Avaliação dos cursos de Engenharia no Brasil

Avaliação dos cursos de Engenharia no Brasil

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Mercado de Trabalho para o Engenheiro e Tecnólogo no Brasil

Analítica Consultoria

A Estrutura Empresarial Brasileira e o Mercado de Trabalho dos Engenheiros

Para se poder dimensionar e entender o mercado de trabalho de engenharia no Brasil é preciso analisar, em primeiro ligar, a estrutura do mercado empresarial brasileiro e, em segundo lugar, a estrutura do mercado de empresas que contrata engenheiros.

O mercado brasileiro é composto, principalmente por empresas com até 49 empregados (5.603.311 empresas ou seja 98,8% do total de empresas). Destas, 4.703.404 estão na faixa de 0 a 4 4mpregados. Na outra ponta, as empresas com mais de 500 empregados são apenas 7.360.

É nestas duas pontas que está concentrado o maior número de assalariados do Brasil. Nas empresas de até 49 empregados estão 30,57% dos assalariados. As empresas com 500 empregados ou mais empregam outros 45,86% dos assalariados do país.

Em termos de massa salarial, as empresas com 500 empregados ou mais são responsáveis por 61,81% do total da massa salarial e de remunerações, com a média salarial mais alta, próxima de 5 salários mínimos, contra os 2,2 salários mínimos das empresas com até 49 empregados.

Quando se trata da contratação de engenheiros, as 7.360 empresas com mais de 500 empregados continuam sendo as maiores empregadoras, com uma proporção de engenheiros contratados praticamente igual à de assalariados (em percentual do total do Brasil). É interessante comparar essas mesmas proporções para os diversos portes de empresas no Brasil (vide quadro na página seguinte).

As menores empresas são aquelas que têm a menor proporção de engenheiros, até porque a maioria delas é de ramos do comércio e prestação de serviços, que não demandam engenheiros.

As maiores empresas estão no ponto de equilíbrio, com a classe engenheiros praticamente igual ao percentual de assalariados em relação ao total do Brasil. É nas empresas de médio porte, de 50 a 500 empregados que existe o maior emprego relativo de engenheiros (56% relativamente mais alto do que nas grandes empresas e 178% relativamente mais alto do que nas empresas até 49 empregados).

Outro dado relevante é a concentração de engenheiros contratados por ramo de atividade. Do total de engenheiros empregados, segundo o CAGED de 30/01/2007 (Base RAIS de 2004), quase metade está concentrada em cinco ramos de atividade, sendo que dois deles estão em áreas não diretamente relacionadas à produção. Um é o ramo de serviços prestados principalmente às empresas, ou seja empresas de consultoria, projetos ou de terceirização de serviços. O outro é a administração pública, defesa e seguridade social, ou seja órgãos do governo.

O setor que mais emprega engenheiros é o da construção, onde a grande concentração de empregados está em empresas menores, de até 49 empregados.

Outros 26,5 % dos engenheiros empregados estão em outros 9 ramos de atividade, com predomínio das empresas de 250 ou mais empregados (vide tabela da página anterior).

Finalmente, os 24,3% restantes estão espalhados por 45 ramos de atividades diferentes, com forte predomínio das empresas de 250 a 499 empregados e, principalmente, empresas com 500 ou mais empregados. Seria importante traçar a curva da evolução destas tabelas, para identificar os setores e portes de empresa mais dinâmicos, os estagnados e os decadentes dentro da economia nacional.

Na tabela abaixo temos, para cada porte de empresa os ramos de atividade que acumulam os primeiros 50% dos engenheiros empregados. A lista acaba restrita a apenas sete ramos de atividade, sendo que apenas a faixa de empregados de 250 a 499 necessita de mais de mais de quatro ramos de atividade para cobrir os primeiros 50% de engenheiros empregados. Apenas um ramo de atividade – Serviços prestados principalmente às empresas -- é comum às quatro faixas de porte. A tabela ilustra bem a tendência de combinação de uso de engenheiros por portes e ramos de atividade.

Com este tipo de estrutura é compreensível que as demandas em relação à formação, treinamento e capacitação continuada de engenheiros seja diversificada e, às vezes, até aparentemente contraditória, quando vista em termos de resultados agregados da pesquisa.

Dada a diversidade de ramos de atividade e a distribuição não homogênea da contratação de engenheiros, seja por porte seja por ramo de atividade, o cliente optou por uma seleção e agrupamento de ramos de atividade que fosse mais relevante para sua atuação e interesses de momento. Os ramos escolhidos (às vezes agrupados) que compuseram a amostra estão na tabela abaixo. Todos os resultados apresentados fazem referência a estes ramos de atividade.

Ramos de atividade incluídos nesta pesquisa (selecionados e agrupados de acordo com decisão do cliente)

Serviços prestados principalmente às empresas, administração pública, defesa e seguridade social

Construção Comércio atacadista e varejista

Fabricação de coque, produtos químicos, borracha e plásticos, produtos de minerais não metálicos, papel e celulose

Eletricidade, gás, água quente, captação tratamento e distribuição de água

Correio, telecomunicações, atividades de informática e serviços relacionados Agricultura pecuária e serviços relacionados

Metalurgia básica, fabricação de produtos de metal excluindo máquinas e equipamentos e máquinas e equipamentos

Saúde, serviços sociais, atividades associativas Transporte terrestre, atividades anexas e auxiliares do transporte e de viagens Fabricação de produtos alimentícios Fabricação de veículos automotores, reboques, carrocerias, e outros equipamentos de transporte Pesquisa e desenvolvimento Fabricação de máquinas, aparelhos e materiais elétricos, de informática, eletrônicos, óticos e hospitalares Educação Extração minerais metálicos, petróleo e relacionados Intermediação financeira

Mercado de Trabalho dos Engenheiros

O mercado de trabalho é fortemente dependente de um pequeno número de empresas que emprega uma grande quantidade de engenheiros. As empresas que empregam até cinco engenheiros representam pouco mais de 60% do mercado. As grandes empregadoras, que empregam mais de 100 engenheiro são apenas 2,8% do total de empresas.

Do total de empresas, apenas 6% empregam 50 ou mais empregados, mas elas acabam sendo responsáveis por 51,8% dos postos de trabalho de engenheiros dento do universo estudado.

As empresas que empregam os próximos 25,5% dos engenheiros são apenas 15,8% do total das empresas estudadas. Restam 79,4% das empresas para empregarem os 2,7% dos engenheiros que restam.

Em suma, 1 engenheiro a mais empregado em cada uma das empresas que hoje empregam até 5 engenheiros teria, em tese, muito maior possibilidade de gerar um grande volume de empregos do que um trabalho junto àquelas empresas que já são grandes empregadoras. Isso gera a necessidade de se conhecer a fundo as demandas dessas empresas menores e qual é o perfil de engenheiro de que elas necessitam. São também essa pequenas empresas que não têm programas internos de treinamento e desenvolvimento de engenheiros recém-formados, dependendo mais da qualidade do engenheiro que sai da escola.

Relação entre empresas empregadoras e engenheiros empregados

% das empresas empregadoras

% dos engenheiros empregados

A tabela seguinte mostra claramente que em volume de empresas contratantes, a concentração está naquelas que contratam até 5 engenheiros, independentemente do tipo de engenheiro. Essas duas faixas concentram mais de 72% a 90% das empresas contratantes, mas em volume de contratados, acabam perdendo para as grandes empresas, na maioria dos casos.

O quadro abaixo, mostra que, na grande maioria das empresas aparecem com destaque três tipos de engenheiros, os civis e afins, os eletricistas e eletrônicos e os mecânicos. No total, podem não ser as categorias mais contratadas, mas são as de presença mais constante em todos os portes de empresa. Apenas nas empresas que contratam de 51 a 100 engenheiros, os engenheiros mecânicos cedem sua posição aos pesquisadores de engenharia e tecnologia.

Quando se trata de número de engenheiros contratados e não de empresas contratantes, nota-se claramente como um número menor de grandes empresas

(as que contratam 21 engenheiros ou mais) acaba sendo responsável pelo maior número de contratações, independentemente do tipo de engenheiro.

Em todos os portes de empresa, é dominante a presença de engenheiros eletricistas e eletrônicos, engenheiros civis e afins e de engenheiros mecânicos, os ramos mais tradicionais da engenharia.

É importante notar que em quarto lugar vêm os pesquisadores de engenharia e tecnologia, bem distribuídos por todos os portes de empresa. Valeria à pena verificar como vem sendo a evolução da participação desse tipo de engenheiro no total de engenheiros durante os últimos anos.

Em quinto lugar, mas com uma distribuição menos homogênea do que os pesquisadores, estão os engenheiros agrossilvipecuários, indicando o peso do setor agropecuário na economia brasileira.

Num sexto lugar, próximo dos agrossilvipecuários, vêm os engenheiros de produção, qualidade e segurança, com concentração acima da média entre as empresas que contratam de 1 a 5 engenheiros, mostrando a preocupação crescente da micro e pequena empresa com qualidade e processos.

A contratação e a carreira dos engenheiros dentro da empresa

O caminho mais comum para entrada dos engenheiros na empresa é pela participação em programas de estágio (junto com o estudo) ou após um período como trainee. A necessidade de estágios é apontada como crucial por boa parte dos entrevistados como forma de superar a barreira da falta da prática no ensino de engenharia. A empresa é vista como participante do processo de formação real do engenheiro para as necessidades do mercado. Quando se fala nas correções ou ajustes que a educação de engenharia deveria sofrer, a questão da prática aparece sempre com destaque. A necessidade de estágios é tão grande que são poucos os engenheiros que se formam no tempo mínimo de cinco anos, face à necessidade de dividir o tempo entre estudos e estágios se quiserem ter chances reais de bons empregos quando formados.

Se a entrada nas empresas depende de um período de estágio e treinamento, a permanência dependerá cada vez mais de atualização e adaptação a novas técnicas e tecnologias. No panorama atual, um engenheiro pode esperar mudar de emprego 4 vezes entre a formatura e a aposentadoria, já que seu tempo de permanência médio na empresa é de 8,2 anos.

Em relação àcontratação de Engenheiros:

Programas para retenção de engenheiros para evitar que eles saiam da empresa

Programas para atração de engenheiros em final de formação ou recém formados ou não?

Treinamentos específicos dos engenheiros recémcontratados pela empresa

Contrata como estagiário ou trainee

Contrata engenheiros recém-formados Sim Não

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