Classificação de Terras para Irrigação (Prof. Sérgio Lima)

Classificação de Terras para Irrigação (Prof. Sérgio Lima)

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Definições:

Classificação de Terras para Irrigação : “ è a avaliação sistemática das terras e sua designação por categorias ou classes, com base em características físicas, químicas e econômicas similares, em relação ‘a sua aptidão para a agricultura irrigada, a nível de imóvel rural me do projeto de irrigação, de acordo com um plano de desenvolvimento dos recursos hídricos e da terra.”

A aptidão agrícola das terras para irrigação, implica na expectativa de obtenção de uma produção razoável, permanentemente lucrativa (sujeita a intempéries), sob irrigação. É medida em termos da estimativa dos custos de mão-de-obra, gerenciamento e capital, incluindo os custos do desenvolvimento das terras do imóvel rural. Representa uma identificação econômica e física das terras em categorias, isto é, as classes de terras são definidas em termos econômicos ( normal/te referem-se ‘a renda líquida do imóvel rural ou a sua capacidade de pagamento).

Terra Arável: “ È a terra que, quando cultivada em unidades de tamanho adequadas ‘as condições climáticas e ao cenário econômico prevalecente e suprida com as benfeitorias essenciais a um imóvel rural, como desmatamentos, nivelamento, recuperação e melhoramento dos solos, drenagem e instalação de sistema de irrigação, produzirá renda suficiente, com a utilização da irrigação, para custear todas as despesas de produção; proporcionará um retorno razoável para mão-de-obra, gerenciamento e capital; e normalmente pagará os custos de operação, manutenção e reposição dos equipamentos de irrigação e drenagem do projeto”

Área Arável: “ Engloba todas as áreas delineadas na classificação de terras, as quais proporcionarão renda suficiente para levar em consideração o desenvolvimento da irrigação”.

Terra Irrigável: “ É a área sob um plano específico, onde a água está ou poderá tornar-se disponível, e que possua ou planeja-se prover com irrigação, drenagem, proteção contra enchentes e outras instalações necessárias a um projeto de irrigação”

- Classificação de Terras para Fins de Irrigação.

A seleção de terras para irrigação compreende uma análise criteriosa dos fatores físicos e econômicos, sendo utilizados sistemas de classificação de solos, e deve inicialmente identificar as áreas de terras que tem produtividade adequada para garantir consideração daquela área para o desenvolvimento da irrigação, sendo denominadas de terras aráveis (Hagan et al., 1967).

Um dos sistemas de classificação de terras para irrigação, mais difundido no mundo é o sistema elaborado pelo “US Bureau of Reclamation”, de 1951, e adaptado por Carter (1993), sendo as classes de terra definida pelos atributos físicos da terra. Destaca, também, que as condições econômicas, depois da classificação das terras, são fundamentais para a elaboração de orçamentos e estudos de viabilidade, na implantação do projeto.

Carter (1993) definiu as classes de terra para irrigação em dois grupos: terras aráveis e aptas para irrigação (quatro classes); terras não aráveis (duas classes), sendo uma provisória. No primeiro grupo tem-se as terras aráveis, ou aptas para irrigação que engloba a classe 1 a classe 4; e no segundo grupo, tem-se as terras não aráveis, ou inaptas para irrigação, que envolve 2 classes, a classe 5 (classe provisória), e a classe 6. A classe 1 tem a maior capacidade de pagamento, com retornos econômicos progressivamente menores à medida que os números de designação das classes aumentam. A classe 5 (classe provisória) indica terras potencialmente aráveis, mas que requerem estudos adicionais para uma classificação definitiva. A classe 6 - para terras não aráveis - representa terras que geram uma renda líquida do lote insuficiente para cobrir custos.

Segundo Carter (1993), as classes de terras definidas como aráveis e não aráveis são apresentadas a seguir:

  • Classe 1 – Arável – Terras mais aptas para irrigação, sendo capazes de sustentar produções de ampla faixa de culturas, com solo química e fisicamente adequado a produção;

  • Classe 2 – Arável – Terras com aptidão moderada à irrigação, exigindo custos mais altos para preparo, irrigação e cultivo do que a classe 1;

  • Classe 3 – Arável – Terras com baixa aptidão para irrigação, por apresentar deficiência de solo, topografia e drenagem, deficiências estas mais severas individualmente ou combinadas. Apresentam menor capacidade produtiva, maiores custos de produção e de desenvolvimento;

  • Classe 4 – Arável – Terras com aptidão restrita para irrigação, apenas para projetos que apresentem alto retorno econômico, devendo ser usada somente em raras situações;

  • Classe 5 – Provisória – Terras que necessitam ter resolvidos alguns aspectos do projeto sendo que posteriormente essas terras passam para a classe 4 ou classe 6 ;

  • Classe 6 – Não Arável – Terras que não atingem os requisitos mínimos para pagar os custos de operação, manutenção e reposição do projeto.

As classes de terras para irrigação devem ser subdivididas em subclasses, sendo usadas para indicar deficiências nos três fatores básicos das terras: solo (s), topografia (t) e drenagem (d).

Um mapa com demarcações e símbolos de classificação de terras apresenta o resultado do estudo de sua classificação e outros dados úteis acerca de seus aspectos. É essencial que uma simbologia adequada seja desenvolvida para fornecer uma coletânea de dados preciso e completos a aptidão para irrigação, a avaliações significativas e a outros fatores. O símbolo, correlacionado às respectivas medidas de áreas, fornece um meio de resumir a aptidão das terras do projeto e outros dados essenciais ao estudo (Carter, 1993).

Os critérios adotados para avaliação das terras aráveis e com aptidão para agricultura irrigada têm como base as normas preconizadas pelo “US Bureau of Reclamation”, com adaptações do nível dos estudos às condições da região.

Os símbolos C, 1, 2, B e X são avaliações opcionais e, por conseguinte, nem sempre aparecem na simbologia. As avaliações opcionais ou informativas incluem uso da terra, produtividade, limites de custos de desenvolvimento das terras, drenabilidade e necessidade de água, quando necessários. As avaliações devem ser representadas por símbolos apropriados no denominador do modelo de representação cartográfica para classificação de terras para irrigação, como mostrado na Figura 06.

A Figura abaixo ilustra uma representação de classificação de terras para irrigação.

Classe de Terra

Deficiência de solo

Deficiência de topografia

Deficiência de drenagem

3 s t d p2 u2 f2

C 1 2 B X

Grau de deficiência

Inundação

Uso Atual da Terra

Produtividade Aparente

Nivelamento

Custo de Desenvolvimento da Terra

Drenabilidade

Condutividade hidráulica

Necessidade de Água

- Fórmula básica para representação cartográfica para classificação de terras para irrigação.

- Classes de Terras

De acordo com Carter (1993), seis classes de terras estão disponíveis para serem usadas na designação de arabilidade, à exceção da 1, as demais classes são usualmente divididas em subclasses para fornecer dados complementares relativos à aptidão das terras, ou para suprir apreciações informativas. A separação em duas ou três classes aráveis é a mais comum.

As classes de terras foram definidas conforme as limitações que cada classe apresentou em relação as subclasses e as deficiências.

- Subclasses e Subscritos Básicos

As designações das subclasses devem ser usadas para fornecer informações básicas relativas às características das terras e à aptidão para irrigação. As subclasses são usadas para indicar deficiências nos três fatores básicos das terras: solo, topografia e drenagem. As razões para se colocarem áreas em classes mais baixas que a Classe 1 são indicadas acrescentando-se as letras “s”, “t” e “d” ao número da classe, a letra mostra se a deficiência é de “solo, “topografia” ou “drenagem” (Carter, 1993).

As subclasses de terras, também denominadas por subscritos básicos, serão portanto s, t, d, st, td, std. A interação ou efeitos cumulativos das deficiências pode justificar a inclusão de uma terra numa classe inferior. A Classe 1 não possui subclasses.

Na Classe 4, adaptada para cultivos especiais, são recomendados os seguintes subscritos:

- Arroz Irrigado..........................(R)

- Fruticultura...............................(F)

- Horticultura..............................(V)

- Irrigação por aspersão...............(S)

- Irrigação subterrânea..................(U)

- Pastagem....................................(P)

Podem ainda ser utilizados subscritos para indicar qual a posição que as terras ocupam na paisagem:

- Isolada........................................(I)

- Alta............................................(H)

- Baixa..........................................(L)

- Deficiências

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