Modal Rodoviário

Modal Rodoviário

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O modal rodoviário e as exportações: O caso Brasileiro

Mateus Henrique Batista Sérgio Miguel Correia Costa1

Resumo

As exportações estão intimamente conectadas a infraestrutura do país, como também aos seus modais de transporte, principalmente com o rodoviário que interliga os demais. Portanto uma boa base rodoviária fornece uma vantagem competitiva ao país. Analisando o caso brasileiro fica evidente que o acontece é o contrario, o que constitui parte do chamado “Custo Brasil”.

Palavras-chaves: Modal rodoviário; Exportações; Infraestrutura. Abstract

Exports are closely connected to the country's infrastructure, as well as their modes of transportation, especially with the road because it conects with the others. So a good base station provides a competitive advantage to the country. Analyzing the Brazilian case is evident that what happens is the opposite, which is part of the "Brazil cost”.

Keywords: Modal road; Exports; Infrastructure.

1. Introdução

O presente trabalho tem por objetivo demonstrar como os modais de transporte podem influenciar nas exportações de um país, seja positivamente ou negativamente, dando ênfase ao caso brasileiro. Para tanto realizou-se uma breve caracterização dos modais de transporte, colocando o transporte rodoviário em evidência tanto porque é o predominante no Brasil, quanto porque para chegar a outros modais utiliza-se o rodoviário. Em seguida é feita uma análise do panorama brasileiro de rodovias, constatando-se sua precária condição, em grande parte devida a falta de investimento, assim como se percebe que em comparação a outros países de tamanho similar (onde o transporte ferroviário é o mais indicado) o Brasil possui uma malha ferroviária minúscula. Por fim, analisa-se como essa precariedade de infraestrutura, falta de investimento e escolha errada do modal de transporte acaba por influenciar nas exportações brasileiras, de modo negativo é claro.

1 Graduandos em Relações Internacionais – Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC

2. Transporte rodoviário

O transporte rodoviário é caracterizado pelo uso de veículos como caminhões e carretas realizados em estradas de rodagem. Este por sua vez pode ser realizado em território nacional ou internacional, ou seja, utilizando estradas de vários países na mesma origem. O modal rodoviário sendo utilizado no território nacional costuma ser nomeado como transporte doméstico, em que corresponde ao percurso entre porto e embarcador ou consignatário. Nesse percurso o modal rodoviário, geralmente, é utilizado para o transporte de produtos industrializados por possuírem um maior valor agregado, e também em função da confiabilidade que apresenta. No entanto, produtos agrícolas, como a soja, também são transportados freqüentemente pelas rodovias, com maior freqüência em épocas de safra, mas, principalmente, devido à falta de capacidade das ferrovias e de outras características dos demais modais de transporte que inviabilizam a utilização, características essas que serão elucidadas ao decorrer do artigo. Já o transporte internacional de cargas é realizado por empresas credenciadas pelo DNER, e tal como já foi abordado, utiliza estradas de vários países, ou seja, tanto em importações quanto em exportações, e no território brasileiro se evidência essas transações com os países da América do Sul.

2.1 O predomínio do modal rodoviário

Segundo dados da Confederação Nacional de Transportes, 2008, “o transporte rodoviário detém a maior participação na matriz do transporte de cargas no Brasil, com 61,1% o que corresponde a 485,6 bilhões de TKU 2”. Dados estes que não elucidam a eficiência total do modal rodoviário no Brasil, pois devido à falta de infraestrutura adequada, nem sempre é utilizado o modal mais adequado ao tipo de carga transportado. Diante da falta de disponibilidade de outros modais, o embarcador acaba utilizando o modal rodoviário, que apesar dos baixos valores de frete praticados, não teria como competir com uma ferrovia ou hidrovia, principalmente nas longas distâncias. Logo os custos logísticos do país poderiam ser menores caso houvesse maior participação dos demais modais, isto é, maior equilíbrio entre os modais de transporte. No entanto, podese afirmar que o Brasil é um país extremamente dependente do modal rodoviário. Mesmo com a possível tendência ao aumento da participação dos outros modais, o

2 TKU: Toneladas por quilometro útil rodoviário ainda será predominante. O excerto abaixo reflete os motivos que agravam a situação e a discrepância entre os modais:

“Grande parte destas distorções na matriz dos transportes brasileiros e as ineficiências observadas, são explicadas pelos longos anos de estatização dos portos, ferrovias e dutos no Brasil, bem como os subsídios implícitos no passado e que ainda perduram com menor ênfase para o modal rodoviário”. (RIBEIRO & FERREIRA, 2002).

2.2 Cotejando os modais

Para uma melhor caracterização dos modais de transportes, se faz necessário uma rápida diferenciação de suas características:

Ferroviário: é utilizado principalmente no transporte de grandes tonelagens de produtos homogêneos (commodities), ao longo de distâncias relativamente longas. Apesar do custo do transporte ferroviário seja mais baixo do que o rodoviário, este tipo modal de transporte não é muito utilizado no Brasil, tal como o modal rodoviário. Isto é agravado pela falta de investimento em infraestrutura. Tem alto custo inicial, o que acaba por ofuscar suas qualidades de longo prazo, sendo elas, principalmente baixa manutenção e baixo consumo.

Rodoviário: é o mais utilizado no transporte de cargas no Brasil desde a década de 50 com a implantação da indústria automobilística e o processo de pavimentação das rodovias com fins de fomentar a indústria. Ao contrário do ferroviário, o rodoviário se destina principalmente ao transporte de produtos acabados ou semi-acabados a curtas distâncias. Apresenta preço de frete mais elevado do que o modal ferroviário e hidroviário, sendo recomendado para produtos de alto valor agregado ou perecíveis.

Hidroviário: é utilizado para o transporte de granéis líquidos, produtos químicos, areia, carvão, cereais em geral e bens de alto valor (máquinas) em contêineres. É o tipo modal que apresenta o menor custo.

Aeroviário: apresenta o frete mais elevado que o correspondente modal rodoviário. Utilizado principalmente no transporte de cargas de alto valor unitário (eletrônicos, relógios, alta moda, etc.) e perecíveis (flores, frutas nobres, medicamentos, etc.). É o modal que possui o custo mais elevado em relação aos outros modais.

Dutos: é ainda muito limitado. Destina-se principalmente ao transporte de líquidos e gases em grandes volumes e materiais que podem ficar suspensos (petróleo bruto e derivados, minérios).

Vale ressaltar que a escolha certa do modal de transporte é uma das mais importantes estratégias de logística, mas devido aos problemas existentes em infraestrutura entre os modais, principalmente nas ferrovias, acaba inviabilizando a escolha certa. Uma alternativa convincente de logística é abordada no excerto:

“A integração entre os modais agrega vantagens a cada modal, caracterizados pelo nível de serviço e custo. Combinados, permitem uma entrega porta a porta a um menor custo e um tempo relativamente menor, buscando o

equilíbrio entre preço e serviço”. (RIBEIRO & FERREIRA, p. 5, 2002)

Torna-se importante destacar que quanto menor o valor agregado do produto, maior é a participação das despesas de transporte no faturamento da empresa.

2.3 Vantagens e desvantagens do modal rodoviário e sua participação na matriz transporte

Vantagens

Entrega porta a porta; rapidez da entrega da carga em curta distância; o transporte vai até a carga em vez de obrigar o exportador a levá-la até ele; peça fundamental da multimodalidade e da intermodalidade, etc.

Desvantagens Um dos fretes mais caros; menor capacidade de carga; custo elevado de infraestrutura; um modal bastante poluidor do meio ambiente, etc.

Matriz do Transporte de Cargas no Brasil

Rodoviária Ferroviário Aquaviáio Dutoviário Aéreo

Fonte: Agência Nacional e Transportes Terrestres ANTT 2008.

A partir do que é visualizado na tabela e no gráfico, é possível destacar que o modal rodoviário possui seus prós e contras, contudo ainda prevalece a sua utilização com 61,1% do total. Vale ressaltar que o baixo investimento em infraestrutura nos demais modais vem influenciando na prevalência do uso do transporte rodoviário de cargas. O interessante seria o uso adequado para cada tipo de produto a ser transportado.

3. Situação das Rodovias no Brasil

Como já foi esclarecido o setor rodoviário predomina sobre os demais, cabe ressaltar, no entanto que esta preponderância já foi maior. Esta atual estrutura tem enormes implicações sobre o setor de serviços e comércio, tanto no mercado interno quanto externo. Pois se levarmos em consideração a dimensão do Brasil o transporte que deveria predominar seria o ferroviário, como na maioria dos países de tamanho semelhante.

Apesar de ser o segundo meio de transporte mais caro, só perdendo para o aéreo, o transporte rodoviário tem suas qualidades, que foram discutidas acima. Porém, para que essas qualidades sejam aproveitadas de maneira eficiente, é necessária uma boa infraestrutura, o que no caso do Brasil, além de não ser verdade, os investimentos feitos para reverter a situação são raros e ineficientes, o que sugere que o Brasil esta deixando de lado as rodovias e priorizando outros meios de transporte, fato que, infelizmente também não é verdade. Os investimentos em ferrovias ou portos são escassos e raros se comparados aos rodoviarios,.

Cabe, portanto analisar a situação das rodovias no Brasil, fato que vai além da condição das rodovias, passando pelo numero de acidentes, furtos, e até mesmo pelos métodos usados pelos transportadores.

A partir da analise da tabela, fica evidente que as condições das rodovias são extremamente ruins, o que influencia diretamente no preço do frete, pois deteriora mais rápido os pneus, assim como todo o caminhão aumentando o custo da manutenção geral, aumenta o tempo de viagem, diminui a segurança e pode até mesmo aumentar o uso de combustível.

Já não bastasse todo esse custo adicional, são relativamente freqüentes os casos de acidentes, diretamente vinculados com as condições da via, assim como também são freqüentes os roubos de carga, que acarretam em grandes prejuízos assim como em uma baixa segurança do transportador.

Obviamente existem rodovias no Brasil em ótimo ou bom estado de conservação, no entanto a grande maioria delas são concessões, ou seja, privadas e cobram pedágio, acarretando em mais um custo para o transporte.

A figura abaixo retrata a situação de uma rodovia em péssimo estado de conservação, fica evidente que o transporte de cargas por estas rodovias é prejudicado, aumentando em muito o custo e o tempo do transporte.

Rodovia no acre3

3 Disponível em http://acertodecontas.blog.br/wp- content/uploads/WindowsLiveWriter/Crticasaomodelodeconcessodeestradassoinf_AFC3/rodonorte.jpg

4. Influência nas exportações

As exportações são precipuamente importantes no intuito de promover o crescimento e o desenvolvimento econômico do país. Consequentemente uma boa infraestrutura no sistema de transporte de cargas confere ao país vantagens competitivas frente aos negócios internacionais, seja no escoamento da produção ou mesmo na importação de determinado produto. Com base no elucidado, torna-se necessário destacar que o modal rodoviário é utilizado tanto na multimodalidade quanto na intermodalidade no transporte de cargas, sendo que a eficiência do mesmo é importante para o bom funcionamento do sistema de transporte no âmbito geral, pois o transporte rodoviário como já mencionado, realiza o escoamento da produção, principalmente na área agrícola, para um momento posterior ser exportador pelos determinados modais, dependendo do seu destino. Embora o modal rodoviário domine o transporte de cargas, este não possui todas as eficiências exigidas para um bom funcionamento, visto como já foi aludido, muito devido às condições das rodovias. Dentro do que foi abordado, tornase imprescindível lembrar que o sistema rodoviário que abrange o território brasileiro se apresenta defasado e não corresponde com os ensejos do país. Um exemplo que pode ser plausível a essa situação pode ser constatada na região litoral sul, onde a infraestrutura de transporte rodoviário na transferência de produtos para exportação passa a prejudicar o crescimento econômico da região, ao afetar diretamente produtores e dificultar a viabilidade da exportação de produtos regionais com maior valor agregado. (OLIVEIRA; SILVA, 2008). Uma rede de transporte adequado fomenta principalmente no setor agrícola, rapidez e segurança suficiente para que a produção seja transportada, através do modal mais adequado ao caráter perecível da carga, além de representar a conexão entre os pontos de escoamento para o mercado nacional e internacional com competitividade. Portanto, o modal rodoviário está inteiramente interligado com os demais modais de transporte, com o escoamento da produção, consequentemente se relacionando no processo de exportação, tal como se torna melhor elucidado no fragmento:

“A infraestrutura rodoviária se apresenta intimamente relacionada com o processo de exportação. Esta infraestrutura representa o elo entre as áreas de produção e de escoamento, além de se constituir no ponto fundamental para o tráfego dos bens de produção, envolvidos no processo de fabricação de produtos”. NAZÁRIO et. AL (2000 apud OLIVEIRA; SILVA, 2008).

Tomando como premissa a possível eficiência do modal rodoviário, os setores comerciais e industriais, poderiam usufruir com maior freqüência das vantagens trazidas pelo transporte e reduzir as disparidades dos níveis de produtividade, tornando mais eficiente à distribuição do produto para o mercado nacional e principalmente para mercado internacional. A partir do que foi explanado, torna-se importante ressaltar que investimentos em infraestrutura são importantes para alavancar os sistemas modais de transporte e principalmente o uso adequado dos mesmos para o transporte de determinados produtos tendo por objetivo o mercado nacional ou a exportação. Com o intuito de validar o conteúdo abordado, torna-se pertinente a utilização do excerto abaixo:

“As ampliações da extensão e da velocidade, na matriz de transporte, promove a mobilidade de recursos humanos e bens, de modo que possam ser empregados de forma mais produtiva. Produções aparentemente inviáveis podem se tornar viáveis com um sistema de transporte adequado, o que resulta em ganhos para a economia interna de um setor produtivo e obviamente na economia externa de todos os setores e fortalece o país no cenário internacional”. GARY FROMM (1968 apud OLIVEIRA; SILVA, 2008).

5. Considerações Finais

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