Apostila - Revolução Francesa

Apostila - Revolução Francesa

FACULDADE INTEGRADA BRASIL AMAZÔNIA

DISCIPLINA: HISTÓRIA 4º semestrePROFESSORES: DENIS MORAES

KELY REGINA

NATALLIE CHAGAS

RAIMUNDO HENRIQUE

ROBSON CARVALHO

Revolução Francesa

A Revolução, segundo o pintor Delacroix

I - Introdução

De caráter internacional e atemporal, a Revolução Francesa é tida como o marco do fim da Idade Média e o início da Contemporânea. Foi um movimento que repercutiu na Europa do séc. XIX. Seu lema, Liberdade, Igualdade e Fraternidade, foi inspirado no movimento iluminista e, através dele, é caracterizada por uma maior participação política das camadas populares.

II - Causas da Revolução

  • Precários sistemas administrativo, político, financeiro, econômico e social

  • Desigualdades provenientes da divisão social (três estados)

  • Desorganização do governo

  • Gastos excessivos

  • Contas reais misturadas as do governo

  • Participação na guerra de independência das 13 colônias inglesas

  • Inverno rigoroso que prejudicou as colheitas

  • Tratado de comércio estabelecido com a Inglaterra

Divisão Social:

  1. 1º Estado: formado pelo clero, que era isento do pagamento de impostos e possuía a maior parte das terras. Esta classe, em troca desses privilégios, legitimava o poder real através da Teoria do Direito Divino.

  2. 2º Estado: formado pela nobreza leiga ou de sangue, que recebia pensões governamentais e detinha grande parte dos melhores cargos públicos. Muitos desses nobres tinham origem burguesa (compra de títulos).

  3. 3º Estado: formado pelos burgueses e camponeses, que pagavam impostos e não tinham direitos políticos.

III - Tentativas de Reformas

Os ministros de Luís XVI tentaram alterar a situação. Turgot propôs a cobrança de impostos da nobreza e do clero e o corte de gastos públicos. Após sua demissão, Necker publicou a relação das contas do governo, o que chocou o povo. Com o agravamento da crise, a nobreza obriga o rei a convocar os Estados Gerais (reunião dos representantes dos três estados).

IV - Revolução em Curso

A Revolução se divide em três eras:

  1. Era das Constituições (1789-1792)

Queda da Bastilha

Nesse período há o predomínio das ações da burguesia, interessada em derrubar o Antigo Regime. Os Estados Gerais se reúnem no Palácio de Versalhes. Surge o problema da votação, pois se a votação ocorresse de modo que cada Estado votasse sua escolha, os dois primeiros Estados votariam e, por decisão da maioria, não ocorreria nenhuma alteração na situação. Então o Terceiro Estado exige a votação por representante. Sem acordos entre eles, o Terceiro estado se separa e Proclama-se Assembléia Nacional Constituinte. Ocorrem vários episódios de conflitos entre 1789-91 e as primeiras medidas da Assembléia são:

    • Criação da bandeira nacional

    • Abolição dos privilégios feudais

    • Queda da Bastilha

    • Criação da Guarda Nacional

    • Publicação da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, que reconhecia a igualdade jurídica

    • Confisco dos bens da Igreja para resolver o problema do déficit público

    • Publicação da Constituição Civil do Clero, que submetia a Igreja ao Estado

    • Publicação da Lei Le Chapelier, que proibia greves e sindicatos

    • Publicação da Constituição, que dividia o governo em executivo, legislativo e judiciário e o povo em ativo (voto baseado na riqueza) e passivo (sem direito a voto)

Ao mesmo tempo, inicia-se a contra-revolução com nobres e clérigos fugidos, apoiados pelos monarquistas que temiam a mesma situação em seus domínios. A Constituição é dissolvida em setembro de 1791. No período de 1791-92, para a Assembléia Legislativa seriam eleitos deputados através do voto censitário, com o poder executivo nas mãos do rei e o judiciário nas mãos de juízes eleitos. A divisão nesta assembléia era a seguinte:

  1. Na direita: estavam os girondinos, políticos moderados que defendiam o respeito a Constituição

  2. Na esquerda: estavam os jacobinos ou montanheses, políticos mais radicais que queriam implantar a república e limitar o poder real. Seus maiores representantes eram Maximilien Robespierre e Georges Danton.

  3. No centro: estavam os políticos da planície, corruptos que apoiavam quem estivesse no poder e visavam unir os dois extremos para salvar a revolução.

Em abril de 1792, o governo francês declara guerra aos países que abrigavam os políticos exilados. Com a invasão da França pela Áustria e Prússia, a revolução se torna mais radical. O rei é preso por suspeitas de traição e se realizam eleições por sufrágio universal para uma nova assembléia, denominada Convenção. A revolução entre em sua segunda era.

2. Era das Anteipações (1792-1794)

Execução de Robespierre

Era marcada pela participação das massas populares e liderada pelos jacobinos. A Convenção toma posse no mesmo dia em que os franceses vencem a Áustria e a Prússia e a República é proclamada. Ocorre uma reorganização dos partidos: na direita: permaneciam os girondinos, conservadores e identificados com a burguesia ligada ao comércio colonial e na esquerda os jacobinos, representando a pequena burguesia e os sans-culottes. Seu líder era Robespierre.

Confirmadas as suspeitas de traição de Luís XVI, ele foi guilhotinado, o que aumentou as oposições interna e externa, levando a formação da Primeira Coalizão contra a França. A Convenção toma medidas mais duras para enfrentar as dificuldades.Com o aumento crescente das divergências entre girondinos e jacobinos, estes instalam o regime do Terror. À frente dele, estava Robespierre. Suas medidas foram:

    • Criação do Tribunal Revolucionário e da Lei Prairial (executamentos na guilhotina)

    • Criação do Comitê de Salvação Pública

    • Confisco de terras dos contra-revolucionários, entregues aos camponeses.

    • Criação de novo calendário

    • Publicação da primeira constituição republicana

A crise econômica, miséria, ameaças de invasão e o medo do Terror enfraqueceram o governo de Robespierre, levando a sua execução. Quando os girondinos retomam o poder, inicia-se a Reação Termidoriana, perseguição aos jacobinos.

3.Era das Consolidações (1794-1815)

Napoleão Bonaparte

Essa época é marcada pela consolidação das conquistas burguesas, se dividindo nos períodos do Diretório e do Império Napoleônico.

3.1 Diretório (1795-1799): neste período elimina-se o sufrágio universal, agrava-se a crise interna e implanta-se a não intervenção estatal. Em meio a crise devido a inflação e corrupção, surge o general Bonaparte que, apoiado pelo exército e burguesia, derruba o Diretório e assume o poder.

3.2. Império Napoleônico (1799-1815): Napoleão foi um general que obteve várias e sucessivas vitórias contra os inimigos externos da revolução. Tido como líder pela burguesia e herói pelo povo, assume o poder através do Golpe do 18 de Brumário (data de acordo com o novo calendário instituído pela revolução). Cria-se uma nova constituição e o Consulado (governo de aparência democrática, mas ditatorial). Apoiado pelo povo e com amplos poderes, restabelece a ordem interna, reorganiza a administração interna e estabelece a paz através de diplomacia e vitórias militares. Um plebiscito em 1804 o autoriza a assumir o título de Imperador.

O principal oponente do império napoleônico, a Inglaterra, firma um breve acordo de paz. Mais tarde se une a Áustria e Rússia contra a França. Napoleão obtém vitórias e derrotas. Seu bloqueio Continental contra os ingleses (fechamento dos portos europeus ao comércio inglês) é posto em prática e para cumpri-lo intervém na Espanha e em Portugal. Em 1810, seu prestígio na França começa a ficar abalado.

A oposição se intensifica ao despotismo do regime, assim como a repressão a tal oposição. O Bloqueio também é cada vez mais desrespeitado. Um exemplo dessa situação é o rompimento da Rússia com a França e a aproximação com a Inglaterra. Napoleão declara guerra a Rússia, toma Moscou mas mesmo assim é derrotado. Renuncia em 1814 e se exila no ilha de Elba.

Esta época ocorre a retomada do poder pela dinastia Bourbon, que gerou insatisfação ao tentar recuperar os antigos direitos. Napoleão se aproveita para retomar o poder e governa durante 100 dias (Governo dos Cem Dias), sendo derrotado na batalha de Waterloo em 1815. Dessa vez, os ingleses o mandam para a ilha de Santa Helena, onde morre em 1821.

Após a primeira derrota de Napoleão, as nações vencedoras se reúnem para refazer o mapa europeu e restabelecer os governos anteriores a Napoleão. Interrompido durante o governo dos Cem Dias, as monarquias se reúnem novamente criam a Santa Aliança, força militar para garantir a ordem no continente e nas colônias. A nova ordem, denominada Restauração, não dura por ignorar os anseios das revoluções burguesas.

Referências Bibliográficas:

HOBSBAWN, Eric. J. A Revolução Francesa. São Paulo: Ed. Paz e Terra, 2005.

FIGUEIRA, Divalte Garcia. História. Volume Único. São Paulo: Ática, 2002.

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