Leis da Circulação e Propriedades do Músculo Cardíaco

Leis da Circulação e Propriedades do Músculo Cardíaco

Leis da Circulação e Propriedades do Músculo Cardíaco

(revisão)

Aluna: Evelyn Caroline Almeida Pacheco

Introdução:

O tema do aparelho cardiovascular é de grande importância, visto as lesões vasculares (como aterosclerose, hipertensão arterial, AVC, enfarte do miocárdio, insuficiência cardíaca) serem as maiores causas de morte e de doenças incapacitantes (com consequente diminuição de qualidade de vida) da nossa sociedade.

A sociedade portuguesa está cada vez mais velha, superando a média europeia. Tendo em conta que as doenças cardiovasculares têm a tendência de aumentar com a idade, estas patologias são, e serão, doenças de particular importância e com as quais teremos de lidar.

Este tema será desenvolvido ao longo das próximas aula, servindo esta aula para apresentar o aparelho cardiovascular.

Aparelho cardiovascular é um sistema que tem uma bomba-coração, a qual bombeia e recolhe o sangue de todo o organismo.

O ventrículo esquerdo bombeia o sangue para a aorta, a qual se ramifica em vasos cada vez mais estreitos (artérias e arteríolas), que vão perdendo e alterando algumas características histológicas até formarem uma unidade terminal rede capilar, na qual há trocas de gases e nutrientes com o espaço intersticial. Os vasos, posteriormente à rede capilar, agrupam-se em vénulas e veias, as quais se reunem nas veias cavas que, por sua vez, drenam para a aurícula direita.

Da aurícula direita, o sangue vai para o ventrículo direito, do qual vai para as artérias pulmonares. As artérias pulmonares ramificam-se, vão para os pulmões, formam rede de capilares, onde há oxigenação do sangue. A rede de capilares converge para vénulas, destas para as veias pulmonares, nas quais o sangue retorna ao coração, para a aurícula esquerda.

Esta sequência demonstra a relação íntima entre os aparelhos circulatório e respiratório. O aparelho respiratório existe fundamentalmente para fornecer oxigénio ao sangue (assim como para eliminar o dióxido de carbono), enquanto o aparelho circulatório existe fundamentalmente para distribuir oxigénio e nutrientes aos tecidos.

Neste contexto, os rins fitram o sangue, eliminando os componentes que possam ser nocivos para os tecidos.

Todo o sistema cardiovascular está preparado e deve estar ajustado para o bom funcionamento da unidade terminal (rede de capilares), ou seja, permitir que a unidade terminal receba o oxigénio e os nutrientes em quantidade suficiente e de forma eficaz, assim como ter capacidade de eliminar os produtos do metabolismo.

O objectivo da regulação cardiovascular e respiratória é o bom funcionamen-to da unidade terminal (capilar):

  1. Existe pressão arterial para que o sangue chegue à unidade terminal;

  2. Existe um determinado débito para que o sangue esteja em quantidade suficiente à unidade terminal;

  3. Existe um determinado ritmo respiratório para que haja suficiente oxige-nação para a actividade metabólica.

Para a manutenção da vida das células é necessária a existência de um metabolismo basal, razão pela qual as unidades terminais estão distribuída por todos os tecidos. Não obstante este facto, há diferente suprimento sanguíneo dos tecidos e orgãos, consoante a intensidade de actividade exercida por estes (ex: numa situação pós-prandial há é necessário mais sangue nas unidades terminais do intestino que nas do músculo, enquanto em exercício físico há mais necessidade de sangue nas unidades terminais do músculo que nas do intestino).

O ajuste entre a distribuição do sangue e do funcionamento respiratório e cardiovascular conforme as necessidades é controlado por uma série de siste-mas de controlo nervosos e hormonais: sistema de regulação cardiovascular.

1ª aula

Durante as aulas vamos começar por falar do coração, das suas propriedades eléctricas e de electrocardiograma (ECG).

A função do coração é de contrair e relaxar rítmica e periodicamente ao longo da vida e sem interrupções. Há contração cíclica e permanente chama-se ciclo cardíaco. No ciclo cardíaco, o coração admite e expulsa sangue, isto é, tem uma actividade mecânica- actividade como bomba mecânica. Para a acti-vidade mecânica do coração é necessário que as células cardíacas estejam permanentemente a ser activadas/excitadas. O coração gera, em sim próprio, os estímulos que levam à sua excitação, por actividade eléctrica do mesmo. Esta actividade eléctrica dá-nos uma indicação do funcionamento eléctrico e pode ser medida- ECG.

2ª aula

Na 2ª aula iremos abordar o coração enquanto bomba mecânica:

  1. variação das pressões ao longo dos ciclos cardíacos

  2. variação dos débitos ao longo dos ciclos cardíacos

Para que a variação das pressões corresponde a uma eficaz pulsão de sangue é necessário o funcionamento de válvulas no coração. As válvulas cardíacas e os movimentos de sangue no compartimentos cardíacos estão associados a ruídos cardíacos. A auscultação é utilizada para se ouvir os ruídos cardíacos.

Quando o funcionamento do coração não é suficiente ou está alterado dá origem a insuficiência cardíaca.

Para se diagnosticar a insuficiência cardíaca existem métodos e índices para medir a função cardíaca e compará-la com os valores normais.

3ª aula

Na 3ª aula iremos abordar a circulação do sangue nas artérias e a manutenção da pressão arterial.

Vamos ver o que determina o valor da pressão sanguínea e como a pressão determina a circulação.

A pressão exagerada favorece a aterosclerose.

Manter a pressão a níveis baixos, mas compatíveis com a vida, é umas das funções dos sistemas reguladores da pressão arterial.

Os sistemas de regulação podem ser de curso prazo (nervosos), a média prazo (hormonais) e a longo prazo (rim).

4ª aula

Na 4ª aula abordaremos a unidade terminal (capilares).

Falar-se-á do papel das unidades terminais nas trocas de nutrientes e gaso-sas e dos regimes de pressões. Alterações nas pressões estão na base de situações frequentes e tradutoras de mau funcionamento cardíaco, hipertensão ou hipertensão venosa: situações de edema.

Também se abordará porque é que o sangue retorna das unidades terminais para o coração. Veremos os vários sistemas que controlam o retorno venoso, veremos a existência de válvulas em algumas veias e, para lhes dar alguma ideia sobre a importância das válvulas, vamos falar da insuficiência valvular venosa que con-duz a situações muito frequentes em patologia, que são as varizes (dilatações patológicas e permanentes das veias. Vamos também citar algumas patologias associadas: a propósito do ritmo cardíaco falaremos de alterações no ritmo cardíaco, fibrilhações; pressão arterial e hipertensão; veias, varizes, tromboses e insuficiências venosas. Nesta aula vamos dar algumas noções básicas sobre o coração.

O músculo cardíaco tem propriedades que lhe são intrínsecas, entre elas a capacidade gerar os estímulos que levam à sua contracção (automatismo cardíaco).

Embora potencialmente essas células possam estar espalhadas por todo o miocárdio, existem zonas onde estas são especializadas, tendo propriedades de despolarização mais rápidas, e são estas zonas que marcam o ritmo cardíaco: nódulo sinoatrial e nódulo aurículo-ventricular. No entanto o sinal tem de se propagar. A propriedade que as fibras cardíacas têm de conduzir o estímulo tem o nome de conductibilidade ou dromotropismo.

Fig. 2 - Sistema Cardionector do Coração

Outra propriedade cardíaca é a de responder a um estímulo eficaz com potencial de acção. Para a contração muscular é necessário um potencial de acção, originando a entrada de Na+ e, posteriormente, de Ca2+ que provocam a contracção do miocárdio. Esta capacidade de uma célula cardíaca tem de responder a um estimulo eficaz com potencial de ação tem o nome de excitabilidade.

Ainda mais, quando uma célula cardíaca se excita, em resposta a um potencial de ação, ela contrai e desenvolve força (inotropismo ou contractilidade).

O coração como um todo apresenta ainda um tónus muscular, ou seja, as fibras cardíacas apresentam sempre um certo estado de contracção, mesmo em diástole, conferindo às paredes cardíacas uma constante rigidez, que não existe post mortem, determinando a relação entre pressão e volume dentro do ventrículo.

Resumindo, as propriedades gerais do coração são:

- Automatismo

- Conductibilidade ou dromotropismo

- Excitabilidade

- Inotropismo ou contractilidade

- Tónus muscular

Quando se começou a estudar as fibras cardíacas esse estudo incidia em fibras isoladas, e uma das primeiras coisas que se constatou foi que esta obe-decia à lei do tudo ou nada, ou seja, face a um estimulo a fibra ou se contrai ou não, dependendo se o estimulo é eficaz ou não. A fibra não se contrai mais se o estímulo for mais forte, e vice-versa. Como o coração funciona como um sin-cício, pois as fibras comunicam entre si e a excitação de uma fibra transmite-se às outras, por isso também o coração obedece à lei do tudo ou nada. Isto é importante para a percepção de arritmias cardíacas. Se existir um enfarte do miocárdio há uma pequena zona do tecido cardíaco que morre, perdendo a actividade eléctrica. No entanto existem zonas adjacentes à lesão que têm um aumento de excitabilidade, podendo deste modo ter um ritmo contráctil diferente do restante miocárdio, originando arritmias. A maioria das mortes por enfarte do miocárdio na fase pós-enfarte morre devida a arritmias.

O sangue vai do coração esquerdo, circula por todo o organismo, vai ao coração direito e é bombeado para os pulmões, retornando ao coração direito. Assim, funcionalmente, os pulmões encontram-se entre o coração direito e o esquerdo. O resto do organismo encontra-se entre o coração esquerdo e o direito. Diferenciam-se assim dois sistemas diferentes: o sistema pulmonar e o sistémico. Esta situação obedece a regimes, ou seja as regras gerais de débito e pressão que regulam o funcionamento do sistema Cardiovascular. Isto quer dizer que o coração direito e o coração esquerdo vão apresentar diferentes volumes, débitos e pressões.

O regime do coração esquerdo é um regime de altas pressões. A pressão exercida nas artérias é da ordem dos 120-80 mmHg até cerca de 140-90 mmHg, sendo que acima deste valor estamos perante casos de hipertensão.

No caso da circulação pulmonar, encontramos valores dez vezes menores de pressão, pois é um sistema preparado para baixas pressões e elevados débi-tos, garantindo que em qualquer parte do nosso organismo o débito é sempre o mesmo, tanto no coração direito como no coração esquerdo.

Se a quantidade de sangue que sai do coração esquerdo é superior aquele que chega ao coração direito é porque ele fica acumulado em algum lado, como em casos de edema ou insuficiência venosa. Assim, o débito do coração direito fica diminuído, diminuindo também como consequência o débito do coração esquerdo, até os débitos se voltarem a igualar. Esta é a regra geral da circulação o débito (quantidade de sangue por unidade de tempo) tem que ser igual em todas as secções do Aparelho Cardiovascular.

No entanto, a aorta é um vaso de grande calibre, que se vai estreitando e ramificando, esses seus ramos, artérias de cada vez menor calibre, ramificam-se para formar os capilares, que se reúnem nas vénulas, que por sua vez se unem para formar as veias. A artéria tem um calibre muito maior que os capila-res (estamos a falar de uma ordem de grandeza do centímetro para o micrómetro). No entanto a área de secção de toda a rede capilar irrigada por essa arté-ria é superior á área de secção dessa mesma artéria. Assim, a rede cardiovas-cular assemelha-se a um cone, que vai alargando, fica cada vez maior na parte arterial, invertendo-se, isto é estreitando-se depois na parte venosa.

Isto é importante porque o sangue circula segundo a diferença de pressão, portanto, a pressão tem que ser mais elevada no ventrículo esquerdo, caindo ao longo da rede capilar até à aurícula direita. Por outro lado a velocidade com que o sangue circula depende do diâmetro (definido como a secção total dos vasos a um determinado nível da circulação). Quanto maior o diâmetro menor a velocidade do sangue. Ao nível da aorta o sangue circula muito depressa. À medida que esta se ramifica, a secção total aumenta, diminuindo a velocidade, pois a mesma quantidade de sangue passa numa secção maior. Esta situação inverte-se nas veias até ao coração.

Resumo das leis de pressão volume e débito - Leis gerais da circulação:

O sangue flúi das zonas de maior pressão para as zonas de menor pressão, a velocidade circulatória depende da secção dos vasos, sendo maior nos vasos de menor secção e o débito é igual em cada secção, ou seja, a mesma quanti-dade de sangue sai do ventrículo esquerdo e chega à aurícula direita.

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