Geografia do mar

Geografia do mar

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PRESIDENTE DA REPÚBLICA Luiz Inácio Lula da Silva

MINISTRO DA EDUCAÇÃO Fernando Haddad

SECRETÁRIO-EXECUTIVO DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO Jairo Jorge da Silva

COMANDANTE DA MARINHA/COORDENADOR DA COMISSÃO INTERMINISTERIAL PARA OS RECURSOS DO MAR Almirante-de-Esquadra Roberto de Guimarães Carvalho

Contra-Almirante José Eduardo Borges de Souza

COLEÇÃO EXPLORANDO O ENSINO VOLUME 8

Vol. 1 – Matemática (Publicado em 2004) Vol. 2 – Matemática (Publicado em 2004) Vol. 3 – Matemática: ensino médio (Publicado em 2004) Vol. 4 – Química Vol. 5 – Química Vol. 6 – Biologia Vol. 7 – Física

Geografia : ensino fundamental e ensino médio : o mar no espaço geográfico brasileiro / coordenação Carlos Frederico Simões Serafim, organização Paulo de Tarso Chaves. – Brasília : Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2005. 304 p. (Coleção explorando o ensino , v. 8)

1. Ensino de Geografia. 2. Ensino fundamental. 3. Ensino médio.

I. Serafim, Carlos Frederico Simões. I. Chaves, Paulo de Tarso. I. Brasil. Secretaria de Educação Básica. IV. Título: O mar no espaço geográfico brasileiro.

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Centro de Informação e Biblioteca em Educação (CIBEC)

O Mar no Espaço Geográfico Brasileiro

SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO BÁSICA Francisco das Chagas Fernandes

PRESIDENTE DO FNDE José Henrique Paim Fernandes

DIRETORA DO DEPARTAMENTO DE POLÍTICAS DE ENSINO MÉDIO – SEB Lucia Helena Lodi

DIRETOR DE PROGRAMAS ESPECIAIS – FNDE Leopoldo Jorge Alves Júnior

COORDENADOR GERAL DE POLÍTICAS DE ENSINO MÉDIO – SEB Francisco Potiguara Cavalcante Júnior

COORDENADORA GERAL DE ASSISTÊNCIA AOS SISTEMAS DE ENSINO – SEB Magda Rejane Cordeiro de Araújo Soares

EQUIPE TÉCNICA SEB/MEC Alípio Dias dos Santos Neto Lunalva da Conceição Gomes Maria Marismene Gonzaga Pedro Tomaz de Oliveira Neto

Tiragem 177 mil exemplares

Esplanada dos Ministérios, Bloco L, sala 500

CEP: 70047-900 Brasília-DF Tel. (61) 2104-8177 / 2104-8010 http://www.mec.gov.br

COORDENAÇÃO Carlos Frederico Simões Serafim

ORGANIZAÇÃO Paulo de Tarso Chaves

REVISÃO Paulo de Tarso Chaves Fábio Hissa Vieira Hazin José Eduardo Borges de Souza Luiz Guilherme Sá de Gusmão

REVISÃO FINAL Joíra Furquim Suely Touguinha

PROJETO GRÁFICO Erika Ayumi Yoda Nakasu Wilsimar Catarina Carvalho dos Santos

CAPA Cláudio Rogério Guerra

1 – A OUTRA AMAZÔNIA17
2 – BANDEIRANTES DAS LONGITUDES SALGADAS19
PERGUNTAS E RESPOSTAS23
1 – MENTALIDADE MARÍTIMA27
A FORMAÇÃO DO BRASIL27
A MARITIMIDADE BRASILEIRA28
O MAR VISTO PELO BRASILEIRO29
OS RESULTADOS MAIS INTERESSANTES31
Mentalidade marítima31
Indústria naval, portos e Marinha Mercante31
Exploração de petróleo off-shore31
Pesca?32
Poluição marinha32
Pesquisa oceanográfica32
Praias — O uso lúdico do mar3
ESPORTE E LAZER3
CONSCIENTIZAÇÃO, PARCERIA E SOLIDARIEDADE34
2 – A POLUIÇÃO MARINHA EM ÁGUAS NACIONAIS37
O CENÁRIO SOCIOECONÔMICO37
O CENÁRIO INTERNACIONAL38
O CENÁRIO NACIONAL39
3 – TRÁFEGO MARÍTIMO40
INTRODUÇÃO E CONCEITUAÇÃO40
SIGNIFICADO ESTRATÉGICO DAS VIAS DE COMUNICAÇÃO MARÍTIMA42
O mar e sua importância42
Transporte no Brasil42
Transporte marítimo43
4 – MARINHA MERCANTE43
EVOLUÇÃO HISTÓRICA4
ATUAL CONJUNTURA45
CABOTAGEM48
FROTA DE LONGO CURSO49
AS EMPRESAS DE NAVEGAÇÃO50
COMÉRCIO EXTERIOR50
CONCLUSÕES51
5 – PORTOS?52
BREVE HISTÓRICO52
CONJUNTURA53
6 – CONSTRUÇÃO NAVAL54
BREVE HISTÓRICO54
ATUAL CONJUNTURA DA CONSTRUÇÃO NAVAL NO BRASIL56
Conceitos iniciais56
Construção Naval Civil57
Construção Naval Militar59

DIAS MELHORES PARA O SETOR NAVAL NO BRASIL ...........................................................47 CARLOS JOSÉ SILVA MONTEIRO ROBERTO SANTOYO

CAPÍTULO 3

1 – ILHA DA TRINDADE E ARQUIPÉLAGO MARTIN VAZ65
TRINDADE: COBIÇADA DESDE O INÍCIO DAS GRANDES NAVEGAÇÕES67
O CLIMA DAS ILHAS69
A FLORESTA NEBULAR DE SAMAMBAIAS-GIGANTES70
O ISOLAMENTO GEOGRÁFICO CRIOU UM PARAÍSO71
Os crustáceos71
As tartarugas-marinhas72
As aves marinhas73

NOSSAS ILHAS OCEÂNICAS Os peixes ..?71 LUIZ GUILHERME SÁ DE GUSMÃO

2 – ARQUIPÉLAGO DE SÃO PEDRO E SÃO PAULO74
3 – ARQUIPÉLAGO DE FERNANDO DE NORONHA80
OCUPAÇÃO HUMANA NO ARQUIPÉLAGO81
O CLIMA DAS ILHAS82
VEGETAÇÃO TERRESTRE83
ISOLAMENTO GEOGRÁFICO84
Os crustáceos84
As tartarugas-marinhas86
As aves marinhas86
Golfinhos rotadores87

Os peixes ..?84 JOÃO LUIZ GASPARINI RAPHAEL M. MACIERA

4 – ATOL DAS ROCAS8
AS ORIGENS DO ATOL89
UM PASSADO DE LENDAS E NAUFRÁGIOS90
O CLIMA DO ATOL91

COMUNIDADES BIOLÓGICAS PRESENTES NO ATOL DAS ROCAS .....................................92

Composição dos recifes de coral e das comunidades bentônicas associadas92
As aves?95
As tartarugas-marinhas96
ESTADO DE CONSERVAÇÃO E PRINCIPAIS AMEAÇAS AO ATOL96

Caracterízação da flora ............................................................................................................92 Os peixes ..?94 JOÃO LUIZ GASPARINI LEANDRO P. CHAGAS

1 – INTRODUÇÃO E DEFINIÇÕES101
2 – CARACTERIZAÇÃO DA ZONA COSTEIRA DO BRASIL103
DE ACORDO COM AS CADEIAS TRÓFICAS112
ECOSSISTEMA PELÁGICO BASEADO NO FITOPLÂNCTON112
ECOSSISTEMA BÊNTICO DA PLATAFORMA CONTINENTAL113
ECOSSISTEMAS DE MANGUEZAIS NA REGIÃO ESTUARINA-LAGUNAR114
ECOSSISTEMA COSTEIRO BASEADO NA PRODUÇÃO DE ALGAS MARINHAS115

3 – CARACTERIZAÇÃO DA ZONA COSTEIRA DO BRASIL CARLOS FREDERICO SIMÕES SERAFIM FÁBIO HAZIN

4 – RECIFES DE CORAL116
5 – MANEJO E CONSERVAÇÃO DOS ECOSSISTEMAS COSTEIROS122
6 – OS DESAFIOS DA GESTÃO DOS ECOSSISTEMAS – INICIATIVAS BRASILEIRAS126
7 – CONSIDERAÇÕES FINAIS127
PERGUNTAS E RESPOSTAS130

CAPÍTULO 5

1 – RECURSOS VIVOS135
AQÜICULTURA E PESCA136
A aqüicultura e a pesca no mundo136
A aqüicultura e a pesca no Brasil140
BRASILEIRA DE PESCADO?144
Pesca artesanal: Continental e Costeira (plataforma e talude)144
Pesca oceânica (atuns e afins)145
Pesca oceânica (demersais de profundidade)148
Aqüicultura150
RECURSOS MINERAIS NÃO-METÁLICOS SUPERFICIAIS162
Granulados162
Depósitos de minerais pesados166
RECURSOS MINERAIS METÁLICOS SUPERFICIAIS171
Nódulos polimetálicos171
Crostas de ferro e manganês174
Depósitos hidrotermais174
RECURSOS MINERAIS SUBSUPERFICIAIS176
Evaporitos e enxofre176
Carvão?177
CONSIDERAÇÕES FINAIS177
3 – RECURSOS ENERGÉTICOS178
PETRÓLEO178
A exploração de petróleo178
A exploração de petróleo na margem continental brasileira180
Atividades na área oceânica182
Garoupa, a primeira grande descoberta183
GÁS NATURAL185
HIDRATOS DE GÁS186
PERGUNTAS E RESPOSTAS189
1 – INTRODUÇÃO197
2 – UNIDADES DE CONSERVAÇÃO COSTEIRAS E MARINHAS198
HISTÓRICO199
SISTEMA NACIONAL DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO (SNUC)200
3 – UNIDADES DE CONSERVAÇÃO COSTEIRAS E MARINHAS NO BRASIL204
1 – INFLUÊNCIA DAS CORRENTES OCEÂNICAS NO CLIMA DO BRASIL209
2 – AS CORRENTES MARINHAS DO BRASIL212

3 – EL NIÑO E LA NIÑA ................................................................................................................213 ANTÔNIO CLÁUDIO MAGALHÂES VIEIRA DANIELLE SARA CORREIA ALVES EMMA GIADA MATSCHINSKE

4 – NÍVEL DO MAR216
COMO MEDIR O NÍVEL DO MAR?217
POR QUE MEDIR O NÍVEL DO MAR?217
QUAIS SÃO AS POSSÍVEIS CAUSAS DA VARIAÇÃO DO NÍVEL DO MAR?218
O QUE É MARÉ?218
COMO É REALIZADO O MONITORAMENTO DO NÍVEL DO MAR NO BRASIL?218
5 – EROSÃO COSTEIRA218
O QUE É EROSÃO COSTEIRA?218
DE EROSÃO NA ZONA COSTEIRA BRASILEIRA?219
GESTÃO DO PROBLEMA220
6 – PRAIAS ARENOSAS221
MORFOLOGIA PRAIAL221
OS TIPOS DE PRAIAS ARENOSAS OCEÂNICAS2
ARREBENTAÇÃO DE ONDA NA PRAIA223
RESSACAS OU ONDAS DE TEMPESTADE224
DUNAS?226
7 – O CLIMA DA AMAZÔNIA AZUL226
8 – A IMPORTÂNCIA DOS OCEANOS PARA O EQUILÍBRIO CLIMÁTICO DO PLANETA230
9 – CAMADA DE OZÔNIO233
O QUE É A CAMADA DE OZÔNIO?233
POR QUE A CAMADA DE OZÔNIO ESTÁ SENDO DEGRADADA?234
O QUE O BRASIL ESTÁ FAZENDO?235
PERGUNTAS E RESPOSTAS237
O FUTURO DOS OCEANOS: DESAFIOS E PERSPECTIVAS241

CAPÍTULO 8 CARLOS FREDERICO SIMÕES SERAFIM

PERGUNTAS E RESPOSTAS248
NO MAR, NOSSA ÚLTIMA FRONTEIRA255

CAPÍTULO 9 ROBERTO DE GUIMARÃES CARVALHO

DAS CIÊNCIAS DO MAR261
AÇÕES BRASILEIRAS VOLTADAS PARA OS RECURSOS DO MAR265

A Secretaria de Educação Básica/SEB, do Ministério da Educação, tem o prazer de oferecer aos professores de 5ª a 8ª séries do Ensino Fundamental e do Ensino Médio o volume 8 da Coleção Explorando o Ensino. Lançada em 2004, essa coleção tem o objetivo de apoiar o trabalho do professor e de ampliar seus recursos instrucionais, permitindo maior aprofundamento dos conteúdos de cada disciplina e sugerindo novas formas de abordá-los em sala de aula. A coleção está composta, até o momento, dos volumes de Matemática (1, 2 e 3), Química (4 e 5), Biologia e Física. A presente edição trata do ensino de Geografia.

Este volume, desenvolvido em parceria com a Secretaria da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (SECIRM), possibilitará aos professores de Geografia apreender conhecimentos sobre estudos, pesquisas e atividades sobre o mar e suas potencialidades. O propósito é despertar nos docentes dessa disciplina consciência e reflexão sobre a importância econômica e estratégica do mar para as nações, em especial para o Brasil, que possui uma costa marítima de cerca de 8 mil quilômetros.

De modo geral, desde os primórdios da civilização, o mar tem sido um dos elementos de decisiva influência sobre as organizações social, econômica e cultural de um povo. Inicialmente, pela utilização de recursos pesqueiros e pelo comércio marítimo entre localidades próximas; posteriormente, como via de transporte para os exploradores que se lançavam no oceano, descobrindo novas terras e rotas comerciais e alargando as fronteiras do mundo então conhecido.

A formação histórica da nação brasileira está intimamente ligada ao mar. Para o nosso país, o mar foi a via da chegada dos portugueses, da colonização, das invasões estrangeiras, da consolidação da independência e do comércio exterior. Nossas fronteiras terrestres foram consolidadas há um século, no entanto, as fronteiras marítimas ainda não estão definitivamente estabelecidas.

O estudo sobre o mar precisa ser estimulado nas escolas, pois tem um importante papel no contexto dos estudos geográficos.

A expectativa é que esta edição seja um instrumento valioso de apoio aos procedimentos de ensino e de aprendizagem e que a apropriação de informações e conceitos, pelos professores de Geografia, possa ser compartilhada com os alunos do Ensino Fundamental e do Ensino Médio.

A Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM), em vigor desde 1994 e ratificada por 148 países, inclusive pelo Brasil, estabelece que, no Mar Territorial, todos os bens econômicos existentes no seio da massa líquida, sobre o leito do mar e no subsolo marinho, constituem propriedade exclusiva do país ribeirinho. Estabelece ainda que, ao longo de uma faixa litorânea de 200 milhas náuticas de largura, chamada de Zona Econômica Exclusiva (ZEE), esses bens podem ser explorados com a mesma exclusividade. E mais: quando a Plataforma Continental (PC), prolongamento natural da massa terrestre de um Estado costeiro, ultrapassa essa distância, é possível estender a propriedade econômica do Estado, de acordo com a aplicação de critérios específicos, a até 350 milhas náuticas. Essas áreas somadas, no caso do Brasil, constituem uma imensidão de aproximadamente 4,5 milhões de quilômetros quadrados, o que equivale à metade da extensão de nosso território terrestre.

Como forma de dar ao brasileiro uma idéia do que representa essa imensidão de mar, costumamos chamá-la de Amazônia Azul, permitindo associar-se com a Amazônia Verde, não por sua localização, mas por suas dimensões e riquezas.

Na Amazônia Azul estão presentes questões econômicas e estratégicas, como o caso de cerca de 95% do nosso comércio exterior depender do transporte marítimo. Considerando a soma de importações e exportações, esse comércio superou, em 2004, a casa de 160 bilhões de dólares americanos.

Em tempos de globalização, muitos de nossos produtos empregam insumos importados, de tal sorte que interferências nas linhas de comunicações marítimas podem levar a economia brasileira ao colapso. De fato, somos tão dependentes do tráfego marítimo que ele se constitui em uma das grandes vulnerabilidades estratégicas do País.

O petróleo é outra grande riqueza da nossa Amazônia Azul. No limiar da auto-suficiência, o Brasil prospecta, no mar, cerca de 80% de seu petróleo e mais de 50% de seu gás natural. É fácil concluirmos que, privado desses recursos, o País paralisaria, em decorrência da crise energética e de insumos.

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