Barragens Subterrâneas

Barragens Subterrâneas

(Parte 1 de 6)

Universidade Federal de Campina Grande - UFCG Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPq

José Wallace Barbosa do Nascimento

Marluce Araújo de Azevedo Soahd Arruda Rached Farias

Campina Grande - PB, 2008 a1 EDIÇÃO

Coordenador Geral

Prof. Dr. José Geraldo de Vasconcelos Baracuhy (UFCG)

Vice-coordenador

Prof. Dr. Dermeval Araújo Furtado (UFCG)

Projeto Gráfico (capa e miolo) Luiz Felipe de Almeida Lucena - Projetos e Consultoria em Design a 1 edição / 1impressão (2008): 250 exemplares

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Livro confeccionado com recursos oriundos do CNPq, referente ao edital MCT/CNPq/CTHIDRO: 37/2006

N244bNascimento, José Wallace Barbosa do
Barragens Subterrâneas / José Wallace Barbosa do

Nascimento; Marluce Araújo de Azevedo; Soahd Arruda Rached Farias . - Campina Grande: Gráfica Agenda, 2008. 96p. il.

ISBN: 978-85-60592-05-0

I. Título

1. Barragens Subterrâneas 2. Barragens - técnicas construtivas 3. Bacia Hidráulica I. Azevedo, M.A. de I.Farias, S.A.R. CDU 627.82

Editores

Soahd Arruda Rached Farias

José Wallace B. do Nascimento

Possui graduação em Engenharia Agrícola pela Universidade Federal da

Paraíba (1984), mestrado em Engenharia Agrícola pela Universidade Federal da Paraíba (1990) e doutorado em Engenharia Civil (Engenharia de

Estruturas) pela Universidade de São Paulo (1996). Atualmente é professor titular da Universidade Federal de Campina Grande. Tem experiência na área de Engenharia Agrícola, com ênfase em Construções Rurais e Ambiência, atuando principalmente nos seguintes temas: silos, ambiência, armazenamento, propriedade de fluxo e conforto térmico.

Graduada em Engenharia Agrícola pela Universidade Federal da Paraíba (1988), graduação em Administração de Empresas pela Universidade Estadual da Paraíba (1993) e doutorado em Engenharia Agrícola pela

Universidade Federal de Campina Grande (2006). Atualmente é Professora adjunta da Universidade Federal de Campina Grande-UFCG/UAEAg na área de mecanização agrícola e meio ambiente, pesquisadora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e socia voluntária da ONG Centro de Desenvolvimento Difusão e Apoio Comunitário. Tem experiência na área de Engenharia Agrícola, com ênfase em Irrigação e Drenagem, barragem subterrânea, água, semi-árido, solo, projetos agrícolas, Manejo Integrado de Bacia Hidrográfica.

Marluce Araújo de Azevedo

Possui mestrado em Engenharia Agrícola pela Universidade Federal da

Paraíba (1999). Atualmente é professora adjunta IV da Universidade Federal de Campina Grande. Tem experiência na área de Engenharia

Agrícola, com ênfase em Estrutura de Madeira, atuando principalmente nos seguintes temas: estrutura de madeira e construção rural.

A divulgação de técnicas de captação de água como solução para a região do Semi-Árido do Nordeste brasileiro é muito bem-vinda para a comunidade rural, considerando que, aí se tem baixa precipitação pluviométrica associada à irregularidade na distribuição de chuvas. E, isto, praticamente, inviabiliza a exploração de agricultura de sequeiro e deixa pouca disponibilidade de captação de água para consumo humano e animal durante todo o ano.

A grande oportunidade que temos em analisar livros dessa natureza é permitir que este material didático esteja ao alcance de estudantes de nível médio e superior, além de oferecer à comunidade técnica extensionista oportunidades de conhecimento prático, sem perder detalhes científicos sobre o que está sendo realizado no campo.

Este exemplar enfoca soluções de conservação de água para uma região com adversidades climáticas e armazenamento hídrico, onde a evaporação pode superar em três a quatro vezes, a chuva que se precipita. Destaque-se que, os trechos de vazantes (baixios e leito de riachos temporários), comumente explorados com agricultura de subsistência e de forragens para os animais. Nesse trecho, é possível encontrar o prolongamento de umidade combinado com o depósito natural de restos orgânicos vegetais oriundos de arrastos de encostas durante as enxurradas, tão comuns em chuvas de verão. Nessa área, a barragem subterrânea, associada a um poço amazonas, pode aumentar a reserva de água, e, assim, promover manejo adequado de exploração de agricultura com culturas anuais e tradicionais como: feijão, milho, culturas semiperenes ou perenes.

Através deste livro, o registro e divulgação de técnica agrícola simples promoverão a perpetuação da informação, servindo de consulta adequada por técnicos agrícolas e outros profissionais do ensino médio, e até como fonte inspiradora para desenvolvimento de técnicas melhoradas, a partir do que aqui está exposto. Isto porque a ciência tem a facilidade de obter novos arranjos técnicos de acordo com as necessidades da sociedade, principalmente, com custos baixos e de fácil execução para a população de menor poder aquisitivo.

Observa-se a preocupação de se escolher bem o local, a técnica apropriada de construção, a orientação do que deve ser plantado sobre a várzea úmida da barragem subterrânea, o porquê do seu sucesso em reter água e das formas de como captar a água, além da preocupação de qualidade da mesma, seja para consumo humano, irrigação ou dessedentação animal.

Joe Valle

Secretário de Ciência e Tecnologia para Inclusão Social - MCT

SUMÁRIO 13

Capítulo 1

Soahd Arruda Rached Farias Spachson Melo de Souza Silvana Fernandes Neto

O uso adequado de barragens subterrâneas tem por finalidade a própria água que pode ser extraída através de poços (poço amazonas ou cacimbas), como também pelo plantio na sua parte montante, porém saber realizar uma exploração racional requer planejamento, o proprietário precisa encontrar o melhor caminho de exploração pelo que ele precisa com o que ele tem disponível de área, uma barragem subterrânea terá uma maior acumulação, quando mais profundo for a média de escavação do barramento, como também pela largura do barramento, a porosidade de um solo em média representa em torno de 50%, a capacidade de retenção de água se baseia no ponto mais baixo do riacho (calha viva), e neste ponto teríamos a possibilidade de 100% dos poros vazios a serem preenchidos com água (nos melhores anos de chuvas com escoamento pelo riacho barrado), após este período, temos a redução gradativa do manancial, seja através da coleta de água, seja pela evaporação ou pela transpiração das plantas, em diversas profundidades a água pode ser aproveitada, quando no lençol freático interrompido pelo obstáculo, temos a água livre, dependendo da textura do sedimento, o principio de capilaridade permite que a água abasteça o sistema radicular mais profundo como por exemplo as forrageiras, e nos momentos de maior umidade, garante de um a dois ciclos de culturas anuais como feijão e milho.

Numa barragem subterrânea temos que planejar para os locais de maior fluxo de água (calha viva) a presença de culturas de sistema radicular profundo, e que possa sobreviver a enxurradas sem menores perdas de sua sustentação, recomenda-se para tal, a presença de capim elefante ou cameroun, pela massa verde proporcionada, como também sorgo e cana forrageira, todos possuem sistema radicular de boa profundidade (1,5 a 2,0 m) estando consolidado após o primeiro ano de plantio, e sendo renovado de acordo com a baixa produção ao longo dos anos de exploração da soca. Alguns agricultores possuem o hábito de plantar a cana com alavanca, fazendo um orifício em período chuvoso, e soltando a semente-cana praticamente na vertical, isto ajuda a consolidar as raízes mais rápido em profundidades maiores, dando sobrevida ao plantio principalmente os que se encontram na parte a montante mais distante do barramento. Para a parte do terreno mais distante do barramento, tem sido opção de plantio o sorgo forrageiro e o milheto decorrente de menores necessidades de água para completar o ciclo de produção. Outra técnica muito comum para aumentar a contenção de solos e matéria orgânica durante as enxurradas, é fazer plantios transversais ao sentido do fluxo do riacho, em forma de “zig zag” deixando-se brechas por onde o maior fluxo da água é direcionado a percorrer, o que diminuem a velocidade da água , auxiliando em maiores infiltrações pela passagem da água nos riachos, além de proporcionar sedimentação dos solos que eventualmente são carreados nas chuvas de grande intensidade,

As áreas menos sujeita a inundação nas enxurradas pode ser escolhida para plantio de culturas renováveis, e mais próximas da barragem para usufruir da umidade da mesma ao final do período chuvoso.

As arbóreas podem ser utilizadas nas bordas do leito do riacho, onde a mesma possa crescer e consolidarem suas raízes através de pequenas irrigações com baldes, e que em fase adulta possa já usufruir da água represada, porém não deixar tais plantas próximo ao poço nem perto do barramento com lona plástica, para evitar alguma alteração nas obras decorrente das raízes.

O feijão (Phaseolus vulgaris) é um dos alimentos básicos do povo brasileiro e de grande parte da América Latina. Tal produto apresenta não somente importante fonte de proteína, como também elevado valor energético, quando comparado a outros alimentos (FANCELLI & DOURADO NETO, 2005). A média nacional de produtividade do feijoeiro em sistema

-1convencional está situada em 1.136 kg ha , valor obtido pela safra 06/07 no Brasil (MAPA, 2007). Esses pequenos estabelecimentos produzem uma diversidade de produtos, em especial alimentos que são a base da alimentação do povo brasileiro: cerca de 31% do arroz, 70% do feijão e 49% do milho que são produzidos no Brasil provêm de pequenas propriedades. Feijão, milho e arroz são cultivados em cerca de 46%, 5% e 20% dos estabelecimentos familiares, respectivamente (INCRA, 2000).

A base do sucesso do sistema orgânico é um solo “sadio”, bem estruturado, fértil, com macro e micronutrientes disponíveis às plantas em quantidades equilibradas, com bom teor de matéria orgânica, água, ar e boa atividade biológica e bom suprimento de nutrientes, pois é o solo e não o adubo que deve nutrir a planta. Além disso, o solo deve estar sempre coberto para evitar erosão (Cruz, 2006). Ao realizar plantio em ambientes que deseje captar água para consumo humano, animal ou para “gasto”, é muito importante lembrar que a aplicação de agrotóxicos poderá levar a contaminação da água do poço amazonas, o que não é desejável, sendo importante observar práticas da agricultura orgânica em todas as culturas a serem implantadas.

Cultura do Sorgo para suporte forrageiro (cocho e ensilado)

O sorgo (Sorghum bicolor (L.) Moench.) provavelmente foi “domesticado” na Etiópia, cerca de 5.0 anos atrás, e em seguida foi cultivado na África Ocidental, desde o Sudão até o rio Niger. Esta “domesticação” possivelmente se processou cerca de 1.500 anos antes de serem desenvolvidos os primeiros arados de madeira (Fernandes, 1981). É uma cultura relativamente nova nas Américas, tendo sido introduzido nos Estados Unidos em 1857. No Brasil, a sua introdução se atribui aos escravos, onde a cultura ficou conhecida como milho d'Angola (Lira, 1981).

Segundo Ribas (1992), além destes aspectos, evidenciam-se outros que interferem o desenvolvimento da cultura (sorgo granífero e forrageiro), e são atribuídos a explorações mal sucedidas: teor de tanino, teor de HCN; despigmentação dos grãos; efeitos alelopáticos sobre culturas sucessoras, etc. Estes temas que polemizam as reuniões técnicas necessitam ser desmistificados e reduzidos à sua real dimensão técnico-científica, como acontece em todos os países produtores e consumidores de sorgo do mundo. Vale frisar que no Brasil existe mais preconceito em relação à cultura do sorgo do que em qualquer outro país do planeta.

O sorgo consiste de planta típica de clima quente, de características xerófilas, que além da sua baixa exigência em termos de riqueza mineral do solo, apresenta tolerância/resistência aos fatores abióticos, tais como: estresse hídrico, salinidade e encharcamento (planta mais tolerante depois do arroz). Além disto, apresenta elevada eficiência de uso de água, sendo necessários, em média, 250 a 400g de água para produzir 1g de matéria seca. O IPA –Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária tem realizado muitas pesquisas em melhoramento da cultura do Sorgo, sendo conveniente realizar contatos com esta entidade para obter sementes com melhor rendimento para o clima e região onde deseja ser explorado. Nesta cultura, a eficiência de uso de água é superior a grande maioria das gramíneas tropicais (Tabosa et al., 1987), conforme tabela 2.

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