimento científico deveria ser realizada em termos de mudanças, progressivas ou regressivas, para séries de teorias científicas dentro de um programa de pesquisa que conseguisse formar novas teorias que predizessem os fatos. Esta visão estava presente em suas obras, como em Proofs and Refutations, onde introduzia esta idéia, e em The Methodology of Scientific Research Programmes, onde Lakatos desenvolveu a idéia. Na verdade, para ele, só poderia ser considerado ciência uma metodologia que poderia ser falseada e aprimorada para gerar uma nova metodologia, vindo deste fato a expressão “falseacionismo sofiticado” geralmente empregado a Imre Lakatos.

Esta é uma nova forma de ver como se dava a evolução de teorias e do conhecimento científico, diferentemento dos indutivistas, que acreditavam que a ciência era apenas um conjunto de teorias provadas empiricamente, e dos falseacionistas, onde as teorias científicas eram aquelas que poderiam ser refutáveis. Nenhuma das duas últimas idéias, no entanto, são boas definições para a ciência, tendo em vista de que nenhuma teoria pode ser considerada como verdadeira, pois sempre haverá falhas. Entretanto, nenhuma teoria é rigorosamente falha, também. Logo, por esta nova forma de ver de Lakatos, ele poderia ser considerado como um “falseacionista sofisticado”, pois, para ele, do ponto de vista lógico, não existem "experimentos cruciais", isto é, experimentos ou observações que possam sozinhos e instantaneamente acabar com um programa de pesquisa ou decidir entre programas rivais. Tal se deve à possibilidade de "absorver" qualquer fato novo e inicialmente problemático, através de convenientes modificações no cinturão protetor do programa sob pressão crítica.

Desta forma, o programa de pesquisa lakatosiano se tornou uma estrutura que fornece um guia para futuras pesquisas, tanto de uma maneira positiva, como negativa. Este novo programa de pesquisa científica de Lakatos baseado na evolução de outras teorias modificou o método científico e trouxe vários avanços científicos como, por exemplo a descoberta de Netuno e a construção do telescópio, na qual só foram possíveis pela insistência em um núcleo irrefutável (heurística negativa), apenas sugerindo outras hipóteses (heurística positiva).

Portanto, pode-se concluir que a ciência não possui um método objetivo e seguro de ser feita, porque o próprio método é uma modificação de um outro jeito antigo de se fazer. As teorias em que os métodos científicos se baseiam não são isentas de erros e isto influencia na descoberta de evidências que falsificam teorias, mas que, entretanto, não chegam a modificá-las e, sim, as fazem evoluir, como mostram os estudos de Lakatos. Além do mais, a história da ciência é também a história dos programas em concorrência. As chamadas “Revoluções Científicas” constituem-se são, na verdade, um processo racional de superação de um programa por outro.

APÊNDICES

  1. Filósofo Hungaro de grande importância no cenário intelectual do século XX. Inicialmente um crítico influenciado por Kant, depois o encontro com Hegel e finalmente, aderiu ao marxismo.

2 Filósofo científico, social e político de estatura considerável, um grande defensor da democracia liberal e um oponente implacável do totalitarismo.

3 Filósofo Neo-Zelandês, chefe do Departamento de Filisofia da Universidade de Otago, de 1970 a 2005.

4 Físico dos EUA cujo trabalho incidiu sobre história e filosofia da ciência, tornando-se um marco importante no estudo do processo que leva ao desenvolvimento científico.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

[1] CIÊNCIA E PSEUDOCIÊNCIA. Disponível em: http://aartedepensar.com/leit_lakatos.html. Acesso em 14 de Novembro de 2009.

[2] IMRE LAKATOS. Disponível em: http://www-history.mcs.st-and.ac.uk/Printonly/Lakatos.html. Acesso em 14 de Novembro de 2009.

[3] LAKATOS COMO FILÓSOFO DA MATEMÁTICA. Disponível em: http://www.ilea.ufrgs.br/episteme/portal/pdf/numero13/episteme13_artigo_molina.pdf. Acesso em 16 de Novembro de 2009.

[4] OS PROGRAMAS DE PESQUISA LAKATOSIANOS. Disponível em: http://www.bnb.gov.br/content/aplicacao/eventos/forumbnb2008/docs/os_programas_de_pesquisa.pdf. Acesso em 16 de Novembro de 2009.

[5] CIÊNCIA VERSUS PSEUDOCIÊNCIA. Disponível em: http://ateus.net/artigos/charlatanismo/ciencia_vs_pseudociencias.php. Acesso em 16 de Novembro de 2009.

[6] SOKAL, Alan; BRICMONT, Jean. Impostures Intellectueles. Paris: Odile Jacob, 1997.

[7] KURTZ, Paul. Is Parapsychology a Science?. 2ª Ed. Nova York: Kendrik Frazier, 1981. Vol. 3.

[8] LAKATOS, Imre. História da Ciência e suas Reconstruções Raciais. Lisboa: Edições 70, 1978.

[9] A METODOLOGIA DOS PROGRAMAS DE PESQUISA. Disponível em: http://www.if.ufrgs.br/~lang/LAKATOS.pdf. Acesso em 16 de Novembro de 2009.

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