Mancais de Rolamento

Mancais de Rolamento

(Parte 1 de 3)

MGS Boletim nº 008/74 Folha 26 de 24

BOLETIM MGS

INSTRUÇÕES GERAIS

SOBRE

ROLAMENTOS

INSTRUÇÕES PARA ROLAMENTOS

MONTAGEM E DESMONTAGEM DE ROLAMENTOS

INSTRUÇÕES GERAIS

É condição principal, para se obter resultado de funcionamento satisfatório, que se faça a montagem com o máximo asseio. Isto já deve ser tomado em consideração ao se escolher o local para o desempenho de tal serviço. As oficinas mecânicas, nas quais há o risco de que o ar ambiente contenha partículas metálicas, pó ou umidade, não são lugares indicados para montar rolamentos.

Devem conservar-se os rolamentos na sua embalagem original até o momento de serem montados. A graxa antiferruginosa com que estão protegidos os rolamentos, possui excelentes qualidades lubrificadoras e , via de regra, não deve ser removida para não se correr o risco inútil de se introduzirem impurezas no rolamento.

É evidente que os rolamento devem ser limpos antes da montagem, se estiver danificada a sua embalagem ou suspeitar-se que o rolamento possa ter-se contaminado durante o armazenamento. Para a lavagem dos rolamentos novos podem empregar-se os mesmos solventes aconselhados para os rolamentos que já estão em uso.

Para limpar os rolamentos emprega-se, de preferência, petróleo refinado (WHILE SPIRIT), petróleo de boa qualidade (WHATER WHILE), gasolina ou benzol. Estes últimos, devido a sua inflamabilidade, devem ser empregados com muita precaução.

Depois da lavagem, não convém que os rolamentos fiquem secos por muito tempo, devendo-se, em seguida, lubrifica-los com óleo ou graxa. Durante esta operação, faz-se o rolamento efetuar algumas rotações, para que o óleo ou graxa alcance todas as partes vitais e o rolamento fique bem protegido contra a oxidação. Deve-se observar esta norma, sobretudo quando se trata de rolamentos montados em máquinas que devem ficar paradas durante longo tempo.

As outras partes do conjunto a montar, tais como caixas, eixos, etc, também deverão ser limpas e lubrificadas a óleo antes da montagem. Convém que os rolamentos de furo cilíndrico, de dimensões médias e grandes, que exigem ajuste forte no eixo, sejam aquecidos em banho de óleo, antes de serem montados na sua sede no eixo. Geralmente, é suficiente que o banho de óleo tenha uma temperatura de + 70 ºC até 80ºC. Em caso de necessidade, porém, pode-se aquecer os rolamentos até 120ºC. Os rolamentos pequenos podem ser montados a frio sobre o eixo. Para isto, emprega-se, usualmente, uma prensa, ou um martelo e uma ferramenta tubular que se apoia bem sobre toda a superfície lateral do anel interno. Se o anel externo deve ter ajuste forte na caixa, como por exemplo em cubos de rodas, emprega-se uma processo correspondente. Como norma, deve-se evitar que os esforços de montagem se transmitem aos elementos rolantes.

Nos rolamentos de furo cônico o ajuste não é determinado pela tolerância do eixo, mas sim pela extensão do avanço do rolamento sobre o assento cônico do eixo ou do avanço da bucha pelo anel interno a dentro.

Quando se montam rolamento de esferas com buchas de fixação, convém não apertar a porca da bucha a ponto de impedir a fácil rotação do anel externo. No caso de um rolamento autocompensador, o anel externo deve poder oscilar para os lados sem grande resistência.

Os rolamentos autocompensadores de rolos com furo cônico, os quais por sua grande capacidade de carga, são usados para suportar cargas elevadas, devem ser montados com ajuste forte. A folga inicial do rolamento e bem assim a necessária dilatação do anel interno, são tais que permitem medir a redução da folga durante a montagem. Em vez de medir a redução da folga, pode-se medir o deslocamento axial do anel interno sobre a bucha de fixação ou sobre a sede cônica no eixo, ou ainda, medir a extensão do avanço da bucha de desmontagem. Na maioria dos casos, a redução da folga necessária é de cerca de 0,05 à 0,06 por 100mm de furo. A tabela seguinte indica os valores da redução da folga e da correspondente extensão do avanço do anel interno na montagem de rolamentos autocompensadores de rolos com furo cônico.

Em condições de serviço severo, empregamos rolamentos com folga maior que o normal e então devemos manter-nos dentro da metade superior da redução da folga, assim como do deslocamento axial.

DIÂMETRO DO FURO “d” (mm)

REDUÇÃO DA FOLGA (mm)

DESLOCAMENTO AXIAL (mm)

MÍNIMA FOLGA RESIDUAL EM ROL. COM :

Cap. 1:12

Cap. 1:30

MAIS DE

ATÉ E INCL.

MÍN

MÁX

MÍN

MÁX

MÍN

MÁX

FOLGA NORMAL

FOLGA G3

24

30

0,015

0,020

0,30

0,35

0,015

0,020

30

40

0,020

0,025

0,35

0,40

0,015

0,025

40

50

0,025

0,030

0,40

0,45

0,020

0,030

50

65

0,030

0,040

0,45

0,60

0,025

0,035

65

80

0,040

0,050

0,60

0,75

0,025

0,040

80

100

0,045

0,060

0,70

0,90

1,75

2,25

0,035

0,050

100

120

0,050

0,070

0,75

1,10

1,90

2,75

0,050

0,065

120

140

0,065

0,090

1,10

1,40

2,75

3,50

0,055

0,080

140

160

0,075

0,100

1,20

1,60

3,00

4,00

0,055

0,090

160

180

0,080

0,110

1,30

1,70

3,25

4,25

0,060

0,100

180

200

0,090

0,130

1,40

2,00

3,50

5,00

0,070

0,100

200

225

0,100

0,140

1,50

2,20

4,00

5,50

0,080

0,120

225

250

0,110

0,150

1,60

2,40

4,25

6,00

,0,090

0,130

250

280

0,120

0,170

1,70

2,70

4,75

6,75

0,100

0,140

280

315

0,130

0,190

1,90

3,00

5,00

7,50

0,110

0,150

315

355

0,150

0,210

2,00

3,30

6,00

8,25

0,120

0,170

355

400

0,170

0,230

2,40

3,60

6,50

9,00

0,130

0,190

400

450

0,200

0,260

3,10

4,00

7,75

10,00

0,130

0,200

450

500

0,210

0,280

3,30

4,40

8,25

11,00

0,160

0,230

Um deslocamento mais forte que o indicado na tabela não é necessário e deverá ser evitado, riscos que se expõem à resistência do aro inferior.

Para medir a folga dos rolamentos autocompensadores de rolos com furo cônico, emprega-se, habitualmente, um calibre de espessura com lâminas a partir de 0,03mm.

Terminada a montagem, faz-se um ensaio de marcha. Auscuta-se o funcionamento dos rolamentos aplicando-se o ouvido ao cabo de uma chave de fenda, ou de uma ferramenta semelhante, cujo outro extremo se apoia contra a caixa. Um som sibilante indica uma lubrificação defeituosa, enquanto uma rotação ruidosa e irregular é, provavelmente, devida à presença de matérias estranhas no interior do rolamento. Durante o ensaio, deve-se observar o aumento de temperatura, sobretudo quando o rolamento gira a velocidades elevadas. Observando a temperatura que alcançam os rolamentos, pode-se julgar se a montagem está corretamente executada e se o lubrificante é apropriado em qualidade e quantidade.

O sistema mais adequado para desmontar um rolamento, é ditado pela execução da montagem. Um rolamento com furo cilíndrico, cujo anel interno tenha ajuste forte sobre o eixo, desmonta-se mais comodamente com uma ferramenta de desmontagem, a qual deve-se aplicar de modo a evitar que o esforço necessário para a desmontagem se transmita através dos corpos rolantes.

Para desmontar um rolamento com bucha de fixação, afrouxa-se, primeiramente a porca da bucha. Em seguida, afrouxa-se o anel interno mediante golpes aplicados num tubo apoiado contra a extremidade pequena da bucha da fixação. Pode-se, igualmente, aplicar a ferramenta contra a face lateral do anel interno pela extremidade mais grossa da bucha de desmontagem, desmonta-se o rolamento com o auxilio de uma porca que se atarraxa à parte rosqueada da bucha. Essa porca de desmontagem apoia-se, então, contra a superfície lateral do anel interno e, se o aperto é suficiente, a porca fará sair a bucha de desmontagem.

A desmontagem de rolamentos de grandes dimensões pode, algumas vezes, ser complicada e ocasionar perdas de tempo. Neste caso, deve-se empregar ferramentas ou dispositivos especiais para tais fins.

MONTAGEM DE ROLAMENTOS

LIMPEZA – PONTO PRINCIPAL

Os corpos rolantes e as pistas de um rolamento têm uma superfície mito lisa, que é o resultado de uma série de operações mecânicas. Estas superfície pode, entretanto, ser facilmente destruída por poeira e outras impurezas.

Convém, por isso, deixar o rolamento na embreagem original até o momento de ser montado.

ESCOLHA O AJUSTE CERTO PARA O EIXO E A CAIXA

Quando é o eixo que gira, deve o anel interno ficar bem fixo.

Quando, ao contrário, é a caixa que gira, ficando parado o eixo, terá o anel externo que ser bem fixado.

USINAGEM DE SEDE DO ROLAMENTO NO EIXO

Na usinagem do eixo nunca se deve usar o rolamento como instrumento de medição, pois disto poderá resultar ajuste defeituoso e risco de entrarem farpas e outras impurezas no rolamento. Um micrômetro ou um calibre em forma de ferradura são os instrumentos de medição adequados.

Observe o estado da superfície. Se a superfície é rugosa, o ajuste depois da montagem do rolamento ficará mais folgado do que o desejado.

Preste atenção aos defeitos de forma (irregularidade, ovalização, conicidade)

Um anel interno encaixado num assento oval fica oval.

ALOJAMENTO INCORRETO ALOJAMENTO CORRETO

Com um anel externo num alojamento irregular, a capacidade de carga pode diminuir consideravelmente.

COMO SE MONTA O ROLAMENTO NO EIXO

O pedaço de cano que recebe as marteladas deve ser colocado contra o anel interno.

Torna-se mais fácil a colocação do rolamento se este for previamente aquecido em banho de óleo.

O ressalto do eixo não deverá ser alto demais, pois isto dificultará a desmontagem do rolamento. As vezes convém fazer rasgos no ressalto para facilitar a desmontagem do rolamento.

Se o anel interno for forçado sobre a manga de eixo por meio de marteladas aplicadas no anel externo, poderá o rolamento sofrer dano devido a impressões que se verificam nas pistas

MONTAGEM COM BUCHA DE FIXAÇÃO

  1. Rolamentos de Esferas

O deslocamento de uma bucha de fixação sobre um eixo é facilitado alargando-se ligeiramente a fenda com o auxilio de uma chave de parafusos.

Ao mesmo tempo que se aperta a porca da bucha, move-se o anel externo para todos os lados, até se poder sentir quando a folga diminui. Quando a folga parece ter diminuído até cerca da metade (isto se refere somente a rolamentos autocompensadores de esferas; para rolamentos de rolos valem outras regras), aperta-se a porca até que um de seus entalhes coincida com o dente mais próximo da arruela, tendo-se o cuidado de não ultrapassá-lo e de fixar a porca nessa posição. O anel externo deve continuar móvel em todas as direções.

  1. Rolamentos de Rolos

Meça a folga interna antes e depois da montagem, segundo as instruções do catálogo geral de rolamentos.

MONTAGEM DO ROLAMENTO NA CAIXA

Se é o anel externo que deve girar, é preciso que via de regra, fique bem seguro na sua sede na caixa. Portanto, é necessário que o referido anel seja introduzido à força, a qual deve ser dirigida contra o anel externo.

DESMONTAGEM

Nunca se deve usar talhadeira na desmontagem de rolamentos.

Apoia-se o anel interno numa base firme e solta-se o eixo por meio de marteladas. O anel interno deve estar bem apoiado.

Essa ferramenta pode causar o desprendimento de lascas no anel interno, estragando, assim, o rolamento, além de poder produzir impressões no eixo, que impediriam a boa fixação do anel interno.

LUBRIFICAÇÃO

(Parte 1 de 3)

Comentários