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Importante esclarecer que os conceitos e defi nições relacionados a atributos e horizontes diagnósticos, bem como as informações sobre o Sistema Brasileiro de Classifi cação de Solos – SiBCS, constantes desse documento, representam o que estava em vigor no Brasil até a data de sua publicação. Fica, porém, o alerta de que podem vir a sofrer modifi cações ou ajustes, em função das necessidades/conveniências atreladas ao desenvolvimento e aperfeiçoamento do SiBCS.

Ao longo do texto as referências a tipos de solos, foram feitas de acordo com a terminologia constante no Sistema brasileiro de classifi cação de solos (2006) e, quando julgado conveniente, foi mencionada em seguida à denominação correspondente, a classifi cação usada anteriormente, entre parênteses.

Com o intuito de levar ao usuário um documento rico em informações visuais, constam desta edição 264 ilustrações, das quais 32 caracterizadas como fi guras e 232 como fotografi as. Algumas delas foram extraídas e/ou adaptadas de obras consagradas, e outras, como no caso principalmente de fotografi as, foram gentilmente cedidas por pesquisadores da Fundação IBGE ou pertencentes a outras instituições. Nestes casos, consta em seguida à numeração e legenda de cada uma, a citação da fonte de origem ou do autor. Nos casos em que esta informação não é fornecida, signifi ca tratar-se de material de autoria da coordenação técnica do trabalho.

Considerando que há muito, profi ssionais das áreas de planejamento e, particularmente, executores de mapeamento de solos, ressentem-se da falta de

Introdução _ um documento com informações sobre os levantamentos de solos realizados no Brasil, e por entender ser este tipo de informação de grande relevância para a ciência do solo e para o Brasil, o IBGE levantou informações de fontes diversas e as apresenta sob a forma de Banco de Dados Relacional no CD-ROM que acompanha esta publicação.

Trata-se de um esforço inicial no sentido de organizar uma base preliminar com tal tipo de informação, e o propósito maior é que este constitua o primeiro passo para montar um grande Banco de Dados, na medida em que sejam desenvolvidos novos trabalhos e que os senhores usuários e executores de levantamentos passem a colaborar, enviando dados de levantamentos existentes, ainda não inseridos na presente relação.

Esta relação foi organizada com base em fontes diversas, dentre as quais: informações diretas do(s) autor(es), ou da empresa ou instituição executora, consulta direta à obra, ou levantamento em anais de congressos e listas de referências bibliográfi cas. Contém informações sobre a área objeto de cada levantamento, o ano de publicação ou de conclusão, a empresa executora e a autoria do trabalho (esta última quando constante da fonte consultada), o nível de detalhamento ou a natureza do trabalho, os documentos que compõem a obra e a escala dos mapas, quando elaborados.

Com o intuito de facilitar ao usuário a obtenção de informações sobre onde adquirir ou consultar os vários trabalhos ou, pelo menos, onde obter orientações que o levem a isto, incorporou-se uma coluna com dados de prováveis locais ou instituições, que poderão dispor de elementos sobre a localização da obra. Trata-se de uma informação pouco precisa, visto que boa parte das obras foram realizadas no meio privado, regidas por contratos particulares, e quase sempre com tiragem muito limitada, na maioria das vezes contando apenas com um ou dois exemplares, além de serem propriedade exclusiva das empresas ou organismos contratantes.

As informações contidas na referida listagem, que constitui o documento “Catálogo de Levantamentos de Solos”, poderão ser extraídas por regiões geográficas, por Unidades da Federação, por tipos de levantamentos, ou mesmo pela escala dos mapas elaborados, empregando-se o software Access 1995.

Informações sobre trabalhos não relacionados podem ser enviadas para o IBGE – Gerência de Recursos Naturais da Unidade Estadual de Goiás (GRN/UE-GO), com referência ao “Manual Técnico de Pedologia”, ou para o e-mail virlei@ibge.gov.br

Objetivando maior versatilidade e facilidade de manuseio, a presente publicação é apresentada em uma versão convencional, impressa, e outra em meio digital, na forma de CD-ROM. Cabe, entretanto, alertar, mais uma vez, que a listagem dos levantamentos pedológicos, por limitação de espaço, constará apenas da versão em meio digital.

Pequeno histórico da pedologia no Brasil1

As bases da Pedologia, ramo do conhecimento relativamente recente, ou Ciência do Solo como também é chamada, foram lançadas em 1880 na União Soviética por Dokuchaiev, ao reconhecer que o solo não era um simples amontoado de materiais não consolidados, em diferentes estádios de alteração, mas resultava de uma complexa interação de inúmeros fatores genéticos: clima, organismos e topografi a, os quais, agindo durante certo período de tempo sobre o material de origem, produziam o solo.

A preocupação inicial de Dokuchaiev, de cunho pedológico - explicar a formação dos solos e estabelecer um sistema de classifi cação - era, sem dúvida, uma preocupação oportuna em defi nir uma nova área de estudo e delimitar-lhe o espaço dentro do contexto do campo da Ciência. A expansão dos estudos pedológicos decorreu, em grande parte, da necessidade de:

- corrigir a fertilidade natural dos solos, depauperada ao longo dos anos de exploração agrícola e agravada pela erosão;

- elevar a fertilidade natural de solos originalmente depauperados; - neutralizar a acidez do solo;

1Extraído de Moniz (1997) e Trajetória evolutiva do sistema brasileiro de classifi cação de solos (1999).

Manual técnico de pedologia

________________________________________________________Manual técnico de pedologia - 2a edição

- agrupar solos apropriados para determinadas culturas; - preservar os solos contra os perigos da erosão.

No Brasil, por decreto do Imperador D. Pedro I, foi criada, em 1887, a Estação Agronômica de Campinas, que mais tarde passou a ser o Instituto Agronômico.

Em 1892, a Instituição passou ao domínio do Governo Estadual.

Outras instituições antigas são a Escola de Agronomia e Veterinária Eliseu Maciel (Pelotas), fundada em 1892, e a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Piracicaba), fundada em 1900.

A escolha de Campinas para sede da Estação Agronômica obedeceu a razões de ordem econômica, histórica e geográfi ca.

Em 1935 foi fundada a Seção de Solos do Instituto Agronômico, cujo programa de pesquisa tinha como objetivos:

- estudo de metodologia analítica, física, química e mineralógica;

- caracterização química e física de solos;

- tentativa de identifi cação das diferentes unidades de solos;

- conceituação sobre teores trocáveis.

Os levantamentos de solos no Brasil

Philippe W. Cabral de Vasconcellos, em 1928, analisou a composição química de amostras de um perfi l de Latossolo Vermelho (Latossolo Roxo) coletadas a cada 30cm de profundidade (até 270cm). Embora não houvesse preocupação em descrever essas camadas, o exame químico do solo em profundidade parece ter sido uma primeira tentativa de análise de um perfi l de solo.

As características de 2 tipos de solos do Estado de São Paulo foram descritas por José Setzer em 1941. A classifi cação dos solos foi baseada na natureza petrográfi ca do material de origem, com subdivisão baseada em propriedades físicas e químicas. Nela foram mantidos nomes populares, tais como Salmourão, Massapé, etc. Paiva Netto e colaboradores, em 1951, defi niram grandes tipos de solos em função da geologia e, secundariamente, da textura.

No fi nal da década de 1950 e começo da de 1960, foram realizados levantamentos minuciosos, com base na morfologia do perfi l e nas propriedades químicas, em nível de série, dos solos da bacia de Taubaté, no vale do rio Paraíba (São Paulo).

O Instituto José Augusto Trindade, localizado no Município de Sousa (Paraíba), é considerado pioneiro no estudo minucioso de solos. O primeiro mapa de solos foi realizado em 1947, quando foi confeccionado o mapa agrológico da bacia de irrigação do açude São Gonçalo (Paraíba).

Com a criação da Comissão de Solos do Centro Nacional de Ensino e Pesquisas Agronômicas do Ministério da Agricultura, em 1947, os levantamentos de solos no Brasil tomaram grande impulso. Inicialmente, a atribuição da Comissão de Solos era coordenar os estudos de solos a serem realizados em diferentes regiões brasileiras. Em 1953, com a sua reestruturação, teve por incumbências principais a execução do plano básico de inventário geral de recursos de solos do Território Nacional e o aperfeiçoamento da capacitação de levantamentos de solos.

Manual técnico de pedologia _

O êxito da Comissão de Solos deveu-se ao preparo do seu pessoal técnico e à motivação de suas diversas equipes para vencer as difi culdades naturais durante os trabalhos de campo. Além disso, deve-se citar o apoio dado pelo pessoal do laboratório para manter um fl uxo constante de análises físicas e químicas, indispensáveis à boa continuidade dos trabalhos de campo.

Em termos de estudos pedológicos, os trabalhos da Comissão de Solos tiveram efeito catalisador. Com a publicação dos levantamentos de solos, ocorreu grande estímulo para estudos pedológicos, em diferentes estados do Brasil. Solos de diversas regiões brasileiras podiam ser comparados, já que, com sua classifi cação, fora mantida certa uniformidade.

Em 1971, o Departamento Nacional da Produção Mineral, preocupado com os recursos naturais da Amazônia, desenvolveu um projeto de sensoriamento remoto dessa região utilizando radares. Sua designação inicial, Radar da Amazônia, deu origem à sigla RADAM.

Além de uma nova imagem da Amazônia, reunida em 117 mapas e 18 volumes, o Projeto RADAM permitiu ampliar a província estanífera de Rondônia, facilitou a pesquisa do ouro no rio Tapajós, de carbonitita, com possibilidade de conter nióbio, zinco e cobre, no morro dos Seis Lagos, de cassiterita na serra dos Surucucus, e de bauxita em Paragominas.

A partir de 1976, o projeto RADAM teve sua atuação estendida para todo o território nacional com a denominação Projeto RADAMBRASIL, e concluiu o seu trabalho em 38 volumes (quatro ainda não publicados), estando todo o Território Nacional, dotado de mapas exploratórios de solos na escala 1:1 0 0.

Conforme dados da relação de levantamentos constante na versão CD-ROM desta edição, o Brasil conta hoje com inúmeros trabalhos de levantamentos de solos, elaborados em vários níveis nas suas diferentes regiões. Instituições ofi ciais, como a Embrapa Solos e o Projeto RADAMBRASIL executaram os levantamentos generalizados que recobrem todo o Território Nacional, enquanto a iniciativa privada é responsável pela maioria absoluta dos levantamentos executados em níveis de maior detalhe, para satisfazer objetivos diversos, tais como exploração agrícola, conservação do solo, irrigação e drenagem, assentamentos de colonos, estudos ambientais (Estudos de Impactos Ambientais e Relatórios de Impactos ao Meio Ambiente - EIA-RIMAS) e outros. Por iniciativa governamental, é válido mencionar os Estados de São Paulo, que até pouco tempo contava com um programa de levantamentos de solos no nível de semidetalhe desenvolvido pelo Instituto Agronômico de Campinas, e Pernambuco, que realizou o levantamento de solos de todo o seu território na escala 1:100 0.

Trajetória Evolutiva do Sistema Brasileiro de Classifi cação de Solos

Classifi cação de solos no Brasil tem sido matéria de interesse, essencialmente motivada pela necessidade decorrente de levantamentos pedológicos, os quais, por sua natureza, constituem gênero de trabalho indutor de classifi cação de solos.

A classifi cação pedológica nacional vigente consiste numa evolução do antigo sistema americano, formulado por Baldwin, Kellogg e Thorp (1938), modifi cada

________________________________________________________Manual técnico de pedologia - 2a edição por Thorp e Smith (1949). Esta classifi cação, que veio a ser nacionalizada, tem sua base fundada, em essência, nos conceitos centrais daquele sistema americano, contando, porém, com o amparo complementar de exposições elucidativas de conceitos e critérios, como foram proporcionados por algumas obras-chave. Os conceitos centrais do antigo sistema americano formam a base da atual classifi cação brasileira transmudada, cuja esquematização atual descende de modifi cações de critérios, alteração de conceitos, criação de classes novas, desmembramento de algumas classes originais e formalização de reconhecimento de subclasses de natureza transicional ou intermediárias. O processo foi sempre motivado pela apropriação das modifi cações às carências que se iam revelando, com a realização de levantamentos em escalas médias e pequenas, em que concorriam classes de categorias hierárquicas mais elevadas. O enfoque principal sempre esteve dirigido ao nível hierárquico de grandes grupos de solos, aliado ao exercício da criatividade tentativa no que corresponde ao nível de subgrupo, posto que classes dessa categoria nunca foram estabelecidas no sistema primitivo de Baldwin, Kellogg e Thorp (1938) e Thorp e Smith (1949).

O Sistema Brasileiro de Classifi cação de Solos é uma prioridade nacional compartilhada com várias instituições de ensino e pesquisa no Brasil, desde as primeiras tentativas de organização, a partir da década de 1970, conhecidas como aproximações sucessivas, buscando defi nir um sistema hierárquico, multicategórico e aberto, que permita a inclusão de novas classes, e que torne possível a classifi cação de todos os solos existentes no Território Nacional.

No período entre 1978 e 1997 foram elaboradas pela Embrapa as seguintes aproximações do Sistema Brasileiro de Classifi cação de Solos: 1a aproximação (1980), 2a aproximação (1981), 3a aproximação (1988) e 4a aproximação (1997), compreendendo discussões, organização, circulação de documentos para crítica e sugestões, assim como a divulgação entre participantes e a comunidade científi ca em geral.

A retomada como um projeto nacional, de interesse e responsabilidade da comunidade de Ciência do Solo no País e coordenado pelo Centro Nacional de Pesquisa de Solos da Embrapa (Embrapa Solos), foi o princípio norteador das novas ações planejadas para a elaboração do Sistema, com base nos estudos anteriores e na evolução dos conhecimentos nesses últimos anos (1995 a 1998). Em Agosto de 2006, foi lançada a 2ª edição do SiBCS.

Caracterização geral do solo

Na identifi cação, caracterização e classifi cação de solos são considerados conceitos, critérios e procedimentos metodológicos que a seguir são descritos. Estas informações foram em sua maioria extraídas de fontes bibliográfi cas diversas, destacando-se: Soil map of the world (1974),da FAO; Normas e critérios para levantamentos pedológicos (1989), da Embrapa; Soil survey manual (1993), do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos; Manual técnico de pedologia, de Souza (1995); Procedimentos normativos de levantamentos pedológicos (1995), da Embrapa; Manual de descrição e coleta no

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